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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O topo do mundo



por Ana Mendes*

Chovia torrencialmente quando fui assistir o espetáculo O topo do Mundo em Porto Velho. Novembro é justamente o período de transição entre as estações amazônicas. São só duas: ou é inverno ou é verão. Como diria Walter, um biólogo que já virou mito na cidade “ou é quente ou danado de quente”. É mesmo. Mas de fato aquela chuva tinha algo de extraordinário e no palco um menino foi parido. Um moleque grande e preto rolou útero a fora gritando “eu matei! Eu tirei uma vida e me tornei meu próprio Deus... Por quanto tempo ainda serei um caiado, branco por fora e podre por dentro!?”

Sob o comando do diretor Marcelo Felice, uma equipe de vinte atores colocam em cartaz diversas narrativas simultâneas. Todas elas em torno de um destino comum: o cárcere. Eles são presidiários do regime fechado da penitenciária Urso Branco. No palco, revelam histórias que tem um vínculo profundo com as trajetórias pessoais de cada um. São tramas que contam mais do que um relato verídico dos acontecimentos que desencadearam em crimes, mas trazem processos psicológicos de dor, medo, vaidade, vergonha, vingança contra si e contra os outros.

O roteiro é resultado de processos terapêuticos que acontecem fora do palco. A complexa ferramenta elaborada por Marcelo e sua equipe envolve uma ampla busca espiritual. Massoterapia, meditação, banho de lama, temascal, ayhuasca e o eneagrama formam um conjunto de técnicas que bem aplicadas resultaram em uma iniciativa que dura quase duas décadas. “Este projeto é intitulado como teatro terapêutico, pois todo e qualquer movimento corporal, dos corpos emocionais, psíquicos e mentais, são experimentamos a partir da psicoterapia, fazendo com que esses indivíduos reflitam sobre a sua ação e reação. Todo o gesto, elaborado ou não, de movimentos autênticos ou de dança contemporânea, por exemplo, vem precedido da terapia.”, diz Marcelo.

Este é o segundo espetáculo montado por Felice com atores detentos. O primeiro, intitulado Bizzaros ficou quinze anos em cartaz e circulou por todo o país, sendo inclusive apresentado para membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e autoridades da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Em 2014 o projeto pretende incluir as mulheres que cumprem pena do Presídio Estadual Feminino de Porto Velho. Ao poder público local e nacional fica o recado: este é um projeto sem precedentes no país, sobrevivendo com garra e fé de quem acredita no potencial renovador do ser humano. É necessário mais atenção, muito mais.

* * * * * * *

*Ana Mendes, gaúcha de nascimento, é fotógrafa e cineasta documental formada em Ciências Sociais. Mantém a coluna Faço Foto.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dizem que o povo gosta

No momento em que desenvolvo uma interessante pesquisa sobre um dos maiores homens de teatro do Brasil, falecido em 2009, tenho lido não só sobre ele, como é natural, mas, sobretudo, os seus próprios textos. E nesse aspecto a produção de Boal tem bastante fôlego. É consistente.

No momento, entre outras, estou lendo sua obra “O Teatro Como Arte Marcial” (Ed. Garamond, 2003) que contém uma série de reflexões do mestre sobre a arte de Sófocles, Shakespeare e Brecht, para ficarmos apenas em três nomes sonantes.

Em nome de um teatro político, de intervenção social, Boal fala sobre tudo e escarafuncha o individual e o social com as lentes da dialética, muitas vezes não deixando pedra sobre pedra. Escreve com impagável ironia e rigorosa linha de raciocínio. Sua tese: todos nós somos atores, ou, espect-atores, como gosta de dizer. O teatro não é uma atividade para iluminados.

Vejam, por exemplo, sua opinião sobre o deserto de ideias que é a televisão. À página 125 do livro citado, Boal escreve um artigo com o título acima e que passo a reproduzir:
“É “disso que o povo gosta” – assim justificam os canais de televisão a qualidade execrável de muitos dos seus piores programas.”

“Fosse válido esse argumento, estariam nossas escolas autorizadas a substituir as difíceis matemáticas, a última flor do Lácio e a filosofia kantiana por fáceis aulas práticas do sensual Kama Sutra, porque é disto que o povo gosta...”
“Nossos museus exibiriam, em lugar de obras primas da pintura renascentista, as esculturais coelhinhas da Playboy, ao vivo, porque disto a máscula metade brasileira sempre foi ávida – disto o povo gosta, e com apetite.”
“Nossos hospitais, em vez de médicos e medicamentos, empregariam homens de terno e gravata operando histéricos, descarregos, sacerdotes de variadas religiões eletrônicas, porque, infelizmente, as curas milagrosas são o refúgio de boa parte da nossa ingênua população, que disto gosta ou isto teme: das televisivas bocas pastorais jorram labaredas do ameaçador diabo tridentino, rouco e fanho, exigindo o dízimo, em horário nobre!”

“Outro argumento, falaz como primeiro, diz que a TV deve mostrar a crua realidade tal como é, sem grinaldas nem guirlandas. Para este efeito, proliferam policiais perseguindo bandidos em alta velocidade; casais acusando-se de caleidoscópicas infidelidades e promovendo físicas violências diante das ávidas câmeras; portadores de exóticas deformidades lamentando a sorte ingrata e o cruel destino. Realidades são: existem! Quem duvida? Realidades banais, vidas vazias, sem rumo, sem sal. É assim mesmo, dizem, é a vida como ela é...”

