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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Guitarrista do Skyrocket Love diz como é trabalhar nos EUA

Que viver de música no Brasil é um problema, a gente já sabe. Hoje, com raras exceções, qual artista vive de venda de material fonográfico? Estar no palco, fazer shows e grandes turnês é que pode garantir uma verba para estes profissionais que na maioria das vezes trabalham como freelancers, ou seja, não contam com nenhuma segurança ou estabilidade profissional.E se a coisa é tão complicada no Brasil, como é ser um brasileiro, músico e viver dessa profissão nos EUA?
Desta vez, “Penetra Oficial” resolveu conversar com o cearense Lucas Martins Guterres, de 25 anos, guitarrista que atualmente enfrenta a burocracia dos EUA para se estabilizar no país e na profissão.
Lucas é o único brasileiro da banda Skyrocket Love, que ele define como um pop/rock moderno estilo 30 Seconds To Mars, Muse e Coldplay.
Por Fabiana Cardoso dos Santos, jornalista e produtora

Você vive de música ou tem outra profissão nos EUA?
Lucas: Eu inicialmente vim pra estudar apenas, e agora estou vivendo apenas de música.

Com qual idade você se mudou de país? Por quê?
Lucas: Eu me mudei pros EUA em 2010, aos 24 anos. Vim pra estudar Engenharia de Áudio (apesar de ser guitarrista) pois sempre quis adquirir o conhecimento de estúdio, gravação, produção, etc.. Pra tentar de alguma forma adquirir mais conhecimento como músico. Estudei numa escola bastante reconhecida, e que recomendo demais pelas oportunidades profissionais que eles dão aos alunos. A quem possa interessar, a escola é o Musicians Institute em Hollywood/CA, e eles oferecem cursos de todos instrumentos, com duração de 3 meses até bacharelado.

Quais são as principais diferenças, vantagens e desvantagens de cada país?
Lucas: Acho que pra começar, depois de experimentar os dois lados, eu diria que músico no Brasil não é reconhecido como merece. Não que nos EUA seja, mas definitivamente o Brasil sendo um país naturalmente tão musical, as pessoas poucas vezes prestam atenção no que realmente tem qualidade ou em novas bandas, e sim no que são "forçadas" a gostar pela mídia. Uma vantagem no Brasil - na minha opinião - é a forma como as pessoas demonstram sentimento por música, talvez seja até algo cultural, não necessariamente uma desvantagem na América. E um ponto positivo nos EUA seria a forma como as pessoas estão dispostas a ouvir e conhecer novos artistas, o que definitivamente não acontece no Brasil.

Quanto às diferenças musicais, quais as principais?
Lucas: À primeira vista, acho que aqui (EUA) é conhecido como o país do rock, enquanto o Brasil como o país do samba. Pessoalmente, acho que o Brasil tem uma variedade musical maior, embora tudo que tem nos EUA, também tem no Brasil. Mas, nosso país leva vantagem nos extras, como samba, axe, forró, MPB, e por aí vai. Já no EUA o acesso à qualidade é mais fácil, por exemplo, o preço de equipamentos são mais baixos, consequentemente muitas vezes você consegue criar um bom produto com poucos recursos. Acho que o brasileiro, quando interessado, tem a oportunidade de trazer na bagagem uma cultura musical maior!

E sobre a abertura de mercado, como funciona?
Lucas: Como falei anteriormente, isso definitivamente é um fator positivo aqui nos EUA. Pra exemplificar: Em praticamente todas as casas de show de Hollywood você tem a chance de ver entre 3 a 4 bandas autorais por noite, de segunda a segunda. Não apenas nos finais de semana. Não significa que é mais fácil você conseguir um contrato com gravadora ou colocar sua banda no topo do mercado, mas com certeza é uma forma de poder mostrar seu trabalho.

Os músicos conseguem destaque em grandes eventos?
Lucas: Acho que isso acontece da mesma forma que no Brasil, através de um "relações-públicas". O segredo é qual você vai contratar. Naturalmente, levando em conta que os maiores eventos do entretenimento mundial acontecem aqui em Los Angeles, ter um agente que consiga te colocar nos eventos "classe A" vai de acordo com o quanto você, sua banda, ou gravadora está disposta a pagar. Nas semanas que antecedem eventos como Oscar e Grammy, a cidade ferve com festas promocionais todas as noites, e pra entrar nos eventos mais concorridos, às vezes só artistas com nomes estabelecidos no mercado, ou muito bem relacionados com os organizadores/patrocinadores.

E você já vivenciou o desespero das "sub-celebridades" tentando aparecer no show business?
Lucas: Isso é tão comum que assusta. Como eu sou avesso a certos tipos de badalação, mas muitas vezes tenho que ir por compromissos profissionais, eu geralmente assumo uma postura de observador em alguns eventos. E, talvez por ser tão constrangedor, acabo achando engraçado aqueles artistas que (literalmente) dão qualquer coisa pra dar uma entrevista; tirar uma foto com artista famoso; desfilar no tapete vermelho e fazer poses absurdas prós fotógrafos, que grande parte das vezes não fazem a menor idéia de quem é a pessoa; ou muitas vezes ficam pedindo quase que desesperadamente pro seu assessor conseguir uma entrevista, mas na hora de falar assumem aquela postura arrogante como se fossem superiores à todos em sua volta. Sabe a famosa vergonha alheia? É constante.

Como é o contato com os músicos internacionais?
Lucas: Conheço artistas quase que diariamente aqui, seja em shows, festas ou em estúdio. Mas nunca conheci nenhum dos meus grandes ídolos. E acho que prefiro assim. Muitas vezes você cria uma imagem de um músico que você acompanha a carreira há 10 anos, mas na verdade na vida pessoal ele é totalmente o oposto (risos). Por outro lado, já tive a chance de assistir shows de todos eles ao vivo, com exceção dos que já partiram. Alguns que já fui aos shows são: John Mayer, Keith Urban, Bon Jovi, Aerosmith, Eric Clapton, Jason Mraz, AC/DC, Paul McCartney, Elton John, e por aí vai. Dos que já foram com certeza Stevie Ray Vaughan é o principal deles!

Você sabia?
A Hollywood do cinema não é uma cidade, mas sim um distrito de Los Angeles, a maior cidade da Califórnia e segunda maior dos Estados Unidos. O local ganhou imensa notoriedade por conta da concentração de inúmeras empresas ligadas ao cinema, desde estúdios até empresas que trabalham com efeitos especiais, edição e outros serviços ligados à indústria.

Em quais casas importantes você já tocou nos EUA?
Lucas: Definitivamente é uma das experiências que eu agradeço ter vivido aqui. Você trabalha, trabalha, e quando se dá conta está tocando no mesmo palco que no passado seus ídolos tocaram. Whisky a Go Go é um desses lugares. Pequeno, estilo bem underground, sem nenhum tipo de luxo, mas cheio de história. Nos passado foi palco de várias bandas e artistas que se tornaram famosos, como Guns n' Roses, Jimi Hendrix, The Who, The Police, entre muitos outros. É um bom começo!

Como é trabalhar com grandes empresários e produtores. E com quais já trabalhou?
Lucas: Tive oportunidade de trabalhar com vários produtores e conhecer muitos outros. Luke Ebbin foi um dos que tive a oportunidade de trabalhar. Ele produziu o álbum Crush do Bon Jovi, que foi uma das primeiras bandas da qual virei admirador. Coincidência ou não, em um dos dias que estávamos no estúdio, ele nos mostrou - sem saber que eu era fã de carteirinha - uma música que tinha acabado de gravar com Richie Sambora como possível tema de um programa de televisão aqui nos EUA. A sensação de ouvir uma música inédita do seu ídolo antes de todo mundo foi interessante. Outro que sou muito grato por ter trabalho foi o Dan Korneff, que já trabalhou com bandas como Paramore e My Chemical Romance. Um talento absurdo e uma humildade rara de encontrar nesse meio!

E quais foram os maiores perrengues que passou, tanto no Brasil como nos EUA?
Lucas: Acho que todo músico, principalmente no início de carreira, passa por umas situações desagradáveis. Desde a forma como algumas vezes é tratado por um contratante, até contratempos no palco durante um show. Acontecem tanto os problemas técnicos, como um amplificador dar problema, como os fisiológicos, tipo ter dor de barriga no meio do show. E se já é difícil parar no meio do show, imagine em lugares que sequer há um banheiro decente! Acontece nas melhores e maiores bandas (risos).

Quais são as documentações necessárias para conseguir trabalhar de forma legal como músico nos EUA?
Lucas: A forma mais comum de conseguir trabalhar legalmente como músico nos EUA é com o visto de artista. Não é simples conseguir (estou passando por isso no momento), mas se você preencher os requisitos dá certo! Alguns dos itens principais requisitados são: um contrato nos EUA que prove que você vá trabalhar como músico e ser bem pago por isso; vasta publicidade como músico profissional no seu país de origem, comprovando que você é reconhecido pelo seu trabalho, antes de vir morar nos EUA. A lista é bem extensa, mas se você possui esses dois primeiros, já começou bem. E claro, o preço é bem salgado. Contando as taxas de aplicação e honorários de advogado, o processo inteiro custa em média U$4.500.

Você, como brasileiro, qual conselho dá para quem quer sair do país para trabalhar como músico?
Lucas: Acho que músico de verdade nunca escolhe essa profissão pelo dinheiro ou fama, e sim por amor. Mas claro, todo mundo tem contas pra pagar no final do mês! Pensando nisso, eu diria que vale a pena correr atrás do que você sonha, mas sempre com um projeto em mãos e um objetivo a ser alcançado. O famoso "american dream" não existe, se é que um dia existiu, então não adianta sair do Brasil pra um país de primeiro mundo, seja os EUA ou qualquer outro, achando que vai ser mais fácil. Talvez você seja mais bem recompensado financeiramente, mas vida de músico nunca vai ser fácil (risos). Mas sem dúvida é um grande passo pra adquirir experiência, conhecer novos músicos, e assim crescer profissionalmente.

