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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

É fato: somos parte da República Unida da Soja


Brasil, Argentina e Paraguai: 130 milhões de tonelada
Um estudo divulgado pela ONG Repórter Brasil em parceria com a Base Investigaciones Sociales confirma: a República Unida da Soja está consolidada. “Os impactos socioambientais da soja no Paraguai – 2010” é um daqueles materiais para serem guardados com carinho.
Este ano, Brasil, Argentina e Paraguai devem colher, juntos, 130 milhões de toneladas de soja, pouco mais da metade do total mundial. Como lembra a Repórter Brasil, há algumas explicações para a rápida expansão experimentada nestes lugares: clima, desenvolvimento de variedades locais e presença de cultura agropecuária.
Há um fator, no entanto, que está acima, bem acima dos demais. E aqui não é o estudo que diz, mas me permito a liberdade de dizer. As grandes empresas de biotecnologia, em um rasgo de sinceridade de um de seus altos executivos, confessaram a real intenção que têm para a região formada por Argentina, Paraguai, Brasil e Bolívia: um cinturão apelidado carinhosamente de República Unida da Soja.
É sempre bom relembrar como a soja transgênica entrou nestes locais. Depois de conseguir ingresso na Argentina, as empresas conseguiram, por meio de promessas a produtores, inserir as sementes geneticamente modificadas no Brasil – veja bem, foram contrabandeadas.
O governo Lula, ao constatar a situação, em vez de dar um basta por ali resolveu editar Medida Provisória para assegurar a acolhida da soja transgênica, num episódio que por pouco não antecipou em muito a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. Depois disso, as sementes foram viajando ao Paraguai, país no qual, obviamente, contou com todas as benesses. E eis que se formou nossa republiqueta sojicultora. Segundo dados de 2006 do IBGE, naquele momento a soja transgênica já respondia por 46% da produção nacional do grão – não por coincidência, o Brasil é atualmente o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.
Há algumas perguntas, mas as respostas ficam para outro dia. Quanto a produção de soja, aliada à cana-de-açúcar do etanol, prejudica a produção de alimentos? Quanto aumenta a concentração de terras? Quanto diminui em termos de soberania alimentar da região? Há uma série de variáveis que ora, por falta de tempo, ficam pra depois.

No Paraguai
Ainda no Paraguai, a oposição arrumou uma nova desculpa para derrubar Fernando Lugo. Agora, dizem que o presidente, atualmente em tratamento por um câncer linfático, não tem condições de seguir. Antes, o argumento era de que o governo tinha desempenho fraco. É interessante levar em conta a relação histórica entre os produtores rurais, principalmente os brasileiros, e a oposição paraguaia – que foi situação durante quase um século inteiro.

Mimo a Colômbia

Os Estados Unidos liberaram a última parcela anual do Plano Colômbia. O Departamento de Estado de Hillary Clinton achou que o país sul-americano cumpriu direitinho as recomendações e avançou na política de direitos humanos. Agora, o governo de Manuel Santos terá direito a mais US$ 30 milhões. O México, que seguiu a mesma receita proposta pelos Estados Unidos nas últimas N décadas, estuda agora assinar seu próprio Plano Colômbia em meio a uma enorme onda de violência. Que beleza: país soberano é outra coisa.

Marina soltinha
Lamentável a afirmação de Marina Silva sobre o Irã. Não se sabe se terá se sentido impulsionada por Carlos Nascimento, que havia chamado o MST de tudo quanto é nome, mas o fato é que se soltou na bancada do Jornal do SBT. Insultou parte de seu próprio passado ao afirmar que o Irã quer produzir a bomba atômica. Como, na visão da candidata, o país asiático não tem democracia, ela não se relacionaria com Mahmoud Ahmadinejad. Com quais outros teria de cortar os laços? Guantánamo é motivo suficiente neste caso?

João Peres é jornalista e colunista do NR

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A lei de Gérson pode decidir a eleição na Colômbia domingo

Nos anos 70, uma campanha de cigarro que tinha o ex-jogador Gérson como personagem talhou um termo que passou a fazer parte da cultura do nosso país. Com um sotaque de carioca marcado, o campeão mundial dizia que gostava de “levar vantagem em tudo” e por isso fumava o tal cigarro. Nascia a Lei de Gérson. Malandragem, corrupção, troca de favores, “jeitinho brasileiro”, tudo isso estava englobado na infeliz frase dita pelo meia, que depois, com a repercussão negativa do gesto, se disse arrependido de ter participado da publicidade. Tarde demais. Sua imagem já estava associada ao do “esperto” que não media esforços para se dar bem – e boa parte dos brasileiros se identificaram com sua postura.



