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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Relato do repórter fotográfico Victor Moriyama, detido pela PM no Ato contra a Copa do Mundo

Detido pela Polícia Militar durante três horas na tarde do último sábado, 22 de Fevereiro de 2014, durante o segundo grande Ato contra a Copa do Mundo no centro de São Paulo, o repórter fotográfico Victor Moriyama, colaborador do Nota de Rodapé, conta que foi agredido e impedido de exercer sua profissão durante a cobertura para a agência Getty Images. Além do seu relato, NR publica o vídeo de sua detenção, no qual o policial diz que o "crachá anda no peito ou ninguém vai saber quem é você". A imprensa, como mostram os relatos e os vídeos que circulam na internet, teve o trabalho cerceado, assim como os manifestantes tiveram o direito a manifestação violado.


“Relato da violência a imprensa e a sociedade no segundo grande Ato contra a Copa do Mundo”

São Paulo, Brasil, 22 de Fevereiro de 2014

por Victor Moriyama

Na tarde do último sábado, 22 de fevereiro de 2014, manifestantes organizaram o segundo Grande Ato contra a Copa do Mundo no Brasil, na cidade de São Paulo, que acabou sendo um dos mais violentos desde o início dos protestos iniciados em junho de 2013. No último ato, ocorrido no dia 25 de janeiro, o fotógrafo da Agência EFE Sebastião Moreira fora agredido por um policial. Outros companheiros de profissão sofreram agressões muito piores ao longo do último ano enquanto cobriam os protestos pelo país, os quais tiveram seu ápice no triste falecimento do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, atingido por um morteiro disparado por um manifestante.

Quando cheguei ao protesto, por volta das 17hs, senti uma energia pesada no ar e essa era a mesma sensação dos colegas de imprensa que conversei. Acho que prevíamos a violência que estava por vir.

No protesto do dia 22, que reuniu cerca de 1.000 manifestantes, as agressões físicas e morais à imprensa e aos manifestantes de forma generalizada pela Polícia Militar continuaram.

O tumulto, que acabou virando pancadaria promovida pelos dois lados, Policiais e Manifestantes, começou não sei ao certo como e por qual motivo, muito menos de qual lado se iniciou. O que presenciei foi uma rápida ação policial, que em maior número, cercou rapidamente centenas de pessoas, dentre os quais jornalistas como eu e outros colegas da imprensa. Eu, exercendo minha profissão, também fui agredido por cassetetes, mesmo mostrando meu crachá de imprensa e tentando dialogar e acalmar os ânimos.

Neste momento, diversos jornalistas foram detidos e/ou agredidos, dentre os quais: Bárbara Ferreira, O Estado de São Paulo; Paulo Toledo do portal G1; Reynaldo Turollo do jornal Folha de São Paulo; Sérgio Roxo, O Globo; a Fotógrafa Alice Martins, Vice Brasil; e, o fotógrafo Bruno Santos, do portal Terra. Em poucos minutos, fomos cercados por um número muito superior de policiais que com seus cassetetes agrediam as pessoas que pediam calma e tentavam dialogar. Os oficiais os ignoravam enquanto os manifestantes entoavam em coro a frase: “SEM VIOLÊNCIA!”.

Tive lesões nos braços e nas mãos que resultaram na quebra da minha ferramenta de trabalho, fato que me impediu de registrar as ações de abuso, coerção e violência cometidas pelos policiais.

O cerco realizado pelo Pelotão Ninja da Polícia Militar durou cerca de uma hora e muitos manifestantes, jornalistas e advogados foram retirados do local com truculência. O Governo do Estado de São Paulo adotara ontem uma nova medida para conter os manifestantes: técnicas de jiu jitsu, arte marcial que prevê imobilizações. Comigo não foi diferente, fui retirado do cerco com uma chave de pescoço, e encaminhado para a calçada com outros 200 manifestantes. Durante todo este período argumentei com os policiais que eu trabalhava para a imprensa e gostaria de comunicar isso a um oficial superior. Sem sucesso. Advogados do grupo “advogados ativistas” que prestam serviço gratuito aos manifestantes presos durante os processos foram impedidos de exercer seu trabalho e retirados do bloqueio com golpes e imobilizações da técnica jiu jitsu.

Esse cenário propicia a seguinte indagação: o que é ordem para o Estado? os policiais seguem uma filosofia imposta que impõe a violência e a brutalidade em vez do diálogo. Pela primeira vez na vida tive a sensação clara de estarmos no mesmo clima da ditadura que completa 50 anos em 2014. Tive meu trabalho impedido moral e fisicamente, além da quebra parcial do meu equipamento fotográfico e a forte sensação de que a polícia e governo do Estado ainda se orientam pela violência presente na ditadura. A triste experiência do 22 de fevereiro me remete ao sofrimento incomparável que os manifestantes e presos políticos passaram durante o período do Golpe Militar no Brasil.

A polícia que quer passar à sociedade uma postura de ordem e organização se mostrou bastante desorientada sobre como encaminhar os detidos. Após o cerco fomos levados para diversas delegacias da região central, sem a posse dos nossos pertences e, portanto, sem comunicação para denunciar e buscar ajuda ao grupo. Outros colegas da imprensa e os advogados que também foram detidos alegam que tiveram seus trabalhos impedidos, pois policiais agiram com violência contra os instrumentos de trabalho além de ameaçados verbal e fisicamente pela força do Estado. Ameaças de morte, assédio moral e físico são práticas recorrentes nos protestos e demonstram a presença totalitária do Estado. É inquietante o fato de a Polícia Militar determinar o que a imprensa deve ou não fazer e divulgar. É uma atitude que impede nosso trabalho.

