.

.
30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
Mostrando postagens com marcador equadro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador equadro. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Tadeu Breda, colaborador do NR, lança livro sobre o Equador

Livro do jornalista Tadeu Breda desfaz mitos
sobre o governo Rafael Correa e ajuda a decifrar
o processo de transformação política no Equador e na América Latina

No próximo dia 5 de maio, o jornalista Tadeu Breda lança em São Paulo um extenso livro sobre o Equador antes, durante e depois da ascensão do presidente Rafael Correa e sua Revolução Cidadã. Porém, O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento não fala apenas de política: questões econômicas, sociais e ecológicas permeiam as 320 páginas que constroem o retrato mais fiel já publicado em língua portuguesa sobre a história recente do país vizinho.
O livro aborda a transição reformista que vem ocorrendo no Equador e os conflitos produzidos no seio da sociedade equatoriana devido ao processo de transformação. Para cumprir com este objetivo, Tadeu Breda acompanhou de perto as eleições de 2009 e conversou pessoalmente com os principais candidatos: Lucio Gutiérrez, Álvaro Noboa e, claro, Rafael Correa, que acabou vencendo a peleja e garantindo mais quatro anos no cargo.
Igual atenção foi dada ao movimento indígena, principal força social do país e ponta de lança das transformações políticas, econômicas e sociais que estão acontecendo por lá. Uma delas é a nova Constituição Plurinacional, que ocupa posição de destaque no livro. A Carta Magna equatoriana foi a primeira na América Latina em reconhecer direitos à natureza e adotar um princípio indígena (Sumak Kawsay ou bom-viver) como modelo de desenvolvimento.
O autor também dedicou suas atenções para as influências ideológicas que definem o governo da Revolução Cidadã. Assim, pôde trazer elementos que ajudam a compreender porquê Rafael Correa fala tanto em Simón Bolívar e o que significa Socialismo do Século XXI.
Os desafios ecológicos estão presentes no tocante relato sobre um dos maiores desastres ambientais de que se tem notícia – e que aconteceu na Amazônia equatoriana quando a companhia estadunidense Chevron-Texaco despejou na floresta milhões de galões de petróleo e outros elementos tóxicos. O resultado foi a contaminação do ar, da água e do solo devido às piscinas negras que há mais de 30 anos permanecem à céu aberto em meio à mata. A população sofre diretamente os efeitos da tragédia: os índices de câncer são os mais altos do país, e o desenvolvimento humano, o mais baixo.
O livro termina com um texto aprofundado sobre a tentativa de golpe de Estado (ou teria sido motim policial?) que em setembro de 2010 manteve Rafael Correa sequestrado e à mira de pistola durante horas – e quase lançou o país novamente na instabilidade institucional.
“Fruto do que pretendia ser uma grande reportagem, o trabalho de Tadeu Breda ultrapassou o almejado pela qualidade das questões e análises sobre o que vem acontecendo no Equador”, opina Maria Helena Capelato, titular de História da América Latina na Universidade de São Paulo.
“O Equador é um país que historicamente esteve distante do noticiário brasileiro. Aliás, todos os vizinhos latino-americanos têm sido alvo de nosso esquecimento. A situação mudou um pouco com a ascensão dos presidentes de esquerda, mas a cobertura dos meios de comunicação, muitas vezes superficial, acaba não contribuindo para a compreensão do que de fato está acontecendo nestes países”, explica o autor.
“Os episódios narrados no livro devem ser encarados como parte de um processo cujas engrenagens estão em pleno movimento. Nada está definido no Equador. Por isso, mais que jogar luzes sobre o futuro do país, busquei entender o que aconteceu no passado e o que está acontecendo no presente. Espero que essa tentativa ajude a desfazer mitos e preconceitos sobre a realidade equatoriana e consiga informar, da melhor maneira possível, o leitor interessado em decifrar o momento vivido pela América Latina neste alvorecer de século e (já não tão) novos governos.”

Viagem irresistível
“Tadeu Breda nos convida para uma viagem irresistível: percorrer os marcos visíveis e os subterrâneos de uma sociedade em turbulência há mais de uma década”, escreve o pesquisador Gilberto Maringoni no prefácio do livro, lembrando que o Equador chegou a ter sete presidentes diferentes em dez anos. “O autor realiza com rara competência um exame deste que é um dos pontos luminosos do processo de reação continental à aventura ultraliberal que varre a América Latina desde o final dos anos oitenta.”
Rafael Correa foi eleito em 2006 na esteira de três golpes de Estado civis e militares que contaram com ampla participação popular. Abdalá Bucaram foi derrubado em 1996, Jamil Mahuad, em 2000 e Lucio Gutiérrez, em 2005. Em comum, todos eles traficaram com a esperança do eleitorado: foram eleitos com uma plataforma nacionalista que prometia desenvolvimento e bem-estar, mas, uma vez na Presidência, não hesitaram a adotar políticas neoliberais pautadas pela privatização e pelo corte nos investimentos sociais (educação, saúde e subsídios).
A subserviência ao FMI e ao Banco Mundial chegou a tal ponto que, em 1999, o país simplesmente abandonou sua moeda nacional (sucre) e adotou o dólar estadunidense como unidade de circulação interna. Até hoje, os equatorianos compram e vendem com notas retratando Benjamin Franklin, George Washington e Abraham Lincoln “Talvez nenhum outro país da região tenha ido tão longe na aplicação dos processos de ajuste estrutural”, pontua Maringoni.
A chegada de Rafael Correa virou a mesa. Quando assumiu o poder, o presidente equatoriano contava com um cenário geopolítico favorável: Hugo Chávez, Evo Morales, Michelle Bachelet, Tabaré Vázquez, Néstor Kirchner e Lula governavam Venezuela, Bolívia, Chile, Uruguai, Argentina e Brasil. O Equador passava a integrar, assim, a chamada “esquerda sul-americana”. Mais tarde, radicalizaria sua posição a favor do Socialismo do Século XXI e se tornaria membro da Aliança Bolivariana das Américas (ALBA).
“As políticas neoliberais, também fruto da crise capitalista e da globalização, trouxeram consequências muito negativas do ponto de vista social, e as reações contra a pobreza, desemprego e desequilíbrio econômico começaram a surgir”, contextualiza Maria Helena Capelato, professora de História da América Latina na Universidade de São Paulo (USP). “Assim foram se consolidando governos com projetos políticos que visavam mudar o rumo das políticas vigentes.” (cc)

Serviço

O quê: Lançamento do livro O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento, de Tadeu Breda.
Quando: 5 de maio, das 20 às 23 horas.
Onde: Sede do Projeto Cala-boca já morreu – Av. Henrique Schaumann, 125, Pinheiros, quase esquina com a Av. Rebouças, em frente ao McDonnald’s. São Paulo-SP
O livro custará R$ 25,00
Entrada franca
Web Analytics