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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mongolia: contra a crise na Espanha, o humor


É a receita de Mongolia, uma revista mensal que, com pouco mais de um ano de existência, tem como alvos privilegiados de seus ataques ferinos a monarquia e a Igreja, baluartes do conservadorismo espanhol

por Ricardo Viel, de Madri 
(o texto publicado é da Revista Retrato do Brasil, edição 71, junho de 2013, fruto de parceria mensal com o NR)
Em um pequeno povoado das Astúrias, no norte da Espanha, numa manhã de fevereiro, um senhor pregou no quadro de avisos da paróquia uma nota de falecimento. Nada de incomum por aquelas bandas, não fosse o fato de o anúncio tratar-se, em realidade, da capa de uma revista humorística e de o morto ser o primeiro-ministro espanhol, o direitista Mariano Rajoy. Em letras garrafais, a edição da Mongolia daquele mês informava algo de que muitos espanhóis desconfiavam: “Rajoy morreu”.

“Isso, de um senhorzinho avisar seus vizinhos de que esse governo está morto, é algo que, se fôssemos uma revista virtual, nunca aconteceria”, explica Eduardo Galán, 33 anos, um dos fundadores da revista mensal criada há pouco mais de um ano. “O papel é algo que tem mais impacto, nossa capa fica exposta nas bancas e instiga as pessoas a lerem a mensagem.” A ideia de “matar” o primeiro-ministro surgiu em janeiro passado, após a revelação de um escândalo envolvendo o financiamento irregular das campanhas do Partido Popular (PP), atualmente no poder. Rajoy demorou dias para dar explicações e, quando o fez, não convenceu. “Dizíamos entre nós: esse governo está morto, cheira como cadáver”, diz Galán. “Também fizemos uma brincadeira com o [diário espanhol] El País, que dias antes tinha publicado uma foto falsa do Hugo Chávez, sem apurar as circunstâncias. Fizemos igual: anunciamos a morte e esclarecemos que não sabíamos como nem quando tinha acontecido.”

Por provocações como essas, a publicação satírica vem conquistando fãs e desafetos no país de Cervantes. A revista é fruto do momento político e econômico pelo qual passa a Espanha. Foi criada por um grupo formado por cinco amigos – jornalistas, artistas gráficos e cartunistas –, que se viram desempregados ou subempregados por conta do “enxugamento” de vários meios de comunicação (e o fechamento de outros). A eles se juntou um advogado, espécie de mentor da trupe. Reuniram-se, conseguiram convencer três dezenas de conhecidos a bancarem, como acionistas, o projeto de 60 mil euros (cerca de 150 mil reais) e colocaram em marcha uma revista que mistura humor e jornalismo. Em meio à crise e utilizando uma plataforma considerada obsoleta por muitos (o velho papel), Mongolia parecia fadada ao fracasso. Não foi assim. A revista (que custa 3 euros por exemplar, cerca de 8 reais) teve uma tiragem inicial de 25 mil exemplares mensais e atualmente circula com cerca de 40 mil. O número de assinantes é crescente (hoje, beira os 2 mil) e em um ano o grupo lançou cinco livros relacionados com a publicação. Iniciaram a aventura com dinheiro suficiente para manterem-se por seis meses e hoje já não cogitam a possibilidade de fechar por falta de recursos – nem por outro motivo.

“Sentíamos que havia um espaço para uma publicação assim”, diz o argentino Fernando Rapa, 42 anos, responsável pela parte gráfica do projeto. “Ficamos 18 meses planejando, fizemos vários números experimentais e tínhamos medo de que alguém fizesse antes que nós.” Do Brasil, onde trabalhou em veículos como os diários Lance! e O Estado de S. Paulo, o desenhista trouxe algumas influências, como do Casseta & Planeta (da fase inicial, esclarece) e, principalmente, de O Pasquim. Também tem como espelho revistas satíricas francesas e argentinas e algumas publicações nascidas na Espanha no período posterior ao da ditadura de Francisco Franco (1938–1973) e que não existem mais.

Longe de ser um obstáculo, o momento atual se apresenta estimulante, dizem os criadores de Mongolia. Na década passada, época de bonança, em que todos os espanhóis acreditavam ser ricos (por conta dos empréstimos que os bancos ofereciam), não havia espaço para a contestação no país. O humor se afastou da crítica social. De repente, a bolha imobiliária estourou e a mensagem de que na Espanha não havia pobreza se esfumou. Vieram os protestos de rua e abriu-se espaço para o surgimento de uma revista que, com humor, coloca o dedo na ferida, diagnosticam os criadores de Mongolia. O fechamento, em 2007, do diário Público, o mais à esquerda que havia na Espanha e que agora mantém somente a versão on-line, foi a gota que fez transbordar o copo, avalia Rapa, ex-funcionário do jornal. “Os meios de comunicação tradicionais não atenderam a essa demanda que está nas ruas. Queríamos preencher esse espaço. Herdamos muitos leitores do Público, mas não só isso. Espanta-nos ver que nosso leitor é variado. Às vezes recebemos cartas escritas à mão, há muita gente idosa que nos lê.”