Após um longo processo de averiguação e encaminhamento à delegacia, fomos liberados um a um e assinamos boletins de ocorrência não criminal, relatando nossas versões dos fatos. Mais do que isso, acredito que o papel dos colegas de imprensa seja denunciar judicialmente os abusos cometidos por policias e cabe a nós, enquanto membros organizados da imprensa, batalhar por uma sociedade mais igualitária e menos opressora.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Exclusivo e histórico: “crise de consciência” da grande imprensa


por Thiago Domenici*

Num momento histórico das comunicações do Brasil, os principais grupos de mídia, aqueles controlados, principalmente, por sete famílias (Grupo dos Sete), publicaram um editorial conjunto, divulgado recentemente, inclusive em horário nobre de televisão, em que admitem a parcialidade das coberturas jornalísticas ao longo da história. “Enganamos nossos leitores, ouvintes e telespectadores durante décadas ao imprimir em nossas coberturas um tom de imparcialidade, quando, na verdade, sempre tivemos intenções que valorizassem somente nossos interesses privados. Admitimos: a imparcialidade não existe”.

Esses interesses, esclarecem, pautavam, sobretudo, as questões políticas, econômicas e sociais. Como forma de amenizar o que chamam de “notícias enviesadas em detrimento da informação de interesse público”, esses grupos de mídia irão lançar um Portal de Transparência, inspirado na Lei de Acesso à Informação, em vigor desde 2012. A ideia é corrigir – com a participação direta do público e dos que se julgarem prejudicados – as informações que estiverem “comprometidas do ponto de vista jornalístico” e que “estão distantes da  possível verdade factual dos acontecimentos”.

Uma Comissão Nacional da Verdade dos Crimes de Imprensa (CNVCI) também será formada, mas a atuação e duração seguia indefinida até o fechamento desta matéria. A CNVCI foi sugestão dos controladores do jornal diário carioca de maior circulação, que recentemente admitiram ter errado ao apoiar o golpe militar de 1964. Além dessas medidas, os donos dos jornais alegaram que o movimento inédito, de aparente arrependimento e acerto de contas com a sociedade, faz parte do que chamaram de “delação de amenização de consciência”, ou seja, algo de difícil compreensão, mas que, uma vez a cada mil anos, pode ocorrer na humanidade. “O capitalismo selvagem fez com que eu e meu jornal perdêssemos o prumo. Por isso, prejudicamos pessoas, instituições e governos, ao passo que isso precisa acabar”, disse o dono da revista semanal de maior circulação do país.

Em busca de uma credibilidade real, não falseada por propagandas que “vendem a ilusão do correto a se fazer”, o grupo propôs um novo Marco Regulatório das Comunicações. “Já passou da hora de assegurar a pluralidade de ideias e opiniões nos meios de comunicação, os métodos de financiamento equânimes, além de promover a participação popular na tomada de decisões acerca do sistema de comunicações brasileiro”, disse o apresentador do telejornal de maior audiência no país. O editorial conjunto, publicado em primeira mão no site www.sonhomeu.org, enumera várias razões para uma guinada nas comunicações, entre elas:

* ausência de pluralidade e diversidade na mídia atual o que esvazia a dimensão pública dos meios de comunicação;
* a Constituição Federal de 1988 carece da regulamentação da maioria dos artigos dedicados à comunicação (220, 221 e 223), deixando temas importantes, como a restrição aos monopólios e oligopólios e a regionalização da produção sem nenhuma referência legal.

O último item, inclusive, é o ponto principal do Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, lançado nacionalmente por um pool de entidades no dia 22 de agosto, em Brasília, que há anos lutam pela bandeira da democratização. O “Grupo dos Sete” afirmou endossar o apoio ao PL publicamente. Afirmaram em nota: “No Brasil há uma grave situação de concentração monopólica da mídia. Sabemos e admitimos que somos parte fundamental desse problema e estamos dispostos a corrigir, seja espontaneamente ou por via judicial, essa aberração. Por isso, vamos colaborar e apoiar qualquer iniciativa que vise romper com esse nó górdio das comunicações no país”.

A repercussão dessa inédita e surpreende decisão foi manchete de jornais em todo o mundo. Em pesquisa divulgada ontem pelo DataNR, a maioria dos veículos internacionais (80%) é contrária a postura do "grupo dos Sete". A população, no entanto, vê com bons olhos a iniciativa: 70% dos brasileiros querem regulação da mídia e, para 35% dos entrevistados, os meios de comunicação defendem os interesses dos donos; apenas 8% avaliam que estão a serviço da população.

Procurados pelo NR, políticos e autoridades que preferem não se identificar admitiram "confusão mental" com a notícia. “Muita gente vai se indignar com as 'novas verdades' que vão surgir”, comentou uma alta figura da república. De fato, o mundo não será mais o mesmo.

*Thiago Domenici, editor e coordenador do NR, escreve fantasias, caso dessa que você acaba de ler (as partes em negrito no texto são reais).

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma imagem que diz muito

A foto é do G1. Quinta-feira das mais tristes da história de São Paulo. NR acompanhou pelo facebook, veja o que publicamos lá. http://www.facebook.com/notaderodape


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Abre as asas sobre nós


por Júnia Puglia              Ilustração Fernando Vianna*

Dois filmes, diferentes no enredo, no contexto e no tempo retratado: o primeiro, “Argo”, é sobre um engenhoso e arriscadíssimo artifício para libertar diplomatas americanos refugiados na embaixada canadense em Teerã, no final dos anos setenta; o outro, “No”, conta a história da campanha pelo Não a Pinochet no Chile, quase dez anos depois da fuga dos americanos do Irã. Vi os dois há poucos dias.

