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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Haram


por Júnia Puglia    ilustração Fernando Vianna*

Foi na novela “O clone”, megassucesso de Glória Perez, de 2001, que ouvi pela primeira vez a palavra “haram”. Ambientada numa espécie de ponte aérea entre o Brasil e o Marrocos, a novela trazia personagens muçulmanos, pela primeira vez num produto de mídia para o grande público. Com todas as críticas que se possam fazer aos exageros e caricaturas típicos das telenovelas, era fácil perceber que os tais personagens eram muito mais próximos do que distantes de nós. O que não era pouco, no imediato pós-11-de-setembro, quando o anti-islamismo e o ódio religioso se mimetizavam em nossas cabeças ignorantes. No Marrocos fabricado pela Globo, que ainda não tive oportunidade de comparar com o verdadeiro, a toda hora se dizia que algo era “haram”, pecado, errado, fora do padrão considerado aceitável para um bom muçulmano. Durante alguns meses, se tornou um bordão muito popular.

De 2001 para cá, assistimos ao recrudescimento galopante do fundamentalismo religioso, um produto da incapacidade de muitos para entender que já não há mais lugar para a imposição de princípios religiosos a todas as pessoas e da dificuldade de admitir a relevância das diferentes crenças, entre outras coisas. É praticamente impossível argumentar e obter consenso entre pessoas que se dizem emissárias de Deus ou qualquer outro nome que se dê às respectivas divindades.

Mas há duas áreas em que o consenso se obtém com certa facilidade e em torno das quais rapidamente se produzem alianças demolidoras: a opressão das mulheres e o repúdio às várias expressões da sexualidade humana. Não há nada mais ameaçador para os religiosos fundamentalistas, de qualquer crença, do que meninas e mulheres empoderadas, aptas para refletir, questionar e subverter a forma como são vistas e tratadas. Quem acompanhou as mobilizações e conferências sobre os direitos das mulheres nos últimos vinte anos sabe do que estou falando.

Aí está o Boko Haram, grupo terrorista islâmico, dedicado a atacar e eliminar a educação das meninas na Nigéria, país africano dividido entre o norte, de maioria muçulmana, e o sul, majoritariamente cristão. O próprio nome da facção significa “a educação cristã é pecado”, porém não há notícias de que tenha em algum momento se insurgido contra escolas masculinas ou meninos estudantes. Seu alvo são as meninas, que jamais deveriam ter a oportunidade de se instruir, pois nasceram para servir os homens. Depois de sequestrá-las, esses criminosos malditos dos infernos as submetem a estupros constantes e as transformam em “servas”, em suas próprias palavras. Centenas já foram assassinadas.

Acredito que para seguidores do Islã inteligentes e esclarecidos não pode haver haram mais grave do que esta ignomínia praticada contra essas adolescentes. E tudo se torna ainda mais perverso quando se constata que o governo nigeriano, de tendência cristã, tem sido no mínimo negligente no combate à atuação do Boko Haram. Afinal, quem realmente se opõe às restrições que se queiram colocar à liberdade e à autonomia das mulheres?

Enquanto isto, os fundamentalistas brasileiros, quase todos cristãos, de diferentes tendências católicas e protestantes, se irmanam na pregação do atraso, supostamente em defesa da família e dos valores originais da religião. No momento, estão comemorando sua vitória na retirada da “ideologia de gênero” como vetor das estratégias e ações do novo Plano Nacional de Educação, em discussão no Congresso Nacional. Dei-me ao trabalho de ler vários textos e assistir a vídeos em que comentam o assunto. São de estarrecer as mentiras e a confusão intencional que promovem em torno do que seria essa tal ideologia e seus alegados efeitos nefastos sobre as nossas crianças e adolescentes. Os textos disponíveis na internet são todos copiados uns dos outros, rasos como um pires, sem qualquer argumentação ou contribuição reflexiva. Chegam ao ponto de todos citarem a mesma e única fonte sueca para exemplificar os supostos horrores perpetrados pelo Estado ao estabelecer a equidade de gênero e o respeito à diversidade como princípios e práticas fundamentais da educação naquele país.

À parte as ameaças que essas pessoas geralmente enxergam em tudo aquilo que significa a promoção de direitos e oportunidades iguais para todas as pessoas, essência esquecida do Novo Testamento, entendo todo este esforço conjunto por impedir o avanço como um produto direto da mais prosaica e rasteira preguiça. De pensar, de estudar, de argumentar e de buscar consensos que realmente reflitam os interesses de todas e todos, para fora dos seus cercadinhos religiosos. Um grande haram, um grave pecado, pois, quanto menos se usa a inteligência e se praticam o respeito e a tolerância, maior o risco de que eventualmente se produzam absurdos como o Boko Haram.