“Mas – cabe a pergunta – a vida de quem? Não existem outras vidas neste Brasil imenso? Seremos todos reles idiotas?”

“Nestes últimos anos, no Brasil, seguindo a trilha de vários outros países do mundo, assistimos à proliferação do pior e mais nefasto dos programas que já surgiram nessa fábrica de vacuidades que é a TV: os reality-shows.”

“Neles, pessoas insossas – sem o menor interesse intelectual, sem que se destaquem artística, política ou socialmente, nem sequer pelas tatuagens impregnadas em seus ombros, costas, nádegas e cóccix – ficam encerradas em uma casa sem nada dizer ou fazer, nenhum objetivo a perseguir a não ser o de permanecer em cena o maior tempo possível atraindo a atenção dos camera-men, esperançosos de um close-up.”

“As telenovelas – mesmo de trama inverossímil e flácida, mesmo superficial e anódina – mostram relações humanas estruturadas segundo certos valores morais e políticos... mesmo discutíveis. Já os reality-shows, ao optarem pela ausência (aparente) de qualquer trama preconcebida, ao deixarem que tudo aconteça ao sabor do acaso, e pela total falta de lucidez de pensamento, nada oferecem a não ser o despropósito daquelas vidas psiquicamente vegetativas.”

“Vidas fragmentadas e míopes, sem metas em longo prazo, nas quais a maior preocupação ontológica dos personagens é abrir a geladeira e a reclamar da falta de uma boa pizza; sua maior angústia, o telefone que não toca.”

“Essa fragmentação se assemelha ao cotidiano igualmente fragmentado da maioria dos telespectadores que são, assim, confortados em suas vidas despropositadas.”

“Qual o universo vocabular desses reality-shows? Talvez não alcance as básicas duzentas ou trezentas palavras usadas comumente na TV, mesmo se incluirmos artigos e pronomes, interjeições e nomes próprios e as freqüentes onomatopéias. Que idéias inteligentes poderá gerar esse esquálido repertório léxico? Talvez somente uma: desliguem suas TVs.”

O texto de Boal é longo e continua a tratar o tema com fina ironia. Peço licença aos leitores para um salto no texto e ir para a sua parte final onde se pode ler:
“Mas a TV – para quem é isso que o povo quer! – só nos mostra um casal vestido de nudez caçando sabonetes na banheira de meia água ou fornicando atrás da porta; mostras socos, tiros, explosões, e nos faz pensar que as torres gêmeas fazem parte do enredo das Aventuras do Homem Aranha – filme que, aliás, foi banido depois do 11 de setembro, porque as semelhanças eram chocantes, e o sádico prazer de alguns espectadores seria bem maior do que o recomendável patriotismo.”

“Na pequena tela, a vida vã e fútil importa mais do que a destruição da camada de ozônio ou da floresta amazônica: o fogo, de longe, não se vê; na tela luzem sorrisos.”

“Hoje, no Brasil, ninguém é inocente”
Izaías Almada, escritor e dramaturgo, mantém a coluna mensal Pensando Alto

domingo, 8 de julho de 2012

Teatro: mulheres vermelhas

SUGESTÃO DE IZAÍAS ALMADA
PARA OS LEITORES DO NR

Gostaria de indicar aos leitores de NR uma peça teatral a que tive oportunidade de assistir quando fui lançar o meu novo romance "Sucursal do Inferno" na cidade de Ribeirão Preto. Saí bastante emocionado do espetáculo que apresenta - com bastante sensibilidade - um tema trágico. Não é nada fácil falar e representar a tortura num palco de teatro, por exemplo, mas o grupo "Ribeirão em Cena" o faz com bastante dignidade, sem apelos ao melodrama ou à violência desnecessária.

Regressando ao mito da tragédia grega de Antígona, as histórias de Olga Benário, Zuzu Angel, entre dezenas de outras, falam da vida privada de mulheres “subversivas” que foram torturadas ou perderam a vida durante o confronto contra regimes ditatoriais, entre 1928 e 1979, e são mostradas dramaticamente na peça “Mulheres Vermelhas”, que chega a São Paulo para curta temporada no Teatro Studio 184, da praça Roosevelt, nesse mês de julho.

O espetáculo teve sua estreia oficial no Festival Internacional de Teatro de Curitiba deste ano e é realizado com incentivos fiscais através do PROAC- da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo.

Após a referência ao drama de Antígona, a encenação começa em 1928 na Alemanha, passa pelo golpe de 64 e chega a 1979 quando foi instituída a Anistia no país.

São setenta minutos onde 25 atores, músicos e dançarinos profissionais, com música ao vivo, mostram as historias de Olga Benário Prestes, Lilian Celiberti, Lídia Guerlenda, Maria do Socorro Diógenes, Damaris Lucena, Rose Nogueira, Dulce Maia, Dinalva Oliveira Teixeira, Renata Guerra de Andrade, Vera Silvia Magalhães, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, Anadyr Nacinovic, Gilse Cocenza, Cecília Coimbra,Yara Spadini, Sonia Lafoz, Lucia Murat , Zuzu Angel, Áurea Moretti, Maria Aparecida dos Santos e Madre Maurina Borges, entre outras.