O fenômeno da malandragem, tão discutido no Brasil, também é tema nacional na Colômbia, que neste domingo, dia 30, vai às urnas para eleger seu presidente. Um dos candidatos, o filósofo Antanas Mockus, do Partido Verde, tem como uma de suas principais plataformas o fim dessa cultura de se dar bem a qualquer preço.
Já escutei, mais de uma vez, amigos colombianos reclamando de que o grande problema do país era o descumprimento das leis, como subornar o guarda, não pagar impostos, encontrar meios de cancelar uma multa de trânsito. Se não fosse o fato de falarem em espanhol, acharia que conversava com brasileiros.
Mockus foi prefeito de Bogotá e conseguiu uma grande mudança na cidade. Grande parte de seu sucesso foi ter conseguido fazer com que as leis fossem respeitadas, não por medo de punição, mas por que assim se constrói uma cidade habitável. Conseguiu colocar isso na cabeça de uns quantos bogotanos.
Segundo as últimas pesquisas, o político do PV aparece empatado nas pesquisas com Juan Manuel Santos, Ministro da Defesa e candidato do atual presidente Uribe. Deve haver segundo turno, onde as pesquisas indicam vitória de Mockus por pequena margem.
Aproveitando o grande apoio de artistas, os mentores da campanha de Mockus apostaram em vídeos com depoimentos de personalidades falando da importância do fim do “jeitinho colombiano”. “Não podemos seguir aceitando, com cinismo, que na Colômbia todo mundo rouba”, diz uma das atrizes convidadas. “Recursos públicos. Recursos sagrados”, completa a outra.





Analistas políticos colombianos apontam que nas áreas econômica e até no trato com as guerrilhas colombianas (grande preocupação nacional) não haverá grandes diferenças se quem vencer for o candidato da oposição ou o da situação. O fato novo poderia se dar em um campo bem mais micro, na da cultura individual. A vitória de Mockus, se vingar, poderá revogar uma lei que os colombianos nem sabem que existe no país, a Lei de Gérson.

Ricardo Viel é jornalista e colunista do Nota de Rodapé

segunda-feira, 3 de maio de 2010

360º graus: como vive, pensa e o que sente um soldado colombiano

O projeto Reportagem 360º do El País da Colômbia está com novo site e nova reportagem. Em janeiro deste ano publicamos no NR uma entrevista com Felipe Lloreda, diretor de novos meios e um dos responsáveis pelo projeto (relembre aqui). A reportagem atual é a quarta do projeto e trata dos soldados colombianos. “Como vive um soldado colombiano? O que pensa? O que sente?”. A equipe passou mais de 72 duas horas com os camuflados do Batalhão da Alta Montanha. Saiba mais: www.reportage360.com

