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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Uma final épica em Minas Gerais

por Pedro Mox*

No ano da Copa no Brasil, a final da Copa do Brasil promete parar novamente o país, colocando frente a frente Cruzeiro e Atlético-MG. Os motivos não são poucos. O primeiro é o fato de se tratar de um clássico. É apenas a segunda vez que dois times de uma mesma cidade se enfrentam na decisão da competição – a primeira foi em 2006, quando o Flamengo se sagrou campeão sobre o Vasco ganhando as duas partidas (2-0 e 0-1).

A forma pela qual o encontro foi desenhado também é especial: até 35 minutos do segundo tempo das semifinais, Flamengo e Santos decidiriam a competição. Foi quanto Willian anotou o tento cruzeirense; quatro minutos depois Luan fez o derradeiro e milagroso gol atleticano, concretizando a final mineira. Olhos de todos os cantos apontaram para Minas Gerais, a terra do futebol na atualidade – o que não é mero acaso.

Em 2013 a Libertadores e o Brasileiro ficaram por lá. Este ano ambas equipes mantiveram a base, coisa ainda não tão natural em nosso país, e boa parte dos que entrarão em campo nesta final já levantaram algum troféu com seu clube. A manutenção dos treinadores também merece destaque: Marcelo Oliveira fez belo trabalho à frente do Coritiba, foi demitido do Vasco em apenas dez partidas e hoje caminha para seu terceiro ano de Cruzeiro. No Atlético, após a permanência de Cuca entre 2011 e 2013, Levir Culpi teve o apoio necessário após a turbulenta eliminação da Libertadores (que causou a queda de Paulo Autuori).

A pré-temporada igualmente merece atenção: como o campeonato mineiro é enxuto (quem chega à final entra em campo 15 vezes), o tempo de preparação das equipes é maior. Paulistas e cariocas, por exemplo, fazem 19 jogos – o que, além de prejudicar o calendário, proporciona uma série enfadonha de partidas, como a modorrenta primeira fase do estadual de São Paulo.

Cruzeiro e Atlético são acostumados a decidir o estadual, já o fizeram em 19 campeonatos. Vantagem para a Raposa, que faturou 12 destes canecos. Em 2014, entretanto, o placar não saiu do 0-0, fazendo com que o Cruzeiro fosse campeão por ter a melhor campanha. Ano passado o Galo levou a melhor, ganhando no Independência por 3-0 e perdendo no Mineirão por 2-1. Em competições nacionais, todavia, é a primeira vez que o duelo acontece em uma final. Aliás, é somente a terceira vez que a dupla mineira se encontra em fases decisivas de torneios nacionais. O último encontro foi em 1999, pelas quartas de final do Brasileirão; duas vitórias do Galo (4-2 e 2-3) no Mineirão sobre o Cruzeiro então treinado por Levir Culpi, atual comandante alvinegro. Antes, pelo Brasileiro de 1986, dois empates (0-0 e 1-1), também pelas quartas, levaram o Atlético à semifinal.

Nos cinco clássicos promovidos em 2014, foram três empates sem gols no estadual e duas vitórias atleticanas no Brasileiro, 2-1 no Independência e 2-3 no Mineirão. O fator casa foi explorado pelos presidentes, e os dois duelos terão torcida visitante. É legítimo realizarem-se uma partida em cada campo, mas o que eu gostaria de ver é um Mineirão lotado, com 30 mil para cada lado, tal qual o clássico que lá assisti há alguns anos. É triste, muito triste, ser isso for coisa do passado, sobretudo pela nossa incapacidade de lidar e combater a violência no futebol. Resta torcer para que haja o mínimo de confusões possível, e que Belo horizonte nos brinde com mais um espetáculo futebolístico à altura que equipes e torcedores merecem. Com um cafezinho com pão de queijo para acompanhar.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Nas mesmas mãos de sempre


por Pedro Mox*

Depois do papelão sofrido diante da Alemanha, a seleção brasileira voltou a reunir-se, contra seu adversário das quartas de final, a Colômbia, em Miami. Venceu o jogo por um a zero. Também ganhou do Equador, ontem, pelo mesmo placar. Em tese, vida nova; ou não, se levarmos em conta as expectativas criadas pela Copa e, sobretudo, pelo fim desastroso vivido pelo nosso onze. Muito falou-se em mudanças no futebol do país, reformulação na Confederação Brasileira de Futebol, adequação e profissionalização...

O visto na prática, contudo, não foi nada disso – o que era, convenhamos, previsível. Mudar nunca foi muito o forte da CBF. No máximo, mudar para permanecer o mesmo, como o ideário abordado em O Leopardo, clássico de Luchino Visconti.

Paulo Vinicius Coelho, da ESPN, publicou em seu blog texto com o seguinte título: Em vinte anos, seleção teve mesmo número de técnicos da Alemanha em um século e da Espanha em 45 anos. A lógica de demitir treinadores, comum em nossos clubes, repete-se na seleção: desde a campanha do tetra, em 1994, tivemos dez mudanças de treinadores, sendo que quatro (contando o retorno de Dunga) tiveram duas passagens. Já a Alemanha, desde a copa dos EUA, teve cinco treinadores; nenhum repetido. Joachim Löw, campeão no Brasil, está desde 2006 no cargo; antes de assumir o Nationalelf foi assistente de Klinsmann durante dois anos. Tal trabalho de longo prazo inexiste no futebol de resultados aqui encontrado.

Na cartolagem a situação se inverte: de 1980 para cá, a CBF foi comandada por apenas quatro homens, com destaque ao reinado de Ricardo Teixeira: assumiu em 1989 e só saiu em 2012 – ou melhor, renunciou em meio a escândalos de corrupção. Passada a turbulência, leva uma vida sossegada em Miami. José Maria Marin herdou o cargo, e vai presidir a entidade até o final deste ano.

Para fazer um candidato (inscrever uma chapa) é necessário apoio de ao menos seis clubes e oito federações. No último pleito, realizado em abril deste ano, uma segunda chapa sequer existiu. A candidatura única de Marco Polo Del Nero – apoiado por Marin – elegeu-se com impressionantes 46 votos a favor e dois em branco. Na prática, será  uma troca de cadeiras.

Votam nas eleições para presidente da entidade máxima do futebol brasileiro presidentes das 27 federações estaduais e dos 20 times da primeira divisão. Portanto, não é estranho que a mesma falta de oxigenação encontre-se nas federações: Eduardo José Farah assumiu a Federação Paulista de Futebol em 1988, seguido por Del Nero desde 2003. (Del Nero é também atual vice da CBF). A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, desde sua fundação em 1978, teve três presidentes. A federação catarinense está sob a batuta de Delfim de Pádua Peixoto há mais de 25 anos, enquanto o ex-presidente da federação paranaense Onaireves Rolin de Moura ocupou o cargo por 22 anos.