Por fim, como você analisa sua vida como músico fora do Brasil?
Lucas: O fato de estar em Los Angeles me deu a oportunidade de conhecer e trabalhar com pessoas que sempre admirei, mas se engana quem pensa que a vida de músico nos EUA é mais fácil. Além das dificuldades burocráticas por ser de outro país, ainda existe o fato de aqui ter talvez 20 ou 30 vezes mais bandas que no Brasil, isso faz com que a concorrência seja muito maior. Mas, acho que o lugar de cada um de nós está guardado, só temos que correr atrás!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lobão estreia turnê Elétrico: concorra a dois pares de ingresso pelo NR

Com canções inéditas, livro que já se tornou Best Seller e um box que faz um balanço de sua carreira, Lobão celebra a nova turnê que estreia dia 11 de maio, às 21h, no teatro Bradesco em São Paulo, SP

Veja como participar:
- O sorteio, novamente, será pelo sistema sortei.me;

- Para participar é necessário seguir o Nota de Rodapé no Twitter (twitter.com/notaderodape), e “curtir” nossa página no Facebook (facebook.com/notaderodape).

- Publique a seguinte mensagem no seu perfil do Twitter:

#Promoção. Ganhe um par de igressos para o novo show do Lobão. http://kingo.to/zwW

- Perfis criados exclusivamente para concorrer em promoções não serão considerados;

- O sorteio será realizado no dia 9 de maio (segunda-feira) e divulgado aqui no blog no mesmo dia;

-  A promoção é válida em todo o território nacional, mas qualquer custo de transporte, alimentação, hospedagem e afins é de inteira responsabilidade do premiado. O NR disponibiliza unicamente os ingressos.

- O(a) ganhador(a) deverá mandar os dados para envio em até 8h após a divulgação do resultado. Caso o(a) ganhador(a) não entre em contato nesse prazo, novo sorteio será realizado;

- Ao tuitar a mensagem o internauta já estará participando da promoção e terá, automaticamente, aceitado os termos acima.

SOBRE A TURNÊ
“Entre 2007 e 2009. Foram dois anos viajando pelo Brasil com a turnê Acústico MTV, até que, as apresentações foram se encaminhando naturalmente para aquilo que é básico, mas essencial na carreira de um músico do rock’n’roll, ou seja, o bom e velho formato baixo, bateria, guitarra e voz. Nada mais elétrico, depois de tantos meses no formato acústico.
Com shows aleatórios – como grandes ensaios abertos - sem qualquer tipo de pretensão, essas apresentações foram nomeadas de “formato elétrico”, apenas como uma forma de identificar a fase de transição que viria apresentar o que hoje é – de fato – uma turnê que se iniciou em 2011 cheia de frutos colhidos ao longo dos anos de uma carreira musical turbulenta, apaixonada e muito singular!
Lobão volta agora com esses frutos colhidos, certo de que é momento para dividir com seu público, solo fértil de pessoas, que assim como Lobão buscam sempre a música para expandir o seu modo de viver.
Ele escolheu o palco do Teatro Bradesco, que abriga os mais modernos mecanismos cênicos já instalados em um teatro brasileiro e possui um modelo acústico computacional High Tech para apresentar a turnê batizada ocasionalmente, apenas para notificar que o formato acústico havia terminado, não poderia ser melhor: Elétrico 2011. O local possui capacidade para 1.457 privilegiados espectadores, o que faz dele um dos maiores do País, além disso, garante ao público as facilidades de uma infraestrutura moderna e 3.010 vagas de estacionamento coberto.”

GANHADORES:

@HelianeMiscali (
Não poderá!)
@jHoN_KinneY(Não poderá!).

Novos sorteados.

@vivianeclaudino
(Confirmado!)
@govindanandini (Confirmado!)

terça-feira, 1 de março de 2011

Lobão: “Acho esse sistema [o jabá] uma merda”

Nesta entrevista exclusiva que o cantor e compositor Lobão deu ao Nota de Rodapé um fato chama a atenção. Ele não faz média. Não precisa, aliás. Curto e grosso, respondeu por e-mail as perguntas enviadas pelos leitores e colaboradores do NR; Natalia, Thiago, Diogo, Vagner, Eduardo, Alexandre, Daniel e Marco Antonio. Abaixo, o resultado.

Recentemente, você disse que o País vive um momento muito ridículo, uma 'lucianohuckzação' do Brasil". O que você quer dizer com isso e que exemplos daria?
Ora, a pior coisa do mundo é explicar piada, né?

"Se você ouve [música] na rádio
é porque tem jabá"
Levando em conta que a música não é um bem material, e que portanto pode ser compartilhada sem que seu criador deixe de tê-la (diferentemente de uma mercadoria física), o direito autoral não limita o acesso a cultura?
O direito autoral é fundamental para o compositor e ponto final.

Suas músicas já foram tocadas como jabá? O que acha dessa sistema utilizado pelas gravadoras?
Sim, claro que foram tocadas com jaba! se você houve no rádio é porque tem jaba! a única exceção foi "me chama" que foi execução espontanea. Acho esse sistema uma merda, basta você olhar o estado que se encontra a indústria. Completamente refém das rádios.

Como você analisa o atual momento do rock brasileiro? Acho que as atuais gerações criam muito pouco, para não falar nada. E as bandas mais antigas também já não apresentam um repertório tão rico. O que acontece? Até quando os fãs terão de relembrar sucessos dos anos 80 e 90 para curtir o bom do rock nacional?
Estamos numa fase esplendorosa de novas bandas e novos artistas excelentes. Cabe as radios tocá-los.

Lobão, sou muito fã do Raul Seixas, eu cheguei a escutar alguns comentários seus, que quando você estava preso, Raul te ligou. Gostaria de saber qual foi sua relação com o Raulzito, e o que ele representa para o Rock e a Música feita no Brasil?
Falamos muito pouco.Tivemos muito pouco contato pessoal.

Como se deu a escolha do nome do jornalista Claudio Tognolli para escrever a sua biografia? Você gostou do resultado final? Como se deu a elaboração do livro?
Antes de mais nada, trata-se de uma autobiografia.Quem escreveu o livro fui eu. Meu querido Tognolli fez o inestimável serviço de investigação e depoimentos (Lobão na mídia).

Vi a notícia de que terá um filme com base em sua biografia. Quem você não gostaria de jeito nenhum que te representasse no filme?
Sei lá! Nunca pensaria dessa maneira.Vou usar o meu tempo tentando encontrar a pessoa certa.É mais inteligente.

Muitas pessoas mudaram de opinião em relação a você, mesmo antes do lançamento do livro. O que você acha que causou isso?
A verdade dos fatos.


Segundo o dramaturgo americano Edward Albee, a arte, em sua melhor forma, é um ato de agressão contra o status quo. Ou seja, a arte serve para levantar questões difíceis. Sua música ainda é um ato de agressão contra tudo que está aí ou já passou dessa fase?
Estou cada vez melhor. Isso é a única coisa que sinto poderosamente.

No Facebook: 
Se você gostou da entrevista e do conteúdo do NR curta lá nossa página.

O projeto da caixa 81/91, saiu da maneira que você queria? Vi alguns fãs questionando que apesar do belíssimo trabalho do Roy Cicala, devia ter saído algo mais elaborado com histórias faixa a faixa, quem sabe outras variedades, como algumas cifras.
Saiu sim. Ficou um produto extremamente bem tratado. Fui eu quem dirigiu todo o projeto. Estou satisfeitíssimo e extremamente orgulhoso da caixa.

Lobão, sua admiração e respeito por essa entidade chamada Exu Caveira não o conduziu (mesmo que de forma inconsciente) ao uso das drogas como uma forma cármica de expiação?
Adorei a ideia! Nunca me passou isso pela cabeça.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Entreviste o Lobão: mande sua pergunta para o NR

Até o dia 10 de fevereiro mande sua pergunta. É a entrevista coletiva da coluna Penetra Oficial

A coluna Penetra Oficial começa com o pé direito em 2011. Cheguei a recuperar umas páginas de um diário de adolescente, mas ainda não era o foco. Foi quando surgiu a oportunidade de fazer a entrevista com umas das pessoas que fazem parte do meu rol de admiração. Músico completo, compositor genial e que atualmente me abriu um mundo de histórias incríveis com o lançamento do seu livro biografia “50 anos a mil”. Estou falando de João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido como Lobão.
E eu gostaria que essa entrevista fosse coletiva. A entrevista será feita por todos que fazem parte do universo do NR. E como faz? É só mandar sua pergunta para: penetraoficial@notaderodape.com.br ou então a deixe com nome completo e cidade nos comentários desta postagem. Em caso de perguntas semelhantes escolheremos uma que aborde o assunto de maneira mais ampla. Serão selecionadas 10 perguntas a critério - e o principal é a relevância - da edição do Nota de Rodapé. A data limite para envio da pergunta é dia 10 de fevereiro, às 16h. A entrevista será publicada em data a ser anunciada aqui tão logo ele responda as questões. Uma chance única. O Lobão está esperando pela sua pergunta (E nós também. É claro!)

Fabiana Cardoso é jornalista e produtora, colunista do Nota de Rodapé

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Telefônica Sonidos: o Festival que ainda pode virar gente grande!

Trago aqui um tema de setembro, para quebrar o ritmo e fazer pensar em outra pauta que não as eleições de domingo. Acredito imensamente que o festival “Telefônica Sonidos” (realizado entre 21 e 25 de setembro) é um dos caminhos que tanto imaginei para estreitar as relações entre Brasil e o restante da América Latina, mas é necessário que o festival seja amplamente repensado, para que - de fato - o festival possa transparecer a identidade da América Latina. É bem verdade que organizar algo grandioso passa por todas as dificuldades possíveis, como:
Locação de um lugar apropriado;
Coincidir datas nas agendas dos artistas;
Cumprir contratualmente com as exigências de cada artista, patrocinadores, apoiadores, fornecedores, etc.;
Montar a logística;
Contratar staff;
Contratar fornecedores;
Elaborar plano de mídia e;
Divulgar em tempo.
Aponto ainda, um dos maiores erros dos grandes shows e/ou festivais, que está na postura dos assessores de imprensa, e em como tratam os pequenos veículos de comunicação. Não credenciam, não dão retorno, não atendem. Está na hora das assessorias de imprensa entenderem que a grande mídia nem sempre dá tanta importância e ênfase aos acontecimentos culturais, como tantos outros blogs, jornais de bairro, revistas de pequena circulação e por aí vai.
Trabalho com assessoria há mais de sete anos e sempre fiz questão de manter contato com todos os veículos.
Antes uma noticia veiculada em escalada menor, porém, feita com conhecimento e atenção, do que uma noticia jogada no papel. O Nota de Rodapé recebeu – infelizmente – esse tratamento. Um dos canais atuais que mais falam da América Latina e que tem colunistas que se dedicam a escrever sobre a música e os fatores culturais dos irmãos latinos. É uma pena, porque vi um grande jornal paulistano noticiar, por exemplo, que o músico Fito Paez nunca pensou em morar fora da Argentina. Quem acompanha a carreira do músico, sabe que após uma tragédia pessoal, ele não só pensou em morar na Espanha, como chegou a fazer uma turnê de despedida na Argentina.
O festival ‘Telefônica Sonidos’ tem um grande potencial e acredito que em próximas edições poderá melhorar diversos quesitos.
Vale apostar em mais quiosques de alimentação com cardápio latino.
Vale apostar em exposições de artistas da América Latina.
Vale apostar em outros grandes nomes como Julieta Venegas (que já fez parcerias com Lenine e Otto), Charly Garcia, Leon Gieco, Andres Calamaro e quem sabe, torcer para que haja a recuperação do Gustavo Cerati e que possamos apostar num show desse grande músico argentino, no Brasil.
Telefônica Sonidos poderia ter um maior reconhecimento do público e da mídia. Não é fácil fazer uma produção desse tamanho e que envolve uma temática diferente, por isso mesmo, o festival deveria ter se preocupado em apresentar as parcerias envolvidas e o que cada artista representa de maneira mais eloquente e persistente.