"A temática", segundo o diretor do espetáculo Gilson Filho, "não faz proselitismo político e está sintonizada com a necessidade de defesa dos direitos humanos, o mesmo que inspira a “Comissão da Verdade e Reconciliação”.

Mesmo sem intenção, garante o diretor, “será difícil as pessoas não saírem emocionadas ao final do espetáculo, especialmente os que passaram pelos mesmos problemas e voltam ao clima da época ao som de Chico Buarque, Milton Nascimento e João Bosco, por exemplo”.


SERVIÇO
Onde: Teatro Studio 184, Praça Roosevelt 184 SP
Quando: de 12 a 15 de julho às 21 hs.
Quanto: R$ 10
Informações e Reservas: (11) 3259-6940.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Festival de Curitiba, "Pai"

Em tempos de Comissão da Verdade e de manifestações sombrias de pequenos bolsões militares ou saudosistas como Bolsonaro, o teatro, como sempre, pode ajudar a dramatizar a compreensão de nossa história passada. Minha peça PAI, sobre ossadas de presos políticos encontradas em Perus é uma modesta contribuição ao tema e uma homenagem aos que desapareceram. Saiba mais.
Izaías Almada
, dramaturgo e escritor, colunista do NR.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Teatro: o drama dos desaparecidos

O amigo Izaías Almada, colunista deste NR e também do Escrevinhador, terá mais um texto seu encenado no teatro. Como explicou ao NR, "É difícil dimensionar os efeitos psicológicos sobre os que tiveram seus entes queridos presos, sequestrados, mortos e desaparecidos durante a ditadura civil/militar de 64/68 no Brasil."  Ele conta que o mote da peça é  a descoberta de uma ossada no cemitério de Perus em 1991 que provoca um grande conflito entre mãe e filha ao receberem a notícia de que uma das ossadas era do marido e pai, respectivamente. "Os efeitos dessa tragédia, ainda perversamente ignorada pela sociedade brasileira, são visíveis em algumas mazelas que persistem no Brasil do século XXI", diz.



Izaías Almada e o drama dos desaparecidos


Nesta quarta-feira, tem início a 20ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, um dos mais importantes eventos de artes cênicas do Brasil. Com duração até dez de abril, o Festival reúne mais de quatrocentas atrações, entre teatro, música, circo, stand-up comedy, dança e cinema. O dramaturgo e escritor Izaías Almada, colunista deste Escrevinhador, terá sua peça “Pai” encenada pela Cia Nuvem da Noite.
O texto inédito de Almada, adaptado e dirigido por Gilson Filho, conta a história de uma família que encontra o corpo de seu pai, um desaparecido da ditadura militar brasileira. A ossada é encontrada junto a outras centenas durante uma busca no Cemitério de Perus, em São Paulo. O enredo foca na chegada da informação à família, e como isso transforma a delicada relação entre mãe e filha, reavivando lembranças e revelando sentimentos abafados.
A peça será encenada nos dias 4, 5, 6 e 7 de abril, na Casa Hoffman, no centro de Curitiba. Mais informações podem ser encontradas no site do Festival.
Izaías Almada conversou com o Escrevinhador e nos contou mais sobre a sua peça.

A peça foi escrita baseada em alguma história em particular, algum episódio real?
Não foi propriamente uma história em particular, mas foi a partir da notícia da descoberta de ossadas em um cemitério da periferia de São Paulo, ainda no governo da prefeita Luiza Erundina. Havia suspeitas de que algumas dessas ossadas pudessem ser de prisioneiros políticos da ditadura que desapareceram. Como tive amigos nessa situação, em especial o Eduardo Leite, o Bacuri, e o ex-marinheiro Raimundo Costa, quis fazer uma homenagem a eles e a outros companheiros desaparecidos.

O objetivo do texto é sensibilizar o público frente a questão dos desaparecidos políticos? Ele tem como finalidade provocar um debate entre o público?
Sim, o objetivo da peça é sensibilizar o público para esse problema, mostrando que aqueles “terroristas” eram pessoas como qualquer um de nós, cujas as circunstâncias da luta política na época os transformou em opositores clandestinos, já que não havia alternativas para um pensamento oposicionista no país depois do golpe de 64. Mas a sensibilização ultrapassa esse primeiro patamar, pois também – nos dias de hoje – deve chamar a atenção para a efetivação e os trabalhos da Comissão da Verdade. E se isso provocar debates com o público após as apresentações, melhor ainda.

Qual a relevância do teatro abrir espaço para esse debate político?
No meu entender, o teatro, o cinema, a literatura, as artes de um modo geral, mas principalmente aquelas que mantém contato com um número maior de pessoas, devem estar sempre sintonizada com o que se passa à sua volta.