A própria posição da confederação ao final do mundial deixou claro que sua preocupação é a seleção brasileira, não o futebol brasileiro. Assim, enquanto deveria zelar pelo esporte e pelos que o praticam/admiram, aparenta mais disposição para arrumar seu 17º patrocinador. Além disso, divulga o calendário do próximo ano com sequer um mês de pré-temporada. Vale lembrar que a entidade, até 2009, nem mesmo responsabilizava-se pela organização da Série B, que ficava a cargo da Futebol Brasil Associados.

A escolha do atual treinador foi, portanto, natural. Não pelo aspecto futebolístico, mas político: alguém com uma posição mais crítica a respeito do esporte dificilmente se encaixaria nos moldes conservadores da Confederação. O futebol brasileiro está nas mesmas mãos de quem sempre esteve, por isto seria demais esperar qualquer mudança radical antes do anúncio de Dunga. As preocupações destes homens, infelizmente, nem sempre dizem respeito ao melhor para o futebol.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

sábado, 12 de julho de 2014

O imponderável na Copa das Copas


por Pedro Mox*

O brasileiro sentiu o golpe. Contudo, mesmo que aos poucos, felizmente a ferida vai se fechando, as lágrimas secam, explicações (mesmo que nem um pouco convincentes) aparecem, e a Copa do mundo encaminha-se para seu clímax. A despeito da campanha brasileira, é importante ressalvar grande evento aqui realizado: tivemos belíssimos jogos, boa organização, seleções bem acolhidas. A média de gols até agora, 2,7, já é a melhor desde 1994, pode ultrapassar os 2,8 de 1982. Tem a segunda maior média de público da história, atrás apenas dos Estados Unidos. E terá a decisão no estádio quiçá mais famoso do mundo, o Maracanã. Não acho exagero dizer que, até este ano, realizamos a copa das copas.

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Não há explicações para o inexplicável. Pode-se, na verdade devemos, procurar a razão pela qual o onze canarinho não decolou em 2014. Achei a escalação equivocada, precisávamos de maior ocupação no meio de campo. As características são deveras distintas, mas o substituto mais adequado para Neymar era Willian ou Paulinho, dificultando a vida de Kroos e Cia. Talvez, ou provavelmente, não ganharia, mas evitaria o maior vexame da história da seleção brasileira de futebol. Entretanto, o desastre da última terça teve grande participação de um elemento sempre presente – e que contribui muito para a graça do futebol –, o imponderável. Da mesma forma que o Brasil entrou mal escalado e não se encontrou em campo, quatro gols em seis minutos não é e nunca será uma coisa normal. Aconteceu, e provavelmente nunca mais ocorrerá na história das copas.

Nossa atual geração não é ruim, pelo contrário – esse time é, na minha opinião, inclusive, superior ao de 2010. Foi mal preparado, e em nenhuma partida realmente convenceu, mas boa parte destes jogadores pode estar na Rússia em 2018 – tem talento, é a seleção mais comprometida que vi nos últimos anos, estarão mais experientes e quererão como ninguém reparar o fiasco aqui sofrido. Este ficará para sempre na história, o título porventura vindouro também. Considero um equívoco queimar esses jogadores, apesar do elástico escore.

Outro ponto muito comentado, por razões óbvias, e a comparação com 1950. Comparação, na minha opinião, inoportuna. No ano do maracanazo o Brasil tinha equipe bem engrenada, que vinha de duas goleadas – naquele não houve partida final, mas sim um quadrangular – 7-1 sobre a Suécia e 6-1 sobre a Espanha. Entrou no Maracanã (construído para esta copa) com, diz-se, mais de 200.000 pessoas, precisando apenas de um empate. Praticamente com as duas mãos na taça, poucos lembravam que havia um adversário a ser enfrentado. Cenário completamente distinto do atual, quando: tínhamos um time que não convencia desde o primeiro prélio; enfrentamos uma seleção tida por todos como a melhor da competição. Nada que justifique o apagão apresentado, mas um contexto bem diferente de outrora.

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Não será aqui que o seleto grupo de campeões ganhará um novo membro. Domingo Alemanha e Argentina partirão para o tira-teima de decisões, são protagonistas inclusive da primeira vez que dois países reprisaram uma final. Em 1986, no México, os hermanos abriram dois gols de diferença e cederam o empate. Entretanto, ao contrário de 1954 e 1974, os alemães não viraram; com passe de Maradona, Burruchaga marcou o tento que deu o bicampeonato à albiceleste. Quatro anos depois, ambos vinham de semifinais vencidas nas penalidades. A revanche germânica deu-se em Roma: com um gol de pênalti convertido por Brehme aos 40 do segundo tempo, os comandados de Beckenbauer eram os melhores do planeta pela terceira vez.

São seis partidas em Copas do Mundo, com três vitórias e 11 gols marcados pelos alemães, uma vitória e cinco gols para os argentinos, além de dois empates. O último embate foi na África do Sul, pelas quartas de final. As equipes mantiveram boa base em relação àquele torneio: oito atletas pela Alemanha e seis pela Argentina (considerando Di Maria) se reencontrarão. Joachim Löw já comandava o time alemão, enquanto na argentina Maradona vivia sua primeira experiência como treinador. O resultado, um sonoro 4-0, com dois gols de Klose e um de Müeller. Se o ataque alemão continua fulminante, o time comandado por Alejandro Sabella melhorou e muito sua defesa, além do poderoso trio de frente com Messi. Jogo mais que digno de uma final.

Na disputa pelo terceiro lugar, hoje em Brasília, outro confronto das quartas de 2010. Se lá fomos eliminados com a fatídica trombada de Julio César e Felipe Melo, agora é a chance de uma despedida ao menos digna. Do outro lado, os craques Robben, Van Persie e Sneijder despedem-se de copas do mundo. Quatro partidas em mundiais, perdemos duas, empatamos uma e ganhamos outra. Destaco esta vitória, um suado 3-2 em 1994, com gol da vitória numa falta cobrada por Branco e um desvio de corpo milimétrico do baixinho Romário. Que nossos atletas tirem daí inspiração para os últimos 90 minutos neste mundial, levantem a cabeça e vislumbremos um futuro mais promissor.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

segunda-feira, 7 de julho de 2014

As últimas batalhas da Copa

por Pedro Mox*

Passadas algumas semanas do início da Copa do Mundo, o mundo já sabe quais são as quatro melhores seleções da atualidade. Restam agora duas partidas para Brasil, Argentina, Alemanha e Holanda tentarem mostrar/provar quem manda. Toda a pompa de Copa das Copas justificou-se com inúmeros bons jogos, lances exuberantes, estádios cheios e nem de perto o caos anunciado por alguns às vésperas do evento.