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Júnia Puglia, cronista, mantém a coluna semanal De um tudo. Ilustração de Fernando Vianna, artista gráfico e engenheiro, especial para o texto. Emails para esta coluna devem ser enviados a: deumtudocronicas@gmail.com

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Devemos tanto ao Jimi

1964 + 50
Histórias de pessoas de carne e osso - e também de personagens de papel - que viveram na roda viva da ditadura militar. Novos episódios toda quinta-feira.

(Episódio 9)


por Fernanda Pompeu    ilustração Fernando Carvall

Ela caiu ao tentar cobrir um ponto no Aterro do Flamengo. Tudo veloz. Quatro tiras a cercaram e um deles estourou um tapa no seu rosto. É evidente que não falaram perdeu, perdeu, pois isso é expressão dos tempos de hoje. Talvez tenham dito: dançou, dançou. Ou, o mais provável, não disseram nada.

Levaram-na para uma das tantas salas de interrogatório, dessas que tinham como mobiliário: cadeira-do-dragão, pau-de-arara, tanque de afogamento. Desceram o pau. Fizeram perguntas. E o aparelho? Quem é o chefe? Onde se escondem fulano, sicrana, beltrano? Qual o endereço da gráfica?

A moça falou? Não falou? Tanto faz. O fato é que após a prisão no Aterro, não se soube mais dela. Ela não foi vista, nem subindo nem descendo, as ladeiras de Santa Teresa. Não foi vista na praia Adão e Eva em Niterói. Não foi vista tomando chope no Amarelinho da Cinelândia. Não foi vista na primeira passeata feminista. Não foi vista comendo hot-dog no Bob´s do centro do Rio.

Escafederam com ela. Nenhuma pista, nenhum osso, nenhuma cinza. Mas ele a reteve na memória. Não. Isso é pouco. Por décadas, ele usou linha e agulha para bordar as recordações. Ela rindo. Ela dormindo. Ela chorando. Ela entrando com ele no mar num réveillon em Búzios. Ele chamava essas imagens de Arquivo da Amada.

Arquivo afetivo, é claro. Nada a ver com o arquivo do Dops, no qual constava, em linguagem burocrática-policial, a mentira de que ela havia fugido e posteriormente sido vitimada pelos próprios companheiros da organização. Era bem assim que os agentes da repressão se esquivavam de qualquer indagação.

Como um devoto, uma vez ao mês, ele visitou o Aterro do Flamengo. No começo, havia choro e emoção em profusão. Por anos, ele vivenciou o luto. Até as florezinhas e as borboletas pareciam lastimar a ausência da moça. Depois, o sentimento se tornou mais fluido, menos explicável, apesar de persistir doloroso.

Por muitos domingos, ele se deitava na grama e soltava no gravador cassete e mais tarde no walkman a versão do No Woman, No Cry, gravada por Gilberto Gil: Amigos presos, Amigos sumindo assim, Prá nunca mais. A letra era lâmina afiada rasgando seu corpo. Mas de maneira estranha, ou não, ele sentia prazer em curtir essa canção.

Depois houve a época em que ele se ligou na guitarra de Jimi Hendrix, o imenso. Paixão tardia, mas redonda. Ele até se lembrava, achando graça, que a amada havia apoiado, no final dos 1960, uma passeata contra as guitarras elétricas. Imposição de gringo, ela dizia. Mas ele passara a adorar o som de Jimi. A cara de Jimi. Quando adotou o filho, na época com cinco meses, pôs o nome de Jimi.

Afinal.

Hoje ele tem rareado as excursões ao Aterro do Flamengo. Está custoso caminhar. Doem os quadris e principalmente os joelhos. Mas seu coração continua batendo por ela. A desaparecida. Volta em meia ele assobia: Não, não chore mais. Menina, não chore assim. Hê! Hê!

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Fernanda Pompeu é escritora e redatora. Fernando Carvall é o homem da arte.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Eu, machista?

por Celso Vicenzi*

Pesquisa recente do Inter-Parliament Union, sobre as mulheres no Parlamento, mostrou que o Brasil aparece apenas na posição 125, entre 150 países. Na Câmara Federal, dos 513 parlamentares, apenas 44 são mulheres. No entanto, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral de dezembro passado, 52% do eleitorado é feminino. Há mais candidaturas masculinas, mas, ainda assim, não faltam mulheres para serem votadas. O que explica, então, tamanho descompasso?

Nas prefeituras, o problema se repete. As mulheres são prefeitas em apenas 12% dos 5.570 municípios do Brasil. No Sul do país a situação é ainda pior. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina – quem diria! – são os estados com o menor percentual de prefeitas eleitas. Apenas 37 cidades gaúchas elegeram prefeitas, ou seja, 7,44% do total. Santa Catarina vem em segundo, com 7,79%.