domingo, 11 de abril de 2010

De Super Homem e mostrando a bunda em público Mockus pode mudar a Colômbia

A história recente de Bogotá e da incrível mudança por que passou a capital colombiana se deve, em boa parte, a um ato impensado de Antanas Mockus, um filósofo e matemático que foi reitor da Universidade Nacional de Bogotá de 1990 a 1993. Acossado durante meses por estudantes partidários às Farcs, Mockus respondeu com a bunda (mostrando ela) as vaias que recebia durante um ato no auditório da universidade. Foi forçado a renunciar, mas começou a ganhar a simpatia da população, farta do mais do mesmo.
A popularidade levou o acadêmico a concorrer às eleições para prefeito. Suas estratégias pouco ortodoxas (como vestir-se de Super Homem, por exemplo), somado ao descrédito dos bogotanos nos políticos tradicionais, colocaram, pela primeira vez na história, um político independente na comando da cidade. Não é exagero dizer que Mockus mudou Bogotá, e fez isso a partir da micro revolução. Em três anos Bogotá deixou de ser uma cidade extremamente violenta e mergulhada na corrupção, para ser um lugar bom de morar. O ex-reitor pregou a mudança do cidadão, do convívio, do amor à cidade, do respeito à lei, e fez isso com bom humor (e até certa inocência); se cercou de acadêmicos sem experiência política e apostou na intuição para governar. Colocou mímicos para ensinar as pessoas a respeitar o trânsito, investiu no transporte público, em parques (em dez anos a cidade ganhou 1.100 áreas públicas) e em bibliotecas.
Impedido de se reeleger, Mockus saiu de cena (o candidato que venceu seguiu seus passos) e voltou em 2001. Em 2002 usou um colete à prova de balas com um buraco em forma de coração, para protestar contra a ameaça das Farcs de matar quem não renunciasse.
Agora Mockus é candidato, pelo Partido Verde, à presidência. Largou em quarto nas pesquisas e hoje já é o primeiro – o pleito acontece no final de maio. É a alternativa ao continuísmo de Uribe (que não pode se candidatar, mas continuará mandando se Juan Manuel Santos chegar ao poder).
O atual presidente da Colômbia tem no combate às guerrilhas sua principal plataforma e usa o discurso criado por Bush (“guerra ao terror”) para justificar o atropelo aos direitos humanos.
Nas redes sociais a campanha pelo ex-reitor para presidência é forte. Uma delas diz: "Eu mostraria a bunda por Mockus".
Para quem se interessa pelo assunto recomendo o excelente documentário “Bogotá cambió” (Bogotá mudou), uma produção europeia que conta sobre Mockus e a mudança que o hoje candidato promoveu na capital (está meio em espanhol e meio em inglês, com legenda). Sugestão de Álvaro Cuellar, um grande amigo da Colômbia que está eufórico com a possibilidade Mockus ser o novo presidente.
Na sexta-feira passada, dia 9, se tornou público que Mockus sofre de Parkinson. É cedo para dizer o quanto isso pode atrapalhar sua chegada ao poder.

Ricardo Viel é jornalista

terça-feira, 6 de abril de 2010

Que tal escutar Carlos Vives numa praia do Caribe e dançar com a miss colombiana?

Como preservar a história em um lugar onde praticamente ninguém sabe ler e escrever? No século 19, na região do Caribe colombiano, os vaqueiros encontraram na música uma maneira de manter viva suas memórias.
Acordeón, caja (instrumento de percussão) e guacharaca (um espécie de chocalho) foram os instrumentos usados para a criação do vallenato, um ritmo folclórico que serviu para animar os bailes e contar as novidades (os músicos iam de cidade em cidade reportando os fatos importantes e informando a população).
O vallenato ficou restrito à parte da costa da Colômbia até os anos 90, quando chegou com força à capital e outras cidade mais centrais (como Medellín) graças, sobretudo, a uma novela que resgatou a história de Rafael Escalona, um dos grandes do vallenato. Quem interpretou o papel do músico foi Carlos Vives, até então um apagado artista que dividia a carreira entre a música e a dramaturgia.
Gota Fria, primeiro sucesso de Vives (música de Escalona, cantada por ele na trilha sonora da novela):



A novela fez um sucesso estrondoso, o vallenato se popularizou, e o cabeludo com pinta de cantor de rock começou a fazer sucesso. Vives deu uma cara mais moderna ao ritmo, fundindo com outros sons, e carregou as músicas de temas amorosos.

Como tu



Se as notícias fossem como tu
Se as cidades fossem como tu
Se as ruas fossem como tu
Se meu chefe fosse como tu
Se minha vida fosse como tu
Não haveria problemas, todos como tu
La tierra del olvido



Você tem a chave do meu coração, eu te quero
Mais que a minha vida porque sem teu amor eu morro
Mas também resgatou canções antigas gravando clássicos populares (com músicos do vallenato tradicional) e cantou temas exaltando a cultura colombiana.

El amor de mi tierra



Vives é de Santa Marta (linda praia do Caribe colombiano), um dos berços do vallenato, mas saiu de lá aos 14 anos, quando a família foi tentar a vida em Bogotá. Na capital começou a vida cantando rock e pop, mas foi com a mistura de ritmos com o vallenato que se tornou conhecido.
Hoje, o músico divide seu tempo entre a terra natal, Bogotá e os Estados Unidos. Encontrá-lo em Santa Marta não é tão difícil, Vives tem um restaurante ou uma pousada na praia. Com um pouco mais de sorte, ele pode tocar pra você escutar e então, quem sabe, você tira a esposa dele, uma ex-miss Colômbia, para bailar um vallenato com o pôr do sol do Caribe ao fundo.