A despeito das boas surpresas e revelações de 2014, às semifinais chegam quatro gigantes do futebol: dentre eles apenas a Holanda não sabe o que é erguer um mundial –fato que pode ser abrandado se levarmos em conta a revolução nos gramados por eles praticada em 1974. A laranja mecânica é atual vice-campeã (sofreu 1-0 da Espanha na prorrogação em 2010) e ocupa 15a posição no ranking da Fifa. Dos onze que iniciaram a partida contra a Costa Rica, o quarteto Kuyt, Sneijder, Robben e Van Persie estiveram na África do Sul. De 1990 para cá os holandeses só não jogaram o mundial de 2002; nessas edições só chegaram à semifinais (além do vice-campeonato de quatro anos atrás) em 1998, quando perderam a decisão do 3o lugar para Croácia por 3-1. Autora de 12 gols, quase metade marcados contra a Espanha (1-5), foi vazada em quatro oportunidades. Só não marcou no 0-0 diante da Costa Rica. Será o quinto embate entre as equipes em mundiais: duas vitórias européias, uma sul-americana e um empate. No jogo mais importante, porém, melhor para os latinos: vitória por 3-1 na decisão de 78.

Seu adversário na semi teve vida mais fácil nas quartas de final. Enquanto Robben e Cia jogaram 120 minutos, mais a tensão das penalidades, a Argentina eliminou a Bélgica com um gol de Higuaín no tempo regulamentar. Mais da metade dos titulares na última partida estavam no mundial de 2010, quando os hermanos foram eliminados nas quartas pela Alemanha com sonoros 4-0. Terão grande desfalque com a lesão de Angel Di Maria, além da provável ausência de Kun Agüero. Entretanto, Messi chegou ao Brasil disposto a mudar a imagem deixada nas outras Copas – e todos sabem do que o atacante criado nas canteras Barcelona é capaz. Atual 7a colocada no ranking da Fifa, somam oito tentos na competição, sofreram três e passaram pelos dois mata-matas com vitórias simples. Na última vez que alcançaram a semifinal, em 1990, ficaram com o vice campeonato – a Alemanha venceu por 1-0. Na última vez que ergueram o caneco, em 1986, Messi tinha um ano de idade, e não deve lembrar dos feitos heróicos de Don Diego. O primeiro veio quando jogaram em casa, 1978, no qual o Brasil foi embora invicto após o fatídico 6-0 dos argentinos contra o Peru.

Algozes dos argentinos na Itália, a Alemanha tem uma boa mescla de juventude e experiência. Dos onze titulares contra a França, apenas dois não estiveram na última Copa do mundo, Hummels e Höwedes. Chegou ao país atrás apenas da Espanha no ranking de seleções. Também protagonizou uma goleada histórica na primeira fase, 4-0 ante Portugal. Marcou 10 gols e sofreu três em solo brasileiro. Klose, com 15 gols, pode ultrapassar Ronaldo e se isolar como maior artilheiro em mundiais. Em 17 participações, carimbaram vaga na semi final 12 vezes – é a equipe que mais jogou esta fase. Nos títulos conquistados, bateu a poderosa Hungria em 54 e a incrível Holanda em 74, além de 90. Nas últimas três edições, perdeu a final para o Brasil na Coréia/Japão em 2002, e foi 3a em 2006 e 2010 – jogando em casa há oito anos, derrotou Portugal por 3-1, com grande festa da torcida.

Sede do mundial, 4o colocado no ranking da Fifa, o Brasil chega à semi com uma campanha irregular. Titubeou em alguns momentos, passou por uma disputa de pênaltis e fez um jogo satisfatório contra a Colômbia. Com uma seleção que majoritariamente brilha em grandes times, campeões por vários clubes europeus, em Copas a experiência é pequena – apenas seis dos 23 convocados sabem o que é disputar uma. Única seleção presente em todas os mundiais realizados, mais vezes campeã, tem a bênção e o fardo de conquistar o hexa em casa. Dos quatro semifinalistas, é o que levantou a taça Fifa a menos tempo: bateu a Alemanha por 2-0 na Copa do Oriente. Sob a batuta do mesmo Felipão, à época com bigodes menos esbranquiçados; que apostou num esquema com três zagueiros, em Ronaldo e Rivaldo vindo de lesão, e bancou a ausência de Romário. Este, inclusive, foi o único encontro entre as duas nações acostumadas a jogarem o mundial. Nossa campanha tem 10 gols marcados e quatro sofridos; uma sofrida disputa de penalidades contra o Chile e um 2-1 contra a Colômbia nas quartas. Para enfrentar a Alemanha, nem estrela do time, nem o capitão: Neymar está fora após sofrer dura falta de Zuñiga e Tiago Silva recebeu o segundo amarelo. Entretanto, o esquete canarinho tem bons suplentes, e um treinador que costuma tirar o melhor de seus homens em situações adversas. Se ainda não convenceu, é uma equipe que tem toda condição de chegar ao Maracanã dia 13.

Com todo respeito às demais seleções, que os deuses do futebol conspirem em nosso favor e, depois de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, que 2014 possa ser o ano em que costuraremos mais uma estrela no peito.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Não é todo dia que se vê um jogo de Copa do Mundo

por Pedro Mox*

O horário da partida era uma da tarde, mas às nove eu estava pronto. Não é todo dia que se vê – e porque não, sente – um jogo de Copa do Mundo. O estádio Governador Magalhães Pinto, popular Mineirão, receberia o último confronto do grupo D; o temido grupo formado por Itália, Uruguai, Inglaterra e Costa Rica. Àquela altura, entretanto, o “grupo da morte” mostrava-se letal apenas aos campeões mundiais: os caribenhos jogavam por um empate, que lhes asseguraria a primeira colocação. Itália e Uruguai digladiariam pela segunda vaga, aos ingleses restava tentar não realizar a pior campanha do país na história em mundiais.

O trajeto até o estádio mostrava-se descomplicado até a metade do caminho, quando filas intrínsecas a eventos de tal magnitude acabam aparecendo. Nas proximidades do estádio, diversas placas apontavam o caminho de estacionamentos e entradas para pedestres. Estaciono sem problemas e faltando pouco para o meio-dia avisto o imponente estádio de capacidade para 62 mil torcedores. Seu entorno tem chão acimentado, na cor do estádio, que por fora não me parece muito diferente do “velho” Minera. Uma gigantesca faixa com grafismos do evento exibe a frase “Bem vindos a/welcome to Belo Horizonte”. Todas as placas, bem como informações vindas pelos alto-falantes do estádio são em inglês e português.

Ao contrário do que imaginei, em nenhum momento foi-me solicitado o ingresso nos arrabaldes do Mineirão. Bem verdade que era um “amistoso”, mas o clima de alegria e descontração era geral – como imagino ser também nos outros. Fantasiados, caras pintadas, perucas, todos os tipos mais excêntricos que aparecem na TV estavam lá. Dezenas de camisas de clubes e seleções também conviviam harmonicamente: Brasil, México, Argentina; Cruzeiro e Galo; times de outros estados... Um mar de cores que, tal qual o vento em um deserto, formava e destruía belos mosaicos a cada instante.

