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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Hezbollah propôs à oposição síria negociar com Assad

Na primeira entrevista da série "O mundo Amanhã", o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, entrevista o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.

Esta é a primeira entrevista de Nasrallah feita em inglês em uma década. Enquanto os conflitos se acirram no Oriente Médio, Assange aborda temas espinhosos como a posição de Hezbollah – visto como grande aliado do regime de Assad – no conflito da Síria. “Somos amigos da Síria, mas não agentes da Síria”, responde o libanês, antes de revelar que o Hezbollah procurou setores da oposição síria para pedir que dialogassem com Assad, sem sucesso. 

Impossibilitado de deixar a Inglaterra, onde estava em prisão domiciliar, Assange entrevista Nasrallah através de um videolink na casa onde esteve por mais de 500 dias. Por sua vez, Hassan Nasrallah participa da entrevista na sede do Hezbollah no Líbano, cuja localização exata é mantida em segredo por segurança. É lá que ele trabalha sob constante medo de ser assassinado por diferentes grupos e Estados.

O material foi produzido pelo WikiLeaks em parceria com o canal RT, da Rússia e a publicação e adaptação no Brasil é de responsabilidade da Agência Pública.

O Nota de Rodapé é um dos sites/blogs parceiros da Pública na reprodução dessas entrevistas, 12 no total, que vão ao ar todas às quartas-feiras, às 18h. Na próxima semana, o blog publica o segundo episódio da série em que o líder do Wikileaks entrevistará o filósofo e psicoanalista Slavoj Zizek e o advogado David Horowitz.

Assista a seguir a entrevista em vídeo e com legendas em português ou clique aqui para baixar o texto completo da conversa.

domingo, 17 de junho de 2012

Watergate, 40 anos

Os repórteres Carl e Bob
Talvez o maior caso do jornalismo norte-americano. A espionagem empreendida pelo partido Republicado do então presidente Richard Nixon contra o partido Democrata era denunciado há exatos quatro décadas - 17 de junho de 1972 - pelos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, do The Washington Post.

Houve um assalto à sede do Comitê Nacional Democrata, no chamado Complexo Watergate. Ali, durante a campanha eleitoral de 1972, cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar escutas no escritório do Partido Democrata. O escândalo e seus desdobramentos culminaram com a renúncia de Nixon em agosto de 1974.

O famosa fonte dos repórteres (ficaram 26 meses debruçados sobre o tema) conhecida por muito tempo apenas como Garganta profunda (Deep Throat) foi quem revelou que o presidente sabia das operações ilegais. Em 2005, 32 anos depois da série de reportagens, os dois confirmaram que W. Mark Felt era a fonte – Felt havia dado pouco antes entrevista a revista Vanity Fair dizendo ser ele o Garganta Profunda. À época, Felt era o número dois do FBI. Felt faleceu em 2008.

A renúncia de Nixon na TV
Em recente artigo de opinião no Post em razão dos 40 anos do Watergate, Carl e Bob afirmaram que Nixon era “muito pior do que eles pensavam”. Escreveram, por exemplo, que o “estilo de vida” durante sua presidência era usar métodos de espionagem e sabotagem política. Uma dura critica que diz ainda que durante seus cinco anos e meio a frente do país – iniciada em 1969 – foi empreendida com cinco guerras sucessivas: “contra a oposição a guerra do Vietnã, contra os meios de informação, contra os Democratas, o sistema de justiça e contra a história”.

Thiago Domenici, jornalista

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Haiti, reportagem especial na Pública

Pessoal, a Pública - Agência de Jornalismo Investigativo, está com uma reportagem especial sobre o quase sempre esquecido Haiti. Vale a pena conferir, pois tem um série de informações que, infelizmente, não costumam sair na nossa imprensa tupiniquim.

Às vésperas de mais uma renovação da permanência da missão de paz, manifestantes pedem a saída das tropas da ONU comandadas pelo Brasil; documentos do Wikileaks confirmam rumores sobre golpe contra Aristide. Por Natalia Viana e Marina Amaral. Imagens de Eliza Capai.

