por Fernando Carvall*
O logo da rede Globo é uma síntese perfeita do que
deveria ser a função de uma tv aberta.
O tempo mostrou, contudo, que os papéis de sujeito (o mundo)
e espelho (a tv) se inverteram.
Hoje o mundo é um espelho da tv!
*Ilustrador e caricaturista, Carvall é um dos grandes nomes da ilustração brasileira; professor do Senac há quase 20 anos, mantém o Estúdio Saci e colabora com o NR desde 2011
.
30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Quem escreve o Brasil?
por Fernanda Pompeu ilustração Fernando Carvall*
Não sou especialista em nada. Sou uma Pena de Aluguel. Passei os últimos trinta anos escrevendo roteiros, spots, slogans, textos para clientes variados. Aprendi a me apaixonar pela paixão dos outros.
Assim, já morri de amores por uma fábrica de parafusos, pontes estaiadas, bolos para festas, estatuto da criança e do adolescente, autoescola, biblioteca comunitária, casa de tintas, clube de campo, direitos humanos.
Também, é claro, escrevo crônicas dos meus temas. São as melhores de fazer, pois nelas tenho passe livre para escrevinhar o que penso e sinto. É o que hoje rabisco na coluna Mente Aberta do Yahoo e aqui neste delicioso Nota de Rodapé.
Mas mesmo não sendo doutora em nenhuma disciplina das humanas, quero dar alguns pitacos acerca do que andamos vivendo no mundo dos jornalistas e autores. Mundo em crise, acho que ninguém duvida.
O que eu mais vejo no meu Face são postagens, muitas delas desesperadas, alertando para a morte do jornalista profissional. Notícias de desrespeito social, demissões em massa, baixos salários, baixa autoestima.
No entanto, creio que não é a bonita, histórica, indispensável profissão de jornalista que está na UTI. Quem está terminal são os grandes veículos impressos de massa. Eles vão para a agonia por falência múltipla de visão.
Olha que não estou falando de modelo de negócio - esse papo não é de jornalista, é de dono de jornal. Estou falando de novos modelos de noticiar e ler notícias. Novos jeitos criados nas redes sociais e ignorados na maioria das redações.
Muitos seguem acreditando que o mundo é o mesmo do ano passado. Mas não é. Ele não é o mesmo nem da manhã de hoje. Pois tudo vai muito rápido. Corre na velocidade do curtir, comentar, compartilhar.
Mas a velocidade é uma das características da transformação. Existe outra mais acachapante: os leitores mudaram! São mais críticos e mais voláteis. Eles não cabem mais nas caixinhas de destinatários, público-alvo, consumidores.
Também são leitores sedentos de experiências e informações. Estão o tempo todo ligados. Usando seus notebooks, tablets, smartphones. Por ser tremenda a abundância de fontes e informações, são eles que escolhem o que, porque e quem ler.
Me parece que nesse ambiente, jornalistas e escribas em geral vão ter a oportunidade de florescer. Mais ainda, a oportunidade de brilhar com a matéria-prima do jornalismo - que faz algum tempo estava no limbo. Isto é, apuração correta e bom texto.
Não haverá mais a comodidade da mídia única. Nem o cargo, nem o título, nem o espaço da página, nem o compadrio darão ao jornalista a primazia de ser lido. Todo mundo vai ter que suar a caneta para conquistar o novo leitor.
*fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013
É difícil abandonar
por Fernanda Pompeu ilustração Fernando Carvall*
Mesmo quando você já se convenceu que uma determinada inovação facilita sua vida. Mesmo quando você migrou para um novo ambiente de fazer as coisas. Mesmo assim, parece tão custoso deixar hábitos, procedimentos, protocolos.
Acho que é por conta do coração. Por causa de um sentimento chamado afetividade. Pois somos, numa conta grosseira, 50% razão, 50% emoção. A segunda é mais lenta e profunda do que a primeira. Para sair do lugar, ela precisa de uma experiência além-René Descartes.
Também por isso o discurso muda mais rápido do que o comportamento. O povo sempre soube no seu adágio: falar é fácil, difícil é fazer. A encrenca não está em abraçar o novo, reside em abandonar o velho.
Porque amamos o antigo. Ele foi nosso companheiro e garantiu, no passado, alguma alegria e um punhado de sucesso. Por exemplo, eu sei que usar um editor de textos é mais prático e simples do que escrever no Word. Este é pesadão e cheio de firulas que nunca precisamos.
Mas como dizer adeus? Como deletar o programa? Vem à mente tantos textos tricotados com a linha e a agulha wordianas. O afeto que se insere no processador que te ajudou a escrever aquela crônica ótima, que te auxiliou a melhorar as médias. Te encorajou a refazer as muito ruins.
