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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ditabranda, parte 2

Na Folha de S. Paulo de ontem o artigo de Marco Antonio Villa dá nos nervos. Há um dia da manifestação programada pelo Movimento dos Sem-Mídia na porta do jornal contra o editorial que falava da "ditabranda", o historiador (num artigo literalmente encomendado) diz que "É rotineira a associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai). Nada mais falso. (...) Somente o presidente Ernesto Geisel criou mais de uma centena de estatais. Os governos militares industrializaram o país, modernizaram a infraestrutura, romperam os pontos de estrangulamento e criaram as condições para o salto recente do Brasil, como por meio das descobertas da Petrobras nas bacias de Santos e de Campos nos anos 1970."
Sem dúvida ele não militou na clandestinidade e não deve ter tido nenhum amigo perseguido ou morto. Nem mesmo sua carreira deve ter sido interrompida ou não viveu permanentemente ameaçado com esposa e filhos. Li em algum lugar o seguinte: "Que diferença existe entre ser assassinado com vinte tiros ou ser abatido com um apenas, mas certeiro?". O golpe foi desfechado (com apoio da FSP à época em manchetes claras que a história não esquece) e implementou, além do terror, um regime tecnocrático-militar visando o desenvolvimento capitalista dependente, tanto na economia, quanto na cultura. Parabéns Villa, você conseguiu me irritar com seu artigo relativista. Obrigado.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Coletivo Jovelina e Revista do Brasil

Algumas coisas pra dizer. Muita correria nos últimos dias e o blog ficou meio de lado. Inevitável. Estou readaptando a minha rotina por alguns motivos, ei-los: emprego novo. Agora sou repórter da Revista do Brasil, começei essa semana e, ainda pegando o jeitão em meio ao mundo de informações que tenho que adquirir, estou gostando bastante. A proposta editorial é bem intencionada e justa, privilegiando a boa condução jornalística. Com um portal de notícias a ser lançado em Abril, no qual dedicarei maior parte do tempo, terei no jornalismo diário de web um desafio tentador e de muito valor.
Outra causo pra dizer é sobre a tal pesquisa do nome jovelina que postei por aqui. É que eu e mais três amigas jornalistas estamos montando um Coletivo de jornalismo e arte, chamado Jovelina. Faremos um site lá pra frente, antes lançaremos um blog pra pegar ritmo, com jornalismo de primeira, porque a equipe é pra lá de qualificada. Todos advindos da Escola Sérgio de Souza, nosso mestre. Daí fazer jornalismo do jeitão autoral, humano, tentando agregar mais pessoas interessadas em sair da mesmice, ter idéias em comunicação e arte, sempre com viés do "prazer de fazer", pela paixão de informar com critério, relevância e, sobretudo, pensando no leitor. Queremos pilhar e criar. Estamos elaborando a proposta, o manifesto, pra daí cair na rede mundial. Queremos ser lidos, ouvidos, vistos, fazer diferença com conteúdo do bom, porque o que a gente quer é jornalismo com idéias.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Definição da arte

Portinari saiu - dizia Portinari. Por um instante espiava, batia a porta e desaparecia.
Eram os anos trinta, caçada de comunistas no Brasil, e Portinari tinha se exilado em Montevidéu.
Iván Kmaid não era daqueles anos, nem daquele lugar; mas muito tempo depois, ele espiou pelos furinhos da cortina do tempo e me contou o que viu: Cândido Portinari pintava da manhã à noite, e noite afora também.
- Portinari saiu, dizia
Naquela época, os intelectuais comunistas do Uruguai iam tomar posição frente ao realismo socialista e pediam a opinião do prestigiado camarada.
- Sabemos que o senhor saiu, mestre - disserram, e suplicaram:
- Mas a gente não podia entrar um momento? Só um momentinho.
E explicaram o problema, pediram sua opinião.
- Eu não sei não - disse Portinari.
E disse:
- A única coisa que eu sei é o seguinte: arte é arte, ou é merda.

Livro dos Abraços, Eduardo Galeano, L&PM Pocket

domingo, 1 de março de 2009

Tango do bom

Ontem estive no auditório do ibirapuera, à noite, para assistir ao espetáculo da Orquesta Típica Fernández Fierro (OTFF), da Argentina. Aliás, espetáculo a parte é o próprio auditório, obra do gênio Niemeyer. Nascida em 2001, a OTFF organiza-se como cooperativa, grava seus discos de maneira independente e administra seu próprio clube, o CAFF (Clube Atlético Fernández Fierro). Ontem eles tocaram o último CD "Mucha mierda", mas já têm quatro anteriores. Em 2006 foram indicados para o Prêmio Gardel como Melhor Álbum de Orquestra de Tango. Vou colocar aqui um vídeo do Youtube, da música "Che Bandoneon", instrumento esse, o Bandoneon, alma do Tango, de um vigor e força que arrepiam. Do que li e vi ao vivo, concordo que o OTFF tem uma estética punk mais forte do que a tangueira, com um show cheio de luzes e representações teatrais. É uma renovação na forma de sentir a música, com mais humor e menos tristeza.

Identidades em Trânsito

Do Porta Curtas um belo documentário: Identidades em Trânsito, que trata das experiências de estudantes de Guiné-Bissau e Cabo Verde formados no Brasil. O filme aborda a saída, a chegada, adaptação no Brasil, e o retorno desses estudantes aos seus países de origem. O documentário é de 2007 e já ganhou mais de 13 prêmios. Os diretores são Daniele Ellery e Márcio Câmara. Clique na imagem para assistir, são 19 minutos.
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