A primeira entrada é um raio-x, para bolsas e pessoas – idêntico aos de aeroportos. A fila é organizada e não leva mais de 10 minutos. Não é permitido entrar com nenhum alimento, o que me fez pensar o desperdício de milhares de barrinhas de cereal ou biscoitos tipo social club. Acharia ótimo se, em vez de um lixeiro, houvesse um cesto de doação que pudesse aproveitá-los. Já mais próximo, mas ainda fora do estádio, está a entrada de fato, na qual uma voluntária passa meu ingresso num leitor óptico e deseja “boa partida” – sem catracas ou barreiras. Não sei se tal logística permanecerá nos jogos do brasileirão.

Dentro há mesinhas e lixeiras, com separação do que é reciclável. No momento que fui, os banheiros estavam limpos, mas metade das pias não tinha água. Os bares oferecem sanduíche natural, hambúrguer, salgadinhos. Fiquei feliz ao ver que o famoso tropeiro do Mineirão continua lá, ao preço de 15 reais, vendido numa quentinha de isopor. E continua saboroso. Para beber, Budweiser, cerveja oficial da copa, R$ 13; e Brahma, patrocinadora nacional do evento, R$ 10, ambas 473ml (equivalente a um pint estadunidense). Coca cola, num copo que traz também o jogo do dia. Aí está uma grande cretinice da FIFA, na minha opinião: o bar só aceita cartões Visa, patrocinadora do evento. Se o torcedor tem 10 em dinheiro e cartão Master, é obrigado a ir ao caixa eletrônico do estádio para sacar em espécie.

Compro minha cerveja – ou melhor, compro um copo e ganho a cerveja – e sigo para meu lugar: anel superior, cadeira em frente ao círculo central. O melhor lugar para se assistir a partida. Se por fora não mudou muito, internamente é um novo estádio, não lembra em nada o antigo Mineirão. O locutor pede aos presentes que se levantem para os hinos nacionais, e ambas torcidas os cantam alto. No anel inferior, à minha esquerda, a maioria inglesa; à direita costarriquenhos. A torcida brasileira torcia em massa para os latinos, e porventura eu fosse um dos poucos brasileiros torcendo pela terra da rainha – inclusive com a bela camisa vermelha de 66. Os telões alternam a exibição do jogo, com placar e tempo, com torcedores que vez ou outra produzem vaias ou aplausos.

Sem muitas pretensões por parte das equipes, futebolisticamente o jogo é fraco. Mas as torcidas dão show, com grito de “chicos” e “go england”. Fico lá sentado, literalmente apenas assistindo. Mas, esse modo “padrão fifa” é muito chato para mim. No intervalo, rumo ao setor britânico; já no acesso me sinto num território gringo, só ingleses falando alto e tomando Brahma como se fosse Carling. Na arquibancada, em meio a muitas bandeiras da Inglaterra, arrumo um lugar na reta da bandeira de escanteio, na verdade quase no corredor. Ali não tem assento marcado e todos vêem o jogo de pé. Muitos tem os três leões da FA (a CBF inglesa) tatuados; apesar de o jogo não valer nada eles cantam e incentivam o time como se a vitória valesse algo mais que uma despedida honrosa.

As entradas de Gerrard e Rooney dão novo ânimo, Sturridge e Sterling até executam boas jogadas. Braços erguidos, os “pais do futebol” cantam “shall we sing a song for you”, a melodia de “Hey Jude” dizendo “En-gland”. Não há como não acompanhar. Já nos acréscimos o fair play dá lugar às provocações naturais do futebol: torcida grita “olé”, “eliminados”, e vejo alguns copos voando da parte superior em nossa direção. Os ingleses mostram o dedo do meio e continuam cantando; foi o único momento no qual ponderei que algum incidente poderia acontecer – eu não vi, mas li que a tropa de choque cercou os eliminados mais exaltados para evitar qualquer confusão, que de fato não houve.

Apesar de um segundo tempo de muita garra, o placar permaneceu zerado. O que não mudou em nada o reconhecimento daqueles que cruzaram o oceano para acompanhar sua seleção. Após a partida jogadores e técnico se aproximam para agradecer, alguns jogaram camisas, e ali ficaram alguns minutos, admirando a enorme festa feita na arquibancada.

Na saída a fila é muito maior que na chegada, algo que não chega a surpreender dado o público de quase 58 mil pessoas. Todos vão-se com calma, tiram fotos. Uns agora iriam para casa, outros continuam na copa. Se o futebol não encantou, Inglaterra x Costa Rica proporcionou uma inesquecível partida.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

domingo, 25 de maio de 2014

Real e Atlético de Madrid na Liga dos Campeões

por Pedro Mox*

Sete quilômetros separam, em Madri, o estádio Santiago Bernabéu do Vicente Calderón. O primeiro é casa do Real Madrid Club de Fútbol: time recheado de estrelas, mais vezes campeão continental, elenco mais caro do mundo. O segundo, casa do Club Atlético de Madrid: atual campeão nacional, rival citadino do Real, “primo pobre” da capital espanhola. Quis o destino que a primeira final da Liga dos Campeões da Uefa entre clubes da mesma cidade colocasse frente a frente os rivais madrilenhos.

595 quilômetros separarou a terra dos finalistas do palco do jogo, Lisboa. O Estádio da Luz, casa do Benfica, foi o escolhido para receber a final da temporada 2013/2014. Ao Atlético seria a glória, a confirmação de uma temporada perfeita. Treinado desde 2011 pelo argentino Diego Simeone, seria o ápice após levantar, nos últimos anos, La Liga, Copa do Rei e Liga Europa. Ao Real, a salvação após péssima campanha no nacional. Coube ao experiente Carlo Ancelotti arrumar os vestiários e tentar dar rumo ao galáctico plantel madridista.

Com a bola rolando, a estratégia do argentino parecia funcionar – a despeito da substituição de Diego Costa com menos de dez minutos. Consistente marcação no meio de campo, aliada a ataques rápidos pelos lados, encontravam um adversário perdido, apesar da qualidade de seus delanteros. O gol do uruguaio Godín, aos 36 minutos do primeiro tempo, era o que os atleticanos precisavam para manter a tática e erguer a taça “orelhuda”. O segundo tempo não trouxe muitas mudanças, até a entrada de Marcelo e Isco.

Mantivesse sua linha de quatro homens marcando no meio campo, e eventualmente estocando o gol de Iker Casillas, porventura o resultado seria outro. Mas o Atlético, com o passar do tempo, parecia sentir cada vez mas a troféu em suas mãos; e tal ansiedade em campo significou chamar o Real para sua área. E na desorganização ofensiva dos merengues versus nervosismo defensivo colchonero, a primeira levou a melhor.

Cinco minutos separavam os atletis da consagração. Entretanto, é difícil segurar Di Maria, Cristiano Ronaldo e cia. E foi num chute do argentino que Bale aproveitou o rebote, empatando o derby nos acréscimos da etapa final. O resultado improvável, tão próximo aos comandados de Simeone, começava a ruir. O gol, àquela altura, no placar representava apenas o empate; porém, na alma, era uma derrota.