Isso prova que o machismo ainda está muito enraizado na sociedade brasileira. Com dupla ou tripla jornada de trabalho, além de outros fatores, a atividade política é muito difícil para uma mulher casada, por exemplo. E mesmo quando ela consegue vencer essas barreiras, não recebe o voto de confiança da maioria das mulheres. E dos homens!

Claro, você e eu não somos machistas! Ou, pelo menos, achamos que não, embora a probabilidade não esteja ao nosso lado.

Na melhor das hipóteses, se não somos machistas, somos péssimos em matemática. Pesquisa da Expertise informa que 75% dos brasileiros percebem a nossa sociedade como machista. No entanto, quando solicitados a fazer uma autoavaliação, apenas um terço dos homens entrevistados admite ser machista ou “um pouco machista”. Conclusão: a conta não fecha, o problema é sempre o outro.

Resultado dessa cultura patriarcal que há milênios domina o mundo, o machismo é incorporado também por muitas mulheres, que reproduzem os valores mais conservadores. Isso torna o problema da representação política ainda mais complexo. Votar em uma mulher não é garantia de que ela defenderá, por exemplo, avanços na luta feminista. Mas é fato que, quanto mais equilibrado estiver o Parlamento em relação à representação política, de gênero, de classe, de etnia, dos mais diferentes segmentos da sociedade, mais aumentam as chances de que as demandas específicas de cada grupo social possam ser legitimadas e acolhidas em novas leis, novos costumes, fazendo avançar a democracia.

Admitir a existência de um problema é o primeiro passo para a resolução. Não é fácil, pois todos nós construímos uma boa imagem – necessária – de si. Mas quando todos esses dados apontam numa mesma direção, fica difícil negar.

Eu, machista?

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Celso Vicenzi, jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, com atuação em rádio, TV, jornal, revista e assessoria de imprensa. Prêmio Esso de Ciência e Tecnologia. Autor de “Gol é Orgasmo”, com ilustrações de Paulo Caruso, editora Unisul. Escreve humor no tuíter @celso_vicenzi. “Tantos anos como autodidata me transformaram nisso que hoje sou: um autoignorante!”. Mantém no NR a coluna Letras e Caracteres.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Engravidei, pari cavalos e aprendi a olhar salões populares de beleza com ternura

por Cidinha da Silva*

Tudo é festa, música, alegria e cor quando um livro de amor e poesia, o Baú de Miudezas, Sol e Chuva galopa como unicórnio no horizonte da vida de todo dia que por vezes nos apequena. Tudo é abundância quando a flecha de Mutalambô acerta os corações que desbordam na água maior de Kissimbi.

Entretanto, diante do livro novo e do retorno de peça vitoriosa e transformadora aos palcos, o reino vil dos repolhos acéfalos e estéreis se manifesta e macula com saliva amarga as costas da “insuportável” autora. O reino da fertilidade ri em resposta, gargalha e dá beijinho no ombro para os repolhos. Volta ao amor, sem rancor, depois do beijinho no ombro gozador.

Escrever a dramaturgia de Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas me expôs a violências, solidão e desencantos, quando não, desesperos, muito comuns à vivência das mulheres negras brasileiras. Preciosa, de Sapphire, manifestou-se com virulência inesperada, desconhecida de meus sentidos e experiências. E, atendendo ao imperativo dessa lava incandescente, escrevi o texto teatral, como muitos dizem (todos homens expectadores), sem refresco, mas com a expectativa de que a lava passado o caos seja o mais poderoso fertilizante do renascimento.

Porém, nem tudo foi dor, a relação das mulheres populares com os salões de beleza, também populares, porque de baixo custo e muito acesso, me humanizou. Devo confessar que antes do Pari Cavalos achava aquele ambiente insuportável, até degradante. Continuo não gostando, mas gotas de entendimento umedecem as raízes do cactos que carrego a tiracolo.

O salão de cabeleireiros popular é divã sem o aparato de Freud ou Lacan para quem não consegue pagar sequer psicoterapias alternativas executadas por profissionais comprometidos com a saúde mental desse público. Além de divã para auto-análise da cliente da vez, assessorada pelas profissionais e demais colegas atendidas, a cadeira do salão popular é palco de devaneios, de alívio de frustrações pela conversa incessante, da cura pela palavra, mesmo que irrefletida, e da busca voraz da beleza vendida no mercado.

Fazer-se bela nos padrões da moda é mais do que o desejo incontido de aceitação social, de legitimação de um lugar escravizado de mulher, é um devir de desejo maior, aquele que quer, pela beleza conquistada e comprada, portanto, pertencente a ela, aplacar o desamor de não ser vista nem desejada, ou, pelo menos, não na medida que gostaria ou mereceria.