E qual é, na sua opinião, a importância de se debater esses temas?
Debater a questão dos direitos humanos será sempre importante, em qualquer época. Como o homem ainda não aprendeu a viver numa sociedade mais justa e efetivamente pacífica, nunca será demais tentar, através da arte, sensibilizar as pessoas para determinadas questões: a melhor distribuição da riqueza é uma delas. A luta contra a tortura e a violência policial é outra. A questão da soberania nacional será uma terceira. E por aí eu poderia nomear várias questões relevantes para se debater. Hoje e, pelo visto, sempre…

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"Pai", um poema aos desaparecidos políticos

A notícia abaixo, tirada do jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, encheu-me de alegria, como é óbvio. Ter uma peça escolhida por um grupo teatral para se apresentar no Fringe de Curitiba é, sobretudo, uma honra e motivo de orgulho. Ainda mais quando o tema é uma homenagem aos desaparecidos políticos no Brasil, alguns deles meus amigos pessoais, como Eduardo Leite (Bacuri), Yara Iavelberg, Heleni Guaryba, entre outros. Texto escrito sob forte emoção e com o carinho e o respeito a uma geração que não se curvou à ditadura. Como em teatro, por tradição, não se diz boa sorte, mas ‘merda’, desejo toda ‘merda’ do mundo ao Gilson, a Neuza Maria, a Mariana, ao Júlio, a Gracyela e a todos os que participam do espetáculo.

Grupo de Ribeirão é selecionado para Festival de Curitiba
Ribeirão Em cena vai estrear espetáculo inédito na capital paranaense sobre a família de um desaparecido político. Álefe Cintra - Especial A Cidade.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Cia. Ribeirão Em Cena foi escolhida para participar do Festival Internacional de Curitiba. O grupo foi selecionado para a mostra Fringe, que agrega todas as tendências, e é dedicado a novos grupos.
Para a vigésima edição, que será realizada na capital paranaense entre 29 de março e 10 de abril, o espetáculo escolhido foi "Pai", escrito pelo mineiro Izaías Almada. A peça cumprirá temporada de quatro apresentações no Teatro Solar do Barão entre os dias seis e nove de abril. O diretor da peça Gilson Filho explica que a escolha do texto aconteceu graças a atriz ribeirão-pretana Débora Duboc (a Olga, de Passione), que indicou o livro. O enredo é sobre a história de uma família que descobre o corpo do pai, desaparecido político na época da ditadura militar brasileira. A ação se passa em São Paulo, 1991, ano que se descobriram centenas de ossadas numa parte clandestina do Cemitério de Perus, muitas delas de prisioneiros da ditadura. "Eu conversei com o Izaías, que ficou empolgado e autorizou", conta Gilson.
O elenco reúne a veterana atriz Neuza Maria e a jovem Mariana Casula, que faz parte da nova geração de atrizes formadas nas oficinas do Ribeirão Em Cena. Conta ainda com a participação especial do ator Julio Avanci e de Gracyela Gitirana. E para a apresentação, o grupo contará com a ajuda da tecnologia. "Nós teremos uma projeção de imagens da época no palco, durante o espetáculo", explica Gilson.
O Festival Internacional de Curitiba reúne grupos de teatro de todo o Brasil. Para o diretor Gilson, essa é a oportunidade de mostrar o trabalho de Ribeirão num evento de repercussão nacional. "O festival é uma vitrine e uma experiência muito rica. E o público é muito bom. Desde que fomos aprovados para participar do festival há três anos, o grupo não parou mais".

Izaías Almada é dramaturgo e escritor, colaborador do Nota de Rodapé

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Geralzão do NR #1

Cultura de graça!
Alô, educadores, Ongs e pessoal ligado na área de educação, saúde e meio ambiente. O espetáculo de Ivaldo Bertazzo, Corpo Vivo-Carrosel das Espécies, convida para sessões especiais da peça. Todas as quintas-feiras, às 21h, até 14 de outubro, dá tempo de ver, lá no Sesc Pinheiros. É de graça! Só precisa reservar os ingressos. E-mail para informações é: mariana@ivaldobertazzo.com.br Se preferir, ligue: 11 3294-1755 - ramal 31. Para saber mais sobre Ivaldo Bertazzo e ver imagens, filmes e reportagens sobre o espetáculo Corpo Vivo, acesse: www.ivaldobertazzo.com 

Marília Medalha
“Nadar contra a corrente sempre foi a marca registrada desta artista niteroiense. Em 1965, com apenas 20 anos, ela recusou o convite do amigo Sérgio Mendes para fazer carreira nos Estados Unidos. Ela preferiu seguir para São Paulo e, sob a batuta de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, brilhou na histórica montagem de Arena Conta Zumbi.” A Funarte produziu um programa que homenageia a carreira da artista. O programa pode ser ouvido AQUI.

Ato pelo Ficha Limpa
Sabadão, véspera da eleição, às 14h, um ato pela Lei do Ficha Limpa vai acontecer no espaço Plínio Marcos, alí na praça Benedito Calixto, Pinheiros (SP). É uma parceria do Autor na Praça e MCCE - Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. A nota de divulgação diz: “Enquanto o STF discute se a Lei vale ou não para este ano, vamos alertar aos eleitores que na verdade ele [eleitor] é o supremo juiz na hora do voto e que deve escolher bem seu representante. Estarão disponíveis para venda os livros da Lei do Ficha Limpa e Policidadania.”

PIG (Partido da Imprensa Golpista)
Izaías Almada, colunista deste NR, sugere aos leitores o vídeo a seguir. Em linhas gerais, é uma critica a mídia comercial brasileira.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Um grito solto no ar no Teatro Eva Herz

Georgette Fadel relembra com música e sensibilidade as obras de Gianfrancesco Guarnieri, num repertório com arranjos feitos por Edu Lobo e Carlos Lyra. Sem contar a direção do amigo Heron Coelho. Na edição de julho da Retrato do Brasil, Izaías Almada, colunista deste NR, fez um belo texto sobre o espetáculo sob o título "Gritos e sussuros soltos no ar".