Na prorrogação apenas uma equipe jogou. O peso da desgastante temporada era nítido nas pernas do reduzido grupo rojiblanco. A luta, a entrega, a dedicação que propiciou épicas vitórias sucumbiu ante o vigor e a qualidade do Real – o gol de Marcelo é prova disso. A torcida que passou todo o tempo quieta agora vibrava; a que cantou durante 90 minutos calou.

Nem de longe o futebol é um esporte justo, e fosse minha torcida o caneco teria ido para o Vicente Calderón. Quiseram os deuses do futebol que, em vez de um inédito vencedor, essa temporada da Liga se transformasse em la décima, o décimo título do Real Madrid. Entretanto, há de ser reconhecido, e muito, o vice campeão. O placar de 4x1 não representa em nada a história da partida, na qual o 11 espartano do atlético lutou como pode contra os persas madridistas.

O reconhecimento da torcida colchonera, que ao final da partida aplaudiu seus heróis, demonstra o quanto a equipe conquistou. A taça não veio, mas para mim, nada separa esse Atlético de um time que fez história.

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Em tempo: Note-se a bela organização pré-jogo da Uefa. Tanto a cerimônia no gramado quanto as opções fora do estádio aos torcedores. Tornam o entretenimento maior que os 90 (nesse caso, 120) minutos de bola rolando; o ideal é chegar com duas horas de antecedência para sentir o clima, passear pelos estandes, comprar um souvenir. Da ideia do quanto a Conmebol poderia aprender.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mais uma chance…


por Pedro Mox*

Lembro-me de, inúmeras vezes nos últimos anos, em conversas com familiares ou mesas de bar, argumentar que frequentar estádios no nosso país era algo seguro. Aquele passado dos anos noventa, no qual brigas em clássicos eram quase obrigatórias, havia ficado para trás, e era possível ir e voltar de um jogo sem grandes perigos.

Pois bem, hoje seria obrigado a rever minha posição. A invasão de alguns torcedores ao Centro de Treinamento do Corinthians fez-me repensar em que plano está a segurança do futebol brasileiro. Em pleno ano da Copa do Mundo na nossa casa, o Brasil parece ter regredido várias casinhas no quesito segurança em praças de jogo. Cenas as quais ninguém quer ver – espancamentos, correrias, torcedores “comuns” desesperados – tornaram-se novamente corriqueiras, envergonhando a pátria de chuteiras.

Claro, seria muita ingenuidade pensar que houve um hiato nos casos de violência ligados à torcidas, ou que durante esse tempo ir ao campo era 100% seguro. Entretanto tais conflitos aconteciam, geralmente combinados, no caminho para os estádios, estações de metrô. O interior das arenas reservava-se aos cantos e alegorias.

Todavia, em 2013 esta não foi a tônica. O maior exemplo, não poderia deixar de ser, aconteceu em Santa Catarina, na última rodada do Brasileirão. A partida entre Atlético-PR e Vasco da Gama ficou marcada pela batalha campal entre membros da torcida Os Fanáticos contra Ira e Força Jovem. Partida paralisada por incontáveis minutos, jogadores atônitos em campo, helicóptero para resgatar feridos. Barbárie em estado bruto.

Foi o caso mais emblemático, conquanto houve outros. Na mesma rodada integrantes de duas facções cruzeirenses (Máfia Azul e Pavilhão Independente) brigaram em plena festa de comemoração ao tricampeonato celeste. O estádio Mané Garrincha, em Brasília, viveu tumultos tanto na parte interna, no Vasco x Corinthians, como na entrada, no duelo entre São Paulo e Flamengo. Rodrigo Mattos, do UOL, apurou em seu blog que a edição 2013 do nacional registrou torcidas de 17 times envolvidas em algum tipo de confusão.

Tais fatos nos remetem a outra pergunta: porque atos desse naipe continuam acontecendo? Leniência do Estado, incompetência de autoridades, apatia dos que comandam o futebol, “culpa” das organizadas? Uma mistura disso tudo, porventura. Contudo o principal motivo não é, e pelo jeito mais uma vez, não será atacado: punição a quem comete crimes.

No Brasil todo e qualquer caso ligado a futebol é simplesmente desconexo do mundo real – está inalcançável e inimputável. Experimente discutir com um colega de trabalho e “cair na porrada”. Ou, invadir qualquer estabelecimento privado. Duvido que nada aconteça. Porém, acontecendo em um ambiente futebolístico, há permissão para tudo, como se o motivo justificasse a ação. Dos envolvidos no incidente da Arena Joinville, não há mais nenhum detido – e ficará por isso mesmo, como todos os outros casos aqui citados ou não.

Em reunião no dezembro último, diversas autoridades discutiram o que poderia ser feito em 2014 para que acontecimentos desse tipo não voltassem a ocorrer. Dentre elas Aldo Rebello, ministro do esporte, José Eduardo Cardozo, ministro da justiça, Flávio Sveiter, presidente do STJD e Weber Magalhães, vice-presidente da CBF.

Infelizmente, nenhuma novidade nas conclusões do grupo. Medidas usualmente sugeridas já mostraram-se ineficientes; não adianta acabar com organizadas – que tem sim belo papel nas festas da arquibancada e tem importante papel nos jogos – criar juizados especiais, realizar partidas com portões fechados, entupir estádios com câmeras...

A simples aplicação da lei, a mesma que qualquer cidadão está submetido em seu cotidiano é o maior passo que o estado brasileiro pode dar. Aos envolvidos em brigas, as mesmas penas que sofreria qualquer um pelo mesmo ato efetuado em outras circunstâncias. Talvez assim consigamos avançar alguns passos e, quiçá, chegarmos a estádios sem divisão entre campo e arquibancada.

Que não precisemos de uma tragédia de Heysel para que realmente algo seja feito.

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*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Democratizar a mídia não é tolice

por Pedro Mox*

Em meio à visita do papa, frio e neve em Santa Catarina, volta do Brasileirão, eis que leio o título do editorial do Diário Catarinense, do grupo RBS, salvo engano dia 15 do último mês: “democratização da mídia?”. Atentei ao texto.

A primeira frase já assusta: “Embora não seja uma demanda do país, mas de grupos minoritários movidos por ideologias fundamentadas no radicalismo, a chamada democratização da mídia tem aparecido secundariamente na pauta das manifestações que mobilizaram os brasileiros”. A conclusão mais óbvia e ululante é: manifestação que me interessa, ok; manifestação que não me agrada, não pode.

De fato é notável o contorno criado pela grande mídia desde os primeiros protestos em SP (os que não eram por vinte centavos) até a invenção do “gigante desperto”. Enquanto ela pôde ser utilizada como jogo político, tudo certo; quando pautou um tema deveras relevante – e nem um pouco interessante aos donos de jornal – passou a ser desacreditada e esquecida.