A trava que segura a mudança se faz presente para lá do comezinho. Ela vai do menor para o maior. Do privado para o púbico. Pois tudo está conectado: a insistência em usar o Word e a perplexidade com os últimos protestos de rua.
A razão nos faz compreender que as recentes manifestações dos indignados brasileiros se expressam em um novo formato de reivindicar. Formato sem palanques, sem líderes, sem partidos, sem sindicatos. Uma pauta mais difusa, utópica, solta até. Chamamentos e mobilizações em redes sociais.
No entanto o afeto, ao menos para os maiores de cinquenta anos, está ligado a um outro padrão de fazer política. Ligado ao voto, à supremacia da maioria, às decisões tiradas em assembleias, à mesa de notáveis, ao fla-flu das tendências e partidos políticos.
É claro que eu compreendo o que está acontecendo. Quero dizer, mais ou menos. Uma vez que o cérebro chega antes do que a emoção. O que alimenta um sentimento? A memória, com certeza.
Recordo da minha juventude. Das passeatas, palavras de ordem, dos meus queridos e queridas da Liberdade & Luta. Lembro que acreditávamos em Trótski e no Mick Jagger. No centralismo democrático e no amor livre.
Foi tanta vida! Sufoco só de invocá-la. Mas, mulher madura, me esforço para acompanhar as inovações. Dobro a atenção para ouvir a garotada. Mas tudo o que quero, e espero, é que ela me toque o coração.
*fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Tragédia de erros
Morei em Niterói aos quatorze anos de idade. A cidade era então capital do estado do Rio de Janeiro. Portanto estamos falando de muito tempo atrás. Precisamente 1970. Pois bem, nessa época eu era apaixonada por teatro. Queria subir no palco de qualquer maneira.
O Teatro Municipal de Niterói havia organizado um curso para pretendentes a atores. Foi muito bom, pois me fez desistir da coisa toda. Durante o curso ficou evidente minha falta de talento. Do mínimo talento. Na avaliação final, o professor gentilmente explicou que me faltavam: postura no palco, boa dicção, soltura do espírito.
Engraçado que essa passagem da minha vida se encontrava no quarto dos fundos da memória. A faísca que fez ela saltar para a sala de visitas foi o incêndio medonho da Boate Kiss na gaúcha Santa Maria. Esse que matou 235 garotos e garotas na casa dos vinte.
Antes que a leitora ou leitor conclua que estou variando, explico. Uma tarde a caminho do curso no Teatro Municipal dei de cara com uma moça de rosto desfigurado. Na minha lembrança, faltava-lhe o nariz. O resto era uma máscara esculpida pelo fogo. Senti um choque de altos volts.
Ao chegar no Teatro comentei o que havia visto. O professor, o mesmo que revelaria a minha falta de talento, disse que provavelmente a moça seria uma vítima do incêndio do circo, ocorrido nove anos antes. Acrescentou que centenas de pessoas ficaram deformadas pelas queimaduras.
A história do incêndio é esta: 17 de dezembro de 1961. Um domingo de verão escaldante que atraiu perto de três mil pessoas para a matinê do Gran Circo Norte-Americano (que de gringo só tinha o nome). Não precisa dizer que a maioria dos espectadores eram crianças.
Num número de trapézio, de repente, o fogo surgiu debaixo da lona e numa velocidade furiosa subiu, subiu. Pânico! Como não havia saídas de emergência (surpresa?) e a lona era de material altamente inflamável (surpresa?), o Gran Circo se transformou numa ratoeira incandescente.
Total oficial: 503 mortos e centenas de sobreviventes mutilados. A comoção tomou conta do país. Dizem que o então presidente João Goulart, ao visitar as pessoas queimadas no hospital Antonio Pedro, foi para um canto e chorou. Fica a dúvida: foram lágrimas de compaixão ou de vergonha pela incúria de quem devia fiscalizar?
O que sei é que o rosto da moça de Niterói atrapalhou meu sono por muitas noites. Depois, é claro, escapuliu para o baú sem fundo das recordações. Lá ficou por 42 anos. Ressurgiu na manhã do último domingo quando conectei a internet.
Vale a pergunta. Na hora que passar a comoção pelas vítimas de Santa Maria e mais uma vez a memória se recolher, quantos anos essas imagens de horror levarão para despertar novamente? Oxalá que jamais.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
O Teatro Municipal de Niterói havia organizado um curso para pretendentes a atores. Foi muito bom, pois me fez desistir da coisa toda. Durante o curso ficou evidente minha falta de talento. Do mínimo talento. Na avaliação final, o professor gentilmente explicou que me faltavam: postura no palco, boa dicção, soltura do espírito.