Mongolia tem uma política própria em relação ao conteúdo que produz. Nada do que é publicado em papel é disponibilizado virtualmente – a revista vive das vendas em bancas e das assinaturas e tem uma estrutura muito enxuta. Além disso, a ausência de publicidade (há pouquíssimos anúncios, todos ocupam pouco espaço e são, portanto, baratos) garante a independência necessária para atacar quem quer que seja. “Não somos contra a publicidade, só não aceitaríamos anúncios de bancos. E de prostituição, mas, nesse caso, enquanto for ilegal. A questão é que não podemos nos condicionar a isso”, diz Galán, o responsável, entre outras tarefas, pela divulgação da revista nas redes socais da internet. Embora aposte no papel, Mongolia tem mais de 80 mil seguidores no Twitter e 20 mil no Facebook. Algumas das brincadeiras feitas no mundo virtual acabam chegando à edição impressa. A internet também serve para medir o interesse dos leitores por certos assuntos e divulgar os muitos eventos que realizam – debates, viagens pelo país para promover a publicação, etc.

Para reduzir o custo e manter a independência, os fundadores da revista resolveram eliminar todos os intermediários possíveis. A cada edição, eles vão à gráfica, carregam os próprios carros com os exemplares impressos e os distribuem em Madri e arredores. O restante da tiragem é enviado por correio aos assinantes e distribuidores (como livrarias e bares) em outras cidades.

A primeira edição da revista, publicada em março do ano passado, trazia na capa a frase: “A Espanha tem uma saída (Barajas)”. Barajas é o aeroporto da capital espanhola, e a piada fazia referência à fuga, principalmente de jovens, em busca de trabalho em outros países – o desemprego na Espanha atingiu 27% da população economicamente ativa no final do primeiro trimestre, mas entre os jovens a taxa foi muito maior, 57%. No número seguinte, o alvo foi a monarquia: “O rei poderia estuprar você e nada aconteceria com ele”. A publicação listou cem coisas que o monarca espanhol, por ser, de acordo com a Constituição, uma figura “inimputável”, pode fazer e os demais mortais, não, como baixar filmes piratas na internet, fazer xixi na rua, etc. As edições seguintes foram “dedicadas” à Igreja, aos políticos, banqueiros e, em especial, à Casa Real.

A revista funciona numa sala minúscula, sem banheiro próprio, próxima à sede do Congresso dos Deputados (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira), em Madri. O lugar é sublocado. Até as seis da tarde, ali funciona uma empresa de criação gráfica; depois, a Mongolia. O espaço é usado, sobretudo, na semana de fechamento da edição. No restante do tempo, cada um dos membros da equipe trabalha em sua própria casa. No final de fevereiro, eles preparavam a edição que teve na capa a foto do rei Juan Carlos com um tomate espatifado na cara. “Não tenho dúvida de que graficamente é nosso melhor trabalho”, diz, sem disfarçar o orgulho, o humorista e roteirista Darío Adanti, 37 anos, outro argentino. No mês passado, a Casa Real foi novamente o alvo principal da publicação. Num truque gráfico, que combinava letras em tamanhos muito diferentes colocadas sobre a foto da filha do rei, a infanta Cristina – que está sendo investigada pelo suposto enriquecimento ilícito de seu marido –, lia-se em letras enormes: hija de puta. Uma fonte minúscula preenchia os espaços e a frase que se formava, quase imperceptível, era: “Filha dos reis da Espanha é imputada” (denunciada).

Os ataques à família real foram vários, mas foi contra os católicos radicais a principal briga. Por alterar a imagem “oficial” da Virgem de Macarena (padroeira de Sevilha) em um panfleto de divulgação da revista na cidade, o grupo foi atacado pelo prefeito e sofreu ameaças de morte. “O que não sabíamos era que a imagem da virgem tem copyright”, diz Eduardo Bravo. “Ou seja, por qualquer santinho que você queira fazer tem que pagar direitos autorais. Esses caras da Igreja vão direto pro inferno, serão os primeiros. Jesus Cristo falou dos mercadores, não foi? Esses aí podem rezar quanto quiseram que vão queimar”, se diverte o espanhol. “Disseram que iam fazer com a gente o que se fez na Guerra Civil [1936–1939], que iam nos matar e que ninguém ia encontrar nossos corpos. Há gente doente da cabeça, que precisa ir ao médico. Dizer que uma imagem de madeira é a mãe deles...”, diz Galán. “Só se fossem filhos do Pinóquio”, completa Bravo, recebendo os cumprimentos do xará, que gargalha com o comentário.

Assim trabalha a equipe de Mongolia. Ideias e piadas surgem a qualquer momento, em qualquer lugar: durante jantares, no táxi indo para um show, no bar tomando cervejas ou durante uma entrevista. Ainda que recheada de piadas inocentes ou sem maior objetivo do que provocar o riso, Mongolia é uma publicação que tem como principal marca a contestação, a crítica e a denúncia. Por trás do lema “Uma revista sem mensagem nenhuma”, há uma ideologia clara: a equipe é formada por ateus. E de esquerda. Muito mais à esquerda do que muitos dos que hoje na Espanha se dizem de esquerda, ressaltam os membros da equipe, que encaram as bancas como “trincheiras”.

