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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Belo Monte, do que se trata?

Você é a favor ou contra a obra da Hidroelétrica de Belo Monte no Xingu? Essa foi das enquetes mais interessantes do blog. Deixei ela no ar muito tempo (uns dois meses, se não me engano) e 219 votos depois...

51% é contra a obra;
35% a favor;
2% não sabe do que se trata;
10% não tem opinião formada.

Em alguns momentos, "a favor" esteve à frente dos "contrários" a Belo Monte. Mas me chama a atenção a quantidade de gente - 10% equivale a 74 votos do total - que não tem opinião formada a respeito. Em 2010, fizemos aqui na Retrato do Brasil uma longa reportagem sobre o assunto. Convido-os a ler "O Governo paga para ver", Tania Caliari, edição 34.

É só uma leitura para clarear ideias, ok? Não sugiro a reportagem como um "fim" para as dúvidas. Até porque ela não se propõe a isso. Eu, por exemplo, sou contrário a construção de Belo Monte, mas existem muitos a favor da obra. Os meus motivos, mais pra frente, apresentarei aqui melhor concatenados.

O importante, aos interessados no assunto, é não se furtar de saber mais a respeito. É um tema de grande interesse nacional. É sempre bom ficarmos atentos.

Thiago Domenici, jornalista

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Encontro com Abaporu

Talvez o que defina melhor o comentário deste post é o sentimento que o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, causou em mim - o meu primeiro e verdadeiro encontro com essa forma de arte - quando estive recentemente no Malba (Museu de Arte Latino Americano de Buenos Aires).

Fui por indicação de alguns amigos que falaram do lugar com entusiasmo. Não entendia bem o motivo. E a explicação é fácil, nunca entendi de arte, estudei ou mesmo me interessei. Exposições de arte sempre me dão a impressão de erudição em excesso e assim fiquei um completo ignorante.  

O MASP (Museu de Arte de São Paulo), por exemplo, pertinho de mim - como também a Pinacoteca, o MAM, o MIS e tantos e tantos outros em São Paulo - fui apenas uma vez ou outra, pela escola, há muitos anos.

Tem a ver, entre tantas outras questões, com hábitos da cultura. Não é comum no Brasil, por exemplo, uma criança ser educada desde cedo a apreciar a arte de grandes pintores.Ou mesmo se dispor a conhecer os novos.

O fato de estar fora do país, no entanto, proprociona um não comodismo que tenho quando estou aqui; um apetite saudável por conhecer e vivenciar experiências que me interessam. Louco, não? Pelo que converso com amigos, parece-me que muita gente é da mesma laia que eu.

Foi a primeira vez que pude compreender a força de um quadro sem me preocupar com teorias e histórias (também importante, mas não naquele contexto). Simplesmente me emocionei com o belo que o Brasil e seus artistas são capazes de produzir.

Uma pena que o Brasil não o tenha em seu território. Esta obra de Tarsila faz parte da coleção particular de Eduardo F. Costantini, que dá nome a fundação que mantém o Malba. Uma coleção sensacional que conta com Diego Rivera, Frida Kahlo, Candido Portinari, Fernando Botero etc. (Thiago Domenici)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Postagem 1000 do NR

Essa é a postagem de número 1000 do Nota de Rodapé.

Quando começamos lá em 2005, a onda era ser um diário virtual, como a própria concepção de blog foi definida na década de 1990. Idas e vindas, no entanto, me fizeram crer que usar o espaço de um para ser de vários amigos afins que têm o que dizer e sem espaço seria um forma de ser feliz.

Digamos, uma felicidade possível dentro do mundinho jornalístico que vivem os profissionais sem grandes liberdades. A meta aqui, graças a vocês, leitores e colaboradores, é a mesma desde o início: escrever sobre o que agrada ou irrita muito, sempre com informação e qualidade.

Espero, sinceramente, que tenhamos conseguido alcançar isso nessas 1000 postagens. Já fizemos entrevistas, reportagens, falamos de música, política, teatro, cinema e tantas outras que não me recordo agora.

Seguiremos nessa luta diária por essa boa informação e mantendo as reflexões necessárias do cotidiano com jornalismo independende. O canal aqui está sempre aberto, acreditem. Sugiram, reclamem, colaborem. Essa interação é fundamental.

Segundo uma pesquisa da comScore, os brasileiros são os que mais navegam por blogs. Mas, veja só, outra pesquisa, da Boo-Box, pontua que 96% da preferência vem de apenas três categorias: entretenimento (68%); tecnologia (17%) e esportes (11%).

O NR é de "variedades" e não trata em seu conteúdo das categorias em questão. Portanto, somos parte do universo dos 4% restantes. Acho ótimo, confesso. Me agrada tratar de temas que fogem do senso comum. Ou, como diriam alguns, nadar contra a corrente.

NR é e continuará a ser mídia livre.

É e continuará a ser colaborativo e coletivo.

Vamos em frente! Com vocês.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

As lições de um velho caturra

A entrevista de Antonio Candido no Brasil de Fato (de 30 de junho a 6 de julho) para Joana Tavares é uma aula, como só um bom professor consegue dar. Ele está com 93 anos e goza de uma lucidez e simplicidade ímpar ao tratar dos temas sobre os quais foi perguntado.

Socialismo. “O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno”. Ou. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue.”

Literatura. “O Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. Se dizem: ‘a tradução matou a obra’, então a obra era boa, mas não era grande”

Informação. “Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para poder divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.”

Geração. “Cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.” E o dever da atual geração? “Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado”.

Candido diz estar afastado de todas as novidades a cerca de 30 anos. “Parei no telefone e máquina de escrever”. Se define, singelamente, como um velho caturra. Entrevista para  ler, guardar e reler sempre que possível.

domingo, 3 de julho de 2011

A virada

Tomarei a última garrafa de whisky às cinco em ponto.

Seis horas depois estarei na contramão da rodovia norte-sul.

Lá alcançarei a máxima velocidade possível do porsche roubado uma hora antes.

Rodarei com uma dose cavalar de adrenalina por 5 km na faixa exclusiva dos caminhões.

Você pode imaginar a sensação da adrenalina misturada ao álcool? e a velocidade?

O vento entrará pela janela e seu barulho me libertará. Falta pouco.

As luzes crescem e com elas as buzinas e freios fazem coro a minha orquestra particular.

A 150 metros do fim o coração se iguala ao velocímetro.

Marca 200. E bate.

Assim, sem adjetivos e explicações formais, morrerei a meia noite do dia 31 de dezembro de 2018.

Será o dia da virada.

Fredo Sidarta, poeta, para a seção Cronetas do NR.
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