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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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terça-feira, 1 de julho de 2014

A ideologia do fracasso

por Celso Vicenzi

Manchete da Folha de São Paulo de domingo, dia 29 de junho, após a vitória brasileira nos pênaltis contra o Chile: “Júlio César e trave salvam Brasil de vexame em casa”.

Há muito tempo – mas cada vez mais – os maiores veículos de comunicação do país têm feito escolhas editoriais que procuram menosprezar os avanços sociais e criar um sentimento de derrota, em todas as áreas. Tentaram de tudo para transformar a Copa do Mundo num pesadelo nacional e não pouparam más notícias. Algumas catastróficas (caos aéreo, imobilidade urbana, violência etc).

A Copa não foi um primor de organização, mas está longe de comprometer o espetáculo. Pelo contrário: os estádios estão cheios, os turistas e torcedores – exceções à parte – só têm elogios para o clima de alegria e fraternidade. Os imprevistos são aqueles comuns a qualquer grande evento em qualquer lugar do mundo. Os gastos com estádios, que pareciam fora da realidade, revelaram-se bem menos exorbitantes do que a imprensa tentou incutir entre os brasileiros. Segundo a própria Folha, o equivalente a uma semana do que se investe em educação no país. E parte do dinheiro investido é empréstimo e retornará aos cofres públicos. Quase nenhuma reportagem abordou as vantagens de sediar a Copa, os empregos gerados, os investimentos realizados na infraestrutura, que irão permanecer. E mais do que tudo: quanto vale uma imagem positiva do país, como esta que parece que os turistas e as seleções que aqui estiveram estão levando a seus países? Quanto vale ser o centro da atenção do mundo por 30 dias? Quanto vale mexer com a autoestima de um país? E, aqui, não me refiro ao desempenho da seleção, mas à alegria de receber elogios à nossa hospitalidade, às belezas do país, às virtudes de nosso povo.

Vale muito. E é por isso que a Folha – aqui apenas como exemplo, pois representa o pensamento de boa parte da nossa mídia – exagera e tenta criar na população brasileira, em contraponto à autoestima que vive neste momento, um clima de menosprezo ao seu país. Perder um jogo, ainda mais em Copa do Mundo, desde que não seja por um placar elástico, nunca foi nem nunca será um vexame. Temos a mania de achar que, sobretudo no futebol, qualquer adversário é fácil de ser batido. Mais do que isso: não basta vencer, é preciso dar show, é preciso dar olé. Nas derrotas, dificilmente o brasileiro reconhece as qualidades do time adversário, preferindo encontrar culpados: o treinador, o goleiro, um ou mais jogadores. Nesta Copa, o último campeão – a Espanha – não passou da primeira fase e foi fragorosamente derrotado por 5 a 1 na estreia. Depois de vencer a Copa de 1998, no mundial seguinte, a França também não passou da primeira fase, perdendo dois jogos e empatando um. Saiu do mundial sem ter feito um único gol. Imaginem se fosse o Brasil!

A seleção brasileira não tem a obrigação de vencer a Copa porque joga em casa. É apenas um dos favoritos. Das 19 Copas já realizadas, em apenas seis o campeão foi o país sede: Uruguai em 1930, Itália em 1934, Inglaterra em 1966, Alemanha Ocidental em 1974, Argentina em 1978 e França em 1998. Ou seja, ganhar em casa é exceção. A disseminação do espírito “vira-lata”, como bem o definiu o escritor Nelson Rodrigues, do país que nunca faz nada certo, o exagerado endeusamento de outros países, resquícios de uma nação que foi colonizada, tudo isso ganha amplitude em boa parte da mídia brasileira. A crítica é fundamental, mas a manipulação de fatos com interesses políticos e econômicos torna-se evidente, em milhares de exemplos no cotidiano de boa parte de nossas emissoras de rádio e TV, revistas e jornais – agora também em portais mantidos pelos principais veículos de comunicação.