Ambos falam de ditaduras, mas pertencem a um outro tempo, quando o mundo era comandado pela Guerra Fria, os Estados Unidos de um lado, a União Soviética do outro. O embate permanente entre esses dois polos sugava a energia política, e não deixava espaço para quase nada mais. A derrubada do Muro de Berlim, em 1989, que teve um fascinante efeito dominó demolidor de regimes totalitários, estreou uma nova etapa, recebida com júbilo e muita fé no futuro, rumo à liberdade e à democracia, finalmente!

O futuro é hoje. A opressão das ditaduras minguou bastante, ao menos aqui pelos nossos lados. Mas a tirania continua seduzindo, e há que manter corações e mentes bem abertos para reconhecê-la. A verdade é que muitos a amam e desejam, pois não suportam o peso de pensar com a própria cabeça e escolher a vida que querem viver. Dá trabalho e implica assumir responsabilidades.

De mim ela não se esconde. Vejo-a escancarada, tanto na atuação de figuras públicas quanto em manobras conservadoras, estas quase sempre inspiradas em crenças religiosas, que buscam tenazmente o retrocesso e o obscurantismo. Em que pese tudo o que pudemos avançar na compreensão da natureza humana e do valor da liberdade, da capacidade de escolha e da autonomia individual como motores da construção de um mundo mais justo – e não me refiro a nenhuma ideologia ou corrente política – os promotores do conservadorismo e do atraso insistem em que é aí mesmo que mora o perigo, e muita gente vai atrás.

Os exemplos estão por toda parte. De leve: quando um governante decide controlar o que os meios de comunicação publicam, está pura e simplesmente cerceando o acesso à informação, essencial para permitir que cada pessoa tire suas próprias conclusões sobre os fatos. E não sou ingênua a ponto de pensar que a mídia é imparcial ou neutra, muito longe disto, mas quem tenta controlá-la tampouco o é.

Diferentes grupos religiosos que se unem, de forma oportunista e insidiosa, para impedir a aprovação de leis que ampliam direitos individuais – como o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo, por exemplo – estão decidindo e impondo previamente que escolhas todas as pessoas devem fazer, com base nas convicções de algumas. Havendo a possibilidade de optar, todas poderiam tranquilamente decidir segundo sua crença.

Assim como aprendemos a somar e subtrair, a ler e escrever, cozinhar, cuidar dos filhos, fabricar aviões e computadores e uma infinidade de coisas, podemos aprender e ensinar a ser livres e dispensar tutelas. Como em tudo o mais, a insistência, a prática e o incentivo são determinantes. Já pensou? Escolas de liberdade, igrejas de liberdade, famílias de liberdade, empresas de liberdade, governos de liberdade, esta “hermana muy hermosa”. Que traz, no mesmo pacote, a solidariedade e o bem comum. Estou mesmo romântica hoje.


* Júnia Puglia, cronista, mantém a coluna semanal De um tudo. Ilustração de Fernando Vianna, artista gráfico e engenheiro, especial para o texto

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Cansei de ser honesto

Cansei de ser honesto. Daqui por diante roubarei, passarei a perna nos outros, seguirei à risca nossa famosa lei de Gérson, “levar vantagem em tudo”. Para me livrar de toda e qualquer acusação, direi apenas: sou jornalista.

Claro, isto é uma grande bobagem – a primeira parte, apenas. Infelizmente. Foi o que pensei ao assistir a retirada dos nomes de Policarpo Júnior, redator-chefe e diretor de Veja em Brasília, e de mais quatro jornalistas da CPI do Cachoeira, no final do ano passado. Policarpo relaciona-se com Cachoeira, segundo o relatório, desde 2004, atuando em favor do grupo do contraventor. Servir também “aos desideratos valorativos e às visões de mundo que movimentavam uma determinada linha editorial”, como explica reportagem de Carta Capital. A CPI pedia o indiciamento de PJr por formação de quadrilha.

Em suma, no mínimo uma séria investigação deveria ser feita, e foi, por parte da comissão. Entretanto seu resultado será nulo.

Em seu site, no texto que relata a retirada dos nomes, Veja trata o relatório como “ataques à imprensa”, “tentativa de atingir sua credibilidade”. No entanto, as dezenas de capas publicadas com denúncias infundadas, falta de provas e textos tendenciosos são plenamente aceitos em sua redação. Suposições transformam-se em fatos, e ninguém se importa com provas. As gravações com conversas entre Policarpo e Cachoeira, bastante contundentes, parecem entretanto não convencer seus editores.

O jornalista Luis Nassif, autor de ampla análise sobre o semanário, resume o “método Veja de fazer jornalismo”: Veja se especializaria em “construir” matérias que assumiam vida quase independente dos fatos que deveriam respaldá-las. Definia-se previamente como “seria” a matéria. Cabia aos repórteres apenas buscar declarações que ajudassem a colocar aquele monte de suposições em pé.

O juiz britânico Brian Levenson
A liberdade de imprensa é, sim, direito assegurado a todo jornalista. Da mesma forma, está escrito no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, muito próximo ao direito à informação: “a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas”. Porém, estranhamente esta parte nunca é citada pela grande mídia que adora reclamar qualquer questionamento como “censura”.

Tal liberdade também precisa ser analisada com critério, levando-se em conta quem comanda a telecomunicação no Brasil. Basicamente, podemos dizer que seis grupos pautam o noticiário em nosso país – aí incluídos jornais, TVs e rádios: Globo, Abril, Folha, Estado, Bandeirantes e Record. Apenas a Abril, dona da Veja, detém 74 veículos, conforme o site Donos da Mídia. Toda a proposta de regulamentação é tratada como tentativa de censura, ainda que emissoras sejam concessões públicas. Enquanto isto, no Reino Unido, o juiz Brian Leveson recomenda a existência de uma lei de imprensa, após os escândalos com o magnata das comunicações Rupert Murdoch.