Dejame entrar em tu mirada




A esposa dele é Claudia Elena Vásquez, essa loira que aparece no começo do clip (eles se conheceram durante a rodagem). Mais em www.carlosvives.com

Ricardo Viel é jornalista e mantém a coluna Conexsom Latina neste Nota de Rodapé

segunda-feira, 29 de março de 2010

A verdadeira origem do “Armeration” vem de nome de um peixe caribenho

Longe de ser um craque, o lateral-esquerdo Pablo Armero, de 24 anos, caiu nas graças da torcida do Palmeiras e ficou conhecido pelos amantes do futebol no Brasil por conta da comemoração de um gol (que nem por ele foi marcado) há algumas semanas. A fama repentina do colombiano surgiu na partida entre o Palmeiras e o Santos, jogo cheio de gols (4 a 3 para os palmeirenses) e passos.
Os santistas abriram dois gols de vantagem e comemoram seus feitos com danças coreografadas (e previamente ensaiadas). Irritados, os jogadores do time de Palestra Itália, responderam à brincadeira dos rivais com gols e danças, essas sim espontâneas e sem prévia combinação. E foi numa dessas comemorações que Armero, com seu talento, roubou a cena.



A celebração efusiva do lateral palmeirense tomou conta do noticiário (não só o esportivo) e de pronto surgiram várias teorias sobre a origem da coreografia feita pelo jogador.

A referência à singela canção Rebolation, do candidatíssimo ao Grammy latino Parangolé, foi a mais citada, e os vídeos de Armero bailando ao som de “bote a mão na cabeça que vai começar o Rebolation” se reproduziram como gremlins. Surgia o Armeration.



Os saudosos da legítima música popular brasileira foram buscar no século passado outra referência. A poesia do É o Tchan, com a inesquecível canção Segura o Tchan, foi citada como fonte de inspiração de Armero.



Os antenados na indústria norte-americana de entretenimento pediram espaço e compararam a dança de Armero ao gingado de Beyoncé (que não viu Puerto Candelaria), com a necessária observação de que o colombiano requebra melhor do que a estrela pop.



O que pouca gente sabe é que Pablo Armero recorreu a seus antepassados para encantar a torcida palmeirense. A coreografia do colombiano é inspirada no Mapalé (nome também de um peixe), uma dança criada pelos escravos. A história remete aos negros trazidos à região do Caribe colombiano. No final do dia, homens e mulheres se reuniam na praia para limpar os peixes e dançar ao som de seus tambores para espantar o banzo. A coreografia, repleta de saltos, quedas, rebolados e mexidas de ombros, serve como demonstração de força e virilidade (no caso do homem) e sensualidade/fertilidade para as mulheres.



Armero não é propriamente de San Basílio de Palenque, região onde o Mapalé surgiu, mas é muito provável que um ramo da sua família tem passado por aquelas terras. A região de Pelenque foi a primeira zona de resistência dos africanos contra a escravidão na América do Sul (não apenas na Colômbia). Fugidos de seus senhores, os negros se reuniam em áreas livres, chamada de palenques, e se organizavam em sociedades regidas por regras próprias. Parangolé, É o Tchan e Beyoncé que me desculpem, mas Pablo Armero trazia no sangue, há séculos, a coreografia exibida na Vila Belmiro naquele domingo.
Bônus para quem sobreviveu até aqui: Teria Armero se inspirado em Kiko, do Chaves? Você achou original a comemoração de Armero? Então olha isso:



Ricardo Viel é jornalista e colunista do Nota de Rodapé

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Beyoncé não viu Puerto Candelaria