Engraçado que essa passagem da minha vida se encontrava no quarto dos fundos da memória. A faísca que fez ela saltar para a sala de visitas foi o incêndio medonho da Boate Kiss na gaúcha Santa Maria. Esse que matou 235 garotos e garotas na casa dos vinte.
Antes que a leitora ou leitor conclua que estou variando, explico. Uma tarde a caminho do curso no Teatro Municipal dei de cara com uma moça de rosto desfigurado. Na minha lembrança, faltava-lhe o nariz. O resto era uma máscara esculpida pelo fogo. Senti um choque de altos volts.
Ao chegar no Teatro comentei o que havia visto. O professor, o mesmo que revelaria a minha falta de talento, disse que provavelmente a moça seria uma vítima do incêndio do circo, ocorrido nove anos antes. Acrescentou que centenas de pessoas ficaram deformadas pelas queimaduras.
A história do incêndio é esta: 17 de dezembro de 1961. Um domingo de verão escaldante que atraiu perto de três mil pessoas para a matinê do Gran Circo Norte-Americano (que de gringo só tinha o nome). Não precisa dizer que a maioria dos espectadores eram crianças.
Num número de trapézio, de repente, o fogo surgiu debaixo da lona e numa velocidade furiosa subiu, subiu. Pânico! Como não havia saídas de emergência (surpresa?) e a lona era de material altamente inflamável (surpresa?), o Gran Circo se transformou numa ratoeira incandescente.
Total oficial: 503 mortos e centenas de sobreviventes mutilados. A comoção tomou conta do país. Dizem que o então presidente João Goulart, ao visitar as pessoas queimadas no hospital Antonio Pedro, foi para um canto e chorou. Fica a dúvida: foram lágrimas de compaixão ou de vergonha pela incúria de quem devia fiscalizar?
O que sei é que o rosto da moça de Niterói atrapalhou meu sono por muitas noites. Depois, é claro, escapuliu para o baú sem fundo das recordações. Lá ficou por 42 anos. Ressurgiu na manhã do último domingo quando conectei a internet.
Vale a pergunta. Na hora que passar a comoção pelas vítimas de Santa Maria e mais uma vez a memória se recolher, quantos anos essas imagens de horror levarão para despertar novamente? Oxalá que jamais.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
De papel ou de carne?
Faz um ano que não leio nenhum livro de ficção. Não me orgulho, mas também não me repreendo. Simplesmente aconteceu. Depois de décadas como leitora quase exclusiva de literatura, passei a mergulhar em biografias, memórias, autoajudas chiques, grandes reportagens.
O fato é que agora prefiro as personagens de carne e osso. Essas, como nós, são incompletas, sextavadas. Ora decididas, ora vacilantes. Ora cheias de coragem, ora cobertas de medo. Essa gente que respira e transpira no interior dos trens de metrôs, ou dentro dos pernósticos Hyundais.
Gente que sonha alto e realiza baixo. Que trai seu amor. Que deixa passar a grande oportunidade. Que detesta os corruptos, mas molha a mão do guarda. Que foge de si mesma. Em suma, gente sem heroísmo.
Mas também capaz de altas ternuras. Capaz de solidariedade. Capaz de trabalhar por uma vida inteira e morrer assim de repente. Morrer sem ter pintado um quadro, escrito uma página, tocado uma flauta, preparado uma moqueca.
Gente que não chega aos pés de uma Emma Bovary, uma Capitu, uma/um Orlando, um Riobaldo, um Fabiano, um Otelo, uma Julieta, um Don Quijote, uma Ana Karenina, uma Lisbeth Salander. Complete a lista de personagens memoráveis.
Não sei porque minha curiosidade se voltou para a caixa da padaria, o atendente da farmácia, o dono da quitanda, o blogueiro de setenta anos, a jornalista sem jornal, a médica que cuida da minha mãe, o marronzinho da avenida.
Talvez seja uma reação a tantos anos bebendo da imaginação de autores bons e ruins. Anos acompanhando narrativas inventadas. Amando, como uma louca, a arte da ficção. Ou talvez por mesquinhez e vingança já que não escrevi o grande romance, que não criei a personagem estupenda.
Pode ser. Pode ser. Sabe-se lá o que passa pela alma e pela cabeça das personagens de carne e osso. Ou talvez, o meu cansaço seja com as categorias, com as fronteiras de gênero, as etiquetas tão ao gosto das academias.
