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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Curtas Banais # 11


da barriga


a gravidez traz muitas surpresas e mudanças pra vida da gente, boas e ruins. são muitas as coisinhas incômodas que acontecem ao longo desses longos nove meses. é, minha filha, prepare-se para ser surpreendida por problemas que você nunca soube que as grávidas tinham, ou por ser obrigada a ver com seus próprios olhos (ou sentir com suas próprias costas) dores e sintomas que você achava que eram pura frescura ou mito. e isso porque minha gravidez está sendo bem calma e eu não tive um pingo de enjôo, hein? mas, como tudo na vida tem seu lado bom (e a gravidez obviamente tem o melhor dos lados), todas essas coisas são pequenas perto da emoção de sentir seu bebê chutando – perdoem o clichê, mas é verdade. portanto não vale a pena falar muito do lado ruim, até porque não quero aterrorizar ninguém (haha!).

mas uma das melhores coisas (e mais engraçadas também) que passamos na gravidez é uma espécie de libertação feminina em relação à forma física. todas nós sabemos o quanto lutamos (ou não) para atingir ou manter-se num determinado peso, para se livrar da barriguinha, etc. todas, ou muitas de nós, não gostamos de falar nosso peso, e nunca passa pela nossa cabeça discutir com semi-estranhos o quanto engordamos nos últimos tempos – afinal se engordamos isso é um problema nosso, e já bastante desagradável sendo íntimo, que dirá público. pois bem: é você ficar grávida pra isso tudo mudar completamente.

a manicure, a professora de ginástica, a faxineira, a sua avó, a sua cunhada, o seu pai e se bobear até o seu chefe, todos vão, em algum ou vários momentos, te fazer uma das perguntas que as grávidas mais ouvem: “quanto você engordou até agora?”. e você vai responder com cifras cada vez mais altas sem se abalar.

sem pestanejar, as pessoas passarão a te “elogiar” de formas nunca antes ouvidas como: “olha que linda, está toda redondinha…”, “nossa, mas você está bem maior do que a última vez que nos vimos!”, ou “oi, gorduchinha!”. as minhas duas avós passaram a me chamar de “gordinha”. meu marido me chama de “bolinha”. e olha que eu ainda estou com sete meses e engordei menos do que o permitido pelos médicos…

pras pessoas, que te vêem de fora, isso deve ser óbvio e natural, afinal estão mesmo vendo uma bolotinha com uma bolotona no abdômen. mas pra gente, que não anda com um espelho grudado na frente do corpo, é bem estranho, pelo menos no começo, ser chamada carinhosamente de “gorduchinha”. mas depois que você se acostuma, passa a achar bem legal. afinal, em que outro momento da vida uma mulher poderá se vangloriar de ter um redondo e gigantesco barrigão? ou de ter engordado “apenas” sete quilos?

minha colega e mãe surtada andrea dip há pouco tempo fez um alerta sobre o novo ataque da patrulha da boa forma, agora às grávidas, e olha, o caminho deve ser esse mesmo, infelizmente. mas, gente: ainda não chega nem perto da sua vida normal. vocês não sabem a delícia que é comer mais um brigadeiro enquanto alguém te chama de gorda e achar isso lindo.

Sofia Amaral é roteirista e produtora e mantém a coluna Curtas Banais neste Nota de Rodapé

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Vou amarrar as trompas e já volto

Na chamada para o programa, lá estava ela: linda, sem olheiras, com os cabelos perfeitos, a pele impecável e...MAGRA! O off dizia: “Gisele Bundchen conta como é sua rotina com o filho, nascido há apenas um mês” ou algo do tipo. Dei um grito no sofá: “Um mês e ela está com essa barriga chapada? Deve ter amarrado o músculo na cesárea, igual a Angélica”. Meu namorado concordou com a cabeça, um pouco assustado. Parece que ouvindo minha indignação, o locutor continuou, só para me espinafrar: “E fala sobre a emoção de ter tido um parto natural, na banheira de casa sem anestesia”.
Eu queria que o sofá se abrisse bem debaixo de mim. Como assim? Qualquer mulher mortal usa cinta e calça de grávida por até sei lá quantos meses e boa parte delas (como eu) nunca volta ao corpo normal. Eu carrego o trunfo do parto natural, mas na banheira sem anestesia? O leitor, se ainda não for pai ou mãe pode estar achando esse papo um tanto fútil. Mas a questão é que nós mulheres já somos obrigadas pelas revistas femininas e propagandas de jeans a trabalhar, cuidar bem dos filhos, namorar, ter um corpão, ler vários livros, e tudo o que eu disse no post anterior. Mas peraí, a gravidez e o pós-parto eram zona neutra, vai?
Agora querem nos empurrar goela abaixo uma Gisele barriga tanquinho antes de acabar a quarentena? Já pensou se os pais resolvem cobrar? Se começam a te olhar feio no metrô? “Olha, com um bebê de um mês e ainda toda descabelada”. É o fim dos tempos. Peraí que vou amarrar as trompas e já volto.

Andrea Dip é jornalista, mãe do David e mantém a coluna Mãe em Surto neste Nota de Rodapé.
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