A grande mídia age defendendo claros interesses políticos e econômicos – todavia travestidos na carapuça da “imparcialidade e objetividade”.

Quando um prédio desaba, o engenheiro responsável é procurado. Se esquecer um bisturi na barriga de alguém, o médico sofrerá consequências. Então por que jornalistas não devem ter responsabilidades, ou pior, não podem ser investigados quando agem com má-fé? A imprensa não está acima do bem e do mal, embora goste de pensar assim, e deve obedecer às mesmas leis que qualquer cidadão. Ao escrever, o jornalista tem o dever de informar sem distorcer informações, como diz o juramento que fazemos todos os egressos desta academia. Torçamos para que assim seja.

Pedro Mox, jornalista e fotógrafo, especial para o NR

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Liberdade de imprensa é...

Liberdade de imprensa é chantagear políticos...

Liberdade de imprensa é acusar sem provas...

Liberdade de imprensa é espionar celebridades...

Liberdade de imprensa é defender o cartel da informação...

Liberdade de imprensa é fazer lobby em favor próprio no Congresso Nacional...

Liberdade de imprensa é fazer escutas telefônicas ilegais em Londres

Liberdade de imprensa é inventar escutas telefônicas ilegais no Brasil...

Liberdade de imprensa é extinguir o contraditório...

Liberdade de imprensa é criar fichas falsas...

Liberdade de imprensa é criar factóides para a oposição...

Liberdade de imprensa é a oposição repercutir os factóides...

Liberdade de imprensa é acusar os blogs democratas de “chapa branca”...

Liberdade de imprensa é aceitar e barganhar anúncios do governo...

Liberdade de imprensa é especular hipocritamente com a doença alheia...

Liberdade de imprensa é testar hipóteses...

Liberdade de imprensa é assumir-se como partido político de oposição...

Liberdade de imprensa é denunciar a corrupção dos adversários...

Liberdade de imprensa é fazer vistas grossas à corrupção dos amigos...

Liberdade de imprensa é acusar Chávez, Fidel, Morales e Lula...

Liberdade de imprensa é defender Obama, Berlusconi, Faiçal, FHC...

Liberdade de imprensa é banalizar a violência...

Liberdade de imprensa é disseminar o preconceito e o racismo...

Liberdade de imprensa é vilipendiar, caluniar e fugir para Veneza...

Liberdade de imprensa é inventar bolinhas de papel...

Liberdade de imprensa, no Brasil, é para inglês ver...

Liberdade de imprensa na Inglaterra é para brasileiro aprender...

Liberdade de imprensa é divulgar partes do “relatório” do terrorista norueguês...

Liberdade de imprensa é ocultar o direito de resposta ao MST...

Liberdade de imprensa é manipular a opinião pública...

Liberdade de imprensa só vale para o dono do jornal, do rádio e da televisão...

Liberdade de imprensa é para quem paga mais...

Liberdade de imprensa é apoiar as invasões americanas ao redor do mundo...

Liberdade de imprensa é escamotear os genocídios no Iraque, no Afeganistão...

Liberdade de imprensa é apoiar greve de fome de um único dissidente cubano...

Liberdade de imprensa é jogar sujo contra governos progressistas...

Liberdade de imprensa é acusar sem oferecer o direito de defesa...

Liberdade de imprensa é que nem mãe: só a minha é que presta...

Liberdade de imprensa é a liberdade de se criar novas máfias...

Liberdade de imprensa é dar dicas sigilosas para concorrências públicas...

Liberdade de imprensa, às vezes, se compra com 500 mil dólares...

Liberdade de imprensa é aquela que só vale para os apaniguados...

Liberdade de imprensa é ser arrogante com os pequenos...

Liberdade de imprensa é bajular os grandes...

Liberdade de imprensa é difamar celebridades vivas...

Liberdade de imprensa é enaltecê-las depois de mortas...

A Liberdade de imprensa, tal qual é defendida e praticada nos dias de hoje pelos setores mais conservadores da sociedade brasileira, é o apanágio dos ressentidos e a nova trincheira dos hipócritas...

Izaías Almada, dramaturgo e escritor, colunista do NR

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Michael Löwy: “Foi um ato de absolutismo patronal”

O editor do jornal cearense Diário do Nordeste, Dalwton Moura, foi demitido no dia 18 de outubro. Seu “pecado” foi publicar no dia anterior a sua demissão um caderno especial de seis páginas com artigos e entrevista com o autor de dois livros que tratam do marxismo, o sociólogo e filósofo Michael Löwy. Segundo consta, Dalwton foi pautado pela direção do jornal e o argumento da direção do jornal para demiti-lo é de que foi um caderno “panfletário”, “subversivo” e “inoportuno ao momento atual”.
Segundo o site Comunique-se: “a reportagem foi pautada pelo editor-chefe do jornal, Ildefonso Rodrigues, e sugerida pela historiadora e professora Adelaide Gonçalves, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ao comunicar a demissão de Moura, o editor-chefe afirmou que ‘não sabia o conteúdo da reportagem até vê-la publicada’. Segundo o jornalista, que trabalhava há quase nove anos no veículo, o editor informou que o caderno gerou problemas para a direção do jornal. ‘Disseram que gerou problemas, que não teria sido bem recebido pela direção da empresa’, contou Moura. O editor disse que ‘jamais imaginou’ que poderia ser demitido dessa forma, e que a demissão abre espaço para várias interpretações. ‘Jamais imaginei que poderia gerar isso. O caso é complexo e dá margem para várias leituras’.
De acordo com Moura, nem ele, nem a repórter Síria Mapurunga, que fizeram a entrevista com o filósofo, emitiram opinião. A entrevista destacava no título a declaração de Löwy: ‘O marxismo tem de evoluir para uma maior radicalização’.”
O Nota de Rodapé entrou em contato com Michael Löwy, “pivô” involuntário da demissão de Moura. Lowy, nascido na capital paulista e radicado desde 1969 na França, é formado em ciências sociais pela Universidade de São Paulo e é diretor emérito do Centre National Recherche Scientifique, em Paris.