Leia mais:
- Sonidos faz ponte entre Brasil e vizinhos da Latino América (Ricardo Viel)
- O que não foi dito sobre o SWU (Juliana Sassi)

Poucas pessoas do meu círculo de amizades sabiam do evento, e claro, menor ainda o grupo que conhecia os artistas latinos em questão. É hora de abrir o caminho para a cultura latina em nosso país e acredito que o “Telefônica Sonidos” foi o primeiro - ainda que inseguro – passo.
Infelizmente falta muito para que o Brasil se considere latino, e não ter o mesmo idioma dos demais países é um dos motivos para isso. Nossa incrível arrogância em pensar que somos melhores, e na verdade, culturalmente estamos muito, mas muito atrás dos nossos hermanos espalhados nessa grande América Latina.
Que venham alternativas desse tipo e que as ações possam acontecer de forma mais amadurecida e organizada.

Fabiana Cardoso é jornalista, produtora e colunista do NR

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Coisas que irritam III

O ATENDIMENTO DO TELEMARKETING
Teria mil e uma situações para descrever aqui, mas escolhi uma da atendente da Net TV a Cabo. Depois de ouvir a música, de ouvir a secretaria eletrônica, discar o CPF, repetir porque não foi possível localizar o cliente, discar o número 01, número 02, número 03 e anotar um número de protocolo eletrônico que não me serve de nada, finalmente a atendente:

- Net boa tarde, “joaninha”, pois não:
- Eu recebi minha fatura e o valor de 88 reais referentes a filmes comprados pelo Paperview (PPV), por isso, quero saber quais são os filmes.
- Pois não senhora, qual o numero de cliente ou CPF?
- De novo?
- É que não está aparecendo no sistema senhora.
- zero doze, quarenta e cinco meia sete, oitenta e nove, dígito dez.
- Só um momento que vou verificar seu cadastro.
Silêncio... Espera...
- Alô? Tem alguém aí?
- Sim senhora, só mais um momento, pois o sistema está lento.
- Ok.
Silêncio de novo....Espera de novo...
- Senhora estou verificando sua lista e o filme se chama “licença para casar”.
- OK, mas e os outros 17 filmes?
- Não senhora, os 18 filmes que a senhora comprou pelo PPV é o “licença para casar”.
- Oi? Você está dizendo que eu assisti e paguei 18 vezes pelo mesmo filme?
- Isso mesmo senhora.
- Não querida, eu não assisti, a não ser que eu fosse louca. Vocês precisam estornar o valor, porque pelos horários que o filme foi comprado eu posso provar que não tinha ninguém na minha casa. Uma das datas é o dia do meu aniversário, e tenho certeza que não passei o dia vendo esse filme.
- Senhora, desculpe, mas não podemos estornar, o ideal é que a senhora aprenda a utilizar melhor seu controle remoto.
- Você está dizendo que eu não sei usar o controle?
- Se não for a senhora, tem que verificar quem mora com a senhora.
- Aqui só moramos eu, minha mãe e a cachorra, nós trabalhamos durante o dia. A não ser que minha cachorra tenha aprendido a mexer no controle remoto...
- Senhora desculpe, mas não posso fazer o estorno, está documentado aqui que a senhora assistiu 18 vezes o mesmo filme e terá que pagar por essa fatura.
- Eu terei que pagar? Você não tem bom senso?
- Senhora desculpe, mas não posso fazer nada.
- Você não acha incoerente que eu pague por isso? Você acha normal que eu tenha visto 18 vezes o mesmo filme?
- Desculpe senhora, mas o sistema não autoriza o estorno e é o que consta aqui.

Após 30 minutos de discussão,
desligo o telefone,
tremendo de raiva e
faço nova tentativa:

- Net boa tarde, “mariazinha”, pois não:
- Eu recebi minha fatura e veio o valor de 88 reais referentes a filmes comprados pelo PPV, liguei anteriormente e uma atendente me disse que se trata do mesmo filme comprado 18 vezes. E ainda me disse que não poderá estornar o valor. Você acha isso normal?
- OK senhora, só um momento que vou verificar o cadastro
(Ufa, não precisei falar o código do cliente).
Silêncio... Espera...
- Sra. Fabiana, realmente constam as 18 compras, mas a senhora tem razão, não é normal que alguém compre tantas vezes o mesmo filme na mesma semana. Peço desculpas pelo atendimento anterior e vou estornar para a senhora.
- Sério, você pode estornar?
- Claro, vou falar com a supervisora, peço que aguarde um momento.
Silêncio... Espera...
- Desculpe a demora, já falei com a supervisora e os valores foram estornados, a senhora deverá pagar apenas uma compra do filme. Peço que desconsidere essa fatura e enviaremos uma nova para a senhora. Desculpe o transtorno e o atendimento anterior.
Fantástico, não?

Fabiana Cardoso é jornalista e produtora e mantém a coluna Penetra Oficial neste Nota de Rodapé.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Coisas que irritam II

No dia a dia passamos por situações que nos tiram do sério. Sou do tipo, “Tolerância Menos Zero” e desde a primeira vez que escrevi “Coisas que irritam”, tantas outras aconteceram que mereciam uma segunda carga.

ESCADA ROLANTE COMO PLAYGROUND...
Por que os pais adoram brincar com crianças nas escadas rolantes? Não avisaram que isso é perigoso? E o pior é que eles ficam irritados quando nós (que não usamos a escada rolante como playground) queremos apenas chegar são e salvos até o final da dela. ‘Melhor ainda’ é quando a criança cisma em não andar bem no final da escada, e claro, é a gente que está logo atrás a imaginar a desgraça.

…E PONTO DE BATE PAPO
Continuo insistindo que deixar o lado esquerdo livre é uma regra de boa conduta e de bom senso. Amigas que ficam fofocando na escada, famílias inteiras papeando, pessoas que adoram colocar suas sacolas e mochilas sentadinhas nos degraus. E você, que está atrasado ou que está simplesmente com pressa, não consegue passar.

O SEGURO NUNCA TE ATENDE QUANDO VOCÊ PRECISA
Vocês já repararam que pagamos o seguro residencial por um ano e usamos uma ou duas vezes no máximo? E nessas poucas vezes o seguro nunca cobre o que você precisa? Vazamento na pia cozinha: “Senhora, desculpe, mas o seguro não cobre troca de sifão” Troca de resistência do chuveiro: “Senhora, desculpe, mas se for problema no chuveiro, nós não cobrimos o reparo, apenas problemas na fiação da casa”. E a troca do chuveiro: “O serviço é cobrado a parte senhora”.

INFRAÇÕES DA TERCEIRA IDADE
Perguntas sem respostas. Vocês podem me ajudar? - Por que idosos adoram atravessar fora da faixa, devagar e com o farol fechado para eles? - Por que os idosos sempre estão com pressa? - Por que os idosos sentam no banco marrom do metrô, quando o banco reservado para eles está vazio? - Por que alguns idosos não pedem licença para passar?

EM DEFESA DA TERCEIRA IDADE
Já reparou que algumas pessoas sentem um sono incontrolável no transporte público logo que um idoso se aproxima? Vi gente jovem, saudável, feliz e mal educada sentar no banco reservado na maior cara de pau, enquanto o idoso estava lá, de pé. Irritante! O pior são as situações em que idosos em pé, em plena hora do rush, são empurrados, mal tratados enquanto as pessoas que estão sentadas no banco marrom não se sentem no dever de ceder seus lugares só porque não estão no banco reservado. Educação independe de cor de banco. Essa lei só foi feita, porque sem ela, infelizmente a boa educação, e o bom senso, não seriam suficientes.

VIZINHOS PRECIOSOS!
Vizinhos: você ama ou odeia. Não tem meio termo. Seus vizinhos jogam todas as sujeiras no portão? Seus vizinhos adolescentes passam o dia todo jogando futebol e fazem o seu portão de Gol? Seus vizinhos ficam conversando no seu portão a qualquer hora? Seus vizinhos ficam ouvindo funk no celular no alto falante na frente da janela do seu quarto? Seus vizinhos adoram falar os mais variados tipos de palavrões bem debaixo da sua janela? Se todas as respostas acima foram afirmativas, parabéns, seja bem-vindo ao mesmo clube que o meu!

A LEI DE MURPHY E A INFRAERO
Estava no Rio de Janeiro e o vôo estava marcado para 9h 40 da manhã. Mas, havia a opção de adiantar o vôo para 9h 10. Melhor ainda, porque o dia em São Paulo seria bem cheio. Adiantei a passagem e após 30 minutos de vôo o comandante diz: “Vamos sobrevoar a cidade de Ilhabela por cerca de 20 minutos até que a Infraero termine a vistoria na pista do aeroporto de Congonhas. Conclusão? Cheguei na mesma hora.

A LEI DE MURPHY E O ELETRICISTA
Chuveiro queimou e não dá para tomar banho de caneca. Chamei o eletricista. Minutos antes de o eletricista chegar a Eletropaulo precisou fazer manutenção em alguns bairros. Fiquei horas sem energia e o problema só foi solucionado horas e horas depois.

Fabiana Cardoso é jornalista e produtora e mantém a coluna Penetra Oficial neste Nota de Rodapé.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Os 10 mandamentos do produtor

Dia desses recebi um e-mail sobre a vida de quem trabalha no ramo musical. O texto é perfeito e decidi fazer uma edição comentada e ampliada.