Temos grandes problemas a resolver no país, entre eles a necessidade de democratizar os meios de comunicação – o que tendenciosamente a mídia traduz por censura, omitindo que vários países democráticos impedem tamanha concentração da propriedade dos meios de comunicação e impõem regras que levam em consideração muito mais o interesse da população do que o dos donos desses veículos.

A ideologia do fracasso, do “vira-latismo” – já quase uma ciência! – gera na população a falsa ideia de que tudo de pior que acontece no mundo ocorre com mais intensidade no Brasil. No entanto, não somos o país mais corrupto, embora sejamos um dos mais desiguais. Segundo a ONG Transparência Internacional, o Brasil ocupa a 72ª posição entre 177 países. Apesar de ser a sétima economia do planeta, é o 12º com maior desigualdade – o quarto na América Latina. E quando se instituem programas como o Bolsa Família, elogiado pela ONU como exemplo no combate à miséria, a desinformação e a omissão da mídia levam boa parte da população a considerá-lo apenas um programa eleitoreiro ou um gasto desnecessário e sem resultado.

Embora não se diga, setores poderosos da economia e da política brasileira, da nossa elite, têm muito a ganhar com a corrupção. A honestidade tem um custo que nem todos estão dispostos a pagar. Gostamos de alardear a meritocracia num país que se notabiliza pelo apadrinhamento das relações, já amplamente estudado por vários sociólogos e intelectuais.

Por vias tortas, o Brasil vive um momento peculiar da sua história, marcada até aqui principalmente por um passado colonialista, escravocrata e ditatorial. Vivemos o mais longo período democrático e estamos aprendendo a enxergar o que de fato impede a criação de um país mais justo e com melhor qualidade de vida. Durante séculos, tentaram culpar o povo – miscigenado, analfabeto, ignorante, malandro – pelo “atraso”. Hoje, está mais claro que nos falta uma elite disposta a empoderar o povo, libertá-lo da opressão e da exclusão em que vive, derrubar privilégios entre os mais ricos e dividir a riqueza para que alcancemos o desejado patamar de um país com mais justiça social, melhores serviços públicos, mais qualidade de vida e menos violência (sem esquecer que a desigualdade social é a maior de todas as violências). Contra a ideologia do fracasso, das frases feitas do tipo “aqui nada dá certo”, “o Brasil é assim mesmo”, “o governo não faz nada”, “o brasileiro não trabalha”, “o povo não sabe votar” e outros chavões, há que se disseminar um sentimento de construção, de valorização do que temos de melhor, de crítica ao que precisamos mudar, mas, sobretudo, de responsabilidade pelo país que somos.

Sem ufanismo, mas também sem catastrofismo. Para isso, ajuda muito um bom jornalismo.

* * * * * *

Celso Vicenzi, jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, com atuação em rádio, TV, jornal, revista e assessoria de imprensa. Prêmio Esso de Ciência e Tecnologia. Autor de “Gol é Orgasmo”, com ilustrações de Paulo Caruso, editora Unisul. Escreve humor no tuíter @celso_vicenzi. “Tantos anos como autodidata me transformaram nisso que hoje sou: um autoignorante!”. Mantém no NR a coluna Letras e Caracteres.

sábado, 27 de julho de 2013

Um papo com Dominguinhos



por Marcos Grinspum Ferraz*

Quando Dominguinhos completou 69 anos, no início de 2010, comemorou a data com um show no Canto da Ema, tradicional reduto do forró em São Paulo. Eu estava no meu primeiro mês de trabalho na Ilustrada (Folha de S.Paulo) – ainda um pouco tenso de entrevistar pessoas como o mestre da Sanfona e escrever para um público tão grande – e alguns dias antes propus para a editora uma matéria sobre o show. Ela não deu muita bola, mas falou para eu tocar a pauta, porque tentaríamos publicar algo.