Parte 1 - “Aba Minustah”
Parte 2 - O papel do Brasil é “impor a paz”
Parte 3 - Mais abusos, menos punições
Parte 4 - No horizonte, a retirada das tropas…
Ensaio fotográfico - Porto Príncipe (por Eliza Capai)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Araguaia: o massacre que as Forças Armadas querem apagar

A agência de jornalismo investigativo Pública tem feito um importante trabalho sobre a guerrilha do Araguaia. Nesta semana, as repórteres Marina Amaral e Tatiana Merlino trazem novas informações sobre a participação forçada de camponeses no combate aos guerrilheiros.

Leia trecho da reportagem no Nota de Rodapé e confira no site da Pública o material completo sobre a repressão no Araguaia.

"Em meio ao debate sobre a emenda que propõe o sigilo eterno de documentos do governo, a Pública revisita uma das histórias mais obscuras do período militar: a repressão à guerrilha do Araguaia (1972-1975).

Em três dias de pesquisa nos 149 volumes do processo judicial que investiga o desaparecimento dos guerrilheiros do Araguaia, a Pública coletou relatos de dezenas de moradores que foram obrigados a prender, enterrar, matar e decapitar guerrilheiros – e sofrem até hoje as consequências do que viveram nesse tempo.

Em entrevista exclusiva, a juíza titular da 1a Vara da Justiça Federal, Solange Salgado, diz que, passados quase 40 anos, reina o medo de se falar sobre o assunto entre os que participaram do conflito. Mateiros e ex-militares que colaboraram com o Grupo de Trabalho Araguaia - que investiga o caso desde 2009 em cumprimento à sentença judicial promulgada por Solange Salgado em 2003, que obriga a União a entregar os corpos dos desaparecidos às famílias – estão recebendo ameaças.

Por isso, quando esteve na região no ano passado, para recolher e checar informações sobre o paradeiro dos corpos, a juíza optou por preservar o sigilo dos autores dos depoimentos. “Foi uma garantia que o Poder Judiciário deu a essas pessoas. Elas ainda estão muito apavoradas, se sentindo muito acuadas”, disse ela à Pública.

Nossa reportagem esteve em Marabá, no Pará, e conversou com ex-mateiros e ex-soldados que confirmaram a realização das chamadas “Operações Limpeza”, por meio das quais os restos mortais dos guerrilheiros foram desenterrados e transportados a outros locais. Além disso, cinco entrevistados afirmaram ter visto atuando na repressão o ex-diretor do Dops de São Paulo Romeu Tuma, falecido em outubro do ano passado."

Por Marina Amaral e Tatiana Merlino. Matéria publicada pela agência Pública - livre reprodução desde que citada a fonte (cc)

Assista ao vídeo com depoimento de colaboradores do Exército

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Um vídeo-musical do ProPublica

A ProPublica, da qual já escrevi no NR, fez um “vídeo-musical” para apresentar ao leitor um tema de uma de suas reportagens investigativas que trata do problema de contaminação de aquíferos a partir da exploração petrolífera. A técnica é a do “texto em movimento” - 'kinetic typography'. O mais legal de usar a canção como uma forma divertida de apresentar a questão, é preparar o leitor para o contato (contextualiza-lo) com a matéria-prima do ProPublica, a reportagem em texto - o suprassumo do jornalismo, coisa em extinção. Abaixo o vídeo, em inglês. Quem se habilita a legendar?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Araguaia: “Estamos mais perto da verdade”, diz juíza

Por Marina Amaral, de Brasília.
Materia publicada pela agência Pública - livre reprodução desde que citada a fonte (cc)