Gritos e sussuros soltos no ar
(Revista Retrato do Brasil, julho, edição 36, pág. 38-39)

O ensaísta e crítico teatral Sábato Magaldi, em seu livro “Panorama do Teatro Brasileiro” (primeira edição de 1962), diz, após analisar as três primeiras peças escritas pelo autor, ator e compositor Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006): “Entre os jovens autores, Gianfrancesco Guarnieri é o único que obteve apenas êxitos, sem ter chegado ainda aos trinta anos de idade. A inata vocação artística impede-o de desvirtuar os textos em função do proselitismo político. A inequívoca humanidade dos seus heróis tem falado a espectadores das mais diversas camadas, sem tornar-se o paradigma de um grupo específico. Essas virtudes prognosticam para o dramaturgo um grande futuro, entre os que mais enchem de esperanças o teatro brasileiro”.
O crítico ainda se referia, nessa época, aos textos de “Eles Não Usam Black-Tie”, “Gimba” e “A Semente”, antevendo um futuro promissor, mas longe de adivinhar que toda a carreira dramatúrgica de Guarnieri se constituiria num progressivo encadeamento de textos que, para além da “inequívoca humanidade de seus heróis”, revolvia as vísceras de um Brasil injusto, preconceituoso e totalitário, particularmente nos anos que vão de 1964 a 1979.
Dos personagens heróis quase anônimos dos morros e das favelas (“Black-tie”, “Gimba” e “A Semente”), a uma instigante passagem pelos temas da reforma agrária e da desmistificação do uso do poder através da superstição (“O Filho do Cão”), o jovem Guarnieri avança, já então ao lado do companheiro e teatrólogo Augusto Boal, pelos caminhos brechtianos, ao dar vida a duas sagas libertárias brasileiras, desta vez como luta coletiva emblemática para o tempo em que se vivia: “Arena Conta Zumbi” e “Arena Conta Tiradentes”. Tempo de guerra e sem sol...
Vivia-se o final dos anos sessenta e, no emblemático ano de 1968, o Brasil iniciava sua caminhada, deflagrada com o golpe civil e militar de 1964, para uma década mais dura de terrorismo de Estado com a edição do AI-5, um monstrengo jurídico que, entre outras arbitrariedades, fechou o Congresso Nacional, colocou a UNE fora da lei, lacrou sindicatos de trabalhadores, impôs a censura à imprensa e extinguiu a figura do habeas corpus. O rescaldo de tal violência é a prisão de milhares de brasileiros, entre eles artistas e intelectuais.
No plano cultural, os palcos e as ruas brasileiras ganharam novas arenas e nova consistência: a luta contra a ditadura. Uma década efervescente, na qual o teatro e a música popular deram o mote. No período, Guarnieri destacou-se em seu trabalho como ator, e, também, em textos como os de “Castro Alves Pede Passagem”, “Ponto de Partida” e “Um Grito Parado no Ar”. Um teatro firme, de intervenção social, de forte apelo à participação política e com uma singular curiosidade, embora não fosse essa propriamente uma novidade: o uso pungente da mais autêntica música popular.

Não foi em vão
Canções que se imortalizaram no nosso cancioneiro foram lançadas em peças de Guarnieri nesse período ou mesmo antes dele, tendo como parceiros os nomes sonantes de Edu Lobo, Sérgio Ricardo, Toquinho, Adoniran Barbosa, Carlos Lyra, entre outros.
Outro parceiro, mais contemporâneo, foi Heron Coelho, diretor e roteirista de “Um Grito Solto no Ar”, show musical vibrante que circulou no primeiro semestre deste ano em São Paulo, interior e capital, como parte da temporada apresentada no SESC Pompeia. A casa de shows, com suas paredes de tijolos e tetos de vigas aparentes, abraçou comovida a figura de seis jovens que foram buscar na música teatral de Guarnieri a seiva e a inspiração para um espetáculo de rara sensibilidade.
Heron e Guarnieri se conheceram num ciclo de leituras realizado pela Funarte nos anos 90 e que inspirou Heron a realizar em 2005 o espetáculo “Arena Conta Guarnieri”, um ano antes do falecimento do autor. Nessa montagem tomou parte a atriz Georgete Fadel. A morte de Guarnieri sugere ter deixado em Heron e Fadel a expectativa de uma nova parceria. O reencontro vem com o belíssimo musical “Um Grito solto no Ar”.
Aproveitando o metafórico grito de 1973 (“Um Grito Parado no Ar”), no qual o autor põe em cena um grupo de teatro que ensaia e discute os problemas de sua sobrevivência e de ter voz e participação diante de um regime de censura e repressão, Heron homenageia Guarnieri quase quarenta anos depois com a satisfação de poder cantar em liberdade, como quem diz: Guarnieri, sua luta não foi em vão, nem a de todos aqueles que foram presos, torturados ou mesmo morreram por querer liberdade.
A troca de adjetivos no título não é apenas licença poética, mas expressa uma mudança real no Brasil, embora ainda se possa encontrar aqui e ali os saudosos da ditadura, os que ainda se arrepiam ao ouvir falar em respeito aos direitos humanos.
Com uma cenografia simples e despojada (Hevelyn Coelho e João Nunes), uma iluminação que, além de criar os vários climas para as canções, ajuda a concentrar o olhar do público no imenso espaço à sua volta (João Nunes) e o som de “gente grande”, do Quinteto Sarzi, de inegável qualidade musical nos arranjos e na instrumentalização, o espectador, que ouve e até canta alguns dos sucessos de Guarnieri, sai do teatro com a sensação de que ficaria ali mais tempo e com enorme prazer, tal a sensibilidade e a magia que o envolve.