É mesmo complexo o universo de um salão popular de beleza com todo o imaginário evocado pela novela, do homem perfeito, cheiroso, carinhoso, pegador de mulher única, ela; dos filhos em casa, quietinhos, esquecidos por alguns minutos da existência da mãe; do apoio de outra mulher para fazer todo o trabalho de casa. Há que haver alguma ternura para decodificá-lo.

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escritora, Cidinha da Silva mantém a coluna semanal Dublê de Ogum.

domingo, 25 de maio de 2014

Real e Atlético de Madrid na Liga dos Campeões

por Pedro Mox*

Sete quilômetros separam, em Madri, o estádio Santiago Bernabéu do Vicente Calderón. O primeiro é casa do Real Madrid Club de Fútbol: time recheado de estrelas, mais vezes campeão continental, elenco mais caro do mundo. O segundo, casa do Club Atlético de Madrid: atual campeão nacional, rival citadino do Real, “primo pobre” da capital espanhola. Quis o destino que a primeira final da Liga dos Campeões da Uefa entre clubes da mesma cidade colocasse frente a frente os rivais madrilenhos.

595 quilômetros separarou a terra dos finalistas do palco do jogo, Lisboa. O Estádio da Luz, casa do Benfica, foi o escolhido para receber a final da temporada 2013/2014. Ao Atlético seria a glória, a confirmação de uma temporada perfeita. Treinado desde 2011 pelo argentino Diego Simeone, seria o ápice após levantar, nos últimos anos, La Liga, Copa do Rei e Liga Europa. Ao Real, a salvação após péssima campanha no nacional. Coube ao experiente Carlo Ancelotti arrumar os vestiários e tentar dar rumo ao galáctico plantel madridista.

Com a bola rolando, a estratégia do argentino parecia funcionar – a despeito da substituição de Diego Costa com menos de dez minutos. Consistente marcação no meio de campo, aliada a ataques rápidos pelos lados, encontravam um adversário perdido, apesar da qualidade de seus delanteros. O gol do uruguaio Godín, aos 36 minutos do primeiro tempo, era o que os atleticanos precisavam para manter a tática e erguer a taça “orelhuda”. O segundo tempo não trouxe muitas mudanças, até a entrada de Marcelo e Isco.

Mantivesse sua linha de quatro homens marcando no meio campo, e eventualmente estocando o gol de Iker Casillas, porventura o resultado seria outro. Mas o Atlético, com o passar do tempo, parecia sentir cada vez mas a troféu em suas mãos; e tal ansiedade em campo significou chamar o Real para sua área. E na desorganização ofensiva dos merengues versus nervosismo defensivo colchonero, a primeira levou a melhor.

Cinco minutos separavam os atletis da consagração. Entretanto, é difícil segurar Di Maria, Cristiano Ronaldo e cia. E foi num chute do argentino que Bale aproveitou o rebote, empatando o derby nos acréscimos da etapa final. O resultado improvável, tão próximo aos comandados de Simeone, começava a ruir. O gol, àquela altura, no placar representava apenas o empate; porém, na alma, era uma derrota.

Na prorrogação apenas uma equipe jogou. O peso da desgastante temporada era nítido nas pernas do reduzido grupo rojiblanco. A luta, a entrega, a dedicação que propiciou épicas vitórias sucumbiu ante o vigor e a qualidade do Real – o gol de Marcelo é prova disso. A torcida que passou todo o tempo quieta agora vibrava; a que cantou durante 90 minutos calou.

Nem de longe o futebol é um esporte justo, e fosse minha torcida o caneco teria ido para o Vicente Calderón. Quiseram os deuses do futebol que, em vez de um inédito vencedor, essa temporada da Liga se transformasse em la décima, o décimo título do Real Madrid. Entretanto, há de ser reconhecido, e muito, o vice campeão. O placar de 4x1 não representa em nada a história da partida, na qual o 11 espartano do atlético lutou como pode contra os persas madridistas.

O reconhecimento da torcida colchonera, que ao final da partida aplaudiu seus heróis, demonstra o quanto a equipe conquistou. A taça não veio, mas para mim, nada separa esse Atlético de um time que fez história.

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Em tempo: Note-se a bela organização pré-jogo da Uefa. Tanto a cerimônia no gramado quanto as opções fora do estádio aos torcedores. Tornam o entretenimento maior que os 90 (nesse caso, 120) minutos de bola rolando; o ideal é chegar com duas horas de antecedência para sentir o clima, passear pelos estandes, comprar um souvenir. Da ideia do quanto a Conmebol poderia aprender.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR
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