Interrompidas pelas chuvas de verão no final do ano passado, as buscas do GTT – Grupo de Trabalho Tocantins – pelos restos mortais dos desaparecidos na região do Araguaia durante a guerrilha (1972-1975) devem trazer resultados nas próximas expedições, que se iniciam em maio. “Continuamos enfrentando a resistência dos comandantes em entregar à Justiça os documentos exigidos, mas depoimentos de camponeses e militares trouxeram pistas importantes, que podem finalmente nos levar ao paradeiro de corpos nessa nova etapa”, disse à Pública a juíza Solange Salgado, da 1ª Vara da Justiça Federal, em Brasília.
A Guerrilha do Araguaia ocorreu entre 1972 e 1975
Embora não possa revelar detalhes dos depoimentos para não expor os informantes a riscos e pressões, a dra. Solange não disfarçou seu otimismo em conversas com a Pública nos últimos dias: “Estamos mais perto da verdade”, afirmou a juíza que esteve na região durante a última expedição, que se encerrou no final de outubro de 2010. O GTT, comandado pelo ministério da Defesa, foi constituído em 2009 para cumprir a sentença proferida em 2003 pela juíza federal, em processo movido por familiares dos guerrilheiros mortos desde 1982. Até o momento, as buscas do GTT resultaram na localização de dois corpos ainda não identificados.
Os principais depoimentos de militares de baixa patente e camponeses, que ainda hoje vivem na região, no que se refere ao paradeiro dos corpos, são dos que participaram ou presenciaram fatos ocorridos durante a “Operação Limpeza”, ocorrida entre o final de 1974 e 1976. Muitos relatam a retirada de corpos nesse período, enterrados nos cemitérios de Xambioá e Marabá – e em outros locais da região onde presos foram torturados e mortos como a “Casa Azul” e as bases de Xambioá e Bacaba – que teriam sido embalados em sacos de lona e jogados na mata por helicópteros da Aeronáutica, (veja reportagem "Houve mais componeses mortos do que se fala", da jornalista Tatiana Merlino, que esteve em Marabá pela Pública). Os relatos também são insistentes em outro ponto: o grande número de assassinatos de camponeses, acusados de colaborar com a guerrilha.

Centenas de camponeses mortos
As informações mais recentes obtidas pelo GTT – incluindo as realizadas por uma equipe da Justiça Federal – apontam para três conclusões até o momento: 1 - apesar das sucessivas operações “limpeza” – que também ocorreram nas décadas de 1980 e 1990 -, os corpos continuam no Araguaia, em locais de difícil acesso; 2 - o número de camponeses mortos pelas Forças Armadas e policiais da repressão é muito maior do que se tem notícia (“centenas”, segundo o ouvidor do GTT, Paulo Fonteles; “um número bem maior do que de guerrilheiros mortos”, segundo a juíza); 3 - ainda hoje militares envolvidos no conflito monitoram a região para intimidar testemunhas e dificultar a localização dos corpos que, no entanto, não foram queimados nem retirados da região.
A intimidação das testemunhas, aliás, ocorre também durante as expedições do GTT, coordenada pelo Ministério da Defesa, que além dos necessários peritos e especialistas civis e militares, conta com mais de quarenta militares atuando no setor de “logística” da operação. “A chegada ostensiva de dezenas de homens fardados, armados, em uma região traumatizada inibe as testemunhas”, diz Diva Santana, representante dos familiares no Comitê de Supervisão do GTT – criado, exatamente, em virtude da reclamação dos parentes dos desaparecidos sobre a composição do grupo. Também há relatos de ameaças recentes sofridas por camponeses e ex-soldados que continuam vivendo na região (veja reportagem a seguir).
Para evitar o aparato militar, uma equipe se deslocou de forma mais discreta, concentrando-se nos depoimentos dos que participaram das operações “limpeza” de 1975, enquanto as demais equipes ouviram principalmente os relatos históricos da guerrilha. Do trabalho dessa equipe, e de depoimentos ouvidos pela juíza em seu gabinete em Brasília é que vieram as informações que guiarão as próximas buscas.
“Tenho um princípio: recebo todo mundo que quer falar sobre o Araguaia”, explica a juíza Solange Salgado. “Tem gente que me procura dizendo ‘não quero morrer levando este segredo` e outros que têm medo de serem comprometidos no futuro”, diz. “Esse tem se mostrado um caminho bem mais promissor do que os documentos, até hoje não entregues pelas Forças Armadas”, afirma.