O próprio uso do radical pretende passar ideia, pejorativa, de alguém cego por sua crença. É importante, todavia, diferenciar o sectário – este sim adequado à descrição anterior – do radical, ou seja, que visa transformar pela raiz, por completo. E a mídia brasileira, sem dúvidas, merece uma reforma radical.

O texto segue na mesma balela de sempre, a tão enaltecida “liberdade de expressão” - que na prática é a liberdade de expressão do dono do jornal – e chega ao cinismo de dizer que “só quem não aceita conviver com críticas é que pode pretender a tutela sobre os meios de comunicação e da imprensa, que já são submetidos diariamente ao mais eficiente dos controles, a escolha livre do público.

Creio não ser a livre escolha ao meio de comunicação um dos mais eficientes métodos de controle, dado o festival de bobagens enfiado goela abaixo em qualquer um que assista televisão, seja na parte jornalística quanto o do entretenimento. Pior: cada vez mais e de maneira mais explícita, jornalismo e entretenimento se confundem, como se confundem também informação com propaganda e, neste caso específico, uma evidente propaganda ideológica.

Com alguns números, o texto argumenta que não há falta de pluralismo na mídia brasileira, visto existem milhares de publicações, sites, canais. E completa: “sob o falso pretexto de que os meios de comunicação são dominados por poucas empresas proprietárias que não refletiriam a pluralidade e a diversidade da sociedade, determinados fóruns e segmentos de partidos políticos pressionam governo e Congresso pela aprovação de uma lei com potencial para impor restrições à liberdade de informação”.

Entretanto, há de se ponderar uma série de questões. Mesmo com a grande quantidade de veículos, grande parte deles pertence a mesma empresa. A RBS, por exemplo, segundo o site Donos da Mídia, é a terceira maior detentora direta de veículos do país, com 18 emissoras de televisão, 21 rádios FM, cinco AM e oito jornais. Diante disso, é lógico que o editorial do Diário Catarinense seja contra a democratização dos meios de comunicação.

Quem se preocupa com a regulamentação da mídia não são fóruns ou clubes do bolinha, mas a sociedade. Pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela Federação Nacional dos Jornalistas, mostrou que 75% dos brasileiros são favoráveis à criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Outra pesquisa, o “Perfil do Jornalista Brasileiro”, divulgada em abril último, também aponta que três quartos da categoria apóia a criação do órgão. Se todo ofício conta com alguma regulamentação, por que seria a imprensa detentora desta “aura de honra e justiça”?

A opinião do jornal, no editorial, de fato é o espaço para tal. Preocupa-me, contudo, a afirmação que discussões sobre democratização da mídia são tolices, fruto de desmiolados sem mais o que fazer; quando ela é de extrema relevância para país. Quiçá por isto, tão temida e combatida.

*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

sábado, 6 de abril de 2013

Otimistas, pensem bem (mais)


por Pedro Mox*

Algum tempo atrás, Mino Carta utilizou cena do filme Os Companheiros para titular sua coluna semanal: “Que país é este?”. Tomo emprestada a pergunta ao ver os comerciais de Itaú e Brahma, patrocinadores da seleção brasileira de futebol – ambos produzidos pela mesma agência.

O mote de um é “imagina a festa”, do outro “vamos jogar bola”. E eu penso, as preocupações do brasileiro hoje são tão pífias que devemos apenas relaxar e assistir o maior espetáculo do futebol em nosso quintal tomando uma gelada?

No um minuto do filme da cerveja, o expectador é levado a crer que todos os problemas nacionais serão resolvidos num passe de mágica, apenas porque somos brasileiros. Exibe um pôster com Ronaldo fenômeno à tio Sam e os dizeres pessimistas, pensem bem. Ou seja, toda e qualquer voz discordante é um pessimista, um cidadão que não valora seu país, quase um traidor da pátria.

Diz “temos os maiores clássicos”, o que é verdade. Um derby entre Palmeiras e Corinthians não perde em nada aos grandes jogos europeus. Entretanto, a violência aqui existente também não. O sociólogo Mauricio Murad, em seu livro Para Entender a Violência no Futebol – lançado ano passado – mostra que em 2012 aconteceram, até setembro, 17 mortes relacionadas a torcidas de futebol.

Enquanto na Inglaterra torcedores violentos são banidos, aqui nada acontece – aliado ao marasmo da justiça brasileira, nada impede quem se mete em confusão de estar semana seguinte na mesma atividade. Belo Horizonte tem sérios problemas com depredação de ônibus em dias de clássico, o que gerou até uma campanha, a gol contra, na tentativa de coibir estragos no patrimônio. Isso não deveria preocupar?

Parte da mídia tupiniquim, junto à confederação brasileira de futebol, quer fazer-nos parecer que nada na copa pode dar errado, que será um grande espetáculo, daremos inveja à Alemanha etc. Pior, qualquer tipo de questionamento é encarado como falta de patriotismo, quase motivo à pena de morte por deserção. O Brasil, contudo, não pode se preocupar em fazer a melhor copa da história, como quer a Brahma. Tem de fazer a sua copa, admitindo as limitações que temos e tentando melhorar o que for possível.

Nossa megalomania permite gastar fortunas na construção de estádios. Mas, e depois do mundial? Um estádio de futebol pode servir para muitos eventos, entretanto sempre será um estádio de futebol. Cidades como Manaus ou Cuiabá, cujos times ao final da temporada 2012 jogam apenas a terceira divisão, realmente necessitam de tais estruturas? Será que o Estádio Nacional, em Brasília, receberá o clássico câmara x senado?

Natal, que tem três times na primeira divisão estadual, já possui três estádios, mesmo assim está sendo erguida a Arena das Dunas. Em São Paulo, por birra da FIFA um novo estádio está sendo construído, quando uma reforma no Morumbi era plenamente plausível.

Reportagem publicada no portal Uol mostrou que a previsão de gastos com construção/reformas em estádios para o mundial subiu 992 milhões de reais: dos 5,912 bilhões de reais estimados em 2010 para 6,904 bilhões. Com um detalhe que agrava drasticamente tal cenário: 97% deste valor será bancado com dinheiro público. E ninguém garante que esta quantia não vai aumentar. Lembremos dos jogos Panamericanos realizados no Rio de Janeiro. Inicialmente fora orçado em 400 milhões de reais, mas no apagar das luzes sua conta foi bem mais salgada: passou dos 4 bilhões.

No livro Gol Contra, o jornalista inglês Andrew Jennings explica claramente como a FIFA realiza seus negócios – e sua conduta ética passa longe do louvável. Não é a toa que João Havelange presidiu a entidade por 24 anos, e Joseph Blatter reina desde 1998. Eleições recheadas de escândalos, acordos escusos, propina... Mas atenho-me à declaração de um executivo da Mastercard, à página 308 da obra, após um negociação sem muito fair-play por parte da football association: “(qualquer empresa) deveria ter sérias preocupações ao fazer negócios com a Fifa, onde a mentira, a fraude e a má-fé são o procedimento-padrão”.