Arranjei o contato do sanfoneiro e liguei para fazer a entrevista. Ele atendeu, e o nervosismo logo passou, dada sua voz calma e sua simpatia. O papo foi rápido, mas acabamos conversando não só sobre o show, mas também sobre Carnaval, política e os “50” anos de carreira. A matéria entrou na edição no dia da apresentação, mas com muito menos espaço do que eu desejava e achava que merecia. Por isso mesmo, nessa semana em que Dominguinhos partiu, aos 72 anos, lembrei que havia um material dessa entrevista guardado, que não havia sido publicado. E fui atrás para ver se rendia algo aqui para o Nota de Rodapé. Segue abaixo um apanhado de alguns trechos da conversa:

SHOW DE 69 ANOS

“Todo ano o Paulo Rosa, proprietário do Canto da Ema, tem a preocupação de fazer um show no meu aniversário, com alguns colegas. A turma do nordeste. Os “cabeça chatas” vão todos. E tocar nessas casas de shows pequenas, redutos do forró, tem um gosto especial. Eles dão o maior valor, têm respeito, gostam da música nordestina. O povo dançando a noite toda, brincando o tempo todo... é bonito.”

CARNAVAL E POLÍTICA

“Eu ia fazer uma participação no Carnaval de Pernambuco esse ano. Ao total, são 340 artistas contratados para fazer o Carnaval de lá, entre Olinda e Recife. E aí decidiram não me levar, argumentando que não tinham verba... (risos). Aí você vê: sou de lá, já fiz tantos Carnavais lá... e agem dessa forma, infelizmente. A prefeitura é do PT, e como já fiz coisas pro Fernando Henrique em águas passadas, eles me colocam como adversário. Eu já fiz trabalhos pro PT também, não tem nada a ver... No fim, o show é para o povo, não para governos.”

50 OU 60 ANOS DE CARREIRA? 

“Toco desde os 8 anos. Então seria até 60 anos de carreira mesmo. Mas quando falo 50 e poucos, eu considero quando cheguei aqui no Rio (anos 1950), e me associei a Luiz Gonzaga. Ele me ajudou demais, e eu fiquei praticamente morando com ele. E dali parti para a Rádio Nacional, pras boates todas de Ipanema, Copacabana, Leblon. Antes disso, no NE eu tocava com meus irmãos, em portas de hotéis. Foi em um hotel lá em Garanhuns que eu conheci o Gonzaga. (...) Mas pode colocar aí 60 anos de carreira (muitos risos).”

A SANFONA

“A sanfona nordestina é a mesma sanfona que toca em qualquer gênero. E é um instrumento que está em um momento muito bom. Todo mundo está usando o acordeom. Até em banda de rock. Bom, os ingleses sempre usaram né... no Leste Europeu também. Então somos nós que chegamos atrasados. Mas também, eles são muito velhos, né?! (risos)”.

MESTRE ZINHO 

“Escreve aí também, por favor, que eu lamento muito a perda nessa semana do Mestre Zinho (1943-2010). Era um dos maiores cantores nordestinos”.

*Marcos Grinspum Ferraz, jornalista e saxofonista da banda Trupe Chá de Boldo mantém a coluna mensal Verbo Sonoro, sobre cultura, música e afins.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Afinal, quem são os Black Blocs?


por Vinícius Souza*

Para a Folha de São Paulo, os mais de dois mil manifestantes – na maior parte, jornalistas e ativistas pela democratização dos meios de comunicação – que estiveram no protesto na sede da Rede Globo em SP, no último dia 11 de julho, não somavam quinhentas pessoas. Ainda segundo o jornal, tal número seria adepto da ideia sem sentido de trazer o caos pela destruição do patrimônio público e privado, não propondo nada em troca. Para esclarecer a mídia e evitar erros como esse, convém dar algumas informações sobre os ditos “vândalos”.

