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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

As mudanças na Folha de S.Paulo

Como não poderia deixar de ser, por mais de 1 hora na aula desta segunda-feira, 24 de maio, puxei o assunto com os meus alunos de 7º semestre de uma faculdade privada de São Paulo. Muitos pontos foram discutidos e tentarei mesclar um pouco do que foi falado em sala com o que escreve Alex Primo (que tratou sobre o mesmo assunto em seu Dossiê) com o qual concordo em linhas gerais.
“Assim que peguei o jornal em minhas mãos vi o mesmo anúncio com Fernanda Torres que anunciava: 'Enquanto se discutia o futuro do jornal, a Folha fez o jornal do futuro'. Jornal do Futuro? Quando vi esse mesmo anúncio há uma semana, fiquei tentando antever o que as renovadas páginas do jornal nos trariam. Fiquei torcendo por mais opinião e o fim de manchetes que repetiam o que todo mundo já sabia desde ontem. Além disso, imaginei que o projeto gráfico ficaria tão moderno ao ponto de lembrar páginas de portais da Web (seria mais uma concretização do conceito de remediação!)”, analisa o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Na tentativa de salvar o jornal impresso, as empresas de mídia estão apostando em muitas fórmulas, e a Folha não fugiu à tendência. Sem dúvida, numa estridente divulgação, o jornal chamou a atenção dos leitores (muito mais do que a recente e acanhada mudança no Estadão) e gerou uma mudança radical na roupagem - aliás, dá vontade de clicar em alguma frase colorida da primeira página do impresso, que mais parece a capa de um site de notícias. Em relação ao conteúdo, fica a mesma dúvida apresentada ao Frias no documentário divulgado pelo grupo: como pode ser mais analítico e mais conciso ao mesmo tempo?
Diz Primo em outra parte: “Enquanto o elevador me levava até meu apartamento, fui abrindo os primeiros cadernos do jornalão… eu não podia esperar para ver o jornal do futuro. A Folha prometia revolucionar o jornalismo impresso e eu, um assinante de anos, queria ser testemunha desse momento histórico. Pois eis que à medida que eu ia folhando as páginas dos cadernos, meu entusiasmo foi perdendo força. Sim, encontrei um novo projeto gráfico, que oferecia mais cor e melhor legibilidade. Mas onde se escondia a revolução prometida?”.

Página de frases da Veja?
É fato que a Folha impressa buscou uma aproximação grande com algumas das principais características da Internet, e a aposta tanto pode dar certo quanto pode ter sido um tiro no pé. O Ilustríssima trouxe uma página chamada “Minha História”. A “Folha Corrida”, que já existia no Cotidiano, mais parece a página de frases da Veja. Bem, eu não duvido que a grande maioria dos impressos diários se transforme em semanários em alguns anos.
Ainda sobre o Ilustríssima, eis duas páginas que vale a pena citar. A da esquerda, que fala sobre eventos culturais, foi inteira produzida lembrando uma infografia, que remete a linhas de metrô. Nem melhor nem pior, apenas diferente, como diz o slogan de uma escola de samba carioca. A maioria dos alunos gostou. Acho que combina mais com a Internet – e fico querendo passar o mouse nestas bolinhas para ver se abre uma caixa de texto. E o texto da direita, “O cachorro”? Com aparência de blog, parece que foi inteiro selecionado com o mouse, para depois receber um ctrl+c e ctrl+v.
As mudanças no caderno Esportes foram boas. Nenhuma novidade, já que outros impressos partiram antes para o mesmo caminho. Fotos com mais qualidade de impressão (aparentemente) – novamente uma alusão a uma revista – e em maior quantidade. Ficou colorido e mais leve.
No geral, “é bem verdade que a diagramação ganhou mais movimento. Ficou menos dura e quadrada. Os encorpados títulos e intertítulos poderão captar a atenção do leitor mais ligeiro (…)”, diz Alex Primo. E a conclusão do gaúcho também será aproveitada: “A Folha ontem apresentou apenas mais uma reforma (…) Agora, se ela acha que isso é o jornal do futuro, realmente os jornais impressos não tem salvação”.

Paulo Rodrigo Ranieri
é mestre em jornalismo, professor e pesquisador da comunicação no contexto digital, membro do grupo Atopos - ligado a USP - e colunista do Nota de Rodapé; mantém também o espaço Do Analógico ao Digital.

segunda-feira, 29 de março de 2010

1989: debate Lula x Collor e a atuação de Armando Nogueira

Armando Nogueira, 83, faleceu nesta segunda-feira, 29 de março, deixando um legado na profissão que o consagrou. Poeta e cronista esportivo dos mais brilhantes, o “mestre”, como era comumente chamado, nasceu na mesma terra de Chico Mendes, o protetor da floresta, em Xapuri no Acre.
Além de sua considerada habilidade para tratar do esporte nacional, suas paixões - o futebol moleque e o Botafogo - se complementavam com sua alma de jornalista. Armando Nogueira também foi pioneiro do telejornalismo, responsável pela implantação do jornalismo na Rede Globo, onde criou o Jornal Nacional. E foi, por consequência, um dos pivôs de um importante momento político nacional com sua posição exemplar em defesa do sobriedade da profissão.
Me refiro ao debate Lula x Collor nas eleições de 1989, editado a favor do candidato marajá. No vídeo, produzido pelos alunos do 2º Semestre de Jornalismo da Unisa, Armando comenta os bastidores do processo da edição descompensada no que seria, em linhas gerais, o melhor de Collor e o pior de Lula. Armando saiu da emissora em seguida, seguindo novos projetos. Essa é a homenagem do Nota de Rodapé.

Peça antológica de mau jornalismo”


“A minha revelia eles deformaram a edição”
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