O caos aéreo, que não é de hoje, também não apresenta muitas perspectivas de melhora. Absurdos como vôos cancelados e o passageiro que se arrume não são casos isolados. Nossos estádios – não no evento copa do mundo, mas hoje, jogos comuns para pessoas comuns – deixam a desejar em diversos aspectos. Dificuldades de acesso, filas quilométricas para entrar, falta de planejamento. Não seria o caso, por exemplo, dos trens funcionarem até mais tarde em dias de jogo no Engenhão?

Em junho próximo teremos a Copa das Confederações, evento teste para a Copa. Será uma boa oportunidade para ver, além de como está a seleção, como será o transporte dos torcedores, acomodações, organização nos estádios etc. Até lá, que Charles Miller nos ajude.

*Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Cansei de ser honesto

Cansei de ser honesto. Daqui por diante roubarei, passarei a perna nos outros, seguirei à risca nossa famosa lei de Gérson, “levar vantagem em tudo”. Para me livrar de toda e qualquer acusação, direi apenas: sou jornalista.

Claro, isto é uma grande bobagem – a primeira parte, apenas. Infelizmente. Foi o que pensei ao assistir a retirada dos nomes de Policarpo Júnior, redator-chefe e diretor de Veja em Brasília, e de mais quatro jornalistas da CPI do Cachoeira, no final do ano passado. Policarpo relaciona-se com Cachoeira, segundo o relatório, desde 2004, atuando em favor do grupo do contraventor. Servir também “aos desideratos valorativos e às visões de mundo que movimentavam uma determinada linha editorial”, como explica reportagem de Carta Capital. A CPI pedia o indiciamento de PJr por formação de quadrilha.

Em suma, no mínimo uma séria investigação deveria ser feita, e foi, por parte da comissão. Entretanto seu resultado será nulo.

Em seu site, no texto que relata a retirada dos nomes, Veja trata o relatório como “ataques à imprensa”, “tentativa de atingir sua credibilidade”. No entanto, as dezenas de capas publicadas com denúncias infundadas, falta de provas e textos tendenciosos são plenamente aceitos em sua redação. Suposições transformam-se em fatos, e ninguém se importa com provas. As gravações com conversas entre Policarpo e Cachoeira, bastante contundentes, parecem entretanto não convencer seus editores.

O jornalista Luis Nassif, autor de ampla análise sobre o semanário, resume o “método Veja de fazer jornalismo”: Veja se especializaria em “construir” matérias que assumiam vida quase independente dos fatos que deveriam respaldá-las. Definia-se previamente como “seria” a matéria. Cabia aos repórteres apenas buscar declarações que ajudassem a colocar aquele monte de suposições em pé.

O juiz britânico Brian Levenson
A liberdade de imprensa é, sim, direito assegurado a todo jornalista. Da mesma forma, está escrito no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, muito próximo ao direito à informação: “a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas”. Porém, estranhamente esta parte nunca é citada pela grande mídia que adora reclamar qualquer questionamento como “censura”.

Tal liberdade também precisa ser analisada com critério, levando-se em conta quem comanda a telecomunicação no Brasil. Basicamente, podemos dizer que seis grupos pautam o noticiário em nosso país – aí incluídos jornais, TVs e rádios: Globo, Abril, Folha, Estado, Bandeirantes e Record. Apenas a Abril, dona da Veja, detém 74 veículos, conforme o site Donos da Mídia. Toda a proposta de regulamentação é tratada como tentativa de censura, ainda que emissoras sejam concessões públicas. Enquanto isto, no Reino Unido, o juiz Brian Leveson recomenda a existência de uma lei de imprensa, após os escândalos com o magnata das comunicações Rupert Murdoch.

A grande mídia age defendendo claros interesses políticos e econômicos – todavia travestidos na carapuça da “imparcialidade e objetividade”.

Quando um prédio desaba, o engenheiro responsável é procurado. Se esquecer um bisturi na barriga de alguém, o médico sofrerá consequências. Então por que jornalistas não devem ter responsabilidades, ou pior, não podem ser investigados quando agem com má-fé? A imprensa não está acima do bem e do mal, embora goste de pensar assim, e deve obedecer às mesmas leis que qualquer cidadão. Ao escrever, o jornalista tem o dever de informar sem distorcer informações, como diz o juramento que fazemos todos os egressos desta academia. Torçamos para que assim seja.

Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

domingo, 25 de novembro de 2012

Coisa Íntima # 341

Série Coisa Íntima
Autorretratos por fotógrafos profissionais e amadores.
Participe, saiba + 

“Tirar a própria fotografia é a terceira coisa mais íntima que uma pessoa pode fazer com ela mesma, depois da masturbação e do suicídio”. 





Título: 341
Autor:
Pedro Mox
Descrição:  341 to abbotsford avenue
Data: Junho de 2011

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Um rolê em Amsterdã

Para uns, Amsterdã é a cidade da maconha. Para muitos outros também, e de fato poder fumar ou comprar sem problemas é um dos atrativos utilizados para atrair turistas. Todavia, é também singular por n motivos que fazem por merecer uma visita.

Muito arborizada e entrecortada por canais, é gostoso passear por suas ruas – se o clima ajudar, claro. A parte central, mais próxima do mar, tem muitas lojas, a maioria dos coffe shops, o red light district. Um pouco distante vê-se apenas residências, casas muito boas, como nos entornos do Vondelpark, o maior da cidade, ótimo para um piquenique ou apreciar as holandesas no banho de sol.

No meio do parque há uma grade circular utilizada como achados e perdidos do local. Quando alguém encontra um objeto, o pendura e ali ele fica até o dono pegar. Fiquei intrigado ao ver um tênis (só um pé)...

Achei o clima local um misto de liberdade com um quê de pesado – Amsterdã respira sexo e drogas. Em qualquer birosca encontra-se biscoitos, sementes, pasta dental, camisinha e tudo que puder ser feito de maconha. Numa delas, na qual minha amiga queria comprar um guarda-chuva, o vendedor nos ofereceu um doce ótimo e totalmente seguro. Achei prudente não confiar nele.

O famoso red light district não passa de algumas vielas nas quais prostitutas ficam em vitrines a espera de seus clientes. Há todas as idades e etnias, e acho que 80% dos que lá vão são atraídos pela curiosidade, não pelos serviços.

Ao contrário do Brasil, lá acontece tudo acontece à luz do dia e de forma legalizada. No entanto, é impactante assistir a uma mulher exposta vendendo a si mesma.