Profundo amor
A qualidade sonora, a movimentação cênica e o arrebatamento de cada uma das canções apresentadas, contudo, têm um nome a ser destacado: Georgete Fadel. Atriz, que, aos 35 anos, vai costurando as várias facetas do seu talento e construindo uma carreira de méritos inquestionáveis, com grande domínio da voz e do corpo. Quem teve a oportunidade de assistir, entre outros trabalhos de Fadel, as recentes encenações de “Gota d’Água” (também com a direção de Heron Coelho) e “Rainhas”, a livre adaptação de “Mary Stuart” (Friedrich Schiller), é capaz de acompanhar o desenho sutil, a delicada sensibilidade na interpretação de cada uma das canções como fruto da inteligência de uma atriz excepcional. Sua capacidade histriônica e de comunicação com o público é o resultado de um amadurecimento e de uma vivência com várias experiências teatrais, entre elas a do teatro de rua. E, sobretudo, uma voz adequada às canções escolhidas, quer nos momentos de alegria ou mesmo nos sussurros de advertência ou graciosa ironia.
Num espetáculo onde o todo é harmônico, sob a direção segura de Heron, corre-se sempre o risco da injustiça, quando se elege esse ou aquele momento, essa ou aquela canção. Arrisco dizer que “Upa Neguinho” (Edu Lobo), “Vidas Rasas” (Sérgio Ricardo) e “Pois é” (Márcio Proença) são pontos altos do show, no qual não falta a voz do próprio Guarnieri numa comovente declaração de amor: “Sempre estive ao lado do povo, não por demagogia, mas por profundo amor”.
As liberdades conquistadas, como bem sabemos, deram rédea solta também a um liberalismo agressivo e egoísta. Ainda é preciso gritar por fraternidade e igualdade. O canto de amor de Guarnieri, explícito e corajoso em seu apelo por justiça, continua no ar, exigindo que ele se torne respirável e dividido entre todos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Promoção NR e teatro N.Ex.T via Twitter

Nota de Rodapé oferece ingressos da peça O Falecido, comédia de Antonio Rocco, em São Paulo, no teatro N.Ex.T

Os primeiros leitores que derem RT em @notaderodape Promoção Teatro N.Ex.t sorteia ingressos da comédia "O Falecido" (http://migre.me/Txet) vão ganhar par de ingressos (ganhador + acompanhante) para os finais de semana de julho: 9, 10 e 11; 16, 17 e 18 e 24 e 25  (sempre às sextas, sábados e domingos). Para a seção do dia 25, domingo, às 19h 30, serão dois pares de ingresso, totalizando Nove (nove) pares. As confirmações serão feitas pelo e-mail promoção@notaderodape.com.br e se dará por ordem de RT, ou seja, o primeiro que retuitar a promoção garante o ingresso para o dia 9, o segundo para o dia 10 e assim sucessivamente. Aproveite, vá ao teatro!

“O Falecido”
A peça, sucesso em 2002, retorna aos palcos com nomes como Lulu Pavarin, Antonio Destro, Luciana Caruso, Ivan Capúa e Mario Mathias no elenco. Entre uma cena e outra, o público não consegue segurar o riso quando o personagem Hermelindo Saraiva, após amnésia alcoólica, acorda em seu próprio velório e começa a ouvir os comentários de parentes e amigos sobre a noite anterior. Com aproximadamente uma hora de duração, a atração é dividida em dois atos; “Amor à vista” que retrata a história de dois noivos, a espera dos respectivos pares, que disputam de forma cômica a única cadeira disponível do cartório. Na segunda parte, entra em cena "O Falecido”. Saiba mais sobre a peça.

Serviço
Data – sextas e sábados as 21h30 e domingos 19h30
Local – Teatro Next: Rua Regos Freitas, 454, Vila Buarque, São Paulo.
Informações – (11) 3259 -9636
Valor do ingresso –R$ 30,00/ R$15,00
Censura: 12 anos

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Teatro: um grito solto no ar

"Um espetáculo que relê a música e a letra de Guarnieri na voz de Georgette Fadel será mostrado por três semanas no Sesc Pompéia. Homenagem e alerta para os dias presentes de um autor que honrou o teatro nacional com muitos dos seus textos e interpretações". Recomendo, Izaías Almada.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Promoção Cultural Nota de Rodapé no espaço Parlapatões

São 2 (dois) pares de ingresso por dia de apresentação do premiado espetáculo “Por que a criança cozinha na polenta”, que faz temporada no Espaço dos Parlapatões todas as terças-feiras às 21h (até 25/05) em SP.