1º - Não terás vida social, familiar ou sentimental.

Verdade, e não só é verdade como aprendi que a melhor maneira de ter os amigos por perto é convidando-os para ir ao show. Domingão, dia de assistir Faustão com a família? Esqueça. Aniversário da irmã caçula? Esqueça. Torça pra sua mãe levar um pedaço de bolo para você. Casamento do irmão? E quando se trata do seu próprio casamento? Sim, conheço produtor que casou de manhã no civil e de tarde estava trabalhando. Que situação, não?

2º - Não verás teus filhos crescerem.
E perderá o aniversário de um ano, de dois anos, com sorte ele o chamará de pai ou mãe.

3º - Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.
Até porque grande parte dos shows acontece exatamente nos feriados. Então, quando todo mundo pensa em viajar para tirar aquele descanso, você está fazendo as malas para viajar a trabalho. Com sorte, você fará shows na mesma cidade que a sua e poderá curtir alguma parte do feriado com a sua família.

4º - Terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como a maioria, terá úlcera
Minha primeira crise de gastrite aconteceu em 2007. Parecia ter levado um soco na boca do estomago. Daí pra frente, você tem duas formas de conviver com a gastrite: prevenção (não ter uma vida estressante) ou ter sempre o Cloridrato de Ranitidina na bolsa. Optei pela segunda!

5º - A pressa será teu único amigo e as suas refeições principais serão os lanches.
A famosa comida de camarim. Você se acostuma com mini pão de queijo, croissants, lanche de metro, refrigerante, água. Isso quando o camarim é bacana. Têm momentos em que tudo o que você vai encontrar são meras bolachinhas e um lanchinho tão seco que sem água não desce!

6º - Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho.
Isso é o que mais acontece, de fato. A gente tem falta de memória, troca nomes, troca datas, porque a gente pode esquecer que qualquer outra coisa que não seja nenhuma informação relativa ao evento, ao show, ao congresso, blá, blá, blá.

7º - Dormir será considerado período de folga. Terás sonhos com planilhas, cotas e relatórios e, não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono.
Obviamente que não. Vai pensar na passagem área que terá que emitir logo pela manhã, na reserva do hotel. Torcerá para que nenhum vôo atrase e acordará no exato momento em que salvará sua planilha de orçamentos.

8º- Não poderá adoecer.
Poder, até pode, só não vale demonstrar ou deixar que isso te abale ao ponto de “faltar” no trabalho. H1N1 não existe na nossa profissão, ou melhor, existe, mas você deverá trabalhar mesmo com o balão de soro pendurado ao seu lado. E se o ticket já estiver emitido em seu nome, nem cogite a possibilidade de dispensa.

9º - Será um artista na arte de recepcionar bem (mesmo não tendo mais saco), atender bem (mesmo caindo de cansado), engolir sapos (mesmo querendo vomitar) e vai dizer ao artista (e aos que pensam que são) que está tudo bem, que tudo está resolvido, mesmo quando o mundo está caindo do outro lado da cortinha do palco.
Sim, isso vale até tentativa de agressão. Explicar ao público que o show foi cancelado e torcer para não receber garrafada no rosto. Explicar ao jornalista que o músico não está num dia bom e que pediu para adiar a entrevista. Querer chorar de cansaço, querer gritar “Eu quero a minha mãe” e saber que ainda faltam horas para o evento acabar.

Parabéns aos profissionais do show business, que são seres humanos como qualquer outro, e que essa idéia de “status e projeção social” seja muito pequena perto do último e maior mandamento dos produtores:

10 º Ser um profissional que possui a incrível habilidade de lidar com artistas e respeitar todo e qualquer ser humano.


Fabiana Cardoso é jornalista e produtora e mantém a coluna Penetra Oficial neste Nota de Rodapé.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Cena II, o dia D(e) gravação de uma megaprodução

Acordar cedo foi um terror e as pernas já estavam no esquema “escadas não”. No entanto, a gente pode chegar um pouco mais tarde no teatro, porque toda a estrutura já estava montada.
Estava marcado para às 11h a chegada de toda equipe mais a montagem do Back Drop (aqueles painéis que as pessoas param para posar para fotos e entrevistas), a montagem do catering e a chegada dos carregadores. Como tudo estava no horário – inclusive os carregadores – conseguimos até tomar um café no shopping.
A partir das 13h seria feita a mudança de posição de câmeras e grua. Como teríamos público, essa nova disposição de captação seria importante para fazer cenas não apenas do palco, como também da plateia.
E desculpem, mas em noite de Beyoncé em São Paulo, nós estávamos com o teatro super lotado!
De tarde faríamos a gravação da participação da dupla “Victor & Léo” - que passaria apenas algumas horas em São Paulo, vindos de um show e correriam para o sul do Brasil onde tinham outro compromisso na mesma noite. Realmente uma dedicação muito especial e que mostrou que realmente existe uma grande admiração deles por Sergio e Renato.
A equipe da dupla chegou pela manhã e já deixou tudo pronto. Nem quiseram ficar parados esperando a dupla com medo de cair no sono. Estavam acordados desde o dia anterior e teriam que aguentar mais umas doze horas para só então dormir.

Como um capítulo de novela
Os músicos chegaram para um check line (digamos que seja uma rápida passagem de som) às 13h e uma hora depois estava marcada uma reunião geral para que pudéssemos alinhar a dinâmica do show da equipe e definir como seria o processo de gravação.
Em uma gravação o show não ocorre de uma forma normal. Ele sofre algumas paradas, porque tudo precisa funcionar perfeitamente e tem que valer tanto para a captação de áudio como de imagem.
O figurino, por exemplo, não pode sofrer mudanças. Se houver dois ou mais dias de gravação, até mesmo detalhes como um relógio, uma pulseira, precisa ficar igual ao primeiro dia. Tudo isso para que possam fazer edições com continuidade de imagem. É como um capítulo de novela, certos detalhes não podem mudar de um dia para outro. Um erro de letra, mínimo que seja, também é motivo para ter que refazer a música ou uma falha no violão ou num cabo qualquer.
Foi decidido que as “refações” seriam feitas após o show, assim tentamos parar o menos possível. De 22 canções foram refeitas apenas cinco, o que é ótimo! Sergio e Renato encerram a reunião agradecendo o empenho e dedicação de todos, e pedindo que fossemos um grande time para que o show fosse incrível.
Hora de passagem de som para acertar algumas canções que ainda precisam ser alinhadas e meia hora de pausa para colocar o figurino do show, antes da chegada do Victor & Leo que estava marcada para 16h. No horário esperado nada da chegada da dupla. Tentativas de telefonema e caixa postal. O vôo tinha atrasado e uma chuva daquelas caía em São Paulo. E agora?

Mais tensão

Após mais de uma hora de atraso eis que chegam. Nossa preocupação, no entanto, não era com o nosso cronograma, mas porque sabíamos que eles teriam que terminar a gravação até 18h, tempo para que pudessem pegar o vôo para o sul do país. Eles chegaram ao teatro já passada das 17h... Pensam que eles estavam com pressa?
Trocaram de roupa, aqueceram a voz, receberam os empresários no camarim e desceram para gravar. Eles fizeram tudo na maior boa vontade e até tempo para entrevista eles arranjaram. Louvável o comportamento. Problemas nos cabos novamente atrasaram a gravação e mesmo assim eles não perderam o bom humor.
Com participação em duas músicas, entre pausas e ajustes, até que tudo ficasse perfeito foi quase uma hora de gravação. Concluída essa etapa, sem tempo para jantar, faltava o show!

Vejam o making of do Victor & Leo


Com a chuva em São Paulo houve muito atraso na chegada do público e o show que estava marcado para 21h 30 começou depois. Cada minuto que passa e a tensão aumenta e o caos se forma novamente. É a imprensa querendo cinco minutos do artista, convidados que são barrados no credenciamento, o rádio HT que não para de falar no nosso ouvido. De um lado da minha orelha um rádio HT conectado com a segurança da casa para liberar os credenciados e resolver situações de última hora e na outra orelha, outro radio HT para comunicar com o staff de produção (em média 20 pessoas conectadas) e a gente ainda precisa prestar atenção no que acontece em volta.
A dor de barriga vem mesmo quando você ouve no rádio:
• 10 minutos para começar
• Blackout no palco (apagar completamente as luzes para que a banda possa se posicionar)
• 05 minutos para começar
• Artistas na coxia
• 01 minuto para começar
• Sergio e Renato entram no palco.
• Era agora ou nunca.
E assim começou o show com os grandes clássicos. Tocaram Comitiva Esperança, Amanheceu, peguei a viola, Menino da Porteira, Amora, entre outras... O show teve vários momentos engraçados, afinal de contas estamos falando de dois contadores de histórias. Aliás, o clima era o mesmo durante a passagem de som.

Surpresa e emoção sertaneja

O Sergio nem poderia imaginar e mantemos em segredo o máximo possível para que a ideia não vazasse. No meio do show o Marco Bavini faria uma participação na música “Filho Adotivo”, já que ele não estava tocando ao lado do pai e do irmão Paulo presentes no palco. A ideia era colocar Bavini no lugar de alguém da platéia numa música antes da homenagem e, no momento certo, ele entraria cantando levantando-se da plateia.
Durante a manhã, marcamos o assento que deveria ser trocado, também combinamos com os iluminadores que um foco de luz seria acesso nesse momento. Era só aguardar. Confesso, eu estava nervosa. Tinha como missão pedir para a pessoa que estava sentada no banco escolhido que, gentilmente, cedesse o lugar alguns minutos para a surpresa.
Quando o público começou a entrar na platéia meu foco era esperar que o lugar fosse ocupado. O tempo passava e nada. Apenas poucos minutos antes das luzes serem apagadas é que finalmente avistei a pessoa que nos ajudaria na missão. E ajudou na maior boa vontade.
O Marcos? Era uma pilha de ansiedade e andava de um lado para o outro tomando doses e doses de Cinzano e eu do outro lado contando os minutos para que o momento chegasse logo. Minha maior preocupação era que o Sergio Reis não notasse a troca de pessoas, pois a iluminação da plateia era super clara.
Lá estávamos tentando não aparecer. Era o dono do assento agachadinho de um lado, o Marcos agachado do outro. Que belo momento quando as luzes se acenderam e lá estava o Sergio procurando de onde vinha a voz. Quando viu o filho, é claro que as lágrimas caíram e Marco caminhou até o palco e terminou a música junto com todos.

