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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Rio Pinheiros segue sujo e um gato de duas caras

Imagine a turbulência mental ao ler detalhadamente todas as notícias mais “importantes” do dia veiculadas no jornal do dia seguinte. S.A.T.U.R.A.Ç.Ã.O é o que penso sempre que pego o jornal, qualquer deles. “Não quero saber, mas preciso. Preciso mesmo?”. Liquidificador da informação é um apanhado. Nada mais. Aqui, somente, apenas, a informação menor. O que batemos o olho. De ontem, pode não te importar hoje. Respire e vá de um fôlego.

30 DE SETEMBRO

O Rio Pinheiros em SP: 160 milhões investidos e dez anos depois o Governo do Estado desistiu de limpar o rio pelo sistema de flotação – método em que a sujeira vira lodo na superfície.

A notícia é velha, mas o detalhe importante. O único ministro contrário à criação da legenda do PSD de Kassab foi Marco Aurélio Mello, que não aceitou a apresentação das certidões de nascimentos emitidas por cartórios eleitorais como comprovante da autenticidade das assinaturas de apoio. Cartório Eleitoral emite certidão de Nascimento?

E Belo Monte, a mega obra no Xingu, está proibida por liminar da 9ª Vara Ambiental da Justiça Federal do Pará. A ação foi proposta pela Associação dos Criadores e exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira.

E o Malufão virou réu no STF por lavagem de dinheiro. Será que agora vai? Praticamente toda a família está no processo: mulher, filhos e genros.

No México o casamento poderá ter data de validade. Um contrato de união civil renovável a cada dois anos. Se a moda pegar por aqui... O Jornal da Tarde diz que o Kléber – Gladiador – do Palmeiras, pode ir para o Corinthians em 2012. Será?

Ontem, um rapaz armado tentou invadir o palácio do Planalto. Queria entregar um documento a Dilma. A família diz que ele tem problemas mentais.

Em Araçatuba, três bandidos assaltaram um casal e a arma era uma seringa com um líquido avermelhado que diziam ser sangue com HIV. E na imagem acima, um gato com duas caras que entrou pro livro dos recordes e tem tudo dobrado, inclusive os nomes.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Gisele e a lingerie da Hope

Imagine a turbulência mental ao ler detalhadamente todas as notícias mais “importantes” do dia veiculadas no jornal do dia seguinte. S.A.T.U.R.A.Ç.Ã.O é o que penso sempre que pego o jornal, qualquer deles. “Não quero saber, mas preciso. Preciso mesmo?”. Liquidificador da informação é um apanhado. Nada mais. Aqui, somente, apenas, a informação menor. O que batemos o olho. De ontem, pode não te importar hoje. Respire e vá de um fôlego.

29 DE SETEMBRO

Secretaria de Política para as Mulheres pede que a propaganda das ligeries Hope com Gisele Bundchen saia do ar. “A propaganda promove o reforço do esteriótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas. Também apresenta conteúdo discriminatório contra a mulher”, afirmou em nota.

Skinhead é condenado a 31 anos de prisão. Seu nome: Vinicius Paziratto, vulgo Capeta. Pra quem não lembra ele obrigou dois rapazes a pular de um trem em movimento. Um morreu e outro perdeu um braço. Mas ele cumprirá a pena em liberdade por conta de habeas corpus concedido pelo STF. Crime foi cometido em Mogi das Cruzes (SP), em 2003.

E ele, sempre ele, Valdemar Costa Neto, sortudo ou tem santo (s) forte (s)? Por 16 votos a favor teve processo contra ele arquivado pela Câmara por conta de um esquema que derrubou o ministro dos Transportes não faz muito tempo.

E numa estação da CPTM em SP o deficiente visual que confiar no piso tátil dará com a cara numa coluna de cimento. A foto ao lado é autoexplicativa. Disseram que vão corrigir o problema.

Em Osasco, Rota mata um rapaz de 26 anos e vizinhança protesta. Foi no Jardim Elvira e se trata da velha história do “ele atirou e nós revidamos”.

Corintianos: a namorada do jogador Adriano disse que ele cozinha para ela. E dia 20 ela vai ganhar um anel de diamante e afirmou que ele faz dieta rigorosa.

Cláudio Luiz Silva de Oliveira, chefe do batalhão de São Gonçalo, é suspeito de mandar matar a juíza Patrícia Aciol no Rio de Janeiro. 

Rapidinhas: Center Norte tenta acordo para não fechar. Cuba autoriza comércio de veículos. Shakira compra ilha nas Bahamas por R$ 29 milhões. Médicos são condenados no Bahrein por participação em protestos. Banco Central eleva de 5,8% para 6,4% projeção de inflação oficial este ano.