Quando questionados sobre os limites para o humor, a resposta é simples: a lei. Não há tema tabu: morte, opção sexual, credo, raça, tudo pode ser piada, dependendo do bom senso e do aval de Gonzalo Boye, um advogado criminal de 47 anos que aceitou o desafio de editar a revista e atuar como “censor”. Tudo que é publicado passa por sua lupa legal. “Outro dia, iríamos fazer uma piada com uma pessoa que todo mundo sabe que é viciada em cocaína”, relembra Bravo. “Só que o Boye nos explicou que era um crime, que poderia dar cadeia. Chegamos à conclusão de que não valia a pena ir para a prisão por uma piada.” Na edição de abril, a revista saiu com um texto que tinha mais de 30% das palavras riscadas. Eram os vetos do advogado. Ao lado vinham suas anotações a caneta.

Curiosamente, uma das seções de Mongolia que mais sucesso e repercussão têm é a que é publicada nas últimas páginas da revista, a cargo do experiente jornalista catalão Pere Rusiñol. É a parte das reality news. Da página 30 à 45, o que se lê são reportagens investigativas, que tocam em assuntos que muitos jornais, por questões diversas, não se atrevem a publicar. Muitas das histórias são passadas por colegas de outros meios – anonimamente – que sabem que não conseguiriam publicá-las nos veículos para os quais trabalham. Escândalos envolvendo ministros, negócios escusos entre empresários e políticos, assuntos sigilosos envolvendo a monarquia, questões da transição à democracia que nunca foram esclarecidas (e ficaram esquecidas) são alguns dos temas que levaram a seção a ser considerada por muitos como exemplo do melhor jornalismo feito hoje na Espanha.

Embora publique piadas pesadas e denúncias graves, a revista, até agora, não sofreu nenhum processo. O número dois, que falava dos privilégios do rei, trazia na capa a advertência: edição para ser apreendida nas bancas. Nada aconteceu. “Nós levantamos duas hipóteses para não termos sido processados”, teoriza Galán de maneira brincalhona. “Para não dar publicidade à revista é uma hipótese. A outra é que tudo o que nós publicamos é verdade e eles não têm como contestar.”

Após um ano de existência de Mongolia, o balanço é amplamente favorável. Passados seis meses, os criadores começaram receber salários e a pagar os colaboradores – como acordado no início. Vieram vários prêmios, um deles, recebido no mês passado, pelo trabalho da publicação na defesa dos valores humanos. Os leitores e seguidores nas redes sociais continuam crescendo, e artigos elogiosos, como os que saíram nos diários americanos The New York Times e The Washington Post e no italiano Corriere della Sera, se acumulam. Artistas, escritores e intelectuais de importância na Espanha literalmente vestiram a camisa da revista e fazem publicidade gratuita.

Talvez o maior desafio seja manter-se no topo. “É, isso assusta”, diz Bravo, que coça a longa e grisalha barba. “Já falamos sobre isso. Há duas saídas. Uma é reinventar-se sempre. Ainda achamos que podemos melhorar. Eu sempre gosto mais da última edição. A segunda opção é ser como o Chaves [personagem humorístico da TV]: todo mundo já sabe o final da piada, mas é tão bom que todo mundo ri.”

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Ricardo Viel, jornalista, atualmente em Lisboa, Portugal

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Senhor

Foi com alegria similar a tomar um sorvete num domingo ensolarado que dei de cara com "O Melhor da Revista Senhor ", publicada pela Imprensa Oficial de São Paulo. Eu estava zanzando pelo centro velho de Sampa, quando vi essa delícia na vitrine da livraria.

Não pensei um segundo sequer na minha magra conta bancária. Entrei, comprei, sai. Procurei o primeiro café com mesinhas para me sentar e começar o deleite. Por décadas, sem folhear um único exemplar, ouvira falar da excelência da revista Senhor.

Diziam: a Senhor tem excelência no texto e no visual. Aqui para nós uma dobradinha rara. Pois hoje ou se capricha no texto e se esquece do layout, ou se faz uma revista linda com nada de estimulante para ler. Por que é assim? Sei lá.

A Senhor existiu de 1959 a 1964. Ela teve um mecenas, o Simão Waissman - um dos diretores da editora Delta-Larousse - que vendia a crédito coleções de livros. Na época um estrondoso sucesso. Simão imaginou que uma revista especial traria prestígio para a editora.

Ele propôs : "Quem comprar uma coleção da Delta ganha uma assinatura da revista". Simão chamou o editor Nahum Sirotsky para comandar o time. E aí vieram para o texto Paulo Francis, com 28 anos e Luiz Lobo, com 25. Para o visual chamou Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, e Jaguar - então um garoto de 26 anos.

Depois a Senhor ainda teria como editores Odylo Costa, filho e Reynaldo Jardim. E preste atenção nos colaboradores: Antonio Maria, Drummond, Cony, Clarice Lispector, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Flávio Rangel, Janio de Freitas, Marques Rebelo, Millôr Fernandes, Rubem Braga, Ivan Lessa.

Além de muitos outros. Impossível citar todos, porque esta crônica viraria uma lista. Uma crônica nunca deve ser uma lista. Uma crônica deve ser o quê? Sei lá. Talvez um golinho de emoção.