Momento pessoal
A segunda parte emocionante do show marcou de maneira pessoal a mim. Quando o Renato Teixeira gravou seu DVD em 2006, uma das maiores emoções que já tive, foi ter visto o compositor Pena Branca cantando aquelas modas de viola que minha avó e bisavó ouviam quando eu era criança. Pude abraçá-lo e agradecer por fazer parte de uma fase tão linda da minha vida.
Menos de quatro anos depois, pude passar alguns instantes ao lado do Tinoco que seria homenageado durante o show. E claro, não perdi a chance de abraçá-lo e agradecer também por ter sido minha trilha sonora durante a infância. A crítica de André Piunti para UOL também destacou esse momento:
“(...) um dos acontecimentos mais emocionantes da noite aconteceu longe da dupla. Em um dos intervalos entre uma música e outra, Sérgio Reis anunciou que o cantor Tinoco, 89, estava na platéia e o agradeceu por sua importância na música sertaneja. O público se levantou e ovacionou o cantor, que acenava sorridente.”
E as últimas músicas do show foram daquelas para arrancar lágrimas da gente: Violeiro toca, Tocando em frente, Romaria, Preciso ir embora... O que mais impressionou é que o público não arredou o pé do teatro nem na hora das “refações”. Foi sensacional!
Trabalhar com música traz essas recompensas. Sempre sobre um tempinho para fazer novas amizades ou reencontrar pessoas muito bacanas. A gente sofre, aprende, cresce e amadurece. São dias e dias de tensão, sem dormir ou comer direito.
O corpo pede descanso, mas quando acaba o coração fica vazio. Basta acordar no dia seguinte para sentir saudade de tudo e relembrar certos momentos, como:
- O músico João Lavraz que não havia percebido a confusão com o violão da Paula Fernandes;
- Chico Teixeira que teve que beber cerveja quente;
- Dudu Portes que mostrou as fotos dos seus lindos cachorros;
- As piadinhas via rádio HT que sempre acontecem, mesmo com a bronca dos chefes;
- Sem contar o Marcus Ardanuy, nosso super roadie que foi fumar escondido na saída de emergência e ficou trancado do lado de fora. Teve que pedir ajuda pelo rádio HT, foi gargalhada geral.
Existem equipes as quais me sinto privilegiada por trabalhar pela primeira vez ou reencontrar. Queridos roadies, técnicos, produtores, músicos, o prazer em trabalhar pela primeira vez com o Sergio Reis (que não deixou de fazer uma gozação com o meu tamanho – ou a falta dele) e o Renato Teixeira que é simplesmente de carne e osso e que eu admiro demais.
Espero que esse relato tenha transportado vocês para o meu local de trabalho. O trabalho está previsto para chegar às lojas em maio, porque agora começa o trabalho de pós-produção:
Pagamento de fornecedores + edição de imagens + mixagem de áudio + fechamento de ficha técnica + autoração + arte de capa e um monte de outros processos burocráticos! Ai, ai, ai... não tem fim!
“Fabi, li o seu trepidante relato! Do nosso lado o bicho também pegou. Um projeto desses é uma lição de vida, pois precisamos lidar com todas as reações humanas possíveis. Particularmente acho que tudo pode ser mais preciso se o dia fosse ampliado de 24 para 48 horas. A velha medida do tempo é que nos atrapalha. O conceito dia-noite, já era, faz tempo e a gente continua vivendo sob a ditadura desse fuso horário milenar e que já não comporta o pique da vida moderna. Todas as cidades com mais de um milhão de habitantes deveriam compor seu cotidiano com um sol e uma lua. Ficaria bem mais cômodo. Principalmente para nós, que lidamos com esse tipo de evento.
Todos os produtores do mundo poderiam se juntar numa campanha a favor da "revisão operacional das horas", pois, sem dúvida nenhuma, vocês são os mais prejudicados.
No mais muitos beijos e deixo aqui louvada a garra que você demonstrou subindo e descendo aquelas escadas o tempo todo para que tudo desse certo. As pessoas podem até não perceber, mas os aplausos finais são divididos igualmente entre todos nós que, de uma forma ou de outra, realizamos o espetáculo. Não só nesse que realizamos como, também, em todos os outros espetáculos da terra!
bjuz e gracias.
seu amigo, renato t.”
Fabiana Cardoso é jornalista, produtora e mantém a coluna Penetra Oficial neste Nota de Rodapé. Leia o texto Cena I, relatos de uma megaprodução.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cena I, relatos de uma megaprodução

Estou sempre contando as histórias do show business e dessa vez será um relato quase em tempo real... quase, porque enquanto tudo acontece não há tempo de escrever. Hoje, mais de 24 horas após o termino do show, eu começo a contar passo a passo o que esta penetra oficial viveu nos dias de produção do DVD Sergio Reis e Renato Teixeira, gravado no Teatro Bradesco, em 6 de fevereiro.

A primeira visita técnica
No final de outubro recebo o convite para participar da produção do DVD e sem saber muito bem o que seria, confirmo minha presença na visita técnica. Até então eu só sabia que seria um projeto que uniria dois grandes nomes da música regional brasileira: Renato Teixeira e Sergio Reis.
Uma super estrutura, um pé direito dos sonhos de qualquer produção, nove camarins lindos e novos em folha... Fantástico, estava tudo perfeito. Estava?
O DVD seria gravado em dezembro. Mas, tudo veio por água abaixo quando começamos a pensar na logística da situação. Para que conseguíssemos gravar o show no horário estabelecido teríamos que começar a montar todo o equipamento pelo menos uma noite antes, o que se tornou impossível, pois um musical estava em cartaz e não teríamos como montar nada um dia antes. Datas agendadas, convidados especiais agendados, tudo pronto... Não teve jeito, uma nova negociação de data se iniciou.

Antes do carnaval
Dezembro chegou e na semana anterior ao natal uma nova reunião foi feita. Dessa vez para confirmar a nova data e definir o que iria acontecer. Ufa! O DVD seria gravado em fevereiro, então, teríamos tempo suficiente para fazer toda a pré-produção com calma.
Mas veio natal, ano novo, viagens de férias, shows, e quando vimos já era metade de janeiro e o processo de produção ainda estava numa fase pré-natal. Os convidados não tinham data e um problema contratual começava a atrapalhar o processo de produção, os dias passavam e essas questões não se resolviam, pelo contrário, cada dia uma nova epopéia nascia. Para nós produtores, só restava aguardar pela resolução dos fatos.
Somente na última semana de janeiro é que realmente tivemos como colocar a mão na massa. Novamente reunimos toda a equipe para definir mil situações e colocar tudo pra funcionar.
O que parecia impossível teria que ser possível em uma semana.
Reunir dois escritórios, duas equipes de produção, dois artistas. Era trabalho em dobro e uma lição de vida para todos nós. Em tempo recorde teríamos que nos adaptar e montar um time novo para jogar um clássico, após uma semana.
Definir verbas, contratar fornecedores, fechar equipe, negociar valores, montar logística, confirmar convidados, fechar repertório e tudo mais.
Fotógrafo + Cenógrafo + Light Designer (responsável pelo projeto de luz) + Técnicos de som + Roadies (é o braço direito do músico. Aquele que afina instrumento, sabe todas as mudanças de instrumentos, monta o palco da maneira que precisa ser feito, enfim, sem ele o show não acontece) + Empresa de captação de áudio + Empresa de captação de imagem + Transporte para artistas e equipe + Hospedagem e passagens aéreas para convidados especiais + Figurino + Maquiagem + Camareira + Carregadores + Abastecimento de camarim + Catering (É como um buffet self service para todos da produção. Assim evita que diante de tantas horas de trabalho a gente coma mal) + Confecção de credenciais + Planejamento de mídia + Credenciamento de imprensa + Lista de Convidados + Lista de credenciamento de todos os envolvidos + Teleprompt + Rider de som + Rider de Luz + Definição de cachês + E por ai vai...
E quando a gente pensa que nada mais pode dar errado, alguns dias antes do evento recebo a ligação do Bruno Solino, produtor da Sunshine que solta: “Faby, tenho uma bomba para falar”.
A empresa que faria a captação de vídeo do DVD caiu fora da jogada. Desespero pouco é bobagem, parecia que estávamos na estaca zero novamente.
Acreditem ou não, mas, mesmo nessa correria houve um empenho incrível de todos e conseguimos fechar a produção a 72 horas do show e pudemos contar com grandes profissionais. Zé Carratu na cenografia, Danny Nolan no projeto de Luz, Polar Filmes na captação, entre outros mil colaboradores.

Terça, 2, credenciamento do mundo

Depois de fechar todos os fornecedores, tínhamos que cuidar do credenciamento de todos. Exatamente todas as pessoas que iriam entrar no teatro para trabalhar.
Em 48 horas tivemos que montar uma lista com mais de 160 nomes completos + funções + RG, mas isso não é nada quando você precisa alinhar todos os horários para que nenhuma montagem saia errada e comprometa o momento da gravação.
Para isso, conseguimos negociar com o teatro a nossa entrada para o dia 04 no final da tarde. Assim, seria montado o cenário do Zé Carratu, a afinação de luz fixa da casa e isso já ajudaria muito para que na sexta feira tudo estivesse ok para o restante do equipamento pesado.

Quinta
, 4, o roadie sumiu
O dia não poderia começar melhor, tínhamos recebido a notícia que seria um show SOLD OUT, ou seja, casa cheia, ingressos esgotados! Mesmo com tantas dificuldades e pouco tempo de divulgação, os fãs deram seu recado e iriam comparecer em massa ao show. Tínhamos o dever de fazer o melhor por eles.
Na tarde do dia 04, estava agendado um ensaio final para que toda a parte técnica pudesse entender a concepção do show, e principalmente para que os roadies pudessem se alinhar com a montagem de palco, que não era fácil. A quantidade de instrumentos era tanta e a bateria do Dudu Portes é tão grande, que se eu fosse roadie teria pensado: fazer ou não fazer, eis a questão.
Ao ler e-mail por e-mail da minha caixa de entrada vejo a seguinte mensagem:
“(...) Gostaria de uma reavaliação quanto ao valor do cachê devido responsabilidade dos profissionais para realização deste tipo de trabalho (...)”
Um dos roadies saiu do projeto por não concordar com os termos de contratação e o outro roadie simplesmente sumiu. Tudo isso no próprio dia 04. Bacana, não? Nós tínhamos apenas 3 horas para arranjar dois roadies que tivessem as datas disponíveis e pudessem correr para o estúdio. E conseguimos!
Deve ter por aí um santo padroeiro dos produtores. Não tenho dúvida.
Com roadies acertados, luz básica afinada e o cenário montado, tudo parecia estar perfeito. O que restava para sexta feira? Montar o piso em carpete preto, o mapa de palco da banda, iluminação extra, e claro que tudo isso depende do trabalho de uma equipe muito importante: os carregadores.