Mortas & Famosas

A escritora espanhola Elvira Lindo, em uma de suas crônicas, publicadas semanalmente no jornal El Pais, fez uma exaustiva lista de irmãos que entraram para a história. Entre eles, os irmãos Lumière, os Karamazov, os Marx, os Kennedy, os Rocco, os Cohen, os Jackson Five, os Mann, os Grimm, e, é claro, Caim e Abel.

Acrescento alguns brazucas à lista de Elvira. Começando pela contribuição consanguínea da música sertaneja: Tonico e Tinoco, Chitãozinho e Chororó, Leandro e Leonardo, Zé Camargo e Luciano, Sandy e Júnior. Temos também os irmãos Sarney, os Buarques de Holanda, os Marinhos, os Frias, os Mesquitas e, é claro, Pedro e Fernando Collor. Esses dois últimos, uma versão tupiniquim de Caim e Abel.

Sampa fica bem na fita. Mais contemporâneo escrever, bem no Facebook. Mesmo que muita gente não se dê conta, moramos, trabalhamos ou caminhamos sobre algumas irmãs. Irmãs que deram o nome a vilas. Como o caso da Ida, Beatriz e Madalena. O pai, seu Gonçalo, imigrante português, fatiou uma imensa gleba e decidiu homenagear as filhotas.

Cada uma delas, mesmo depois de findas, ganharam coloridos de personalidade. Beatriz mantém o ar da origem campestre, ainda é possível ouvir o galo cantar nos quintais de suas casas. Ida, a mais séria, sedia a Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz, orgulhosamente construída pelos moradores. Diga-se como ilustração, as três vilas se formaram, na primeira metade do XX, pelas mãos de motorneiros, padeiros, sapateiros, pedreiros, costureiras, doceiras e funcionários públicos.

Madalena roubou a cena das irmãs. Fez isso com a ajuda da proximidade de Pinheiros, da especulação imobiliária, da estação de metrô, das dezenas de bares, restaurantes, ateliês e lojas charmosas. O pessoal do entorno diz apenas Vila e todo mundo sabe que é a Madá. "Lá na Vila". "O metrô da Vila". "A feira da Vila". "A livraria da Vila".

Na região central da cidade, há o caso de três irmãs, não em sangue, mas em títulos de nobreza. Filhas de barões, duas viraram ruas e uma, avenida. Maria Antônia, Veridiana e Angélica se tornariam conhecidas por 92% dos paulistanos. Cada uma, depois de mortas, e a sua maneira, fariam história na Paulicéia.

Dona Veridiana, a caridosa. Os que procuravam a Santa Casa da Misericórdia para se curar ou abandonar bebês na Roda dos Expostos passavam por ela. Dona Veridiana e a Santa Casa continuam lá, agora sem Roda dos Expostos, mas com muitos aflitos.

Maria Antônia se tornou referência histórica, quando em 1968, com a ditatura militar a pleno cassetete, eclodiu o conflito entre estudantes do Mackenzie e os da Faculdade de Filosofia da USP. O Mackenzie tinha grupos de direita e a Filosofia, é claro, abrigava gente de esquerda. A coisa esquentou com ovos, pedras, paus, coquetéis Molotov. Essa passagem ficou conhecida como "A batalha da Maria Antônia".

Por fim, a mais importante delas, Angélica. Em um século, a avenida teve várias caras. Abrigou casarões de barões do café, prédios de apartamento com estilo. Entre eles, um de Oscar Niemeyer. Uma praça maravilhosa, a Buenos Aires. Hoje, a inquieta Angélica segue mudando com construções de mau gosto e grana muito alta.

Fernanda Pompeu, escritora e reatora freelancer, colunista do NR e do Estúdio Saci, escreve às quintas. Ilustração de Carvall, especial para o texto.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma reflexão e uma proposta (espero) polêmica

Passou o Dia Mundial Sem Carro. Claro que a maioria das pessoas, desacostumadas a ficar sem seu carro, foram cumprir seus afazeres de carro, ainda que estivessem dando o maior apoio moral pro movimento.

O Dia Sem Carro foi coberto por vários veículos de comunicação e amplamente comemorado. É o tipo de ação que quase ninguém se opõe. Mas ontem um amigo me chamou a atenção: em seguida das notícia sobre o dia sem carro, quase todas as propagandas eram de carro.

Lembrando de um post recente no excelente blog do Sakamoto, é muita cara de pau vender um carro falando que ele vai a 300 km/h e tem um bilhão de cavalos de potência quando não há um pedaço de estrada no Brasil cuja velocidade máxima seja superior a 120 km/h.