Diferentemente de querer mudar o sistema pelo dano à propriedade (sempre privada e de preferência simbólica do grande capital), a tática Black Bloc pretende, entre outras coisas, dar visibilidade a lutas anti-capitalistas e anti-proibicionistas. Eles entendem que, independentemente da quantidade de gente, não adianta se manifestar pacificamente com cartazes seja qual for a causa.

No dia 8 de junho, mais de 12 mil pessoas fecharam a Avenida Paulista às 14h, percorreram a Augusta e a Consolação ocupando a Praça da República por cerca de quatro horas, com música, dança e discursos em prol da legalização da maconha. Como de praxe, nenhuma menção na TV e somente uma pequena nota interna nos jornais.

Na véspera, mais de cinco mil manifestantes pelo Passe Livre haviam sido reprimidos com gás lacrimogêneo na Marginal Pinheiros e perto de 500 conseguiram chegar ao vão do Masp, após negociarem com a PM. Essa dispersão pacífica na Paulista, sem incidentes, teve pouca repercussão.

Porém, nos três dias consecutivos de passeatas, apenas a destruição de vidros de estações do Metrô e fachadas de lojas, no dia 6, conquistaram manchetes. E quanto mais a polícia batia, mais gente se juntava no protesto seguinte, até o massacre de ativistas e jornalistas na noite de 13 de junho, que levou a mídia a mudar de posição, promover as manifestações “cívicas” e levantar bandeiras contra a corrupção, a PEC 37, a vinda de médicos estrangeiros, o Governo Federal etc.

De repente, os mascarados atacando a sede da Prefeitura, os vitrais do Theatro Municipal, saqueando lojas e ateando fogo em prédios ocupados por Movimentos de Sem Teto, não se vestem mais exclusivamente de preto e vermelho e nem trazem estandartes negros. Os skates e cabelos moicanos, tão comuns entre os Black Blocs, também desaparecem, dando lugar a cabeças raspadas, músculos definidos e, por vezes, roupas e relógios caros. Ainda há o grafiti (ou picho), mas não mais só de mensagens anarquistas e reivindicações pela tarifa zero. No lugar, palavrões e xingamentos contra o governo.

Só por má vontade ou desconhecimento da história recente das lutas mundiais é possível dizer que todos (e mais os ativistas contra os monopólios midiáticos) fazem parte do mesmo grupo.

Para quem não sabe, os Black Blocs apareceram pela primeira vez nos protestos anti-capitalistas do final do século passado nos encontros dos países ricos em Seattle, nos Estados Unidos, e Gênova, na Itália, com os principais embates contra a polícia, onde houve inclusive mortes entre os manifestantes. Eles reapareceram com força nos EUA, no Occupy Wall Street e, no Brasil, nas marchas anti-proibicionistas de 2010 e 2011.

A ação de pichação e, às vezes, destruição de filiais de grandes redes transnacionais, como McDonalds e Starbucks, além de agências bancárias, visa o ataque a símbolos de um sistema financeiro internacional que oprime populações em todo o mundo. De inspiração anarcopunk, amam as liberdades individuais, o faça-você-mesmo e as músicas pesadas. Compreendem a necessidade atual de um Estado que garanta os direitos e distribua as riquezas entre os mais pobres. O socialismo antes do anarquismo. Mas não são “patrióticos”, abominando associações a símbolos nacionais, como bandeira e o hino. Conectam-se por redes, coletivos e pequenos grupos, sem lideranças. Curiosamente, nenhum dos detidos por depredação de patrimônio se declarou Black Bloc.