Sexta, 6, onde estão os carregadores?
O dia começou às 5h da manhã. Tempo para tomar banho, colocar a mochila nas costas, vestir a roupa preta básica, e seguir para o teatro.
Tudo estava dentro do combinado, mas minutos antes de chegar recebo uma ligação do Bruno avisando que os carregadores (que deveriam chegar às 7h 30) não estavam no teatro.
Quando finalmente consigo um retorno telefônico descubro que eles ainda estavam em Santo Amaro. Já era mais de 8h 30 e o caminhão com o equipamento de luz aguardava nas Docas do Teatro. Foi um Deus nos acuda, pois atrás do caminhão da luz extra, chegou o caminhão com os praticáveis, o carro do catering, a van com o maquinário de captação (trilhos, gruas, etc). Congestionamento geral e chilique geral da pessoa que vos escreve. Tivemos que apelar para contratação extra de carregadores para que o cronograma não atrasasse mais, além das duas horas em que já estava atrasado. Nossos carregadores chegaram às 10h. Que tal para começar o dia?
Piso montado, luz afinada, cenário lindo e iluminado, instrumentos prontos, aquele corre-corre que eu sinceramente adoro! A coisa parecia ter entrado nos eixos. A não ser pelo elevador que resolveu quebrar no meio do dia e assim fazer com que a gente tivesse que subir dois, três, quatro lances de escada toda vez que precisássemos sair do teatro ou ir até algum camarim. Mas, vida de produtor é assim: sempre pode piorar!
Teríamos uma gravação na sexta, às 21h, pois uma das convidadas do DVD não poderia estar no dia 06/02 e seria a única chance dela estar no DVD. Trata-se da jovem cantora e compositora da música sertaneja Paula Fernandes.
Seu horário de chegada estava combinado para 20h, mas ela e sua produtora chegaram até antes do horário.
Perfeito, o dia estava quase acabando, embora nosso cronograma estivesse com um pouco de atraso, mas até 23h 30 teríamos tempo suficiente. O violão da Paula já estava afinado, todos no palco estavam preparados, bastava apenas chamá-la.
Hora de chamar a Paula e...
Não é que o violão dela caiu da estante e ficou danificado? Como eu disse: sempre pode piorar!
Arranjar outro violão seria tarefa fácil se não fosse por um detalhe: Paula é canhota e naquele horário não haveria tempo hábil para arranjar outro violão que tivesse as cordas invertidas. Liga daqui, liga dali e quando uma solução apareceu já era mais de 22h.
A gravação começou a ser feita com ela após as 23h e teríamos apenas 30 minutos para encerrar a gravação. Claro que não deu certo e saímos de lá mais de meia noite. O que importa é que a Paula foi extremamente calma e teve muita paciência para aguardar a resolução do caos. Era o santo padroeiro em ação novamente
Terminávamos o dia com uma parte do processo pronto. Hora de dormir e acordar bem disposta para o dia da gravação.

Fabiana Cardoso é jornalista, produtora e colunista do Nota de Rodapé. Amanhã a cena final, o dia D(e) gravação.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O artista x sensatez

A ideia da coluna demorou, mas surgiu “aquela” vontade de escrever antes de mais um pensamento morrer na praia. Teorizando, o “Artista”, definido pelo dicionário quer dizer:

“adj m+f (arte+ista) 1 Aplicador da arte. 2 Engenhoso. 3 Astucioso, manhoso. s m+f 1 Indivíduo que se dedica às belas-artes. 2 Aquele que faz da arte meio de vida. 3 O que revela sentimento artístico. 4 Artesão, artífice. 5 Dir trab Em face da lei, é o bailarino, músico, artista de teatro, circo e variedades e, mesmo, o atleta profissional, como o jogador de futebol. A. dramático: ator que representa em dramas. Col: elenco, grupo.”

Por volta de 11h da manhã voltando para casa, minha mãe e eu fomos abordadas por uma senhora que, sentada na esquina de uma rua, nos pediu ajuda. Algo nos fez parar e ouvir o que ela tinha a nos dizer. Com os olhos cheios d’água nos relatou que estava sem gás de cozinha e que estava tentando juntar um valor para que pudesse voltar para casa e dar de comer aos seus quatro filhos.
Com ela estava um dos filhos com sinais de problemas mentais. Segundo ela, com febre. Havia medido a temperatura numa farmácia, mas não tinha como levá-lo ao médico.
Coloquei a mão no bolso e lhe dei as moedas que tinham e minha mãe uma nota de cinco reais. Quem estendeu a mão para nos agradecer foi a criança. Num gesto de carinho, aquele garoto de roupas gastadas pelo tempo, chorando, teve a humildade de estender a mão para nos agradecer.
A mãe também nos agradeceu e disse que naquela manhã muitas pessoas passaram por ela com olhar de julgamento. Disse também que outro indivíduo passou e ao entregar a doação lhe disse: “Espero que seja para o gás mesmo.”
Aquela mulher precisava desabafar. Chorava copiosamente. Sinceramente, eu e minha mãe não sabíamos o que dizer. Ouvimos. Nos contou que pouco tempo antes de a gente passar por lá, uma senhora passou e disse: “você há de ficar pedindo e ninguém vai te ajudar.”

E o que isso tem a ver com o mundo do show business?
Fico pensando como um artista, ou seja, alguém que lida com algo tão engenhoso, com o sentimento de levar arte para as pessoas pode esquecer que do lado de fora de uma casa de shows existe um mundo que traz tanta injustiça e pobreza para grande parte da população?
Digo isso porque tantas vezes vi listas de abastecimentos de camarins enormes. Itens caros, lanches de diversos tipos, bebidas das mais caras, frutas, chocolates e o que mais você pensar. Essas mesmas listas não eram e ainda não são consumidas nem a metade. Boa parte do que sobra vai para o lixo. Nas outras vezes colocam dentro de suas bolsas de grife e levam para suas geladeiras caseiras já cheias.
Poucas vezes vi artista e suas equipes terem a atitude de ter um camarim enxuto, funcional e que tivessem a consciência de que esse alimento que é jogado fora poderia ter outro rumo mais solidário.
Uma única vez vi músicos e equipes técnicas recolhendo o que sobrou do camarim e dando para os funcionários da casa de shows para que pudessem levar para suas casas. Atitude louvável.
Já vi produtores que praticamente pediram cancelamento de um show porque não havia banheira no quarto da artista. Ela sequer iria dormir na cidade. Por sinal, a cidade tinha recebido um congresso e naquele final de semana toda a rede hoteleira estava ocupada, portanto, não haveria como conseguir uma banheira por apenas algumas horas de hospedagem.
A artista (ou seria a produção?) não aceitou e preferiu hospedar a cantora em outra cidade, longe do evento, longe de onde sua equipe estava hospedada, apenas para que ela pudesse desfrutar de sua banheira. Não há negociação? Onde está a humildade do artista? Onde está a humanidade do artista?

“É por que ele é artista.”
Cunhando esta expressão as coisas costumam se “explicar” no show business. Certa vez um contratante desabafou comigo: “Puxa Fabiana, tenho que bancar 100% da lista de camarim. Se desperdiça muito e não posso nem aproveitar para dar para outras pessoas?”
O que faz um artista pensar que ele está num nível tão acima de outros humanos? Desejo que esse mundo tão cheio de status e de credenciais penduradas no pescoço possa se tornar um pouco mais humano, afinal, esse tipo de atitude nada tem a ver com a arte, com o sentimento de emocionar o público.
Pisar no chão, tirar os óculos de grife e olhar o mundo a sua volta e usar da sua figura pública para melhorar - ao menos - a comunidade onde se vive é também a tarefa do artista.

Fabiana Cardoso é jornalista, produtora e colunista do Nota de Rodapé

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Penetra Oficial # 7

O trabalho e a vida frenética do show business me deixaram um pouco neurótica. Talvez eu tenha tendência para isso por ser ansiosa, agitada e um tanto “sr. Saraiva”, o personagem “tolerância zero” da tevê. Fujo um pouco dos hábitos profissionais nesta coluna para falar das neuroses cotidianos que muitos vão se identificar.

Como o nome já diz a escada é rolante
A – Será que os casais não aprenderam que escada rolante não é ponto de namoro? Por que eles cismam em ficar no meio do degrau, abraçados, trocando beijos estalados? E vai pedir licença pra passar que ainda te chamam de mal amada.

B – Um coisa é certa: siga em frente se você não sabe qual destino tomar ao sair da escada rolante. Coisa chata aquela pessoa que desce da escada e vira estátua sem mais nem menos. Lembrem-se, estátuas, atrás vem gente e a escada continua rolando.

C – Já viram as novas campanhas que avisam “deixe o lado esquerdo livre”. Não existe segredo, é só deixar o lado esquerdo livre e você não vai atrapalhar o tempo de ninguém. Fica parado quem quer, anda quem quer.

Hábitos alimentares
Comer é uma delícia, e os 10 mandamentos que me perdoem, mas o pecado da gula é algo que pratico quase que diariamente. Porém, esse momento tão prazeroso da vida pode se tornar um martírio. Vamos aos exemplos:

A – Um dos primeiros ensinamentos de nossas mamães: - Filhinho, não come de boca aberta. Por que tem tanta gente que resolve virar rebelde sem causa e contrariar essa máxima da educação? Eu não sou obrigada a saber o que meu amigo do lado está comendo. Desculpe, mas olhar pra minha comida já é o bastante.

B – Esse mesmo ensinamento vale para o chiclete. Não tem coisa pior que o som de gado mastigando grama no pasto, e do mesmo jeito que ninguém quer saber qual é a comida que fulaninho está mastigando, o mesmo acontece com o chiclete e seu barulhinho irritante.

C – Agora pára tudo: limpar os dentes em público não, mil vezes não. Banheiro foi feito pra isso. E quanto aos acessórios, todos são substituídos por algo chamado “fio dental”. Palitinho? Pelo amor de Deus, não! E o modo sucção (aquele barulhinho, sabe?). Também não! Pior que a gente enxergar a comida na boca da pessoa, é depois saber que o pedaço de frango ficou enroscado entre os dentes.