Penso nisso quando vejo pessoas usando SUVs para se locomover até o mercado, a dez minutos, ou para ir na academia (!!!!) usando um carro enorme, super poluente e super caro. Penso nisso quando as pessoas parecem cada vez mais preocupadas em “consumir de maneira mais consciente”, o que se traduz em consumir mais, na verdade.

Seria bem melhor para o “verde” se as pessoas, em vez de consumir mais carros, mais poderosos, mais poluentes, mais espaçosos, de empresas que gastam uma triliardária verba publicitária para mostrarem como estão tão preocupados com o meio ambiente, levantassem a bundinha do banco do carro e andassem até a academia ou a padaria. Ou fossem de bicicleta, metrô, ônibus, bonde, teleférico...

Tenho perfeita noção do tamanho do fetiche que é o carro no mundo de hoje. O valor de um carro, é muito claro isso, não se resume ao seu valor de uso, ou seja, não basta um carro levar de um lugar pro outro. Para o consumidor médio, o carro é muito mais que isso. Por isso mesmo quero deixar aqui uma proposta que vai de encontro a isso e que pode, de fato, impactar esse mercado e os hábitos das pessoas:

- E se só fosse permitida a venda de carros com, no máximo, 1000 cilindradas?

- E que viessem com todos os itens de segurança, como air bag e freios ABS, de fábrica (isso já foi aprovado e entra em vigor em 2014 – hoje, esses itens são opcionais).

- E se todos os carros viessem com um sistema que restringe a velocidade máxima que ele atinge a 120 km/h?

- Estariam excluídos disso os carros de polícia, bombeiro e ambulâncias, claro. Além dos carros de corrida, etc.

Não seria mais efetivo que as elitistas e sempre presentes propostas de tirar os carros "mais poluentes" (leia-se velhos, de pobre), além de mais democrático?

Claro que as pessoas, com o dinheiro que têm, devem comprar o que bem entenderem. Mas quando falamos de um carro, falamos de algo que não diz respeito só à pessoa, mas também a todo mundo à sua volta que respira o ar, que tem que conviver com carros em alta velocidade ameaçando se descontrolarem e sendo projetados para pontos de ônibus, matando, mutilando, com o trânsito absurdo de milhares de carros, cada um com uma pessoa dentro, entre outros problemas... Nada contra quem gasta milhões com jóias, relógios, seja lá o que for.

Rodrigo Mendes de Almeida é jornalista e colunista do NR

Lula é Dr. Honoris Causa. Saudita é condenada

Imagine a turbulência mental ao ler detalhadamente todas as notícias mais “importantes” do dia veiculadas no jornal do dia seguinte. S.A.T.U.R.A.Ç.Ã.O é o que penso sempre que pego o jornal, qualquer deles. “Não quero saber, mas preciso. Preciso mesmo?”. Liquidificador da informação é um apanhado. Nada mais. Aqui, somente, apenas, a informação menor. O que batemos o olho. De ontem, pode não te importar hoje. Respire e vá de um fôlego.

28 DE SETEMBRO
“Nem direita, nem esquerda e nem centro.” PSD de Kassab é aprovado pela justiça e 50 deputados federais estão na legenda. O Shopping Center Norte, em SP, terá de fechar até sexta-feira por risco de explosão. Está sob um lixão o que gera gás metano. E quem lembra do jingle “Center Norteeeee, alegria, SEGURANÇA e companhia e conforto pra comprar”?

Ali na França, o Instituto de Ciência Políticas de Paris agraciou o ex-presidente Lula com o título de Doutor Honoris Causa. Enquanto isso, Bancários e Correios estão em greve. E o serviço de Motoboy deve estar bombando.

Em Franca, no interior de SP, um leilão de túmulos arrecadou mais de 300 mil reais – 14 foram vendidos. No mesma cidade, vereadores tentam aumentar seus salários.

Sem noção: um Jornal de Vitória, colocou na 1º página uma foto de Hebe Camargo e escreveu: “Carequinha da Silva. Linda como o Gianecchini”.

O jornalista Jorge Kajuru filiou-se ontem ao PPS paulistano – o mesmo da Soninha Francine – e deve disputar uma vaga na Câmara Municipal no ano que vem.

Marcelo Freixo, no Facebook: "Eduardo Paes continua licitando as vans através das cooperativas, as milícias agradecem. A CPI das milícias propôs licitação individual." Hoje tem o jogo Brasil versus Argentina, pela Copa Rocca, homenagem a um exterminador de índios (saiba mais). 

Nota triste: na Arábia Saudita as mulheres não podem dirigir. Uma que se atreveu e postou o vídeo no Youtube acaba de ser condenada a 10 chibatadas. Exatos dois dias após o rei (ditador?) Abdullah bin Abdulaziz al-Saud garantir às mulheres o direito de votar e de se candidatar nas eleições municipais de 2015.
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