A promoção
A Cia. Mungunzá de Teatro e o Nota de Rodapé vão sortear dois pares de ingresso por dia de espetáculo (4, 11, 18 e 25) aos leitores que deixarem nome completo, telefone e e-mail na postagem dessa promoção ou escrever para promocao@notaderodape.com.br com essas informações e assunto do e-mail “promoção de teatro”. O sorteios serão em duas etapas: o primeiro, sexta-feira, 30 de abril (dois pares de ingresso serão sorteados para 4 e também 11) e sexta-feira, 7 de maio (mais dois pares de ingresso serão sorteados para os dias 18 e também 25). A confirmação do sorteado precisa ser realizada no máximo até meio dia da segunda-feira subsequente, para que haja tempo de passar os nomes à bilheteria.

O espetáculo
A história gira em torno de uma menina romena cujos pais são artistas circenses exilados de seu país. A mãe se pendura no trapézio pelos cabelos todas as noites. O pai é um palhaço que não acredita em Deus, pois “Os homens acreditam menos em Deus do que as mulheres e as crianças, por causa da concorrência”. Narrado por uma adolescente que se defende da degradação pela ótica infantil, o espetáculo é ao mesmo tempo lírico e cruel. Enquanto, em seu exílio, excursiona pela Europa Central, a menina, ao lado da irmã mais velha, é arremessada de encontro ao despedaçamento de todos os seus ideais, bem como o preço por cada um deles. “A criança cozinhando na polenta” é um dito romeno, equivalente ao “bicho papão” no Brasil. Esse dito assombrará a menina nos momentos cruciais de sua vida. Não é um espetáculo sobre comida nem também uma história infantil. Ou talvez seja. Mas é diferente: não é para crianças. Encenado pela Cia. Mungunzá de Teatro, o texto autobiográfico da romena Aglaja Veteranyi conquistou mais de 24 prêmios no segundo semestre de 2009 em diversos festivais!

POR QUE A CRIANÇA COZINHA NA POLENTA
Texto: Aglaja Veteranyi Tradução: Fabiana Macchi Direção e adaptação: Nelson Baskerville Elenco: Verônica Gentilin, Sandra Modesto, Virgínia Iglesias, Marcos Felipe e Lucas Beda.

Serviço:
Quando: 4, 11, 18 e 25 de maio (sempre às terças, 21 horas)
Onde: Espaço dos Parlapatões. Praça Franklin Roosevelt, nº 158
Centro / São Paulo. Fone: 3258-4449
Duração: 80 minutos.
Faixa etária 16 anos

quinta-feira, 11 de março de 2010

Em 16 de março se comemora o Dia Mundial do Teatro do Oprimido

Desde 2008, no dia 16 de março, centenas de grupos em mais de 70 países dos cinco continentes comemoram o Dia Mundial do Teatro do Oprimido. No Largo da Lapa, Rio de Janeiro, o Centro de Teatro do Oprimido - CTO realiza nesta data, das 10 até às 22h, no casarão verde e amarelo da Av. Mem de Sá 31, que abriga a instituição, uma programação de atividades artísticas: peças teatrais, shows musicais, poesias, performances, exibição de vídeos, a instalação O Ser Humano no Lixo, exposição de pinturas, exposição de parte do acervo do Instituto Augusto Boal, além da homenagem Viva Boal que vai celebrar os 79 anos que neste dia completaria o criador do Teatro do Oprimido. Saiba mais.

SERVIÇO
Evento: Dia Mundial do Teatro do Oprimido
Data: 16 de março
Horário: 10 às 22 horas
Local: Centro de Teatro do Oprimido. Av. Mem de Sá 31, Lapa
Informações: (21) 2232-5826 e 2215-0503
Classificação indicativa: LIVRE
Ingressos: GRÁTIS

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Novidade: promoção Izaías Almada e Nota de Rodapé dá 5 exemplares no total!


Gentilmente a Boitempo Editorial e o escritor e colunista Izaías Almada cederam mais dois exemplares do livro Teatro de Arena – Uma estética da resistência. Portanto, em vez de 3 (três) serão 5 (cinco) os exemplares sorteados e autografados pelo autor. O sorteio acorre no dia 21 de março. Para participar é preciso se cadastrar no “Boletim Rodapé” e confirmar sua inscrição no e-mail que receberá na sua caixa postal. Saiba mais. Boa sorte.