A resposta da encantadora Carolina, amiga colombiana, foi animadora. "Claro que conheço o Puerto Candelaria. São da minha cidade, Medellin, e a música deles é maravilhosa. Alegre, festiva, com uma energia única. E ao vivo é algo inexplicável, muita vida e vibração".
Me animei e convenci o Thiago Domenici, chefe deste quilombo, a desistir do show da Beyoncé que rolou no estádio do Morumbi com produção de mais de duzentas pessoas. Estávamos, no entanto, há 25 minutos do estádio, no deslumbrante Auditório do Ibirapuera, arte de Niemeyer.
"Sabia que existe um absurdo país chamado Colômbia?" Com essa pergunta provocativa Puerto Candelaria começa seu show. E durante pouco mais de uma hora o sexteto apresenta uma mistura de música latina (salsa, cumbia etc) com jazz. Com sacadas engraçadas, os caras conseguiram driblar a dificuldade do público de entender as letras e fazer a galera interagir. Ótimos músicos, seguraram bem os momentos instrumentais e mais calminhos do concerto. Carolina tinha razão, música viva e vibrante.
Findo o espetáculo, me aproximo dos caras, que vendiam o CD do grupo por ali mesmo.
Converso com Cristian Rios, trombonista da banda. Ele me conta que o grupo existe há dez anos, mas que em 2005 houve uma mudança forte de rumo. Até então, Juancho Valencia, o tecladista e fundador, comandava um som mais “sério”, palavras de Rios. Era uma mescla de jazz com sons regionais da Colômbia, mas menos dançante. Com a entrada da percussão e do sopro, o som ganhou alegria. Aos poucos, eles acrescentaram isso na performance – as brincadeiras com o público são frequentes.
Cristian Rios conta que Puerto Candelaria adora o Brasil e foi por aqui, em 2006, que eles fizeram o primeiro show fora da Colômbia. Foi em Salvador. Depois disso, voltaram mais três vezes. “Sabe que as pessoas daqui se animam mais nos shows do que os colombianos”, comenta. Palpito que pode ser que o fato de fazer um som tão diferente do que se escuta aqui possa explicar a recepção calorosa e pergunto: como vocês classificam o som? “A gente costuma dizer que é uma Cumbia Underground” e sorri.
Fiquei com vontade de vê-los de novo em um lugar menor e onde se possa dançar – no Auditório Ibirapuera o público assiste o show sentado. Quem sabe em Medellin, onde eu possa tirar a Carolina e não o Thiago.
Então fica a dica. Hoje, domingão, os caras fazem o último concerto em São Paulo nessa quarta passagem – ainda tocam no Recife, no Rec Beat, no sábado. Faça como o Thiago, dê de presente pro porteiro do prédio seu ingresso da Beyoncé e vá mexer o popô ao som de Puerto Candelaria.



Ricardo Viel é jornalista e mantém a Coluna Conexsom Latina neste Nota de Rodapé

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

El reportaje 360 y las diferentes caras de un tema

Felipe Lloreda es un joven periodistas colombiano. Atendió amablemente la solucitud de entrevista de Nota de Rodapé con el mensaje “Con mucho gusto”. Director de Nuevos Medios de El País, de Colómbia, en esta charla exclusiva el tema es el Reportaje 360º.¿Reportaje qué? Una explicación: “Es el reportaje en donde graficamente se puede visualizar las diferentes caras de un tema”, cuenta Lloreda. Creado en 2009, el proyecto cumplió su primer año en enero. Los trés reportajes disponibles hasta ahora – la primera, Cali, la ciudad que no duerme, la segunda sobre La hoja sagrada, y la tercera sobre Cali, una industria salsera, son impresionantes. Difícil imaginar cómo será el futuro del periodismo con tantas novedades. La que hacen, merece ser subrayada por la calidad de los audios, videos y texto, y la creatividad y buen gusto. Es la tecnologia en favor del periodismo. O sea, hay que verlo, jugar y descobrir lo que en la mayoria de los paises todavia no se descubrió. Nota de Rodapé presenta esa novedad de los vecinos colombianos. Por Ricardo Viel, Rodrigo Menitto y Thiago Domenici.

NR - Conceptualmente y prácticamente lo que son los reportajes 360 y cómo surgió en su cotidiano. ¿En qué categoría de información podríamos encuadrar lo que ustedes hacen? ¿Periodismo interactivo? ¿Multimedia? ¿O reportaje 360º es una nueva categoría?
Es una forma nueva de informar, desde todos los ángulos. Surge de la necesidad de impactar y de ajustarnos a los usuarios de hoy, quienes estan navegando en sitios donde obtienen una experiencia virtual. Es periodismo interactivo. Es multimedia. Es de todo un poco. Es también una apuesta para lograr mayores visitas al diario tradicional online. La categoria: innovacion periodistica, aprovechando todas las herramientas que existen en la web. Por eso se llama 360. porque graficamente es poder visualizar las diferentes caras de un tema...(360)

NR - ¿Desde cuándo existe el reportaje 360º? ¿Cómo empezó, se basaron en algún proyecto? ¿Hay otros proyectos como él de ustedes en el mundo que conozcan? ¿O dónde se inspiraron para hacerlo?
Nace como proyecto en enero del 2009, a raiz de la necesidad de innovar y tiene como modelo a reporte indigo, un website, estilo revista-virtual espectacular de mexico, que se enfoca en investigar o denunciar tematicas coyunturales primordialmente y presentarlas en formatos digitales innovadores. En el mundo existen los especiales que desarolla el Clarín de Argentina, HBO, Olé, Mediastorm y New York Times...