Fones de ouvido sim. Viva voz não!
Já faz algum tempo que inventaram o fone de ouvido. Sábia invenção. Pena que neste século algumas pessoas não perceberam sua eficiência. É como costumam dizer “som alto, música ruim”. Desculpem, não pretendo ofender, mas vamos aos exemplos.

A – Metrô de manhã. Você está com sono, quer dar aquele cochilo antes de ser arremessado na estação da Sé, mas o fulaninho insiste em colocar o celular dele no “viva voz” em alto e bom som para ouvir aquele “funk pancadão”. As pessoas olham torto, fazem cara feia, mas o fulano não se toca. Ele acha o som dele o máximo. Me desculpe quem ouve pancadão, mas às 7 horas da manhã não dá não.

B – Nextel é bom, prático, econômico e pensando nisso eu também tenho um. Só que, o fato dele ter um viva voz não quer dizer que todo mundo que circula ao seu redor precisa ouvir sua conversa. Certo dia, tive uma aula de informática dentro do ônibus. Não é que o técnico foi explicando ao cliente passo a passo tudo o que deveria ser feito? E tudo no alto falante, não apenas eu, mas os outros 20 passageiros também aproveitaram o momento “aprenda a trocar o hardware”.

C – Pior que esses exemplos acima é o cidadão que adora discutir o relacionamento em local público. Não tenho tendência para confessionário. No trajeto ao trabalho lá estava eu tentando meu soninho matinal e uma matraca insistente atrás. Achei que ela falava com a amiga. Não. Reclamava ao fiel amigo gay? Não. Falava com ele de um modo diferente, dos problemas com o marido, sobre o modo como ele a tratava mal e aos filhos. A voz de choro ao contar que o marido não se lembrou do seu aniversário e nem dos filhos terminou melosa e decifrei que o amante era a voz por traz do celular. E eu ali como uma ouvinte de programa de fofoca.

As pessoas dirigem da mesma forma como elas andam?
E pra terminar, prestem atenção em como andamos na rua.

A – Pessoas que andam de mãos dadas, e ocupam a calçada de ponta a ponta. Se você tenta ultrapassar ainda te olha de cara feia e diz: “Tá com pressa? Passa por cima!”

B – Fulaninha andando pela calçada em ritmo acelerado e de repente pára com tudo só para contemplar a vitrine. Não deu seta, não acendeu a luz de freio, não deu sinal nenhum. É óbvio que você acaba chutando a canela da fulana que diz indignada: “Ai, você me chutou”. Dane-se é o que dá vontade de responder.

C – Tem o dono da rua, o restante de pedestres é composto por meros figurantes. O cara gesticula e acerta o dedo no seu sorvete, risca a lente do óculos, é um horror. Ele faz que vai atravessar a rua e dá uma ré repentina, pisa no seu pé e não pede desculpas. E pra piorar também não anda em linha reta. Já aconteceu com você? Quanto mais você tenta ultrapassar, mais ele se joga na mesma direção. Se você vai pra esquerda ele também, você corre pra direita ele também.

O ruim é encontrar todos esses personagens num mesmo dia e descobrir que o pior de tudo é que a gente pode ser um deles...

Fabiana Cardoso é jornalista, produtora e colunista do Blog Rodapé.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Penetra Oficial # 6


As mentes perigosas do show business


Faz um ano que circulou por aqui uma figura que deixou história. Se eu fosse responsável pelo RH das empresas, com certeza pediria o exame do pezinho anexado ao currículo por segurança. A garota enviou um currículo de deixar muita gente por aí com inveja e dias depois estava no time da produtora. Dizia-se experiente na área. Avalie você, ok? Vou chamá-la de “Maia”.

Telefone toca:

- “Maia”, boa tarde.

- blábláblá

- O senhor quer ver um show de quem?

- blábláblá

- Bordel do Fogo Encantado?

Teve funcionário que se jogou no carpete para rir. Eu, inclusive. A moça conseguiu trocar Cordel por Bordel. Não bastasse essa pérola:

- Alguém pode me ajudar?

(Todos olham)

- Tem um cliente pedindo a consulta de um artista, mas nunca ouvi falar.

- Quem?

E ela com ar de desdém:

- Um tal de Bélxiór (atenção à pronúncia)

Vale dizer que essa história aconteceu muito antes do Belchior virar notícia novamente.
Ela não se contentava com pouco. A personagem tinha hábitos, no mínimo, estranhos, por exemplo, cheirar o suor entre os seus seios (Argggh!). E quando foi demitida? O que não é uma mulher ressentida, não é mesmo? Resolveu escrever para nossa diretoria e meter o pau nos coleguinhas, coisas do tipo: “A fulaninha fica o tempo todo só comendo, não sai da cozinha. Fica só enrolando e falando no telefone”; “Beltrana pegou dois shows meus, já estava articulando a venda e ela começou a gritar me pontuando que a venda era dela”; “Para ser bem sincera para você não gosto do cicrano, na minha opinião não passa de um puxa-saco, sem respeito por ninguém”; “O João e a Maria ficam o dia inteiro no MSN de fofoca. Além deles a “X”, “Y”, “Z” e “W” ficam fazendo futrica o tempo todo de tudo e todos.” O meu conselho é: adote o exame do pezinho nas seleções de vaga da sua empresa!

A “Juju” tem fama Internacional
Não é novidade pra ninguém que todo músico tem fãs, e a gente sabe que alguns fãs passam do limite da admiração e partem logo para ação! Mas, também existem músicos que adoram correr atrás das fãs. É o velho ditado, o que um não quer dois não fazem. Já vi, já ouvi e já fiquei sabendo de tudo nessa vida.
Quando eu era adolescente soube que uma das groupies mais populares de São Paulo no final da década de 90 resolveu desabafar com um amigo do ICQ. Ela estava com dores no maxilar, pois o teria deslocado devido a sua intensa atividade naquele final de semana. Precisou ir ao médico... Profissional hein?
Dizem as más línguas (no “bom sentido”) que o nome dela constava na listinha de groupies “Top Ten” e era passada de banda para banda.
Vocês devem imaginar que a garota é linda, não é? Pasmem, não sabia sequer andar em linha reta. Era uma mistura de Courtney Love com Heleninha Roitman. A gente nunca conseguia decifrar se ela estava bêbada ou era torta por natureza.

A fã prestativa
Tem músicos que já foram verdadeiros galãs quando jovens, mas o tempo foi passando, passando e hoje, melhor não comentar, pode magoar. Benditas sejam as mulheres que não se deixam levar pelas aparências e querem de toda forma agarrar esses homens com unhas e dentes... Literalmente.
A “Fefe” começou tímida, apenas queria conhecer. Depois que conheceu, apenas queria fotografar. Depois que fotografou, apenas queria ajudar. Depois que pensou ter ajudado resolveu montar um site. Depois que montou um site, decidiu que era a hora de acompanhar os shows da estrada para ter material para colocar no site. Ahã... Estratégia incrível. Pronto, ela já conhecia o músico, já tinha liberdade com a equipe e sua credencial permitia sua perigosa circulação ‘all access’.
Certo dia ela elaborou um plano fantástico, típico das mentes femininas de extremo perigo. Conseguiu um jeito de se alojar no quarto do músico. Amigos, qual não é a surpresa dele quando ele acorda de uma maneira bem motivadora com a boca em seu “instrumento”, não o de trabalho, é claro.
Ele que não é bobo nem nada deixou que a dedicada fã terminasse. Como diria sarcasticamente minha amiga Emily: “Olha só, você tem 30 minutos para sair daí hein”.

A Lagoa Azul
Fico com dó de alguns empresários que muitas vezes pagam os micos ou prejuízos pelos músicos. Já faz algum tempo, numa bela tarde de segunda-feira, um deles recebe a ligação de um gerente de hotel para reclamar a respeito do comportamento da certa dupla sertaneja.
E o motivo? Eles estavam no êxtase da felicidade e resolveram brincar com suas fãs pelo corredor do hotel durante a madrugada. Isso seria apenas mais uma história comum se não fosse por um detalhe: esqueceram de colocar as roupas antes de saírem pelos corredores badalando alegremente.

Meu primeiro amor
Já passei por situações constrangedoras, aliás, é normal. Dessa vez o “pepino” veio parar na minha mão, calma lá, vou explicar o que se trata o “pepino” em questão. Agora a moda são os programas que elegem um novo talento musical. E quando aconteceu uma das primeiras versões desses programas, o ganhador entrou para nosso cast. Histeria total, telefone que tocava sem parar, cartinhas apaixonadas, promessas de amor. Uma loucura.
Nas apresentações de divulgação, o produtor tinha que ter atenção redobrada ou com certeza ele voltaria pra casa com uma coleção de hematomas. Como costumamos dizer: “Fãs enlouquecidas não possuem escrúpulos”.
Vale tapa, arranhão, vale qualquer coisa para chegar perto do ídolo. E se tiver qualquer mulher na produção que não seja a mãe do cara, pára tudo, você deve se precaver e andar sempre com um colete a prova de armas femininas.
Foi em uma dessas apresentações que uma fã resolveu fazer um pedido: “– Vou fazer 15 anos e quero realizar um sonho. Você pode me ajudar a perder a virgindade com ele?”.

Comportamento só escatológico?
Uma casa de show conceituada de São Paulo recebeu uma banda de rock que estourou em todo o Brasil e fez desses caras príncipes encantados para milhares de adolescentes de todo o pais. O vocalista, mesmo sendo o cão chupando manga, aos olhos dessas garotas era, praticamente, o Gael Garcia Bernal.
E nesse show, ele resolveu levar uma fã pra dentro do camarim e mandar bala no seu talento. O problema é que o camarim tinha livre circulação de toda a produção e virou um espetáculo ao vivo. Diante dessa humilhação pública ele consumou o ato sexual na frente de todos.
Não bastasse, pediu a ela que o deixasse realizar uma fantasia. Qual não é meu choque ao saber que ali, na frente dos demais, a garota aceitou que ele cagasse em cima dela.
Melhor parar por aqui, porque meu estomago não aguenta! E viva o show business!

Fabiana Cardoso é jornalista e produtora

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Penetra Oficial # 5

No dia a dia do show business nos deparamos com situações esquisitas e inusitadas como em qualquer outra empresa.

Exemplo 1:

Uma funcionaria da produtora liga para empresa em Juazeiro do Norte a fim de fazer um orçamento para abastecimento de camarim:

Direto de Juazeiro: - Alô?
Produtora: - É da empresa de Buffet?
Direto de Juazeiro: - Isso mesmo.
Produtora: - Com quem falo?
Direto de Juazeiro: - Com a menina que trabalha no Buffet.