NR - Demitir um jornalista por publicar uma entrevista que vai contra a opinião do jornal é censura? O que pensar desse episódio?
Este episodio ilustra, de forma grotesca, os limites da liberdade de expressão no quadro da imprensa controlada pelo capital. É um exemplo brutal da intolerância das classes dominantes, que controlam os meios de comunicação, em relação a opiniões dissidentes e não conformistas. No caso, eram opiniões minhas e não do jornalista, sua demissão é mesmo um ato de absolutismo patronal.

NR - O senhor já viu algo parecido acontecer em algum outro veículo da imprensa francesa ou de outro país?
Não me vem ao espírito exemplos da França ou de outros países, mas sem duvida existem. No Brasil tivemos a demissão, igualmente mesquinha e intolerante, de Maria Rita Kehl, por haver manifestado, nas paginas do "Estadão" uma opinião política diferente da redação do jornal...

Saiba mais: 
- Um homem contra o medo do pecado de pensar
- Editor do Diário do Nordeste é demitido por publicar caderno sobre marxismo
- Verdade e "verdades" sobre uma demissão  

NR - Como se sente sendo o "pivô" da demissão do jornalista por conta de suas ideias marxistas?
Lamento muito que tenha sido, involuntariamente, o motivo desta demissão. Nunca me aconteceu antes, por mais que conheçamos o caráter de classe da grande imprensa, ficamos surpresos com manifestações tão grosseiras deste espírito inquisitorial. Só me consola saber que o jornalista conseguiu um outro emprego, graças a um gesto de solidariedade da Prefeitura de Fortaleza.

NR - Se fosse ponderar algo a direção do jornal, o que diria?
Diria que a direção deste jornal deve ter saudades dos velhos tempos da ditadura militar, quando o lugar de opiniões marxistas era no xadrez e não nas paginas da imprensa.

Thiago Domenici, jornalista

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Senador, não tenho obrigação de me curvar ao poder

O senador eleito Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou nesta quinta-feira (28) ao jornal Folha de S. Paulo que minha versão sobre o xingamento proferido por ele na última segunda-feira (25) é “mentira de petista”. Após me chamar de “pelego filho da puta”, diz o senador que sou “insolente.”
Vamos por partes. Quanto ao que me toca, o senhor sabe que não é mentira. O que eu lucraria inventando essa história? Como já lhe disse antes, sou jornalista, apenas relato aquilo que vi. Invenções, deixo-as para aqueles que se interessam por elas. Sobre o “petista”, senador, há coisas que a gente precisa provar quando fala. Essa é uma delas. O senhor pode revirar todos os registros do PT que não vai encontrar qualquer ligação entre mim e o partido. Se encontrar, pode escolher o local em que devo lhe pedir desculpas publicamente.
Se não encontrar, faz aquilo que deveria ter feito desde o lamentável episódio: retrata-se, mostrando que, como homem público, sabe reconhecer erros. Um colega seu, o prefeito Gilberto Kassab, já o fez uma vez e, ao que parece, segue vivo. A questão, senador, é que o mundo não está dividido entre tucanos e petistas. Recorrer a simplificações demonizantes, como se tudo que lhe ocorre de ruim na vida fosse culpa do PT, não vai resolver o problema.
Quanto à terceira acusação, a de ser “insolente”, contento-me em analisar o uso histórico desta palavra. Insolente era a característica que se atribuía aos escravos “rebeldes” ou “fugidios”. Depois, como nosso país não apagou certas heranças, passou a ser maneira como as elites chamavam aquele funcionário que tinha a ousadia de ter pensamentos próprios. É aquela empregada que irrita os patrões porque tem a insolência de atender o celular durante o trabalho. É aquele funcionário que enerva o chefe porque tem a insolência de propor que seu salário de miséria seja aumentado.
Então, sob os olhos da elite, sou mesmo insolente. Afinal de contas, não me agacho frente a uma pessoa pelo simples fato de ela ter mais posses ou mais poder do que eu. Muito pelo contrário, olho nos olhos de quem quer seja. Minha espinha, senador, nasceu com essa terrível mania de não se curvar. Sei que há colegas de profissão que não têm problemas em serem subservientes, em terem coleguismos com o poder. O senhor me perdoe, senador, mas não é meu caso, e isso não me faz insolente nem petista.

- A resposta de Aloysio Nunes Ferreira

Diferentemente do que o senhor insinua, sou jornalista sem aspas, jornalista de verdade. Como lhe disse, sou formado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e em algumas das redações para as quais gente de seu partido certamente dispensa grande apreço. Agora, se o senhor ainda não tirou o pé da Casa Grande, lamento. O meu já deixou a Senzala há algum tempo.

