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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Promoção do NR sorteia o novo romance de Ferréz

O exemplar autografado será sorteado via sorteie.me do Facebook no dia 30 de setembro. Para participar é simples. Siga os passos abaixo:

1 – Siga o NR no Twitter ou curta nossa fanpage no Facebook.

2 – Divulgue a seguinte mensagem no seu Facebook:

Promoção: NR sorteia o novo romance de Ferréz: Deus foi almoçar.

3 – Pronto, agora é torcer para ser o ganhador.

4 – Perfis feitos exclusivamente para participar de promoções não serão aceitos.

Link da promoção no Facebook:
https://www.facebook.com/notaderodape/app_154246121296652

 O escritor Paulo Lins sobre Deus foi almoçar:
"Sua escrita vai revelando o que somos e escondemos de nós mesmos."
"Calixto é um homem comum, mas como todo cidadão ele acorda cedo para fazer parte do labirinto da vida cotidiana. À noite volta para casa onde encontra sua mulher e sua filha, nada mais normal. Mas não é isto que está neste livro. Sem que ele queira tudo começa a não fazer mais sentido. Calixto parece não mais saber como reagir, se é que deseja fazer isso. Suas tentativas logo se mostram infelizes e sua conformação incomoda, embora ele tenha em sua frente um portal para mudar tudo." 
Neste romance psicológico Ferréz impressiona o leitor ao perguntar se vamos querer de fato uma mudança.

Saiba + sobre o livro na entrevista de Ferréz ao site Catraca Livre ou em seu blog.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um nome ecoando: Alcir Lacerda, 1927

crédito: Mateus s'a
A fotografia pernambucana lamenta a morte de um mestre. Alcir Lacerda, tinha 85 anos e sofreu um infarto na manhã do último dia 10, em Recife. Entre os ensinamentos do mestre constam, além de técnicas laboratoriais e olhar atento, as palavras humildade e sensibilidade. Para Alexandre Belém, jornalista, fotógrafo e criador e editor do blog Olhavê, os motivos que fazem de Lacerda uma referência para a fotografia pernambucana são muitos. "Ele foi um fotojornalista pioneiro de Pernambuco, com passagem pela revista Manchete e tem um grande material de documentação do Recife e do estado. O litoral, a cidade, cultura, etc. Além disso, criou o maior laboratório PB do Recife que serviu de escola para muitas gerações".

Alcir, nasceu em São Lourenço da Mata, mas mudou-se menino, com a família, para Recife. Em 1957, fundou a Acê Filmes – um laboratório de fotografia que marcou a história pernambucana. A Acê contou com uma equipe de quase 25 fotógrafos, acompanhando diariamente os acontecimentos da Recife dos anos 70. Ele fez parte da saudosa geração das agências fotográficas na luta pelo crédito fotográfico e profissionalização do ofício. Nesta época, grupos de fotógrafos podiam pautar a imprensa local a partir de um olhar engajado e humanitário.

Alcir fotografou a seca, a queda da Igreja dos Martírios e a deposição do governador Miguel Arraes pelos militares. Atravessou a ditadura e teve seus filmes roubados pela repressão. Hoje, 158 negativos seus pertencem a Fundação Joaquim Nabuco.
“Ouvíamos a voz de Arraes falando, aquele rouco bem forte: eu não renuncio não! Vocês podem me botar para fora! Eu fui eleito pelo voto do povo! Quando foi meia noite e pouca, ele saiu preso. Se ele renunciasse, ele saia até solto, mas ele não quis. Consegui fotografar ele num fusca, que saiu correndo. Quando eu vi o wolks, lá atrás, apareceu à cabeça dele... Eu fui fazendo as fotos, mas quando chegou no portão, trocaram ele de carro. Então eu corri para o jornal do commercio, revelei os filmes. Depois fui ao aeroporto por que a manchete estava esperando essa foto, entreguei tudo para um passageiro e o pessoal tava já esperando ele lá. E a foto foi publicada. Foi bem difícil.”
(Entrevista concedida ao Centro de Artes da Universidade Federal de Pernambuco)
 Saiba +
* Entrevista concedida ao Centro de Artes da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)
* Coleção Masp/Pirelli
* Galeria de fotos – Fundação Joaquim Nabuco


Imagens:   Missa do VaqueiroSerrita, Pernambuco, 1978; Catedral de Olinda, 1985;
Corrida de Jangadas, 1960-1969; Juazeiro, 1970-1979

Ana Mendes, gaúcha de nascimento, errante de coração e profissão. Fotógrafa e cineasta documental formada em Ciências Sociais. Trabalha como fotojornalista freelancer entre Brasília e Porto Alegre. Mantém a coluna mensal Faço Foto

Despedida

“Meio de saco cheio de tudo”, Ricardo Viel telefonou para Henrique perguntando se o amigo não tinha um texto para esta segunda. A resposta foi “sim, quebro essa. Te mando esse conto-crônica”, e o resultado você lê abaixo.

Despedida

Não é que alguém tenha me contado. Eu vi. Fui testemunha. Assisti a todos os capítulos da história (e por isso acho que ela ainda não acabou).

Vi como eles, desde o primeiro dia em que se conheceram, já com as primeiras palavras que trocaram, criaram uma aura que causava espanto e inveja. Eles se olhavam como se no mundo não existisse nada e nem ninguém.