Quiçá eu esteja atrás do misturado, de uma narrativa-água que transborde da gaveta. Que abandone a dualidade fato-invenção, realidade-imaginação. Por conta disso, é cada vez mais difícil definir que diabo de escrita eu faço.
Pois todos os dias com os dedos no teclado: minto ou escrevo a verdade? Imagino ou investigo? Sou honesta ou trapaceio? Ou será que faço tudo isso junto e ao mesmo tempo?
A pergunta é: quem é mais real? A moça que acabou de tocar a campainha aqui de casa para me oferecer a palavra de Deus, ou o Homem-Aranha escalando prédios de papel machê?
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
O fato é que agora prefiro as personagens de carne e osso. Essas, como nós, são incompletas, sextavadas. Ora decididas, ora vacilantes. Ora cheias de coragem, ora cobertas de medo. Essa gente que respira e transpira no interior dos trens de metrôs, ou dentro dos pernósticos Hyundais.
Gente que sonha alto e realiza baixo. Que trai seu amor. Que deixa passar a grande oportunidade. Que detesta os corruptos, mas molha a mão do guarda. Que foge de si mesma. Em suma, gente sem heroísmo.
Mas também capaz de altas ternuras. Capaz de solidariedade. Capaz de trabalhar por uma vida inteira e morrer assim de repente. Morrer sem ter pintado um quadro, escrito uma página, tocado uma flauta, preparado uma moqueca.
Gente que não chega aos pés de uma Emma Bovary, uma Capitu, uma/um Orlando, um Riobaldo, um Fabiano, um Otelo, uma Julieta, um Don Quijote, uma Ana Karenina, uma Lisbeth Salander. Complete a lista de personagens memoráveis.
Não sei porque minha curiosidade se voltou para a caixa da padaria, o atendente da farmácia, o dono da quitanda, o blogueiro de setenta anos, a jornalista sem jornal, a médica que cuida da minha mãe, o marronzinho da avenida.
Talvez seja uma reação a tantos anos bebendo da imaginação de autores bons e ruins. Anos acompanhando narrativas inventadas. Amando, como uma louca, a arte da ficção. Ou talvez por mesquinhez e vingança já que não escrevi o grande romance, que não criei a personagem estupenda.
Pode ser. Pode ser. Sabe-se lá o que passa pela alma e pela cabeça das personagens de carne e osso. Ou talvez, o meu cansaço seja com as categorias, com as fronteiras de gênero, as etiquetas tão ao gosto das academias.
Quiçá eu esteja atrás do misturado, de uma narrativa-água que transborde da gaveta. Que abandone a dualidade fato-invenção, realidade-imaginação. Por conta disso, é cada vez mais difícil definir que diabo de escrita eu faço.
Pois todos os dias com os dedos no teclado: minto ou escrevo a verdade? Imagino ou investigo? Sou honesta ou trapaceio? Ou será que faço tudo isso junto e ao mesmo tempo?
A pergunta é: quem é mais real? A moça que acabou de tocar a campainha aqui de casa para me oferecer a palavra de Deus, ou o Homem-Aranha escalando prédios de papel machê?
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Cheiro de tinta
Não sou dada a futurologias. Gosto mesmo é do odor da naftalina, da cor sépia das fotografias, do papéis amarelados. Talvez pelo fato do passado deixar marcas, manchas, trilhas tangíveis, ao passo que o futuro é tão somente uma assombração de promessas.
Mas, apesar do amor pelas coisas pretéritas, não sou do tipo nostálgico. Não posto fotos do meu eu jovem no facebook. Também não cultivo saudades. De forma alguma acho que o tempo passado seja melhor ou superior ao tempo presente.
Ele foi apenas distinto. Hoje, pouco a pouco, vou me acostumando a ler jornais na tela. É muito dinâmico, pois foco na notícia do meu interesse e checo em veículos diferentes como ela foi trabalhada. Aqui vale um parênteses: vejo tudo muito parecido, nada autoral.
Dá a impressão que um jornalista copiou do outro, mudando ou acrescentando um detalhe embaixo, outro em cima. Tenho a sensação de que ninguém quer se comprometer. Como se fosse apenas um bater o ponto. Um se desfazer rapidamente de um encargo chato.
Creio que os jornalistas da web devem atentar para a relação íntima entre a qualidade e a diversidade no tom e no estilo. Basta conferir a história de dois gigantes de papel que morreram faz pouco tempo. Falo do carioca Jornal do Brasil (1891-2010) e do paulistano Jornal da Tarde (1966-2012).