João Peres é jornalista, colunista do NR e repórter da Rede Brasil Atual

Reportagem da Folha de S.Paulo de hoje:

Jornalista diz que foi xingado por tucano antes de debate

DE SÃO PAULO

O jornalista João Peres, da "Revista do Brasil", diz ter sido chamado de "pelego filho da puta" pelo senador eleito Aloysio Nunes (PSDB-SP).
A agressão, diz, ocorreu na última segunda-feira, antes de debate dos presidenciáveis na TV Record.
O tucano admite tê-lo chamado de pelego, mas nega o palavrão.
À Folha Peres disse que o tucano teria perguntado para qual veículo ele trabalhava e, depois, teria se negado a dar declarações. "Eu disse: "educado, hein, senador?". Ele respondeu me xingando".
Aloysio Nunes confirma parte da história. "É pelego mesmo. É revista pelega, paga com dinheiro público para fazer campanha. E ele foi insolente. Perguntou se eu não falava com trabalhadores".
Questionado sobre o palavrão, Aloysio disse: "É mentira de petista. Estão querendo me colocar contra a mídia".
A "Revista do Brasil" é ligada ao movimento sindical e foi alvo de representação apresentada pela coligação de José Serra (PSDB), que pediu à Justiça a retirada da revista de circulação, alegando de que estaria atuando em favor de Dilma Rousseff (PT).
Houve decisão favorável à coligação tucana, baseada no argumento de que sindicatos não podem contribuir com candidatos ou partidos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eu também sou filho da puta, senador!

Antes de tudo, minha total solidariedade ao jornalista e colega João Peres. E votos de que continue a desempenhar corajosamente a sua missão de informar.
A arrogância e o desespero dos incompetentes e dos traidores das causas populares têm mostrado a sua face mais obscena nessa campanha eleitoral por parte de um partido que, em tempos nem tão distantes assim, quis representar no Brasil o pensamento de esquerda seja dito “civilizado”. Caiu a máscara!
Com a perspectiva de que venha a público e, mais do que isso, temendo o julgamento popular e da própria justiça brasileira, a nata do PSDB e da oposição como um todo, entrou em queda livre e quer melar o jogo da democracia no país.
O discurso, por vezes inflamado, de vários desses atores, já desliza pela linguagem de esgoto, muito provavelmente a mesma linguagem com que se tratam uns aos outros na hora em que vêm seus interesses contrariados nas grandes jogadas de corrupção em que se envolveram no governo de São Paulo ou na comemoração dos seus patrióticos “negócios”
Com a palavra o ex-vice governador e atual senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes Ferreira que, do alto da sua ignorância e falta de educação ataca um jornalista no cumprimento de sua missão.
Quem é filho da puta, senador? O jornalista ou os que recebem propina da Cia. Alston, essa empresa das licitações do metrô de SP, conforme inquérito que está em julgamento na Europa?
Quem é filho da puta, senador? O profissional de imprensa independente ou amigos que desviam dinheiro do Caixa 2 do PSDB e ameaçam com chantagem se não forem defendidos?
Quem é filho da puta, senador? Quem diz a verdade ou quem vicia processos de licitação em benefício próprio, botando a mão no dinheiro público?
Quem é filho da puta, senador? Quem defende a soberania nacional ou quem entrega a riqueza do país a empresas internacionais, vendendo-as a preço de banana? E que um dia já se disse “revolucionário”?
A lista de perguntas é bem mais extensa, mas não vou maçá-lo com questões que têm a ver com a consciência dos homens que, de fato, são sinceros e honestos na sua trajetória política. Seria esse o seu caso?
Orgulho-me, sinceramente, de não pertencer ao seu grupo social e político. Entre o meu Brasil e o seu, de homens verdadeiramente “íntegros”, prefiro ser um filho da puta, mas com a dignidade de quem não se vende por trezentos dinheiros. E não sou pelego filiado ao Partido dos Trabalhadores.
O fascismo enrustido não passará!

Izaías Almada é dramaturgo e escritor, colunista do NR e do Escrivinhador

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A democracia que só fala com os amigos

Foi com espanto e tristeza que ouvi os xingamentos a mim dirigidos pelo senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Na noite de segunda-feira (25), o ex-chefe da Casa Civil do governo paulista classificou-me como “pelego e filho da puta.” A agressão verbal ocorreu antes do debate realizado pela Rede Record entre os candidatos à Presidência da República.
Ao senador, não havia, até aquele momento, dirigido nenhuma palavra. Tudo o que ele sabe de mim, naquele instante e agora, é que trabalho para a Rede Brasil Atual e para a Revista do Brasil. Parece ser suficiente para que se sinta no direito de proferir insultos: são veículos produzidos por uma empresa privada cuja receita vem da prestação de serviço (venda de anúncios e assinaturas) a pessoas físicas e jurídicas – incluindo sindicatos de trabalhadores.
Foi por conta desse aspecto que o PSDB obteve liminar, via Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vetando a continuidade da distribuição e a divulgação da edição 52 da revista na internet sob a argumentação de que dinheiro do trabalhador não pode financiar material eleitoral - este assunto já foi discutido aqui e a editora apresentou recurso ao TSE, não cabendo de minha parte qualquer argumentação.
O que a mim, como jornalista, é importante debater é a maneira como o senador se sente no direito de tratar a imprensa. É deplorável que, como repórter, tenha de me posicionar contra a agressão que sofri, deixando de exercer o fundamento básico da minha profissão, que é escrever sobre os outros, e não sobre minha vida. O único bem de um jornalista, ao menos daquele que não se presta a coleguismos com o poder, é a palavra: é ela que ouço, é com ela que conto histórias.
Quando o senador classifica a mim como “pelego filho da puta” porque trabalho em um veículo que jamais escondeu sua posição favorável à continuidade do atual projeto de governo, recorre a uma simplificação lamentável. Seguida a linha de pensamento do futuro parlamentar, todos os que trabalham em Veja, Folha, Estado e O Globo são, necessariamente, tucanos – e aí o leitor escolha o adjetivo que deve acompanhar a classificação.
A fala do senador é reveladora da propensão a não lidar com o contraditório. Talvez por maus costumes: quem circula pelos eventos políticos brasileiros sabe a cordialidade com que são tratados alguns líderes políticos, plenamente oposta à ferocidade dispensada a outros. Ao recorrer a esta simplificação, realiza-se um desmerecimento prévio de meu trabalho, numa triste tentativa de intimidação de minha atuação. Simplificação que teve continuidade no Twitter, em que o senador utilizou aspas para dizer que sou jornalista: "O 'jornalista' faz o que eu esperava dele: mente quando afirma que o xinguei de fdp. Chamei de pelego, o que é verdade e, a mim, muito pior."
O senador sabe as palavras que proferiu. Se quer admitir em público ou não, para mim é indiferente. O que não se pode colocar em dúvida é minha formação e minha integridade profissional. Sou jornalista – sem aspas – formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Minha passagem pelo Departamento de Jornalismo e Editoração, portanto, está lá registrada, caso alguém se interesse em averiguar.
Daqui por diante, como o senador espera que se proceda para entrevistar algum integrante do PSDB? Será que a democracia ideal contempla apenas a manifestação das vozes amigas (e queridas), sem espaço ao debate necessário para o amadurecimento da sociedade e, por consequência, da realização do bom jornalismo? O PSDB, que tem recorrido a simplificações para acusar adversários de quererem cercear a liberdade de pensamento, é quem mais nos fornece exemplos deste suposto cerceamento. Já não cabem nos dedos de uma mão: a restrição da circulação da Revista do Brasil, a censura ao jornal ABCD Maior, a tentativa de agressão do padre que se manifestou contra boatos, a ação no Paraná para impedir a publicação de pesquisas eleitorais, a "criminalização" de jornalistas que fazem perguntas efetivas a Serra e, agora, este xingamento.
Uma coisa é a opinião de um veículo. Outra, que não se confunde, é a opinião do jornalista. Esta, manifesto em blogues e nas redes sociais da internet, bem como outras centenas de profissionais da área, e deixo para trás quando estou na condição de repórter. Nas redações nas quais trabalhei, e há nesta lista algumas que o senador seguramente vê com bons olhos, sempre mantive minha posição de não deixar que interesses se misturem. Cumpro o compromisso de ouvir todos os lados. Como teria feito na última segunda-feira, se me tivesse sido conferida, pelo senador, tal oportunidade. Espero que, na próxima ocasião, Aloysio Nunes se mostre aberto ao diálogo. Sem ofensas, sem simplificações.