NR - El concepto de reportaje periodística tradicional presupone volumen de informaciones, profundidad en el tema, apuración, de preferencia, en el local, muchas entrevistas, en algunos casos la vivencia al hacerlo y fotografías relevantes. ¿Como director de Nuevos Medios, como define el tipo de reportaje propuesto por ustedes? ¿En lo qué se diferencia del reportaje periodístico tradicional, además de la utilización e interacción de otros soportes?
El tipo de reportaje es documental aprovechando las herramientas web posibles, donde la forma se convierte en protagonista y el fondo es secundario. Mejordicho, cuando pensamos en la produccion de un contenido, lo planeamos primero desde el punto de vista visual o no necesariamente periodistico....Hay que imaginarse todo. Es hacer documentales con interaccion y participacion.

NR - La calidad estética es especialmente llamativa en el trabajo. Usan muchos efectos sonoros, muchos videos, audios, fotografías. El texto, en el trabajo de reportaje 360º, no le toca un eje central, pero hace parte del conjunto de la obra. ¿Eso es así? ¿Ese tipo de producción es el futuro del periodismo?
Para nosotros es una forma de hacer periodismo interactivo y moderno. No sé si sea el futuro, pero esta enganchando usuários, innovando, impactando y generando muchas opiniones positivas.

NR -
Pensando a largo plazo, ¿a dónde quieren llegar con este trabajo? Porque hacerlo cotidiano y popular depende, sobretodo, de una mayor accesibilidad a Internet en lo que respecta la inclusión digital. ¿Qué piensan al respecto?
Queremos llegar a hacer un reportaje quincenal ya que convertirlo muy cotidiano pierde su especialidad. Además los navegantes se demoran en consumirlo. Lo hacen por espacios, dias , semanas y en el caso de colombia la accesibilidad web ya es la mitad de la poblacion y crece en medidas desmesuradas. Entonces cada dia que pasa, mas gente va a poder ver nuestro especial.

NR -Supongo que el equipo que utilizan no sea algo muy caro que impida que la gran mayoría de los periódicos de América del Sur los tenga. ¿Por qué entonces no existen más proyectos como éstos? ¿Hay resistencia por parte de los periodistas en hacer reportajes como éstas? ¿Y por parte del público en entender este lenguaje?
Los periodistas, ingenieros y disenadores de este proyecto son independientes del impreso. Es un equipo aparte, pero que gradualmente haran empatia. El diario impreso donde la cultura de trabajo, la misma experiencia y lo tradicional fue algun obstaculo que nos freno en algun momento....(estabamos locos!!). Sin embargo todo es un proceso. Ya la redaccion del diario esta mucho mas involucrada a nuestro proyecto y tenemos una plan de integracion con ellos para hacer trabajos en conjunto y aprovechar sinergias......Al público le encanta esto....!!

NR -¿Cuál es la respuestas que ustedes recibieron del público, de otros periodistas y de los anunciantes de estos reportajes? ¿Financieramente ya es para ustedes rentable? ¿Es muy costoso hacer un reportaje de este modo?
Incremento en visitas, usuarios y felicitaciones de los periodistas web de otros medios.Financieramente no es rentable todavia. Apenas empezamos a presupuestar publicidad para el 2010. aunque nunca nació para ser un producto comercial.

NR -¿Cuánto tiempo tardan en hacer un reportaje así, desde la idea hasta su publicación? ¿Cuánta gente está involucrada en ello (trabajan solo con los 360º o también en el periódico impreso u online)?
Tardamos 1 més en hacer todo: pre-producción, producción, edición y test. Sin embargo tenemos un plan de contenidos creativos que no son coyunturales, que vamos trabajando cada uno independientemente. Contamos con un grupo de 1 ingeniero, 3 disenadores web, 3 periodistas, 1 fotografo, 1 editor de multimedia y yo, el director del area. Este grupo trabajaba exclusivamente en el 360. Pero en el 2010 tendremos a todo el grupo de nuevos medios de El País S.A generando reportajes. Somos 19.