O Jornal do Brasil, JB, teve longa vida de influência e importância. Foi referência como "jornal do país". Fez reformas editoriais e gráficas copiadas muitas vezes pela concorrência. Foi o primeiro a inventar um caderno B. Durante décadas serviu como contrapeso ao O Globo. Agora existe uma versão digital, mas na verdade só carrega o mesmo nome.
Já o Jornal da Tarde, JT, teve vida bem mais breve. No entanto foi brilhante na sua proposta inicial de inovação de texto e de paginação. Produziu capas memoráveis, legítimos "quadros" para, com gosto, a gente pendurar na parede. Ele apostava no visual bonito e leveza verbal muito antes da internet.
Na minha modesta opinião, creio que os dois começaram a morrer tempos antes das suas rotativas calarem. A agonia teve início quando cada um abriu mão da inovação e ousadia que, em boas fases, os caracterizaram. Os diferenciaram da maioria.
O leitor abandonou o Jornal do Brasil quando seus editores abriram mão ou perderam colunistas de primeira. Quando seu estilo passou a não cheirar e nem feder. Idem o leitor do Jornal da Tarde que não se sentiu disposto a acompanhar uma proposta cada vez mais ligeira e desimportante.
Uma bênção do passado é a de abrir os nossos olhos. Por exemplo, enxergar que o sucesso precisa ser renovado dia a dia. Não é tatuagem permanente, nem louro para se dormir. Os jornais digitais ainda não encontraram o ponto do doce.
Os webjornalistas precisam rapidamente ousar. Necessitam pôr tom e estilo em seus textos. Caso contrário, os leitores de notícias vão migrar em massa para os portais gerais e para o São Google. Nada é para amanhã.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas a coluna Observatório da Esquina. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
sábado, 1 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Vlado em 4 atos
1.Há 13.505 dias o mundo era outro. Por exemplo, as Bienais de São Paulo ainda eram importantes. No 25 de outubro de 1975, um sábado, eu fui até o Ibirapuera. Na época, quando São Google nem sonhava em nascer, eu tinha uma reverência ao evento Bienal. De fato, na de 1975, foi possível ver alguma coisa da novidadeira instalação de vídeo-arte e entrar numa maloca indígena – reproduzida em tamanho natural.
Tenho a impressão que chovia. Digo impressão, pois 37 anos são 37 anos. A tinta da memória, igual a das canetas sem uso, também seca. Mas eu guardei esse dia não por causa da Bienal, mas por conta do que soube ao cair da tarde. Cheguei em casa e meu pai, entre solene e preocupado, disse: "Olha, mataram um jornalista da TV Cultura. Vai ter mobilização."
2.
Domingo. Acho que continuava chovendo. Lembro que meu pai e eu fomos para o velório do jornalista no Hospital Albert Einstein. Hospital tão afamado quanto hoje é o Sírio-Libanês. O clima, a indignação das pessoas nem preciso descrever. Havia também o danado medo. Entre os presentes circulavam homens de terno e gravata fotografando. "Agentes do Dops" – sussurrávamos.
Mas ninguém arredou pé. Sabíamos que tínhamos que ficar onde estávamos. Entre os ilustres, o arcebispo Dom Paulo Arns e o senador Franco Montoro. Até aquele dia eu não fazia ideia de quem era Vladimir Herzog. Mas sabia que a ditadura torturava e matava muito gente. E aquele cara, estendido no caixão, não havia se suicidado.
3.
O enterro foi no Cemitério Israelita do Butantã. Mais longe do que é hoje. Lembro de uma estradinha de terra (será?). E, é claro, da grande comoção. Eu assisti a tudo de um lugar alto. Choros. Rápidos e compungidos discursos da Ruth Escobar (ninguém fala mais dela) e de Audálio Dantas – então presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. A sensação era que desta vez haveria uma resposta. Acho que isso estava escrito na cara de todo mundo: "Não vamos deixar barato."
4.
No 31 de outubro, ocorreu a grande concentração na Praça da Sé. Desafiando o aparato repressivo, e graças ao trabalho dos estudantes da USP, PUC, GV e do Sindicato dos Jornalistas, mais de cinco mil pessoas estavam em frente à Catedral da Sé. Lá dentro se desenrolava uma missa-ato ecumênico (ou quase isso, pois não convidaram uma mãe de santo). Representando os católicos, os corajosos dons Paulo Evaristo Arns e Helder Câmera. Os judeus contaram com o rabino Henry Sobel. Em nome dos protestantes, o pastor James Wrigth.