*Texto e foto Vinícius Souza, jornalista do MediaQuatro, especial para o NR.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ombudsman da Folha diz que jornal precisa “explicar melhor” detalhes da quebra de sigilo fiscal

Marina Amaral, jornalista e amiga das mais competentes da profissão, escreveu a ombudsman da Folha de S. Paulo, Suzana Singer, a respeito do caso do dossiê Amaury. Marina indagou. “Sra. Ombudsman, a reportagem que "sustenta" a manchete da Folha de S. Paulo de hoje (20) desmente completamente a conclusão do jornal. Se quem quebrou o sigilo foi o jornalista Amaury Jr. a serviço do Estado de Minas, pago pelo jornal, como é que se diz que a PF ligou o inquérito à pré-campanha de Dilma? Se o jornalista tentou passar isso adiante depois, não importa, já que foi como empregado do Estado de Minas que ele tomou a iniciativa de "encomendar" a quebra de sigilo. Aguardo seu comentário no jornal de domingo, grata, Marina - Assinante da Folha há mais de dez anos.”
A resposta foi. “Cara Marina, também apontei, na crítica interna, a necessidade de o jornal explicar melhor essa relação entre Estado de Minas e quebra de sigilo fiscal.”
A manchete de capa da Folha desta quarta-feira é “PF liga quebra de sigilo à pré-campanha de Dilma”. A matéria procura encontrar na revelação da PF uma comprovação do vínculo do jornalista Amaury Ribeiro Jr. com a coordenação da pré-campanha de Dilma Rousseff. Em nota recente à imprensa, a PF disse:
"Brasília/DF - Sobre as investigações para apurar suposta quebra de sigilo de dados da Receita Federal, a Polícia Federal esclarece que:
1- O fato motivador da instauração de inquérito nesta instituição, quebra de sigilo fiscal, já está esclarecido e os responsáveis identificados. O inquérito policial encontra-se em sua fase final e, depois de concluídas as diligências, será encaminhado à 12ª Vara Federal do Distrito Federal;
2- Em 120 dias de investigação, foram realizadas diversas diligências e ouvidas 37 pessoas em mais de 50 depoimentos, que resultaram, até o momento, em 7 indiciamentos;
3- A investigação identificou que a quebra de sigilo ocorreu entre setembro e outubro de 2009 e envolveu servidores da Receita Federal, despachantes e clientes que encomendavam os dados, entre eles um jornalista;
4- As provas colhidas apontam que o jornalista utilizou os serviços de levantamento de informações de empresas e pessoas físicas desde o final de 2008 no interesse de investigações próprias;
5- Os dados violados foram utilizados para a confecção de relatórios, mas não foi comprovada sua utilização em campanha política;
6- A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação."

terça-feira, 29 de junho de 2010

Extra elimina Brasil da Copa do Mundo

Uma confusão na publicação de um anúncio publicitário do supermercado Extra apresenta a seleção brasileira como eliminada da Copa. "A seleção sai do Mundial. Não do coração da gente. Valeu Brasil", como diz o supermercado. O anúncio saiu no caderno de Esportes da Folha de S. Paulo de hoje.
Na tentativa de ganhar tempo e deixar anúncios prontos, o Extra, e sua agência publicitária, agora terão que correr para corrigir.

Diogo Ruic é jornalista e editor assistente do NR

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Folha e as imagens que contradizem

A Folha trouxe nesta semana uma matéria sobre como o ataque da seleção canarinho é violento, o 2º que mais tem feito faltas nessa Copa.
Mas as imagens que ilustram a teoria não atestam a notícia. A legenda diz: "Luis Fabiano, Kaká, Robinho e Elano perseguem rivais no jogo com a Costa do Marfim".
As fotos selecionadas a dedo mostram o Luis Fabiano sendo surpreendido pela marcação que aparece em sua frente; Kaká, no momento em que é puxado pela nuca; e Elano, tocando na bola enquanto recebe uma "solada" na canela – jogada que provavelmente irá tirar o jogador da partida contra Portugal.
Para quem não viu o jogo (se é que alguém não viu) a Folha passou informações que não remetem a realidade, por puro descuido. Pode parecer bobo, mas as imagens são uma importante ferramenta para o texto e, neste caso, elas mentem. “Concordo com sua avaliação”, disse a ombudsman, Suzana Singer. A editoria de Esportes, para variar, não respondeu.

Diogo Ruic é jornalista e editor assistente do NR
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