O fato é que a tal Senhor, "uma senhora revista", que visito e revisito desde o dia da compra (faz dois meses) me deleita e também estimula a reflexão. Prazer e pensamento, existe dupla melhor?

Penso que nessa época de internet 2.0 (quando todos podem se expressar - o que é muito bom, pois é um direito) tem muita coisa fraquinha circulando. Então é um show encontrar a turma da Senhor. Maestros do texto e do layout.

fernanda pompeu, webcronista do Yahoo e colunista do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Fernando Carvall, ilustração especial para o texto

domingo, 5 de agosto de 2012

DataNR e os resultados da enquete sobre a Revista Veja

O NR perguntou em enquete aos navegantes sobre a Revista Veja, publicação da Editora Abril. A ideia era saber sobre publicação tão polêmica nos últimos anos. Ao término do período de votação, durante a semana, temos o seguinte quadro de um total de 405 votos únicos.

61% acredita que o que revista faz “não é jornalismo”. A maioria, portanto, parece não confiar no conteúdo da publicação semanal. Já 30% responderam que “não lê e desgosta muito” a publicação o que coaduna com a visão dos 61% citados que não acreditam no seu jornalismo.

Somando-se os que “leem e gostam muito” com os que acham que Veja “é perseguida pelo ótimo jornalismo que pratica” temos 5% dos votos. Fechando a conta, 1% não tem opinião formada. E você que não participou da enquete, o que acha? Deixe nos comentários.
Leio e gosto muito! 18 (4%)
Não leio e desgosto muito! 123 (30%)
O que Veja faz não é jornalismo 249 (61%)
A Veja é perseguida pelo ótimo jornalismo que pratica 7 (1%)
Não tenho opinião formada 8 (1%)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Entrevista de Fernando Morais para a Revista do Brasil

Bacana a entrevista do escritor Fernando Morais na Revista do Brasil de agosto. O escritor fala sobre "Os Últimos Soldados da Guerra Fria" (Companhia das Letras), lançamento recentemente. O livro-reportagem investiga a missão secreta dos agentes cubanos infiltrados em organizações de ultradireita da Flórida para prevenir seu país de ações de sabotagem. Cinco deles estão condenados nos EUA com penas de 15 anos a prisão perpétua. Leia lá e veja o vídeo abaixo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Retrato do Brasil de agosto

A revista Retrato do Brasil de agosto já está disponível. A capa é sobre as mulheres da Arábia Saudita. Pela segunda vez, elas reivindicam o direito de dirigir seus carros, mas as autoridades daquele reino se sentem ameaçadas e temem fazer concessões. O texto é de Armando Sartori.

No Ponto de Vista, com uma economia a cada ano mais dependente e assolado pelas ideias liberais, nunca antes na história deste pais foi tão necessário refletir sobre a crise e a dívida dos Estados Unidos.

João Peres escreve sobre uma coleção de depoimentos em DVD, Resistir é preciso, e o livro Jornal Movimento – uma reportagem, que registram episódios do jornalismo que se tornou um instrumento de luta contra a ditadura.

No texto As Batalhas da Al Jazeera, Tomás Chiaverini conta as histórias da emissora árabe que ficou famosa ao divulgar vídeos de bin Laden, foi bombardeada pelos EUA, teve um cinegrafista preso por sete anos e um papel determinante nas revoltas do Oriente Médio.

Spensy Pimentel esteve em Cuba, e nos conta como o regime cubano busca, uma vez mais, saída para seu socialismo, agora falando em “respeito ao mercado”, “descentralização” e em incentivar seus empresários a não terem medo de arriscar.

Em ciência, uma resenha sobre o livro Muito além do nosso eu, de Miguel Nicolelis, que tentará uma proeza tecnológica: permitir que um tetraplégico dê o pontapé inicial da Copa de 2014.

E fechando a série, um dos maiores escritores latino-americanos do século 20, Juan Rulfo foi também um fotógrafo de excepcional talento. 100 de suas fotografias falam da quietude que seus mortos escondiam.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Retrato do Brasil de junho

Capa com Ilustração de Caco Bressane
Na edição de junho de Retrato do Brasil, a confusão do Código Florestal é o tema da reportagem de capa, no texto de Lia Imanishi. Didática e dividida em cinco partes, você vai entender o passo a passo das negociações de Aldo Rebelo, do PcdoB, relator do projeto até seu desfecho. Quem são as forças que lutam por trás do novo Código (que agora vai ao Senado)?

No Ponto de Vista, uma critica a falsa sustentabilidade brasileira: “é insustentável o modelo econômico dependente dos capitais e da tecnologia externos e que se apoia na monocultura e na concentração de terra do agronegócio.” Leia na íntegra.

O repórter Julio Cruz Neto mostra as meias-verdades que viu em Nova Orleans, nos EUA, ao visitar a Laura Plantation, um antigo latifúndio sulista de trabalho escravo. Aos turistas, a história é contada cheia de erros. E também confirma que o racismo e o preconceito permanecem vivos, às vezes de forma sutil, entre os americanos.

O que você sabe sobre o Amapá? Isolado geograficamente do resto do país, o mais setentrional dos nossos estados, palco de renhidas disputas políticas entre Sarney e os Capiberibe, está à procura de um rumo para o seu desenvolvimento.