A Pública é a primeira agência de jornalismo investigativa do Brasil, dedicada a reportagens de interesse público. Todos os textos publicados no site são de livre reprodução, desde que citada a fonte. Apublica.org  

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Para Julian Assange, Guantánamo é "monstruosidade"

Por Natalia Viana. Matéria publicada pela agência Pública - livre reprodução desde que citada a fonte (cc)


"Os Arquivos de Guantánamo, que o WikiLeaks começou a publicar, jogam luz sobre essa monstruosidade da era Bush que a administração Obama decidiu continuar", afirmou Julian Assange com exclusividade para a Pública nesta segunda-feira.
A declaração de Assange resume a importância do vazamento mais recente da organização, que começou a ser publicado ontem à noite. São milhares de fichas de prisioneiros ou ex-prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, e outros documentos relacionados, emitidos pela JFT-GTM (Força-Tarefa de Guantánamo) e enviados na forma de memorandos ao US Southern Command (Comando Sul dos Estados Unidos).
As fichas relatam o estado de saúde dos atuais presos, refazem a teia investigativa que os levou à prisão que, vistos com atenção, revelam que boa parte dos acusados foram incriminados com base em depoimentos de outros presos obtidos sob tortura dentro e for a de Guantánamo – nas prisões secretas da CIA – e o mercado de recompensas promovido pelos Estados Unidos que levou à detenção de homens e meninos inocentes por acusações formuladas por aliados interessados em prêmios em dinheiro.
Também revelam como são feitos os “pareceres”, que recomendam a permanência ou não dos presos em Guantánamo, não apenas pela força-tarefa mas também pelos responsáveis pela investigação criminal e psicólogos encarregados de avaliar a maneira que devem ser utilizadas as informações obtidas em outros interrogatórios.
"A publicação dessas informações é importante para o público, para os prisioneiros e ex-prisioneiros, e para os juízes que se ocupam desses casos. Muitos estão presos há anos sem acusação formal e com base em testemunhos falsos", disse Assange.
"Esta na hora de reacender o discurso Publico sobre a prisao de Guantanamo, na esperanca que finalmente se possa fazer alguma coisa para trazer justica para esse estabelecimento", afirmou o fundador do WikiLeaks, que qualificou Guantánamo de “estabelecimento de ‘lavagem’ de pessoas”.
A comparação com a lavagem de dinheiro, em que bancos internacionais “escondem” recursos suspeitos, é empregada por Assange pelo fato de Guantánamo esconder da sociedade a verdadeira história dessas prisões para justificar a política criminosa do governo e os recursos ilícitos empregados para prendê-los.