Mas tudo isso foi muito mais. Hoje sabemos que o protesto contra o assassinato do cidadão Vlado, 38 anos, foi um punhal certeiro no coração da ditadura militar. Toda tirania, minhas amigas e amigos, um dia tem seu fim.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve às quintas a coluna Observatório da Esquina. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
sábado, 24 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Libelu
Sou filha de um comunista de carteirinha. Passei a infância e adolescência aprendendo a admirar a União Soviética e Cuba. Antes de dar meu primeiro beijo de língua, eu já sabia quem tinham sido Vladimir Lenin e Alexandra Kollontai.
Meu pai acreditava que uma vez derrubada a ditadura de 1964 e instaurada a democracia, o PCB – Partido Comunista Brasileiro- retornaria à legalidade. Quando isso ocorresse, o Partidão conquistaria o coração do povo.
Pois aconteceu que, no final da década de 1970, eu entrei na Escola de Comunicações e Artes, da USP. Logo no primeiro dia, na recepção aos calouros, fui conquistada pelos veteranos do Centro Acadêmico. Todos da Liberdade e Luta, mais tarde chamados de os libelus.
Nessa época o movimento estudantil punha as manguinhas de fora, deixando as salas de aula para se arriscar em atos públicos e passeadas pela ruas de Sampa. Foi a época de ouro das tendências estudantis. Havia a Liberdade e Luta, a Refazendo, a Travessia, a Caminhando, entre outras.
Como entrei na ECA, me tornei libelu. Hoje tenho certeza que se tivesse entrado na História e Geografia teria me tornado Refazendo. Era assim que funcionava para a maioria. Você não escolhia a tendência. Os centros acadêmicos chegavam em você.
Vamos ao conflito: a Liberdade e Luta se denominava trotskista e minha tradição familiar era stalinista. Para quem não lembra: o camarada Trotsky e o camarada Stalin se odiavam de morte. Sendo o primeiro considerado um mártir e este último um feroz ditador.
De repente aquela garotada linda, criativa, leve e solta punha o dedo na cara de comunistas como o meu pai. O dedo dizia: "Vocês são os traidores da causa operária-camponesa. Enquanto nós somos os legítimos defensores dos pobres e oprimidos."
Apesar do choque fiquei ao lado dos meus novos amigos, é claro. Verdade que os militantes da Libilu nada tinham de operários, ou de camponeses. A maior parte morava em casas confortáveis e vivia de mesadas bem burguesas.
Eles tinham uma vida muito mais folgada do que a minha. Pois o meu pai havia sido demitido, pelo Ato Institucional número 1, do bom emprego no Banco do Brasil. Justamente por ser comunista. Foi aí que a família teve que trocar a deliciosa manteiga pela insípida margarina.
Contradições, né? Mas adorei ter sido uma libelu. Foi um momento brilhante da minha vida. Conheci pessoas que se tornaram máximas referências afetivas. Em suma, fiz grandes amigas e amigos. É isso que interessa no começo, meio e fim de qualquer história.
Água que rola. Meu pai deixou o PCB e abraçou o PT. Eu deixei a ECA e esqueci a Liberdade e Luta. Peguei o barquinho da não militância. Encontrei minha turma: a tribo das palavras. Pela primeira vez na vida fiz uma eleição sincera.
Não foram as palavras que me escolheram. Fui eu quem elegi essa forma de estar no mundo. Escrevendo. Tirando a roupa da memória para exibir sua nudez despudorada e útil.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve a coluna Observatório da Esquina, às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
Meu pai acreditava que uma vez derrubada a ditadura de 1964 e instaurada a democracia, o PCB – Partido Comunista Brasileiro- retornaria à legalidade. Quando isso ocorresse, o Partidão conquistaria o coração do povo.
Pois aconteceu que, no final da década de 1970, eu entrei na Escola de Comunicações e Artes, da USP. Logo no primeiro dia, na recepção aos calouros, fui conquistada pelos veteranos do Centro Acadêmico. Todos da Liberdade e Luta, mais tarde chamados de os libelus.
Nessa época o movimento estudantil punha as manguinhas de fora, deixando as salas de aula para se arriscar em atos públicos e passeadas pela ruas de Sampa. Foi a época de ouro das tendências estudantis. Havia a Liberdade e Luta, a Refazendo, a Travessia, a Caminhando, entre outras.
Como entrei na ECA, me tornei libelu. Hoje tenho certeza que se tivesse entrado na História e Geografia teria me tornado Refazendo. Era assim que funcionava para a maioria. Você não escolhia a tendência. Os centros acadêmicos chegavam em você.
Vamos ao conflito: a Liberdade e Luta se denominava trotskista e minha tradição familiar era stalinista. Para quem não lembra: o camarada Trotsky e o camarada Stalin se odiavam de morte. Sendo o primeiro considerado um mártir e este último um feroz ditador.