No Rio de Janeiro, Rogério Pacheco Jordão relata a escavação arqueológica na região do antigo mercado do Valongo, no centro da cidade, e que traz à luz do dia a lembrança de que por aquele desembarcadouro passaram cerca de 700 mil escravos vindos da África.

Flávio de Carvalho Serpa resenha dois livros de divulgação ciêntifica brilhantes por suas qualidades literárias: o primeiro deles é a A Vida Imortal de Henrietta Lack (Rebecca, Skloot, Cia. das Letras, 2011) e o segundo, O Terceiro Chimpanzé (Jared Diamont, Record, 2011).

Fechando a edição, Ricardo Viel escreve sobre a gaita de boca. O sucesso do instrumento, consagrado no Brasil no décimo encontro internacional, realizado no Sesc Pompeia, baseia-se num estilo original e eclético. Boa leitura!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mãe em Surto na Revista do Brasil

Nossa Andrea Dip, que mantém aqui a coluna Mãe em Surto, fez parte de uma matéria da Revista do Brasil sobre mulheres e blogueiras. O texto é de Letícia Cruz e Virgínia Toledo, "Ativistas na vida e na rede".
Trecho que fala de Dip. "Quando  Para Andrea Dip, a vida de blogueira-comunicadora tem de se encaixar em outra realidade não menos importante, a de ser mãe. Desde a época da faculdade, ela escrevia muito sobre direitos humanos, direito da mulher, da igualdade, da liberdade e principalmente sobre os costumes da sociedade. Foi quando a vida antecipou-lhe uma nova vocação: a gravidez ainda no último ano de Jornalismo, e o desafio de conciliar os ofícios de “recém-mãe” e recém-formada. “Quando a gente engravida, a sociedade vem com aquela história da mulher em estado de graça, de perfeição, mas eu vivi aquilo e sabia que não era bem assim. Não é fácil administrar carreira, filho e casa. Tudo isso é adaptação, e não uma condição”, afirma.
Com o filho crescendo e a rotina se intensificando, um amigo sugeriu que ela dividisse os sabores e dissabores de seu dia a dia com outras pessoas. Foi aí que surgiram as histórias inusitadas de Mães em Surto, uma coluna criada dentro do blog Nota de Rodapé.
As crônicas de Andrea seguem à risca as desventuras que as mães vivem e também passeiam por temas sugeridos por amigas que passam pela mesma empreitada. Com o trabalho fixo num grande portal, os “frilas” para completar o orçamento, o cuidar da casa e da “agenda” em torno do filhote, é difícil manter a regularidade dos posts. Mas pelo menos a página está lá, sempre pronta para o momento em que a inspiração, disposição e disponibilidade se encontrem no mesmo lapso de tempo." 

Leia a íntegra AQUI. E para ler as colunas do Mãe em Surto, AQUI.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Livro “Realidade Re-vista”, lançamento nesta segunda-feira

O livro da Editora Realejo foi escrito por dois mestres, José Hamilton Ribeiro e José Carlos Marão. O livro conta o período mais brilhante do jornalismo em revista brasileiro, entre as décadas de 1960 e 1970. A obra, de 436 páginas, desvenda a fórmula revolucionária utilizada pela equipe de redação da revista “Realidade” (1966-1976), que levou a publicação a ser considerada uma das mais importantes já lançadas no Brasil. O livro faz uma análise dos métodos adotados pela redação da revista, traz histórias de bastidores de algumas de suas principais matérias e revela casos em off de muitas reportagens.


Saiba mais:
Por que falar de Realidade? - José Carlos Marão
Os 20 meses que revolucionaram a imprensa - Ricardo Kotscho
Realidade, a utopia do jornalismo - Celso de Campos Jr.



Serviço:  Editora: Realejo; Título: Realidade Re-Vista; Autores: José Hamilton Ribeiro e José Carlos Marão
Número de Páginas: 436; Preço: R$ 70,00. Lançamento e sessão de autógrafos: Data: 20 de dezembro de 2010 -2ª feira; Horário: 19h00; Local: Posto 6; Endereço: Rua Aspicuelta, 646 – Vila Madalena – São Paulo/SP

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Repórter do NR e da RBA é ofendido por senador do PSDB

João Peres, nosso colaborador do NR e repórter da Rede Brasil Atual, profissional da mais alta competência teve ontem uma experiência desagradável e desrespeitosa.  Ele estava na cobertura do debate entre os presidenciáveis da Record, na noite de ontem, e na entrada da emissora, como todo repórter faz e é da profissão, foi conversar com os políticos que chegavam para acompanhar o evento.  O senador eleito por São Paulo, do PSDB, Aloysio Nunes, amigão do Serra, foi abordado pelo repórter que fazia a cobertura para a Rede Brasil Atual, que pertence ao mesmo grupo da Revista do Brasil, censurada recentemente pelo partido do senador em questão. Era perto da hora do debate, que começou às 23h, quando o senador eleito com mais de 11 milhões de votos indagou ao repórter:

- é ligada a quem essa revista?
- aos sindicatos
- que sindicatos? - falou a assessora do lado dele
- bancários, metalúrgicos, químicos...
- pelego, você é pelego - falou o senador
- não podemos conversar, senador?
- pelego. sua revista é financiada pelo PT...
- e a Veja, quem financia, senador?
- pelego
- que educação, senador
- pelego filha da puta. pelego filha da puta!