Lembro-em perfeitamente como durante uma conversa num bar, enquanto alguém vomitava uma simplificação estúpida (fazendo pose de autoridade), eles se tocavam por baixo da mesa e se entendiam; e assisti como ele tomou seu braço, e o vi desenhar na palma de sua palma, com o dedo indicador, primeiro um T – e em seguida a olhou, para se assegurar de que ela havia entendido a brincadeira (e recebeu como resposta um balançar de cabeças). Sempre olhando fundo nos olhos dela, continuou; escreveu, pausadamente, um E, e em seguida um A, e um M bem construído. [E dentro de mim foi crescendo algo que era uma mistura de angústia, de apreensão e depois uma alegria quando decifrei a mensagem que estavam construindo]. E o final foi com um perfeito e enorme O, circulado três vezes. A resposta foi um duplo piscar de olhos, marcado, e uma boca que pronunciou, sem emitir qualquer som, a frase: “eu também”. Era assim, nada nem ninguém importava, porque eles sozinhos eram o mundo inteiro.

Foi divertido acompanhar como os demais se dividiam entre os que apostavam que não, que entre eles não podia haver algo, porque eram amigos demais, cúmplices demais, e se davam demasiado bem para serem um casal (argumentos perfeitamente plausíveis, que quase me convenceram); e do lado contrário estavam os que tinham a certeza que daquela junção não podia acontecer outra coisa que não fosse um amor carnal, dos que se impõe sobre qualquer razão ou circunstância.

Fui testemunha de como, com cara séria, ele disparava elogios a ela, e dizia que era a mulher mais doce e linda e inteligente e encantadora do mundo, mas que não, “infelizmente”, entre eles nunca havia acontecido nada (“quisera eu”, completava). E como ela, de tanto que lhe perguntavam, relatou com tamanho detalhe tudo o que eles estavam vivendo, que ninguém acreditou (parecia algo impossível de existir).

E é claro que eu estava no dia da rosa. Disseram tchau, ele virou à esquerda e ela seguiu reto. Assim que ela virou as costas, vi como ele deu a volta na quadra, arrancou uma flor da roseira que havia na esquina, e se sentou na frente da casa dela, como se tivesse passado ali toda a tarde esperando sua chegada. E tenho gravado na memória o sorriso que ela abriu quando entendeu que sim, era ele – quem mais podia ser? – ali no degrau, passando frio, com uma rosa vermelha na mão.

Também sofri quando se aproximou a hora da despedida, e vi como eles se enganaram tão bem a ponto de dizerem adeus como quem diz até “amanhã cedo passo na tua casa”.

E agora, depois de acompanha-lo murchar qual girassol sem luz (de dar pena), de vê-la vagar vazia por aí, fazendo de conta que anda bem e que não pensa nele, me parece absurda toda essa situação. Ele dizendo que não moverá um dedo para voltar a encontrá-la, porque “a distância é a mesma” e “em nenhum lugar está escrito que sou eu que tenho que ir atrás dela”; e ela, cheia de medos e com a falsa imagem “sou independente e não preciso de ninguém”, esperando ansiosamente que ele um dia escreva dizendo que já não aguenta mais, que precisa vê-la, e que chega amanhã por volta das quatro (“pego um táxi e vou te encontrar”).

Porque o que eles se negam a aceitar é que histórias assim não acontecem todos os dias, e quando acontecem é preciso fazer de tudo, usar todas as forças e meios – girar o eixo da terra, se preciso for – para que essas duas pessoas voltem a se encontrar, voltem a criar esses momentos que dão sentido à vida, e transformem aquele adeus em um “já não aguentava mais de saudades, promete que não nos separaremos nunca mais?”.

Ricardo Viel, jornalista, escreve às segundas

domingo, 16 de setembro de 2012

"Coisa íntima" – autorretratos

[De aut(o)- + retrato.]
S.m. Retrato de um indivíduo, feito por ele próprio.
[Pl.: auto-retratos]

Em conversas com a colunista Ana Mendes no começo do ano pensamos homenagear os fotógrafos no dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia, comemorado em 8 de janeiro. Não deu tempo, infelizmente, mas surgiu a ideia de uma coluna dominical, que tomou forma e que vamos lançar no próximo domingo.

O mote será apresentar autorretratos de fotógrafos profissionais e amadores, afinal, é um tanto curioso – e ao mesmo tempo revelador – ver pela lente do artista como ele se faz arte.
“Tirar a própria fotografia é a terceira coisa mais íntima que uma pessoa pode fazer com ela mesma, depois da masturbação e do suicídio”.

Dessa frase de Luiz Fernando Veríssimo publicada no livro Relógio de Ver tiramos o nome do espaço: Coisa Íntima. A coluna vai durar enquanto tivermos fôlego e colaboração. É uma tentativa de fazer um grande ensaio fotográfico colaborativo, com nossa humilde curadoria. Se você é fotógrafo – profissional ou amador – participe dessa ideia, compartilhe com os seus conhecidos.

Envie seu autorretrato em alta resolução com título, data, autor e descrição de até 300 caracteres com espaço para anagrao@gmail.com ou contatonotaderodape@gmail.com


Thiago Domenici, editor e coordenador do Nota de Rodapé

sábado, 15 de setembro de 2012

NR indica +

"A imprensa já não é mais escola para ninguém" é um texto do artista gráfico e ilustrador Orlando Pedroso. Nele, discute um pouco o trabalho dos cartunistas nos jornais, cada vez menos utilizados, o que em tempos áureos era impensável.

Nosso colunista Caco Bressane pondera ser um debate importante para ilustradores, cartunistas, jornalistas, editores e para a imprensa em geral. De fato, vale pensar. Por isso, NR indica o texto AQUI.

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