De repente aquela garotada linda, criativa, leve e solta punha o dedo na cara de comunistas como o meu pai. O dedo dizia: "Vocês são os traidores da causa operária-camponesa. Enquanto nós somos os legítimos defensores dos pobres e oprimidos."
Apesar do choque fiquei ao lado dos meus novos amigos, é claro. Verdade que os militantes da Libilu nada tinham de operários, ou de camponeses. A maior parte morava em casas confortáveis e vivia de mesadas bem burguesas.
Eles tinham uma vida muito mais folgada do que a minha. Pois o meu pai havia sido demitido, pelo Ato Institucional número 1, do bom emprego no Banco do Brasil. Justamente por ser comunista. Foi aí que a família teve que trocar a deliciosa manteiga pela insípida margarina.
Contradições, né? Mas adorei ter sido uma libelu. Foi um momento brilhante da minha vida. Conheci pessoas que se tornaram máximas referências afetivas. Em suma, fiz grandes amigas e amigos. É isso que interessa no começo, meio e fim de qualquer história.
Água que rola. Meu pai deixou o PCB e abraçou o PT. Eu deixei a ECA e esqueci a Liberdade e Luta. Peguei o barquinho da não militância. Encontrei minha turma: a tribo das palavras. Pela primeira vez na vida fiz uma eleição sincera.
Não foram as palavras que me escolheram. Fui eu quem elegi essa forma de estar no mundo. Escrevendo. Tirando a roupa da memória para exibir sua nudez despudorada e útil.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e do Nota de Rodapé, escreve a coluna Observatório da Esquina, às quintas. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
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sábado, 10 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Aconteceu numa primavera
Estou com preguiça de datas. Mas vamos lá. A coisa sucedeu no 22 de setembro de 1977. Peguei a maquininha de subtrair: há exatos trinta e cinco anos. Ou seja, muitas leitoras e leitores deste Nota de Rodapé nem tinham nascido.
Foi uma invasão. A polícia cercou o prédio. Entrou. Distribuiu cacetadas. Quebrou muita coisa. Feriu pessoas. Prendeu mais de 700 estudantes. Eu era um deles. Vou dizer: senti um medo medonho. Medo de apanhar, medo de ficar presa, medo da ditadura.
Vou fazer a narração linear. O assalto foi à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC. Eu era aluna da USP e estava na PUC, ao lado de mais de dois mil colegas, para tentar realizar um Encontro Nacional dos Estudantes.
Apenas isso. Um encontro de estudantes. Mas na ditadura, toda e qualquer oposição era vista pelos militares como um atentado à segurança nacional. Nitroglicerina pura. Eu sei que para os menores de 30 anos fica difícil acreditar nessas histórias de repressão e autoritarismo. Mas são fatos.
Então eu estava na PUC de Perdizes, quando vi a tropa de choque cercando o prédio novo (que hoje é velho). Daí passei a ouvir, ver, cheirar as bombas de gás lacrimogênio disparadas contra nós. A cor do gás era alaranjada, se é que a memória não está trapaceando.
Também lembro de um corredor polonês. De todos no estacionamento em frente à universidade. Ouço a voz do coronel Erasmo Dias (procurem por ele no google) ordenando: "Todos os que forem estudantes da USP estão presos!"
Estava claro, ele não podia prender os alunos da PUC: "Pois nem todos estavam aqui fazendo baderna." Aí vi uma fileira de ônibus da antiga CMTC abrindo as portas para nos carregar. Pela janela do ônibus olhava as pessoas nas varandinhas das casas. Me lembro da cara de espanto de um senhor.
Fomos levados para o Quartel Tiradentes, na avenida com o mesmo nome. Lá fomos fichados, constrangidos e, na manhã seguinte, a maioria foi liberada. Quem já havia sido preso foi encaminhado para mais constrangimentos no DOPS. Cujo prédio hoje abriga o Museu da Resistência.
Vida que segue. A ditadura caiu. A democracia chegou. Nos dias que correm, todo mundo pode fazer encontros nacionais do que quiser. A internet está aí garantindo o fluxo livre e contínuo de opiniões. O Brasil e o mundo são outros.
Eu também mudei. Deixei de crer em muitas coisas. Sigo acreditando em tantas outras. Estou me aproximando dos sessenta anos. Sou uma senhora, afinal. E como toda senhora tenho várias histórias para contar. Esta tarde, resolvi contar essa.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e colunista do Nota de Rodapé, escreve a coluna mensal Observatório da Esquina. Ilustração de Fernando Carvall, especial para o texto.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Senhor
Foi com alegria similar a tomar um sorvete num domingo ensolarado que dei de cara com "O Melhor da Revista Senhor ", publicada pela Imprensa Oficial de São Paulo. Eu estava zanzando pelo centro velho de Sampa, quando vi essa delícia na vitrine da livraria.