João me escreveu: "foi assim, gratuito. fiquei passado, triste mesmo. não que não devesse esperar isso, mas agora vai ser isso, vou ser rotulado logo de cara pelo veículo em que eu trabalho? ninguém associa a tucano-demo logo de cara um sujeito que trabalha na folha? uma noite horrível." Digo o seguinte: é preciso que os políticos respeitem o trabalho dos jornalistas. Esse clima de guerra entre PT e PSDB está doentio. João Peres é um trabalhador, um empregado de um veículo que, sim, tem ligações com os sindicatos. E daí? Isto é público e notório. Nada está escondido. Pergunto ao distinto senador: todos os metalúrgicos, químicos e afins são "filhos da puta", então? Eu sou "filho da puta" também, pois apesar de não ser petista, trabalhei na revista durante um ano. Eis mais um absurdo que se tornou estas eleições. Lastimável.
"A Editora Atitude, que publica os dois veículos (Rede Brasil Atual e Revista do Brasil), condena a postura do senador eleito e entende que liberdade de expressão não é agredir verbalmente quem está em seu direito constitucional de exercer a liberdade de imprensa, muito menos a função de um representante de um Estado no Senado Federal", diz o diretor da editora, Paulo Salvador.

Thiago Domenici, jornalista

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Retrato do Brasil de outubro

A revista mensal Retrato do Brasil traz, neste mês de outubro, reportagens sobre condições de vida, política, economia, ciência e cultura.

Capa e Livro
Há dois anos, a publicação declarou que a então famosa Operação Satiagraha, conduzida por Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal (PF), mais escondia do que revelava informações sobre o misterioso processo de privatização da telefonia brasileira. Agora, a investigação da própria PF sobre os desmandos do delegado Protógenes Queiroz naquela ação ajuda a revelar o que o grande escândalo criado com a perseguição do banqueiro Daniel Dantas encobria. Na edição número 39, nas bancas e disponível
para venda em nosso site, você tem acesso as 11 páginas da reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira, contada em três capítulos. Como escreveu Elio Gaspari na coluna de domingo da Folha de S. Paulo, “O repórter expõe teatralidades e inconsistências da Operação Satiagraha, com a apresentação de grampos manipulados, diligências espetaculares e tolices em matéria financeira. Ele atravessou 10 mil páginas de documentos, dezenas de entrevistas e 15 horas de conversas com Daniel Dantas. Em alguns casos, narra sua investigação na primeira pessoa. O leitor de "O Escândalo Daniel Dantas" poderá atravessá-lo sem mudar de opinião sobre Dantas, a privataria, o PT e os companheiros dos fundos de pensão, mas perderá muitas de suas certezas.” Essa referência, no entanto, é feita com base no livro (já a venda) também de Raimundo, citado neste NR em 2 de setembro.

Internacional e cultura
Em outra reportagem, Lia Imanishi, trata do ensino público no Rio, que vai mal. E é reprovado até mesmo na segurança das escolas das periferias. Em internacional, três matérias. Greve na Fábrica do Mundo, sobre a China. Lá, o Partido Comunista apoia paralisações e mostra que reduzir direitos trabalhistas não é a melhor solução para problemas financeiros. No Brasil, também a China, depois de anos de descrição, anuncia investimentos de tirar o fôlego, no texto de Rafael Hernandes.
Dos porões da democracia, o Washington Post, um dos grandes diários dos EUA, revela como o Estado americano vigia seus cidadãos. E, fechando, texto de Flávio Dieguez, sobre a Alemanha de Angela Merkel que queima seu capital político para fazer frente a um ambiente interno tenso e ao mercado europeu deprimido. Em Ciência, Flávio de Carvalho Serpa levanta outro debate: a fraude de dados de pesquisas torna-se cada vez mais frequente entre cientistas. Por que isso ocorre?
Em Cultura, a critica de dança Juliana Moraes trata do amor, fragilidade e rigidez de Noiva Despedaçada, do coreógrafo e bailarino Ricardo Iazzetta. Na resenha de livro, sentimentos de fôlego no livro Brasilidade Revolucionária, de Marcelo Ridenti, que analisa as conexões entre cultura e política no século passado. E em meio as eleições, o fantasma da liberdade, texto de Israel do Vale, que faz uma retrospectiva crítica diante da política de comunicação adotada pelo governo Lula. (Thiago Domenici)

domingo, 19 de setembro de 2010

Ferréz deixa a Caros Amigos

"Amigos leitores, venho por meio desse curto post dizer que pedi demissão da Revista Caros Amigos a alguns dias. Escrevi na revista durante 10 anos, e foram muitos momentos bons, tive a sorte de conviver com grandes jornalistas e profissionais de primeira linha. A maior lembrança que trago é minha amizade com Thiago Domenici, Marina Amaral e o fundador da Caros, o grande Sérgio de Souza. Sei que deixo alguns leitores órfãos, mas vou manter nesse blog todo mês um texto inédito para compensar. O motivo é bem simples, estou repensando minha carreira e nesse momento pretendo me dedicar aos meus projetos recentes. Agradeço de coração aos que me acompanharam nesse tempo, e também aos que leram ao menos um texto nesses 10 anos. A partir de agora nos vemos sempre por aqui. Grande abraço. Ferréz"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

