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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A história por traz do objeto é o que vale para você?

Paul Bloom, professor de psicologia da universidade de Yale, nos EUA, fez uma palestra no TED – que volta e meia o NR indica – sobre as origens do prazer.

Segundo sua tese, “nós não reagimos às coisas ao vê-las, sentí-las ou ouví-las”. Ao contrário, “nossas reações estão condicionadas as nossas crenças. O que são? De onde vieram? Do que são feitas e quem fez?”.

Algo que ele chama de humanos “essencialistas naturais”. Por que nós gostamos mais de uma pintura original do que de uma falsificação? Em suma, a palestra foca em algo comum o dia a dia: a história de um objeto muda a nossa experiência com ele?

Joshua Bell, um famoso violinista tocou por 45 minutos num metrô de Nova York e ganhou poucos trocados, foi, segundo consta, praticamente ignorado. A questão é que disfarçado, ninguém que passou por ele sabia quem ele era. Mas sua famosa música estava ali, sendo tocada num violino Stradivarius de 1713 avaliado em 3,5 milhões de dólares. Se soubessem, mudaria algo?

Se o vinho é caro é melhor? Aos olhos de uma criança, se uma cenoura fosse vendida no McDonals poderia ser mais gostosa? Um chiclete comum mascado por Britney Spears ou um taco de golfe usado por um ex-presidente americado vale milhares de dólares pela experiência agregada? Sim, diz Blomm. E isso vale para o prazer e também para a dor.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os algorítmos são os novos editores?

Para Eli Pariser (ex-programador de computadores e atual ativista e cientista político), nesta palestra durante o TED, "a internet nos mostra aquilo que ela pensa que queremos ver, mas não necessariamente o que precisamos ver".

Ele se refere aos algorítimos usados nos resultados de pesquisa do Google, Facebook e afins. Um mesmo tema, de acordo com a relevância, aparece de diferentes formas (personalizadas) para os usuários da rede.

Cita dois amigos que digitaram Egito no Google. Para um deles, nenhuma informação sobre as revoltas na praça Tahir e para o outro, várias informações.

Critica, nesse sentido, a "relevância" como principal mecanimos de captação de informações e pede que os fazedores de algorítimos levem em conta outros fatores que ampliem nossa visão de mundo.

Já que do jeito que está, temos uma internet "editada" de modo a não sermos expostos a ideias e opiniões diferentes das nossas.

A apresentação do TED diz o seguinte: "a medida em que empresas da Web se esforçam para fornecer serviços sob medida para nossos gostos pessoais (incluindo notícias e resultados de pesquisa), acontece uma perigosa e não intencional consequência: Caímos na cilada dos "filtros-bolha" e não somos expostos à informações que poderiam desafiar ou ampliar nossa visão de mundo. Eli Pariser argumenta vigorosamente que isto, definitivamente, mostrar-se-á ruim para nós e para a democracia."

Meio confuso? Veja o vídeo abaixo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tony Porter: um chamado (necessário) para os homens

“Nos ensinavam que homens precisam ser valentes, fortes, precisam ser corajosos, dominantes. Sem dor, sem emoções (...) e definitivamente sem medo. Que os homens estão no comando, e isso significa que as mulheres não.”
Tony Porter é cofundador da organização “A Call to Men - Commited to Ending Violence Against Women” (em português, algo como “Um chamado para os homens - compromisso com o fim da violência contra as mulheres”).

Ele deu uma palestra no Ted (no vídeo abaixo) muito interessante - e corajosa. Tony conta histórias fortes sobre sua infância e sobre a educação que deu aos filhos (um menino e uma menina) relatando a diferença com que tratava os dois.
 “Quando eles tinham cinco ou seis anos, (o menino é um ano mais velho que a menina), Jay vinha até mim chorando. Não importava o porquê ela chorava, ela podia sentar no meu colo, assoar o nariz na minha manga (...). Mas Kendall, por outro lado (...), ele vinha chorando, e no momento que eu o ouvia chorar o cronômetro ligava. Dava ao garoto cerca de 30 segundos, o que significava que quando ele chegava eu já estava dizendo ‘por que está chorando?’”
Tony ajuda a entender porque a educação que costuma ser dada aos homens - tantos ensinamentos machistas - pode causar (e provavelmente vai) o desrespeito e a violência contra a mulher.

Diz Tony, em outro trecho da palestra.
“Quando se diz que mulher tem menos valor, são propriedades dos homens, são objetos, particularmente objetos sexuais. Mais tarde descobri que essa era a socialização coletiva dos homens, mais conhecida como a ‘caixa do macho’. A caixa de macho tem todos os ingredientes do que significa ser um homem. Antes quero dizer, sem dúvida alguma, que há coisas maravilhosas, muito boas mesmo, em ser homem. Mas ao mesmo tempo existem algumas coisas que estão erradas.”
É muito importante que falas como a de Tony Porter sejam ouvidas e tenham repercussão. Nos faz pensar, nos faz compreender muita coisa e nos ensina. O vídeo tem 11 minutos, mas parece que tem 3. Não é chato, não é maçante e pode fazer muita diferença.

É por esse tipo de coisa que acho importante que a gente não queira ser “normal” como escreveu a jornalista Eliane Brum num artigo recente.




Natalia Mendes é jornalista, colunista do NR
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