O que o senador disse no Twitter:
# O "jornalista" faz o q eu esperava dele: mente quando afirma q o xinguei de fdp. Chamei de pelego, o q é verdade e, para mim, muito pior. 35 minutes ago via TweetDeck
# O "jornalista" perguntou se eu não falava com trabalhador. Respondi: falo com trabalhador, com pelego, não falo (segue) 36 minutes ago via TweetDeck
# Revista sindical que faz campanha da Dilma, bancada por dinheiro público, quis me entrevistar na Record e eu recusei (segue) 40 minutes ago via TweetDeck
# Caros, vejo que o assunto sobre o jornalista da Rede Brasil Atual voltou ao twitter. Respondi ontem. Acho perninente repetir. Vamos lá:

João Peres é jornalista, colunista do Nota de Rodapé e repórter Rede Brasil Atual

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O NR no I Encontro dos Blogueiros Progressistas

Nos dias 21 e 22 de agosto, 330 pessoas de 19 estados brasileiros compareceram ao I Encontro de Blogueiros Progressistas, realizado em São Paulo, na sede do Sindicato dos Engenheiros. A ideia do evento foi lançada há cerca de três meses, quando da inauguração do Centro Barão de Itararé de Mídia Alternativa – entidade de estudos e debates sobre democratização na mídia. A reportagem do NR participou dos dois dias de atividades, que começaram pela manhã e se estenderam até 21h, no sábado, e 16h, no domingo.
No primeiro dia, foram debatidos vários temas, como a integração dos blogues dentro de um portal, diversidade informativa, defesa da neutralidade na rede (não neutralidade política, mas para assegurar a "grandes" e "pequenos" blogueiros acesso à mesma velocidade de internet) ampliação da banda larga, capacitação dos blogueiros por meio de oficinas e criação de ações organizadas para lidar com questões jurídicas.
Perceptíveis, nos pequenos stands improvisados com a finalidade de vender livros e revistas, eram as estampas de rostos históricos, ícones da esquerda, como Che Guevara - o mais "presente".
E não eram somente os personagens do passado que davam o ar da graça. A candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) era a imagem mais vista entre os vivos estampados. Uma camiseta com os dizeres "Dilma Guerreira", e com a foto da ex-ministra nos tempos de luta contra a ditadura militar foi bastante procurada – e vestida – no evento. Não resta dúvida, claro, os "progressistas" eram, na maioria, de esquerda. Sim, havia mais petistas. Porém, também estavam no encontro pessoas ligadas ao PCdoB, PSTU e PSOL. E até mesmo gente que nem de longe pode ser definida como "de esquerda". Até um blogueiro malufista (quem diria?) esteve por lá. E é mera coincidência que o polêmico senhor Paulo Salim Maluf é o cacique do... Partido Progressista!
No segundo dia, inclusive, aconteceu uma celeuma, talvez a maior de todas, sobre o nome do encontro. Na plenária final, a adjetivação “progressistas” foi alvo de críticas e houve quem quisesse aboli-lo. No entanto, em votação, o título foi mantido, entendido como garantia de mais abertura em relação à orientação política e ideológica dos participantes. Nesse sentido, aprovada no fechamento das atividades, a carta de princípios dos blogueiros menciona "o caráter suprapartidário do evento".
Contudo, o domingo abarcou outras temáticas, mais direcionadas a critérios técnicos. Seis grupos de trabalho foram formados, tendo os relatórios finais aprovados por unanimidade. Um dos principais pontos, consensual, diz respeito a distribuir conhecimentos sobre as ferramentas dos blogues, assim como das redes sociais, pois nem todos possuem saber técnico na área. Daí surgiu a ideia de realizar oficinas nos estados, além da criar uma cartilha sobre software livre, aproximando o público do conceito de construção colaborativa.
Outros aspectos objetivaram fortalecer o trabalho em rede, por exemplo, focando o auxílio jurídico aos blogueiros. Isso se daria por meio da formação de uma rede de operadores do Direito, pois já existem notificações e até ações judiciais promovidas por veículos da imprensa tradicional que, de acordo com muitos blogueiros, desejam cercear a liberdade de expressão de quem nem sempre têm condições financeiras de pagar defesa.
Sobre as maneiras de financiamento, a percepção geral apontou para a necessidade de mobilizar o que foi denominado de "sociedade civil progressista", com o intuito de apoiar os blogues no formato de iniciativas de economia solidária.
Bem, mantido o nome, o II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que deve ocorrer em agosto de 2011, promovendo antes encontros estaduais, ainda não tem local certo para ocorrer, mas deseja-se uma cidade que não seja São Paulo. Coerente, já que a proposta fundamental, cerne do evento, é a descentralização e a ampliação do debate público, algo condizente com as características da blogosfera, marcante para a definição das diferenças entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa, conceitos geralmente tão mal utilizados no Brasil.