Publicação
Na conversa com a Pública, Assange fez questão de destacar que os veículos parceiros nesse lançamento são o Washington Post, dos EUA, o El Pais, da Espanha, o Telegraph, do Reino Unido, a revista Der Spiegel , da Alemanha, o francês Le Monde, da Franca, o Aftonbladet, da Suecia e o italiano La Repubblica.
Isso por que, apesar de não estarem entre os parceiros oficiais, os jornais New York Times, dos Estados Unidos, e Guardian, do Reino Unido, publicaram ontem reportagens baseadas nos mesmos documentos secretos, entregues por uma outra fonte, que preferiu permanecer anônima. Segundo a Pública apurou, por causa disso, o vazamento foi adiantado porque os dois jornais pretendiam "furar" o WikiLeaks.
É o capítulo mais recente da novela que envolve o WikiLeaks e esses dois jornais.
No início do ano passado, o Guardian contratou uma jornalista inglesa que obteve os documentos relativos às embaixadas americanas de um colaborador do WikiLeaks. Naquele momento, o jornal desistiu de publicá-los antes da organização, porque Assange ameaçou processá-lo com base em um contrato assinado pelas duas partes. Depois disso, Julian rompeu com o Guardian, que publicou um livro sobre o Wikileaks considerado tendencioso desfavorável pelo fundador da organização. Assange também se irritou com a publicação do processo contra ele movido na Suécia, que traz detalhes sobre as relações que manteve com as mulheres que o acusam de delitos sexuais. "Transparência é para governos e não para pessoas", disse ele na época.
Também com o New York Times, as relações tem sido conturbadas. Em janeiro, o editor Bill Keller escreveu um artigo em que chamava Julian de "arrogante, cabeça-dura, conspiracional e estranhamento crédulo", alem de dizer que ele "cheirava mal". Não foi o primeiro problema: depois da publicação dos documentos das embaixadas americanas, Keller passou a chamar Assange e o WikiLeaks de "fonte" em vez de uma organizacao jornalística. A diferenciação tem consequências legais, pois os jornalistas são protegidos pela quarta emenda constitucional americana.
No início de abril, durante um congresso de jornalismo na Universidade de Berkeley, na California, Keller e Assange – este por skype já que está sob prisão domiciliar, participaram de um debate em que o fundador do WikiLeaks acusou o jornal de trabalhar a favor do governo americano. "O papel da imprensa é obrigar as organizações poderosas a prestar contas, e não encobrir seus erros", disse.
Keller continuou chamando o WikiLeaks de “fonte” durante todo o debate. Mas brincou: "A grande vinganca de Julian e que eu terei que passar anos da minha vida participando de debates sobre o WikiLeaks".

A Pública é a primeira agência de jornalismo investigativa do Brasil, dedicada a reportagens de interesse público. Todos os textos publicados no site são de livre reprodução, desde que citada a fonte. Apublica.org

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

WikiLeaks, com ou sem Assange

Natalia Viana | http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/

Julian Assange é um homem impressionante. Fiel ao que acredita até o fim, ele lutou e luta diariamente pelo princípio que norteia o WikiLeaks – em resumo, que a internet possibilita lutar contra injustiça de uma maneira sem precedentes. “Injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar”, diz ele.
Seus amigos e colegas mais próximos estão desolados. O pensamento de que ele vai ficar sozinho numa cela por uma semana, sem companhia, sem acesso à internet, pelo simples fato de que não possui um endereço fixo no Reino Unido – foi esse o argumento usado pela justiça britânica para mantê-lo encarcerado – tem causado enorme revolta.
Só que, diferente do que muitos pensam, a prisão de Assange não vai parar o WikiLeaks. Tanto aqueles que fazem parte da organização como aqueles que têm sido parceiros no lançamento do Cablegate, como eu, vão continuar o trabalho.
Isso porque o WikiLeaks não é Assange. Aqueles que o perseguem não perceberam que, numa era digital, a colaboração é o que torna realidade empreitadas como essa, inovadoras, questionadoras, verdadeiras. Isso, a organização percebeu e desde sempre adotou.
O WikiLeaks tem muitos outros membros, engajados no momeno em acompanhar a a batalha na justiça com relação às acusações da Suécia, buscar meios de contornar o empecilho causado pelo congelamento dos fundos. Outros estão se dedicando ao duro trabalho de coordenar com todos os jornais parceiros a publicação dos documentos a cada dia.
É que, ao contrário do que muitos pensam, cada um dos documentos publicados pelo site do WikiLeaks tem que ser, por uma regra interna, cuidadosamente revisados para verificar se há nomes de pessoas que correriam riscos se fossem publicados.Todos esses nomes são retirados. Este é um dos motivos também dos documentos estarem sendo publicados em partes e em parceria com os jornais – eles se comprometeram a verificar a segurança de cada um dos documentos.
Além disso tem um grupo grande de colaboradores escrevendo e editando material para o site de diversas partes do mundo. Voluntariamente. Essas pessoas têm feito reuniões de pauta, discutido melhores ângulos para as matérias e estão em constante contato por meio de comunicação segura.
Cada um está em um país, o que significa que os horários são um tanto diferentes. Mas tem muita gente virando noite para conseguir todos os dias levar ao ar novos documentos e escrever matérias originais. Mais uma vez, a nossa ideia é trazer o que a grande mídia não vai dar. A partir de hoje haverá, por exemplo, matérias sobre América Latina.
O que os governos que investigam Assange ainda não perceberam é que a ideia de WikiLeaks vai além dele e além desse lançamento. O WikiLeaks é um novo conceito, uma nova ideia que não vai morrer.
Mesmo se aqueles que perseguem a organziação conseguirem bloquear todos os meios, inviabilizar este grupo de pessoas de fazer o seu trabalho, alguém tem dúvida de que vão surgir outros WikiLeaks, milhares de WikiLeaks devotados a publicar documentos que merecem vir a público?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Wikileaks em “primeira mão” ao público brasileiro