LIXO: 60 milhões de toneladas

Edição 37, agosto de 2010
A revista Retrato do Brasil (edição 37) de agosto traz um longa reportagem de dez páginas da repórter Tânia Caliari sobre o desafio do lixo no país: acabar com os lixões, nos quais trabalham milhares de catadores, é o primeiro desses desafios. Foi aprovada nova e avançada política pelo Congresso que deve contribuir para a superação dos obstáculos. Outra matéria, de Júlio Bonassi, trata da PEC 438, que há anos aguarda votação final na câmara e que, se aprovada, permitiria a expropriação de terras nas quais se utilize trabalho escravo. Tema extremamente importante, tratado com grande capacidade pelo pessoal da Repórter Brasil.
Em outro artigo, denso mas necessário, são apresentados o que chamamos de “gatos gordos” de Obama que, apesar da vitória política do presidente americano com sua reforma financeira, não consegue se livrar desses felinos de Wall Street. Para entender: agora é sabido que a Telefónica comprou a parte da Portugal Telecom na maior operadora de telefonia celular do Brasil, a Vivo. Gustavo Brigatto, no entanto, conta essa história detalhadamente na matéria que fez de forma bem clara e com nuances interessantes. Em ciência, Flávio de Carvalho Serpa fala do primeiro organismo sintético, criação do americano Craig Venter, uma espécie autorreplicante cuja paternidade é um computador. Em cultura, uma resenha sobre o relançamento de A coleira do cão, de Rubem Fonseca e uma critica a política da dança no Estado de São Paulo concentrada numa única companhia.

Thiago Domenici, jornalista e Secretário de Redação da Retrato do Brasil

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Lançamento da Revista A3 Quadrinhos

A capa da primeira edição
O amigo Matheus Moura, jornalista, residente em Uberlândia emplacou mais um bela inciativa por lá. É o lançamento da primeira edição da revista “A3 Quadrinhos”, que para virar realidade teve apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura da cidade. A revista tem 112 páginas, é feita em papel jornal PB, e traz histórias de terror. Pode ser adquirida nos pontos de venda atendidos pelo coletivo 4º Mundo, lojas especializadas, com os autores e na Bodega do Leo (a maior loja virtual de HQBs do Brasil) ao preço de R$ 3,50 (frete incluso). Mais informações pelo email: revistaa3@gmail.com e pelo blog www.revistaa3.wordpress.com

“Não faço para mim”
Perguntei ao Matheus o que o motivou a fazer a publicação e o que ele espera com essa boa iniciativa. Veja sua resposta, um depoimento muito relevante: “Aqui no Brasil não existe um mercado formal de Hqs para despontar novos autores. Esses, muitas vezes, precisam se autopublicar. No entanto, isso é oneroso. Minha motivação está na edição do material contribuindo para que novos autores sejam lidos e vistos pelo público, mesmo com toda a dificuldade de distribuição que há no país, com duas (na verdade uma) empresas que monopolizam o mercado de distribuição em larga escala. Além do que, como autor, estou também me autopublicando. No caso da A3, é uma revista patrocinada por Lei de Incentivo Municipal da cidade de Uberlândia (MG), o que me poupa dos gastos financeiros. Como expectativa tenho as críticas, positivas ou negativas, do leitor e de outros autores de HQs nacionais. Quando faço uma revista em quadrinhos, ou qualquer outra, não faço para mim, ou para os autores, mas, sim, para os leitores."

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Revista focada em história do Nordeste

O companheiro J.C David, dos primeiros leitores deste blogue, jornalista, me enviou gentilmente a revista “Revivendo a História” na qual trabalha como assistente de redação. A editora que a publica se chama Velino e fica em Vitória de Santo Antão, Pernambuco. A revista traz reportagens, entrevistas e artigos. Mensal e com 64 páginas tem o conteúdo focado exclusivamente na história do nordeste (vale ressaltar que é a primeira editora do país a fazer isso). Seu editor, Arquiles Petrus, diz no editorial da primeira edição que traz na capa (na imagem) matéria sobre a imprensa no interior nordestino que a publicação “audaciosa” surgiu da “teimosia” que “alavancou dez profissionais para mergulhar no projeto”. Pelo que li a revista circula em todos os estados do Nordeste (bancas e livrarias, além das assinaturas e tem tiragem de 15 mil). É isso aí, sorte aos companheiros e vida longa a publicação!

