.

.
30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
Mostrando postagens com marcador porto alegre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador porto alegre. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Eu não sou da paz

por Ana Mendes*

No olho roxo da imprensa, eu chorei. Porque o povo Pinheirinho que lutou lutou lutou morreu na praia e isso me dói demais. A mulher branca da televisão não tem sotaque nenhum e ela não nos representa. Agora favorável? A liberdade do Jabor me violentou: uma retumbante palavra malfeita. A desculpa lhe esfarrapou a própria cara. Passarálho! Acabou-se o monólogo. Dramaturgo ultrapassado!

No morro carioca o bilhete na porta do barraco diz “Por favor, seu policial, não invada a minha casa. A chave está na vizinha, a dona Chiquinha. Entre, sem bater.”.Ué, a favela pacificada não é graça e bunda preta!? Não, a humilhação está na UPP mais próxima de você. Salve, Jorge!

Não foi na desmemória da ditadura que pegou fogo a vila Liberdade em Porto Alegre. Desapropriação geral em nome da paixão nacional! Meu país, minha vida! Dilma, me dá um vale a pena!! Se o Brasil acordou hoje eu morri ontem, que nem o índio Terena do Mato Grosso do Sul com o grito seco na garganta: matança!

*Ana Mendes, gaúcha de nascimento, é fotógrafa e cineasta documental formada em Ciências Sociais. Mantém a coluna Faço Foto.

sábado, 16 de março de 2013

Santana


por Kelvin Koubik "Kino"*

Terminando esta pintura, logo atrás de mim aparece uma senhora. Uma senhora muito vivida, com um tom bem baixo e doce de voz.

Chafiá, um nome difícil, segundo ela, de família árabe. Dona Chafiá, 86 anos, comentou que observou a pintura inteira pela sacada que levou 2 tardes para ser finalizada. Quando, então, finalmente tomou coragem para descer. Disse que eu tenho um dom, o dom da arte, arte que pode transformar o mundo, disse ainda que o mundo estava naquela parede. Chafiá gostaria que eu fosse o neto dela, comentou. Assim assenti afirmando que eu poderia ser.

Após o papo ela saiu e fiquei pensando que devia algo em troca de todos os comentários que senhora tão querida me ofereceu. Lembrei que tinha o rascunho do meu desenho, um pouco sujo e amassado, mas bacana. Peguei uma caneta e dediquei:

"Chafiá, obrigado pelo incentivo e pelas palavras bonitas que me arremessou. Com carinho, do teu neto - Kino 23".

*Kelvin Koubik, colunista do NR, artista visual, grafiteiro e músico de Porto Alegre
Web Analytics