sábado, 19 de setembro de 2009

ELT é “apaixonante”, diz aprendiz


SANTO ANDRÉ - Caio Zanuto, 32, é aprendiz de circo da Escola Livre de Teatro (ELT) desde 2007. “A escola foi um achado, pelo clima, prazer e trocas democráticas”, revelou durante o protesto pacífico desta quinta-feira (17), no plenário João Raposo Rezende Filho, na câmara municipal de Santo André, que reuniu mais de 100 aprendizes da ELT, a maioria jovens e entusiastas do projeto nascido há 17 anos.
Os aprendizes pedem a volta do ambiente de autonomia “pautado pela amizade, experimentação e democracia” e que transformou-se há oito meses com a chegada da coordenadora administrativa Eliana Gonçalves – funcionária da Secretaria de Cultura e amiga de infância e indicação do prefeito da cidade, Aidan Ravin.“Não há conversa com ela, sempre ausente ou tomando atitudes por conta própria sem consultar aprendizes e mestres”, acusou Zanuto.
Ainda do lado de fora, pouco antes dos jovens artistas Lílian Cardoso e Mário Augusto Simões discursarem aos parlamentares sobre os dramas da ELT, foram distribuídos por outros aprendizes galhos de arruda aos que passavam. Faixas foram erguidas no plenário da câmara. “Viva a ELT”, expressava uma delas.
Palmas efusivas e o hino da ELT após os discursos dos aprendizes que pediam apoio dos parlamentares marcaram o que vinha sendo, até então, um dia modorrento na casa legislativa de Santo André.
Vereadores sorriram quando a turma da ELT gritou três vezes em uníssono “Evoé”, expressão que traduz entusiasmo, exaltação e intensa alegria.
A aprendiz Carolina Splendore declara-se uma apaixonada pela ELT. “É um universo novo que me foi apresentado e é até difícil de explicar o tanto que essa pedagogia da autonomia é apaixonante”, diz, para, em seguida, afirmar que isso não pode acabar. “A legitimação de um cargo de coordenador administrativo ou prefeito não é autorização para medidas arbitrárias”, protesta.
A ELT possui uma média de 200 alunos, 19 professores, 11 núcleos de formação que vão da formação de ator e teatro laboratório ao circo, pedagogia, direção, teatro de rua, linguagem da máscara e outros.
Personalidades como Maria Alice Vergueiro ("Tapa na Pantera"), o jornalista e apresentador do CQC, Marcelo Tas, Antônio Feltrin (novela "Pantanal"), Leona Cavalli (filme "Amarelo Manga") já demostraram apoio aos mestres e aprendizes da ELT que recebeu nos últimos dias manifestações positivas de todo o país.

Assembléias democráticas
A ELT tem por tradição histórica realizar assembleias mensais com toda a comunidade artística de mestres, aprendizes e funcionários para a exposição de ideias e encaminhamentos gerais. “A Professora Eliana sempre foi ausente deste espaço. Simplesmente ignorava, não havia nenhum tipo de interesse da parte dela de entender que projeto é esse, reconhecido para além das fronteiras de Santo André”, explica o ex-coordenador pedagógico Edgar Castro, demitido pelo diretor de cultura, Pedro Botaro, que segundo Castro, alegou “falta de afinação” com Eliana, coordenadora administrativa da Escola.
“A Escola Livre de Teatro é um espaço de dignidade. Um espaço onde as pessoas são ouvidas, onde o indivíduo é estimulado na sua formação a se colocar de forma dialógica em relação ao outro. A ELT, como disse o Marcelo Tas em seu blog, deveria ser tratada como uma jóia, porque é isso que ela é”, diz Castro, há 11 anos atuando como mestre da ELT.
Caio Zanuto dá exemplos de como são as assembleias mensais. “Temos lá a Dona Bete, responsável também pela limpeza, que reclamou em assembléia da falta de pano para a atividade. Na reunião seguinte a ‘entrada’ de cada aprendiz foi um pano de limpeza e agora temos material até o final desse ano”, brinca. “Papel higiênico foi a mesma coisa", diz.
Em outro episódio, relembra. “Uma vez os ânimos estavam meio alterados e um dos aprendizes pediu a palavra e disse que queria ficar em silêncio um pouco. 100 pessoas em silêncio, respeitando o pedido do colega e a coisa acalmou, foi muito bonito”, finaliza o aprendiz de circo que também faz parte do Coletivo Ativismo ABC.
E mais: ELT divulga manifesto de repúdio >> Demissão na ELT pode ter motivação política >> Prefeitura responde às reivindicações da ELT em carta oficial >> Escola Livre de Teatro em Santo André vive drama e pede "volta da autonomia" >> Veja o blog do movimento ELT em Alerta

Thiago Domenici é jornalista
(textos publicados na Rede Brasil Atual)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MÁQUINAS V de Guto Lacaz

O camarada e amigo Guto Lacaz está com uma peça que promete ser bem legal. Já vi pessoalmente peripécias do tipo. É muito, muito curioso e legal.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Jogando no quintal


Sábado fui pela primeira vez no espetáculo Jogando no Quintal, um grupo de palhaços que apresenta o espetáculo com inspiração num jogo de futebol em que o que vale é a improvisação. Confesso que fazia tempo que não me divertia tanto. Como explica o site oficial do jogando no quintal o "jogo é disputado por dois times de três palhaços-atletas cada, acompanhado por um árbitro e por uma banda de música que cria ao vivo sons e melodias." Sai de lá feliz e todo mundo deveria ter a oportunidade de assistir. Voltarei outras vezes, já que o espetáculo nunca se repete. A capacidade de improvisação é genial, o jeito, as falas, as brincadeiras, impossível não rir e não entrar na onda da palhaçada. Muitos deles são integrantes dos Doutores da Alegria e o grupo começou em 2001.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Aprendendo a alegrar quem precisa


Minha amiga Mariana Santos me enviou essa boa dica de Workshop de Clown, no centro de São Paulo. Veja os detalhes: "Formando palhaços de Hospital. O curso visa a transmitir os conceitos básicos da figura clownesca e o comportamento adequado dentro de um hospital.
Os instrutores serão Inaiá Correia e Arthur Moraes (doutores-palhaços do Grupo Esparatrapo). Acontecerá em 14 e 15 de fevereiro das 9h às 18h. As inscrições devem ser realizadas por meio do site do grupo: www.esparatrapo.com.br (preencha a ficha de inscrição e envie para informe@esparatrapo.com.br). Valor de 95 reais."


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