O site Wikileaks, que escarafuncha os segredos militares dos EUA, agora tem uma versão para o público brasileiro que já está no ar. Entre as informações recentes, assinadas no texto da repórter Natalia Viana, o relato de um telegrama do ex-embaixador americano no Brasil, Clifford Sobel, que acusa a Polícia Federal (PF) brasileira de encobrir investigações sobre a atuação de terroristas no país. Outros documentos dizem que o governo brasileiro está preocupado com o avanço de organizações terroristas, principalmente com a aproximação dos Jogos Olímpicos, em 2016.
Julian Assange, fundador do Wikileaks
Segundo o site, "Ontem, dia 28 de novembro de 2010, o WikiLeaks começou a publicar o maior vazamento de documentos confidenciais da história. São telegramas enviados pelos diplomatas de diversas embaixadas pelo mundo para Washington ou do Departamento de Estado para as representações americanas. Eles mostram ordens expedidas aos consulados e embaixadas, a inteligência pedida pelo Departamento de Estado e o que os diplomatas descobrem a respeito de cada lugar, além de relatos detalhados de encontros com membros dos governos - e a verdadeira opinião dos americanos a respeito de cada um deles. São 261.276.536 palavras que cobrem um grande período da história moderna – de 28 de dezembro de 1966 a 28 de fevereiro de 2010.", explica o texto (na íntegra). No caso brasileiro, são 2.855 documentos no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.

- Por dentro do Wikileaks: a democracia passa pela transparência radical (Natalia Viana, no Opera Mundi)

Segundo Natalia Viana explicou ao Nota de Rodapé, o Wikileaks convidou alguns jornalistas investigativos independentes para colaborar com eles escrevendo reportagens a respeito de seus países e regiões. “Eu estou fazendo a parte do Brasil. Tem sido muito intenso e incrível”, conta Natalia. “A preocupação do site é poder trazer em primeira mão para o público brasileiro, em uma comunicação direta, o que os documentos contêm”, afirmou. Nessa primeira semana todo dia pela manhã novas matérias sobre o Brasil em português. Os textos podem ser acessados AQUI.

Thiago Domenici, jornalista

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Jornalismo Investigativo dos bons nos EUA

Um texto da Revista Piauí (Caro, trabalhoso e chato) que indico a leitura, sobre o jornalismo investigativo nos EUA. O texto de Branca Vianna fala que o jornalismo investigativo luta para sobreviver naquele país. Fantástico, no entanto, a história do Pro Publica, que faz jornalismo dos melhores sem visar o lucro, só com feras (que ganham bem, trabalham numa pauta anos, se for preciso, e podem não publicar se o resultado não for satisfatório. Chegam a investir 300 mil dólares numa única pauta, tudo bancado por uma fundação que parece estar afim de gastar com coisas relevantes). Taí o meu sonho de consumo na profissão. O legal é que os caras trabalham em parcerias com outras publicações, como New Yorker, New York Times e afins que se interessam, óbvio, em publicar o material. Além do Pro Publica, tem o http://www.publicintegrity.org/ que também faz jornalismo investigativo. Dou um doce para quem topar traduzir as matérias, todas em inglês. (Thiago Domenici)
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