NR - ¿Qué es necesario para hacer estos reportajes? ¿Es necesario que los reporteros sufran un grande cambio para comunicarse a través de este lenguaje? ¿Qué es necesario para este reportero para trabajar en este formato?
Son reporteros web, que piensan diferente en otro formato. No llevan grabadoras sino camaras digitales y video camaras, y son guiados todos por el editor multimedia quien conceptualiza casi todo el sitio con sus disenadores. Los periodistas tradicionales normalmente no trabajan en este tipo de informes. Sin embargo en el proceso de integracion estamos entrenando vários. Hoy tenemos 2 periodistas que vienen del impreso.

NR - Las computadoras con capacidad de procesar videos están cada vez más accesibles. ¿Este tipo de lenguaje se tornará cada vez más común?
La mayoria es Flash.....y es muy accesible.

NR - ¿Qué número de visitas tienen y cómo navega el público dentro de la página?
El público lo experimenta navegando. No hay un orden..es de acuerdo a cada navegante y su forma de pensar. Las visitas van entre 250,000 usuários hasta 500,000 dependiendo de la temática.

NR - ¿Ya pensaron en hacer versiones traducidas o con subtítulos de sus trabajos para ganar nuevos públicos? Por ejemplo, en inglés, portugués, entre otros. ¿O incluso esparcir el concepto para otros países?
No. pero me acabas de dar una muy buena idea. Mil gracias!!!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Como o Aterciopelados ajudou Bogotá a enfrentar o terror

Uma Colômbia mergulhada no caos e vítima da violência que aterrorizou (e ainda assusta) o país. Foi nesse ambiente de incerteza e desesperança que surgiu os Aterciopelados, um grupo de rock nascido em Bogotá nos anos 90. Tudo começou quando Andrea Echeverri, uma estudante de Belas Artes, conheceu Héctor Buitrago, baixista de uma banda punk. Desse encontro nasceu um namoro e uma banda. O namoro se transformou em casamento e a banda num dos grupos musicais mais importantes da história da Colômbia.
Aterciopelados (Aveludados, em espanhol) já vai pelo décimo álbum, com direito a parada para Andrea virar mãe e lançar um disco solo. A um som leve e livre, como a filosofia pregada pela hippie cantora, se somam letras críticas ao estilo de vida consumista (imagem no lugar do conteúdo), contra o machismo e que exalta a natureza. Tudo bem cuidado, honesto e original.
Em El Estuche (o estojo), o grupo flerta com sons regionais colombianos e fala da aparência e do conteúdo. Ou esse.
Não é um mandamento ser a diva do momento
Para que trabalhar por um corpo escultural

Por acaso você quer sentir em você todos os olhos

E desencadear assobios ao passar

Olha a essência, não as aparências

O corpo é só um estojo, e os olhos a janela

Da nossa alma aprisionada
Em Don Dinero, o assunto é o consumo


Ou:


Don Dinero
Dom Dinheiro, como te quero
Se queres ser rainha, te compro um castelo

Se estas enrolada, te compro um pente

Se queres casar, te compro um anel
Compro uma chave de fenda, se te falta um parafuso Dom Dinheiro, você é mero mero
Vou comprar se estou deprimida

Se estou muito gorda, programo uma cirurgia
[...]
Se não tenho dinheiro, roubarei um beijo

Com o carinho verdadeiro
O trabalho solo de Andrea, que é de 2006, segue o mesmo estilo de música, mas traz ainda mais latente o tema do amor. Mãe havia pouco tempo, a cantora colocou nas letras o carinho e a descoberta da nova experiência. Na música A Eme O, a filha recebe uma bonita homenagem.

A Eme O
Desde que você nasceu sou melhor amante
Como se você tivesse destapados meus dutos

Me cresceram os seios, o ventre e as cadeiras

Meu corpo expandido encontrou seu motivo

Você circulou por mim, fez o caminho divino

Abriu um túnel, destapou meu destino

Você me deu o sopro da criação
É energia, luz do sol

Você me soletrou a palavra AMOR
A eme o erre ce i te o [amorzinho]
Contam amigos de Bogotá que nos anos 90, em meio a atentados, bombas e muita violência, os moradores da cidade se negavam a ficar em casa. Não aceitavam o toque de recolher extraoficial que vigorava na capital. Mesmo com medo, saiam a noite, iam a bares, discotecas e shows. Aterciopelados transmitiu esperança e amor aos jovens naqueles duros anos.

Ricardo Viel é jornalista e colunista do Nota de Rodapé
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