Exemplar atendimento!

Exemplo 2:

Tentando falar com um dos meus fornecedores:

- Alô?
- Oi, por favor, o Carlos está?
- Quem quer falar com o Carlos?
- É a Fabiana da produtora.
- Com quem você quer falar?
- ÃÃÃ, com o Carlos?
- Ele não está não.

Das duas uma: pegadinha ou ele não queria me atender. Qual a sua opção?

Exemplo 3:

Pior que isso só quando um artista é obrigado a ensinar uma jornalista a trabalhar; muito pior quando ela não aceita a critica e resolve discutir com o artista via torpedo. Incrível!

Jornalista – Liga por favor  para “fulana” do veiculo “x”  fone “x”
Artista - Esse é meu telefone pessoal. Não sei quem te deu, mas não deve ser usado. Para compromissos profissionais, favor ligar para meu escritório. Já adianto que estarei ocupado amanhã e sexta. Obrigado.
Jornalista - Sua ass tb nao atende vc poderia falar comigo por favor  

Artista - Atende sim. 

Jornalista - Que pena achei q vc fosse acessível boa sorte
Artista - Eu sou, mas também sou profissional, ao contrário de você. 

Jornalista - Sugestao: terapia
Artista - Como eu disse: total falta de profissionalismo. Sugestão: estudo.

Sinceramente não passaria por isso em nome de um grande veículo de comunicação. A jornalista, depois que seu editor soube dessa troca de “afagos”, perdeu o trabalho.

Exemplo 4:

O numero telefônico dos ramais do meu departamento são muito parecidos com o de um hospital da região. 90% das ligações diretas que caem no meu ramal são para o hospital:

- Alô?
- É do hospital?
- Não, aqui é uma produtora
- Tem certeza?

(espero que sim. imagine se descubro que após sete anos de empresa ela é na verdade um hospital?)

Exemplo 5:

E o mundo do show business vai te deixando tão maluca que você acaba trocando os nomes, sobrenome e paga micos sensacionais. Essa é da nossa ex-recepcionista:

- “Agência”. Boa tarde!
- Por favor, o cicrano.
- Quem quer falar?
- É a Marjorie
- Marjorie, você aguarda só um Estiano, por favor?

(Como é?)

Exemplo 6:

Existem palavras que são auto-explicativas, concordam? Pior quando ela tem uma função muito importante no ramo. Um produtor pode não saber tudo de produção, mas isso é básico e de fácil compreensão.

- Fulano, vi agora o contrato que você fez e o número de carregadores está errado.
- Vocês pedem 15 e eu coloquei 20, tem até a mais...
- Eu sei, mas isso pode dar problema!
- Como assim dar problema? Quanto mais carregador mais rápido terminará o trabalho. Se o contratante pedir pra retirar a gente retira.
- Não, mas a gente não pode fazer isso.
- Por que não? “Fulano”, você sabe o que é carregador?
- Não.

(PS: carregadores são homens responsáveis por transportar o equipamento da banda de forma a agilizar a montagem e desmontagem do palco).

A gente se diverte um pouco à custa de nós mesmos.

Fabiana Cardoso é jornalista, produtora e colunista do Blog Rodapé.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Penetra Oficial # 4


Um glossário do Show Business

Pra quem não está acostumado com o dia-a-dia do show business abaixo um guia de expressões usadas com a visão particular dessa que vos escreve. Complementos são bem-vindos.

Backstage – As pessoas adoram usar esse termo. Poderiam usar bastidores, mas a maioria gosta mesmo é de dizer “Estive no backstage”, “trabalhei no backstage”, tive acesso ao “backstage”. É chique e dá status para um local que nada mais é que: “atrás dos palcos”.

Staff – Huuuum, para que falar “equipe”? Traduzindo ao bom português, nada mais é que um grupo de pessoas que trabalham em conjunto ou para uma mesma organização. Você viu o fulaninho do meu staff por aí?

Jaz – Deu problema no show? Então o correto é dizer: “Deu jaz”. Deve ser uma alusão para a frase “Aqui jaz”.

Caiu! – Se além de trabalhar problemas, o show foi literalmente cancelado, meu amigão, o correto é dizer: “O show caiu”. Um evento cancelado também se usa “A data caiu”.

“Toca Tinta” e “Manda Bala” – Expressões de motivação usadas pelos meu diretores (ops... será que eles vão ler?)

Gig – “Os caras da minha gig”, “Eu toco numa gig”, “sou produtor da gig x e y”. Sim, Gig não é uma pessoa, muito menos o nome próprio de um artista, é uma denominação que foi criada sabe-se lá por quem, derivada sabe-se lá de onde, usada para denominar turnês, equipe (Staff!) ou algo do tipo.

Camarim – Lugar dos sonhos de muitos fãs. Certa vez estava num show em Campos do Jordão (lugar alto nível, né?) e o máximo que encontrei foram três cadeiras e uma mesa. Em cima da mesa garrafinhas de água. Ao contratante:
- Senhor, onde estão os sucos, refrigerantes e demais itens da lista?
- Olha só, uns 100 metros daqui, do outro lado da rua tem um mercadinho. Fique a vontade, lá você encontra.
É mole?

E pra finalizar a campeã de audiência:

Credencial – Feche os olhos;
Volte ao tempo e lembre-se do dia que ganhou as chaves de casa;
Vá um pouco adiante, se veja casada com o Rodrigo Santoro, ou, no caso da ala masculina imagine alguma ex-BBB, capa de playboy ou algo do tipo;
Conseguiu sentir a sensação?
É essa a sensação que algumas pessoas sentem quando colocam seu crachá de acesso pendurado no pescoço e desfilam pelo backstage como se estivessem na passarela do São Paulo Fashion Week, o momento de colocar em execução o pequeno poder, usar e abusar dele.
No final das contas, enjoy!

Fabiana Cardoso é jornalista e produtora

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Penetra Oficial # 3


Epitáfios é de grudar no sofá

Recentemente tive a alegria de redescobrir o ato de assistir tevê. Falo da produção argentina Epitáfios, em exibição na HBO. Sabemos que encontrar algo que entusiasme é raro, e não incluo o fato de ir ao cinema ou alugar um filme. Me refiro a uma programação capaz de fazer grudar no sofá a ponto de não marcar nada no horário.
Foi uma questão passional, nada aleatória, apaixonada que sou por Cecília Roth, apresentada por Almodóvar em Tudo Sobre Minha Mãe que me fez chegar a série. Uma coisa levou a outra, surpreendeu-me, já que nunca fui grande fã de tramas investigativas do tipo CSI ou as do gênero.
Epitáfios é um show de roteiro, onde mocinhos e mocinhas morrem sim! Histórias com viradas sensacionais que nos pega de jeito com direito a mão na boca, paralisia e surpresa adrenalizada.
A primeira temporada rodada em 2004 fez grande sucesso, com direito a lançamento em DVD nos EUA. Mas, só em 2008 veio a segunda temporada. Tempo de espera que valeu a pena.
O brilhante trabalho dos roteiristas e irmãos Marcelo e Walter Slavich - com fotografia e maquiagem magníficas - dá a cada um dos 13 episódios a certeza de que é inviável passar despercebido por uma produção de tão alto nível sem elogiá-la.

Sem freios
Epitáfios se cria da rotina de dois policiais com vidas pessoais arrasadas; conflitos afetivos e familiares que os ligam de alguma maneira ao assassino que buscam sem freios. Convivendo com seus dramas e fantasmas do passado a série se desnuda de forma nada previsível, sem compaixão com os protagonistas.
O pontapé inicial da segunda temporada nos traz as consequências do que o psicopata do primeiro ano provocou. Dois lances: enterrada viva, o policial Renzo perde a mulher que ama e passa a viver solitário num apartamento frio e escuro. Abandonada quando criança, Marina Segall (Cecilia Roth) mata a própria mãe incitada pelo psicopata; vingança pelo suicídio do pai, abandonado pela mãe.

Nova caçada
Os dois policiais agora se reencontram para nova caçada. Atormentado pelo passado, o psicopata (Leonardo Sbaraglia de Plata Quemada) esquizofrênico de dupla personalidade recria grandes assassinatos e os fotografa como uma obra de arte.
A origem pessoal que esses assassinatos incorporam a sua vida transformam-se numa trama complexa, que se abre a cada capítulo, e nos deixa num debate interno: “o que vai acontecer a seguir?”
A atuação de Leonardo Sbaraglia é das melhores de sua carreira, porque nos causam reações instantâneas de raiva, aflição e principalmente dó diante das cenas em que sente culpa pelo que faz, atormentado, agindo como criança insegura.

Sangue novo
Com Mariano Lagos (Juan Minujín), também da Divisão de Homicídios, que contrapõe o jeito agressivo de trabalhar de Renzo Marques a trama ganha novo fôlego. Lagos é o lado sensível, o policial modelo com olfato extremamente desenvolvido a ponto de distinguir mistura de odores e ligar isso ao tempo, espaço e forma de execução.
O personagem XL é o único sobrevivente dos ataques do assassino, mas que ficou perturbado após escapar ao ser enterrado vivo. Com o dom mediúnico de ‘adivinhar’ nomes de vítimas antes que sejam assassinadas, XL é um trunfo para o departamento de homicídios.
A história, novamente fechará o cerco das vidas pessoais de Renzo e Marina, os traumas de ambos que ainda não cicatrizaram e Mariana que se descobre um irmão que deseja vingar nela a morte da mãe.

Fio da meada
As mortes possuem sempre uma ligação com a versão original dos crimes. Cada pessoa é escolhida a dedo pelo assassino - relação que vai de testemunhas, médicos legistas até polícias que participaram das investigações dos antigos crimes. O assassino é próximo e observa tudo da mesma lente da câmera fotográfica que outrora fotografou os crimes originais.
O trio Marina Segall, Renzo Marquéz e Mariano Lagos nos dão bons momentos de diversão porque são distintos e peculiares. E Epitáfios não é só mais uma série pesada e densa. Ao contrario, grande parte do humor que alivia a tensão da série é provocado pelo perfil mau humorado e prático de Renzo Marquéz, que nos arranca boas risadas e o identifica com gente do nosso dia a dia.

Tá na mão: site onde você pode baixar os episódios de graça; Portal oficial da série com imagens e informações complementares.

Fabiana Cardoso é jornalista e produtora
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