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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez em debate



por Moriti Neto  colaboração  Thiago Domenici


Inevitável debater Hugo Chávez. Figura complexa, ele despertou, em vida, sentimentos diversos. Dado o impacto da morte dessa figura histórica e polêmica, não pude me furtar a discuti-lo. Aliás, o fiz há pouco com o amigo e idealizador deste NR, Thiago Domenici. No diálogo, feito virtualmente, caminhamos por consensos e contraposições. Natural, se consideradas as controvérsias em torno do personagem.

O rótulo de ditador, colado por grupos midiáticos que lhe eram inimigos políticos, inclusive capazes da arquitetura de um golpe contra o ex-presidente no ano de 2002, é das questões mais discutíveis. Aliás, essa mídia o apontava como censor, mas tinha a liberdade de dizê-lo em capas de periódicos, sites e bancadas de telejornais.

No nível parelho de complexidade e controvérsia, há outras tantas possibilidades quando se trata de Chávez. As eleições por tempo indeterminado, a personalização do estado, mas, ao mesmo tempo, a colocação da permanência na presidência a plebiscito e o consequente incentivo à participação popular, principalmente das classes mais carentes, somados aos acertos e erros na economia, são ingredientes que nos empurram ao debate, algo que a preocupação com o bom jornalismo transforma em busca pela informação mais completa e por análises baseadas na concretude.

Em resumo: com a cautela que o tema merece, o Nota de Rodapé oferece ao leitor, no campo das ideias e argumentações, uma relação de textos que sirva de fomento a este rico debate sobre a Venezuela e Hugo Chávez.

Conforme surgirem novos textos que considerarmos de boa leitura (contrários ou favoráveis) iremos postar abaixo com o devido link.

Entrevista essencial com o professor Luiz Fernando Sanná Pinto para entender os efeitos do chavismo, ainda que depois de Chávez. Na Carta Capital, por José Antonio Lima. Leia...

Análise de Glauco Faria, colunista do Futepoca e editor-executivo da Revista Fórum, resgata a importância de Chávez para o discurso de esquerda na América Latina e traz o indispensável pensamento de Eduardo Galeano a respeito. Leia...

Em artigo escrito para o jornal Valor Econômico e reproduzido pelo site Brasil 247, Rubens Rícupero fala do pioneirismo de Chávez em dar expressão às periferias na AL. Leia...

Bob Fernandes, que tem inúmeras horas de entrevistas gravadas com Chávez, faz uma análise sobre os sentimentos de "amor e ódio" nutridos pelo venezuelano durante os seus mandatos. Leia... 

Outro texto de Bob Fernandes, "Chávez, o homem que viveu múltiplos personagens. Leia...

Consuelo Dieguez fez reportagem na revista Piauí sobre o candidato adversário de Chávez nas últimas eleições: "o candidato tococha, Henrique Capriles". Leia...  

O site Outras Palavras fez um dossiê de textos publicados no espaço sobre Chávez. Leia...

O La Jornada do México faz uma cronologia da vida de Hugo Chávez (em espanhol, Leia...) e no texto de Luis Hernández Navarro um pouco da infância do venezuelano. Leia...  

O site da BBC Brasil fez uma seleção das frases polêmicas de Chávez. Leia...

"Um chavismo sem Chávez é possível?", texto publicado no Le Monde Diplomatique Brasil. Leia...

Debatedores falam do futuro da Venezuela após a morte de Hugo Chávez na Globo News, entre eles, Gilberto Maringoni. Assista...

Da revista Anfibia (em espanhol): em 1999, pouco antes de Hugo Chávez assumir como presidente de Venezuela, Gabriel García Márquez o entrevistou em um avião durante uma viagem de Havana até Caracas. Leia...  

Pública - Agência de Jornalismo Investigativo conta sobre a ação estrangeira para intervenção na Venezuela, captada pelo vazamento dos telegramas do Wikileaks. Leia...  

Revista Fórum na matéria de Lucas Krauss, que esteve em Dezembro na Venezuela, analisa o chavismo numa perspectiva recente. Leia...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Filme de Stone vale a pena. Com ressalvas

Vale a pena ver o filme de Oliver Stone sobre essas nossas terras ao Sul do mundo. Apesar de algumas generalizações desnecessárias, “Ao sul da fronteira” guarda boas críticas e, na pior das hipóteses, é uma diversão.
A cena inicial é magistral para conduzir aos fins que Stone quer. Se a ideia é mostrar a desinformação da mídia e da sociedade atingida por ela, o começo não poderia ter sido melhor. Uma apresentadora da Fox afirma que o “ditador” da Bolívia, Evo Morales, mastiga “folhas de cacau”. Bendito seja, que loucura essa mistura de saliva e cacau, que sonho atingir tamanho barato. Em uma só frase, uma incrível reunião de ignorância: Evo não é ditador, a folha mastigada é de coca, não de cacau, e não se constitui, absolutamente, em um ato de gravidade a mastigação, tão antiga quanto os povos andinos.
Stone começa ali a desmontar as mentiras contadas por parte da imprensa dos Estados Unidos que, sob as correntes do patriotismo, coloca-se a reproduzir todas as mentiras que a Casa Branca queira contar. (Aliás, vale um parêntese. Algumas das mentiras dos EUA sobre drogas na Bolívia, lembra um amigo que também viu o filme, são as mesmas contadas por José Serra nas últimas semanas, afirmando que o governo da Bolívia é cúmplice do narcotráfico).

Chávez não é o centro
O diretor, no entanto, cai logo em seguida num erro. Se a intenção era mostrar os movimentos que estão ocorrendo na América do Sul como um todo, Stone não deveria ter dedicado tanto espaço a Hugo Chávez. Ainda que o venezuelano seja aquele que há mais tempo está no cargo e, de alguma maneira, represente o início da virada à esquerda na região, ele não é o líder do processo. Quem vir o filme sem conhecer a realidade local – e tomara que muitos o vejam nos Estados Unidos – sai com a impressão de que Chávez é o centro de tudo.
A bem da verdade, cada país tem encontrado as próprias respostas para uma crise neoliberal que, esta sim, foi comum entre nós todos. Quando sai da Venezuela, Stone põe-se a entrevistar muy rapidamente cada presidente, não se aprofunda nas questões locais e, por consequência, recorre a simplificações equivocadas.
Como, por exemplo, quando afirma que Cristina Kirchner é bolivariana. Mesmo que se aceite o rótulo “bolivariano” para os governos que têm se dedicado a uma agenda mais autônoma para seus países, certamente não é o caso de Cristina. Tampouco seria o caso de Lula. Talvez nem mesmo o de Rafael Correa, do Equador.
De todo modo, vale a pena ver. Recomendo fortemente uma sessão especial para Leitão, Cantanhêde, Kramer e Jabor. Estarão quase a olhar-se no espelho ao ver outro âncora da Fox que, na falta de argumento melhor, chama Daniel Ortega, da Nicarágua, de “maior pedófilo do Ocidente”.
Se puder recomendar outros dois filmes sobre nós outros, prefiro citar “Crise é nosso negócio” e “A revolução não será televisionada”. O primeiro pode ser encontrado em lojas por aí. O segundo deve estar por YouTube ou afins.



João Peres é jornalista e colunista do Nota de Rodapé
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