Não pensei um segundo sequer na minha magra conta bancária. Entrei, comprei, sai. Procurei o primeiro café com mesinhas para me sentar e começar o deleite. Por décadas, sem folhear um único exemplar, ouvira falar da excelência da revista Senhor.
Diziam: a Senhor tem excelência no texto e no visual. Aqui para nós uma dobradinha rara. Pois hoje ou se capricha no texto e se esquece do layout, ou se faz uma revista linda com nada de estimulante para ler. Por que é assim? Sei lá.
A Senhor existiu de 1959 a 1964. Ela teve um mecenas, o Simão Waissman - um dos diretores da editora Delta-Larousse - que vendia a crédito coleções de livros. Na época um estrondoso sucesso. Simão imaginou que uma revista especial traria prestígio para a editora.
Ele propôs : "Quem comprar uma coleção da Delta ganha uma assinatura da revista". Simão chamou o editor Nahum Sirotsky para comandar o time. E aí vieram para o texto Paulo Francis, com 28 anos e Luiz Lobo, com 25. Para o visual chamou Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, e Jaguar - então um garoto de 26 anos.
Depois a Senhor ainda teria como editores Odylo Costa, filho e Reynaldo Jardim. E preste atenção nos colaboradores: Antonio Maria, Drummond, Cony, Clarice Lispector, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Flávio Rangel, Janio de Freitas, Marques Rebelo, Millôr Fernandes, Rubem Braga, Ivan Lessa.
Além de muitos outros. Impossível citar todos, porque esta crônica viraria uma lista. Uma crônica nunca deve ser uma lista. Uma crônica deve ser o quê? Sei lá. Talvez um golinho de emoção.
O fato é que a tal Senhor, "uma senhora revista", que visito e revisito desde o dia da compra (faz dois meses) me deleita e também estimula a reflexão. Prazer e pensamento, existe dupla melhor?
Penso que nessa época de internet 2.0 (quando todos podem se expressar - o que é muito bom, pois é um direito) tem muita coisa fraquinha circulando. Então é um show encontrar a turma da Senhor. Maestros do texto e do layout.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e colunista do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Fernando Carvall, ilustração especial para o texto
Não pensei um segundo sequer na minha magra conta bancária. Entrei, comprei, sai. Procurei o primeiro café com mesinhas para me sentar e começar o deleite. Por décadas, sem folhear um único exemplar, ouvira falar da excelência da revista Senhor.
Diziam: a Senhor tem excelência no texto e no visual. Aqui para nós uma dobradinha rara. Pois hoje ou se capricha no texto e se esquece do layout, ou se faz uma revista linda com nada de estimulante para ler. Por que é assim? Sei lá.
A Senhor existiu de 1959 a 1964. Ela teve um mecenas, o Simão Waissman - um dos diretores da editora Delta-Larousse - que vendia a crédito coleções de livros. Na época um estrondoso sucesso. Simão imaginou que uma revista especial traria prestígio para a editora.
Ele propôs : "Quem comprar uma coleção da Delta ganha uma assinatura da revista". Simão chamou o editor Nahum Sirotsky para comandar o time. E aí vieram para o texto Paulo Francis, com 28 anos e Luiz Lobo, com 25. Para o visual chamou Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, e Jaguar - então um garoto de 26 anos.
Depois a Senhor ainda teria como editores Odylo Costa, filho e Reynaldo Jardim. E preste atenção nos colaboradores: Antonio Maria, Drummond, Cony, Clarice Lispector, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Flávio Rangel, Janio de Freitas, Marques Rebelo, Millôr Fernandes, Rubem Braga, Ivan Lessa.
Além de muitos outros. Impossível citar todos, porque esta crônica viraria uma lista. Uma crônica nunca deve ser uma lista. Uma crônica deve ser o quê? Sei lá. Talvez um golinho de emoção.
O fato é que a tal Senhor, "uma senhora revista", que visito e revisito desde o dia da compra (faz dois meses) me deleita e também estimula a reflexão. Prazer e pensamento, existe dupla melhor?
Penso que nessa época de internet 2.0 (quando todos podem se expressar - o que é muito bom, pois é um direito) tem muita coisa fraquinha circulando. Então é um show encontrar a turma da Senhor. Maestros do texto e do layout.
fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e colunista do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Fernando Carvall, ilustração especial para o texto
sábado, 29 de setembro de 2012
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