Os coffe shops são um capítulo a parte. Pensava que encontraria vários locais bacanas, esperando clientes para relaxar. Ledo engano, a maioria deles é apertado, meio capenga e com uns três chapados encostados num canto. Ficaria decepcionado, mas a sorridente garçonete do restaurante do Amsterdan Museum deu-me uma boa sugestão de onde ir, indicando o Dampkring – isto após trazer minha almôndega tradicional holandesa com mostarda especial. Descobri ser uma almôndega comum num pão de trigo e um sache de mostarda, mas valeu.

Voltando ao coffe shop, o Dampkring serviu de locação para o remake de “11 homens e um segredo”. Há fotos de George Clooney e Brad Pitt na parede, além de cenas do filme. O atendente conta que, durante as gravações, Clooney apenas visitou o lugar, enquanto Pitt provou algumas de suas especialidades.

O cardápio tem uma dúzia de opções, todas com descrições de o que provocam e preços entre 8 e 20 ou 25 euros o grama. E também os famigerados space-cakes, bolinhos de maconha.

Outra experiência que só Amsterdã pode proporcionar diz respeito ao hostel. Quando chegamos não havia ninguém, após uns 20 minutos aparece um cara jovem, de óculos way-farer com uns desenhos que lembravam o metrô londrino e cara de chapado. Pergunta, com uma voz lenta “are you the brazilians, Yes?”.

Figura, nem havia como ficar brabo com ele, nem mesmo após ser acordado às três da manhã por um casal que teoricamente ocuparia o quarto aonde estou. O gerente obviamente sumiu, e ninguém sabe o que acontece. Uma ligeira mudança e três mochilas depois estou num quarto novo – apenas pela sorte que minhas amigas não foram a nenhuma balada, senão provavelmente eu teria dormido com eles.


A capital holandesa é relativamente pequena, fácil de andar. Bicicletas são vistas por todo canto, é o principal meio de transporte – embora os bondes sejam também bastante úteis. Tanto neles quanto nos metrôs ou trens não há catraca, porém ser pego sem bilhete implica em pagar 50 euros no ato. O problema é que, até eu descobrir isto, dei umas voltas na boa vontade do condutor.

Ao deixar a cidade o motorista do ônibus “lembra” aos passageiros que na Inglaterra portar quaisquer substâncias como marijuana, cocaína, êxtase é terminantemente proibido, que as autoridades aduaneiras são severas, têm cães farejadores; e encerra “aconselhando” os passageiros que porventura esqueceram alguma coisa no bolso a irem no banheiro despejar o conteúdo. Aos esquecidos, nada mais apropriado.

Pedro Mox, fotógrafo, especial para o NR

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Notas sobre Praga


No avião meu pensamento era “Praga é indescritível”. Por n razões, acho que é mesmo. Aterrissamos no aeroporto Ruzyne por volta das 10h da manhã. Ao chegar a República Tcheca o primeiro estranhamento é sua moeda, a Coroa (ou Koruna, em tcheco).


O bilhete do aeroporto ao centro custava 32, saquei então 300 para toda a viagem. Engano ao qual percebi quando passei pela casa de câmbio: uma Libra equivale a 30 coroas. Ou seja, o dinheiro não vale nada, e passei toda a viagem fazendo cálculos difíceis (para minha cabeça de jornalista) a fim de descobrir quando as coisas realmente custavam.

O bilhete incluía ônibus e metrô até a estação aonde deveríamos descer. Nenhum dos dois tem catraca, como alguns outros países por aqui, apenas um pequeno poste para validar o tíquete.

Durante o percurso via ônibus vejo o orvalho pela grama e grades, mas minha esperança de ver neve não se confirmou. Nosso destino, Staromestská, no coração da cidade, de onde passamos pelo café Kafka até a praça central – ali estão a igreja de Nossa Senhora de Tyn e o relógio astronômico. Este está instalado numa torre de onde vê-se toda a cidade, e tive a sorte de subi-la num momento mágico de luz.

Outro ponto famoso é o castelo de Praga, numa encosta de onde é possível admirar a cidade e o rio Vltava. Meus pés quase congelaram com -1oC, todavia faria novamente todo o trajeto. Na verdade tal temperatura não é tão insuportável, apenas no dia seguinte troquei o casaco de dentro por um mais quente, coloquei duas meias e minha bermuda de dormir por baixo da calça.

A hospitalidade dos habitantes locais é inversamente proporcional às belezas da cidade. Aprendi três palavras para ser cordial, ahoj (oi), dekuji (obrigado) e prosím (por favor), que a recepcionista do hostel nos ensinou sem muita vontade.

Mesmo assim o atendimento não muda muito – em quaisquer estabelecimentos fui tratado como se estivesse pedindo um favor dificílimo de ser feito. Mesmo que quisesse apenas comprar um refrigerante. Não há supermercados, mas pequenos mercadinho estilo “de bairro”.

Ao comprar uma bolacha e verificar que me devolveram 100 coroas a menos, tentei polidamente requerer o montante. A mulher não somente olhou dentro da minha carteira para ver se não tinha dado a quantia certa como ao me entregar resmungou algo tipo “cai fora daqui”. Já a garçonete do café no castelo, questionada sobre quando custava um chocolate quente, respondeu-nos em tcheco, falou meia dúzia de coisas, trouxe a conta, disse mais um monte de palavras que não faço ideia e apenas compreendi “pay, pay, pay”.

Dois figuras no entanto foram muito gente-fina. Um, Richard, um angolano que entregava flyers de um restaurante e nos ajudou a encontrar o hostel. Ficou feliz ao ver que retornamos à noite ao seu restaurante para jantar; casado com uma tcheca e com dois filhos (cuja foto nos mostra no celular), fala um pouco de sua vida na República Tcheca.

O outro, Jan, encontramos no bistrô mánes (fiz uma foto em homenagem à manezada da ilha). Ele deve ter uns 60 anos, trabalha ali e em um restaurante, dois empregos numa cidade a qual considera cara. No mapa nos mostra um bom caminho para passear, além de sua casa.

Pergunto sobre um drinque local, ele sugere Becherovka. Seu inglês não é muito bom, entretanto se esforça para nos entender. Pelo que percebo, a bebida é feita com algum arbusto cultivado ao leste da República Tcheca. Saborosa.

Os Tchecos adoram vinho quente – algo muito similar ao nosso quentão. A propósito, a feira da praça central é praticamente uma festa junina, várias barraquinhas, palco, comilanças. Eles fazem um doce que lembra uma massa de croissant enrolada num cilindro metálico que fica assando na brasa, o ceske trdlo.
Também lombo suíno e uma espécie de nhoque sem molho, feito na chapa com cebola e bacon. Bem sem graça. A cerveja é Pilsner Urquell, bastante encorpada e saborosa. Impressionou-me também a quantidade de luvas perdidas pela rua, se juntasse todas teria uns quatro pares.

Dormi confortavelmente no aeroporto esperando o vôo das cinco da matina. E vi as duas policiais mais bonitas da minha vida, tentei tirar uma foto com ambas, sem sucesso. Realmente, Praga é inesquecível.

Pedro Mox, fotógrafo, especial para o NR
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