O futebol e a grande crise

A Copa do Mundo terminou mas a crise no futebol mundial não. Neste mês de julho a Retrato do Brasil (hoje nas bancas em SP e terça-feira no RJ) traz matéria sobre uma paixão popular que vem, ao longo das décadas, se transformando de forma preocupante. Ao esporte não falta dinheiro, mas os clubes de futebol estão cada vez mais endividados e os jogadores brilham por cada vez menos tempo. Ao longo de 10 páginas o repórter Antônio Martins discorre - com muita pesquisa e entrevistas com inúmeras fontes do meio - sobre como a mercantilização mudou o negócio do futebol e forçou os clubes a estabelecerem curiosas relações com os investidores. Num papo com Mauro Holzmann da Traffic, por exemplo, ele diz: “Garantir que o torcedor possa ir ao estádio é papel do Lula – o meu é assegurar a sobrevivência do esporte”. Em linhas gerais, a matéria aborda o esporte se tornando cada vez mais um “entretenimento-espetáculo” onde a paixão e a prática esportiva vão ficando paulatinamente em outros planos que não o principal: o jogo bonito e acessível ao torcedor. Do antigo “passe”, por exemplo, ficou um resquício – a multa -, que se tornou um negócio lucrativo para empresas como a Traffic. Fernando Gonçalves, diretor executivo da empresa, argumenta: “Compare o dirigente de um clube ao dono ou executivo de uma siderúrgica. Ambos precisam de dinheiro para concretizar seus planos. Nossa especialidade é o futebol. Assim como os bancos, mantemos inteligência para avaliar nossos investimentos. Somos culpados por sermos eficientes?”, diz. E por aí o barco anda. Segundo a UEFA, o custo com jogadores é maior que aumento de receitas. A entidade reconhece que a ultramercantilização não é sustentável. Alternativas existem, sim, basta mirar o exemplo de clubes como o alemão Saint Pauli, agora na primeira divisão do campeonato e que, entre outras, repudia em seu estatuto o racismo, o fascismo, a homofobia e o machismo. A reportagem aborda ainda a questão das bilheterias, dos contratos de televisão etc. Saiba mais.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Polarização? Cadê a polarização?

Na edição da Retrato do Brasil de junho destaco quatro matérias bem interessantes. A primeira sobre as Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro (As UPPs de Cabral, pág. 28) escrita pelo amigo Marcelo Salles com colaboração de Eduardo Sá. Um ano e meio depois essas unidades não são a unanimidade que pintam os noticiários. Fizemos um mapa com a localização das UPPs, a maioria na zona sul, norte e centro e outras duas na zona oeste, o que dá uma visão geográfica bacana. São aproximadamente 15 unidades em funcionamento no RJ e, recentemente, foi inaugurada a do Morro do Borel.
Outra matéria é sobre Ciência, feita pelo ótimo texto de Flávio de Carvalho Serpa (A ciência bêbada, pág. 42) em que aborda o acaso em nossas vidas. Em linhas gerais, diz que as estatísticas das prévias eleitorais, dos prognósticos médicos e dos mercados financeiros muitas vezes beira a charlatanismo e conduz o texto de uma perspectiva histórica até os temas atuais.
Em cultura, uma entrevista com Marcello Dantas, designer de museus. Entre suas criações está o da Lingua Portuguesa em São Paulo. O papo foi conduzido pelo também companheiro deste NR, Ricardo Viel com foto de Paula Sacchetta. (Ele faz museus, pág. 48). "Ou você utiliza novas linguagens ou vai fazer um museu que já nasce velho", pontua o entrevistado.
De internacional, matéria de Antônio Martins sobre Armas Nucleares é bem interessante (Donos da bomba perdem poder, pág. 40). A ilustração da capa é do Estúdio Saci do ilustrador Carvall. O texto, um Ponto de Vista, trata da falta de projeto dos candidatos Dilma e Serra e aponta que não existe a tal polarização que andam dizendo partidos e mídia.

Thiago Domenici, secretário de redação da Retrato do Brasil

terça-feira, 18 de maio de 2010

Versus, outra revista gratuita que foge do mainstream do mercado editorial

Em 6 de maio indiquei aqui a revista Observatório Social (ler postagem) que aposta em reportagens de fôlego e investigativas e que, infelizmente, não tem a penetração que merece entre os leitores brasileiros. Uma revista feita por ótimos jornalistas e de graça, podendo ser baixada em PDF.
Daí que recentemente recebi a informação de outra publicação – uma jovem publicação – que está em sua terceira edição e que me pareceu muito boa. Preciso, é verdade, ler com mais profundidade, mas do que já vi gostei. É a Revista Versus, iniciativa do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A apresentação da revista trimestral que também é online diz: “Plural e interdisciplinar, a publicação, na versão impressa e online, tem o objetivo de reunir o pensamento crítico das diversas áreas do conhecimento voltadas para os problemas sociais, econômicos, políticos e culturais da sociedade contemporânea.”
A primeira edição, por exemplo, traz uma entrevista exclusiva com o presidente paraguaio Fernando Lugo que explica como enfrenta a oligarquia para fazer mudanças em seu país. Nas outras edições, perfil de Jorge Mautner, matéria sobre os 30 anos da Lei de Anistia, Vida de Estrangeiro, entrevista com Samuel Pinheiro Guimarães e Márcio Pochmann etc.
Detalhe fundamental: você lê de graça, na internet (versus digital) ou baixa o PDF da edição de sua preferência. E se escrever para o e-mail deles (sabia como aqui) pode receber em casa.

sábado, 13 de março de 2010

Le Monde Diplomatique Brasil lança novo site na segunda-feira


Recebi um e-mail informando que dia 15 de março o Le Monde Diplomatique Brasil vai lançar um novo site. Compartilho com vocês a informação e o convite.
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