Moriti Neto é jornalista, colunista do NR e foi nosso representante no I Encontro dos Blogueiros Progressistas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A mofa é da política e não do CQC

A notícia de que o presidente interino da Câmara, Marco Maia, do PT do Rio Grande do Sul pediu à assessoria jurídica da Casa proteção para evitar “constrangimento” de parlamentares por jornalistas não me surpreendeu. Por mais que eu não concorde com o pedido de querer inibir o bom trabalho do CQC (Custe o Que Custar) não me parece adequado tergiversar sobre o fato real de que parlamentares assinam sem ler as Propostas de Emenda a Constituição (PEC).
Na edição de segunda-feira, 14, o programa da TV Bandeirantes foi à Câmara com uma atriz contratada para colher assinaturas para que uma suposta PEC pudesse tramitar. O documento trazia a inclusão de um litro de cachaça na cesta básica entregue pelo Programa Bolsa Família. Assisti ao quadro (veja no vídeo abaixo) e, se não me engano, apenas um parlamentar não assinou. Um deles, no entanto, perdeu a linha e agrediu a equipe do programa. Estava na pauta a repórter Monica Iozzi que foi empurrada pelo parlmentar Nelson Trad do PMDB do Mato Grosso do Sul. Advogado e professor, Trad foi um dos que subscrevera o tal abaixo-assinado sem ler. Além de um palavrão o político emendou um “tapa-soco” no cinegrafista da equipe.

Mediocridade exposta incomoda
Não é de hoje que o CQC expõe com bom humor a mediocridade e falta de preparo de muitos parlamentares brasileiros. Não estou generalizando, mas em linhas gerais o saldo do programa nas abordagens é de deixar boquiaberto o telespectador. Perguntas sem resposta ou com afirmações erradas e estapafúrdias são frenquentes. “Qual Coreia é a comunista?”, “O que é DNA?”, “O que significa PSDB?”, “O que é Reffis?” revelam nas respostas desinformação entre os políticos que “comandam” o país. Muitos deputados fogem e outros entram na brincadeira rindo de si mesmo. O CQC é um programa que faz um trabalho relevante e deveria continuar assim. Quanto aos outros humorísticos como Pânico e afins não opino porque não assisto.
Segundo Maia, as ações devem preservar a liberdade de imprensa, mas assegurar o direito dos deputados de não autorizarem o uso de imagens pelos programas de humor.
Digo, então, Marcos Maia, que quem fica constrangido sou eu ao saber que além de desinformação por parte dos seus colegas com questões óbvias, vocês consideram “ato comum” assinar uma PEC sem ler. Isso é irresponsabilidade e os jornalistas que cobrem Brasília deveriam, sim, como fez o CQC, denunciar essa excrescência cotidiana.
Nelson Trad aparece como vítima do episódio e não é! Falou ontem em pronunciamento na Câmara dos Deputados e recebeu apoio de vários deputados, entre eles, José Genoino (PT-SP). O deputado sul-mato-grossense disse esperar que essa possível medida de inibir o trabalho dos jornalistas-humoristas “sirva de lição e não faça novas vítimas de um programa inconsequente que coloca em dúvida a seriedade da TV brasileira”. E a seriedade dos deputados? E de que tevê brasileira estamos falando? Não se esqueça, caro deputado, que um colega de partido, Antônio Carlos Martins de Bulhões (PMDB-SP), é o político que detêm o maior número de veículos de comunicação em seu nome (sete), contrariando a Constituição Federal. Seria ele, portanto, um inconsequente?

Verborragia não resolve
Segundo o site Donos da Mídia, 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação no Brasil. No Mato Grosso do Sul, seu Estado, três políticos controlam 6 canais de comunicação. Antonio João Hugo, senador pelo PTB (3 veículos); Ilda Salgado Machado, prefeita pelo PL (1 veículo) e Londres Machado, deputado estadual pelo PL (2 veículos).
O senhor atribui uma agressão a “legitima defesa” e que, portanto, “não precisa pedir desculpas” já que defendeu sua “dignidade” e a “instituição” a que pertence há mais de 30 anos. Quer dizer que faz tempo que o senhor anda pelos corredores assinando documentos sem ler? Em vez de verborragia em plenário vamos discutir, de fato, a atuação da tevê como educadora e formadora e rever as concessões públicas, muitas delas, nas mãos de seus colegas?



Thiago Domenici é jornalista
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