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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Para que lado vai?


por Thiago Domenici*

O ápice das mobilizações pelo país ocorreram entre os dias 17 e 21 de junho. Uma multidão de gente e reivindicações, frustrações e aspirações, por vezes difusas, ganharam forma em gritos de guerra e cartazes. Tivemos, sem dúvida, muito mais a névoa dos gases policiais e da violência do que céus de tranquilidade.

Passada a grande turbulência, os holofotes se voltam para o Planalto. A minha expectativa é de que o executivo tenha alguma carta na manga não marqueteira que dê vazão ao sentido de “urgência” das reivindicações. A ideia do plebiscito encalhou. Agora surge uma comissão da reforma política que terá 90 dias para propor algo. Depois, ao que consta, um referendo será realizado. A chamada “agenda positiva” foi criada justamente para dar respostas rápidas, ou seja, desencalhar projetos que estavam encalhados por morosidade, acordos políticos, lobbies e prioridades de guetos.

É curiosa essa esquizofrenia de hiperatividade do executivo e legislativo depois das agitações populares. Escancaram, sobretudo, a contradição de um sistema político desgastado. Não tenho dúvidas de que um bom começo seria fazer a reforma política. A ver o que virá nos próximos três meses. Gostaria de ver menos imagem e mais verdade nas ações gerais daqui pra frente.

***

Em terras paulistanas, Haddad disse em entrevista ao jornal Brasil Econômico que os manifestantes do Movimento Passe Livre “são ingênuos, mas espertos". Quis dizer que são ingênuos porque não se preocupam com a fonte de financiamento da tarifa zero, e espertos porque se negam a discutir os aspectos técnicos da isenção – que, no caso de São Paulo, pode somar R$ 6 bilhões.

Dizer que “se negam a discutir” e que “não se preocupam” soa injusto e errado. Sem muito esforço, caro prefeito, você encontra o site tarifazero.org, o qual deveria olhar, já que desde 2009 o espaço, que não é do movimento, mas é tocado por alguns militantes do MPL, trata questões pertinentes ao transporte público, entre elas, a viabilidade econômica do Tarifa Zero.

E mais: se negar a discutir pressupõe que a prefeitura tenha feito um convite ao diálogo nessa pauta específica. Alguém me diga, por favor, se isso ocorreu oficialmente e se o MPL negou tal convite. A questão fundamental na cidade é inverter as prioridades do transporte público.

Mas, sem grandes expectativas, como citou o economista Luiz Gongaza Beluzzo em coluna na Carta Capital, “hoje, mais do que nunca, a critica da sociedade existente não pode ser feita sem a critica da economia política”. É aí que se precisa romper o nó górdio. E nesse campo econômico/político, infelizmente, pouco tenho visto de "agenda positiva".

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O vídeo abaixo é produção coletiva realizada pelo Projeto Cala-boca já morreu e pelo Coletivo EntreLinhas, como colaboração para a Campanha Tarifa Zero.



Thiago Domenici, jornalista, editor e coordenador do Nota de Rodapé

terça-feira, 18 de junho de 2013

“o povo unido é gente pra caralho”

São Paulo, 17 de junho de 2013: o dia histórico que reuniu gerações contra, principalmente, o aumento do transporte público, pela revogação do aumento de 0,20 centavos no ônibus e metrô. Um relato pessoal em três frentes, por três jornalistas, Natalia Mendes, Moriti Neto e Thiago Domenici. E mais; a ida do Nota de Rodapé ao programa Roda Viva e um apanhado das discussões durante a entrevista com os representantes do Movimento Passe Livre.




Vinte centavos, sim
(Moriti Neto)

“A Copa das Confederações parece que nem está acontecendo. Ou que está acontecendo só na Globo”. A frase corre entre os jornalistas que estão nas dependências da TV Cultura, em São Paulo, na noite desta segunda-feira, dia 17, à espera do programa Roda Viva, no qual este NR esteve presente na bancada de tuiteiros para participar da entrevista com integrantes do Movimento Passe Livre (MPL). Não que o futebol tenha sido realmente esquecido, mas as palavras representam muito da sensação que se espalha pela capital paulistana após a manifestação que se estendeu pelas ruas da cidade. O ato foi tão impactante que, de fato, outros eventos ficaram infinitamente menores.

Tão intensos têm sido os protestos realizados há três semanas – com crescente incorporação de participantes – que acabam por produzir debates proporcionalmente fortes. Bastante disso é causado pela heterogeneidade do movimento. Várias tendências se encontram nele. Não de organizações político-partidárias constituídas. O que se vê é outro tipo de mobilização. De diversas cores e classes, elas têm no valor concreto, nos R$ 0,20 de aumento da passagem de ônibus em SP, o eixo que as une. Essa discussão é essencial.

Qualquer tentativa de rotular as manifestações e tirá-las do principal mote, o da reivindicação pela democratização do transporte coletivo, algo que não passa somente pela tarifa, mas pela revisão do modelo, é veementemente refutada por membros do MPL. “O Movimento Passe Livre não nasceu agora. É fruto de organização de anos. Muito tempo fazendo um debate que interessa à grande parcela da sociedade, pois isso passa pelo direito de se locomover. Assim, é claro que não perdemos de vista o principal das manifestações, que são, sim, os R$ 0,20”, explica ao NR Lucas Monteiro de Oliveira, professor de história e integrante do MPL, logo depois do fim do Roda Viva.

Tal firmeza de argumento não evita que análises apressadas se construam. À direita e à esquerda surgem comentários que buscam enquadrar o movimento. A bola da vez, na voz dos conservadores, é classificar as ações como acéfalas e carentes de lideranças, inclusive buscando estimular a ideia de que qualquer ato de violência policial-estatal se torna mais provável “pela falta de organização das manifestações”, como tentou sugerir o coronel reformado da Polícia Militar, José Vicente Filho, entre os entrevistadores na bancada do Roda. “Com mais de 100 mil pessoas, não houve violência hoje. E não haveria na quinta passada, se não fosse a agressividade da PM, estimulada por vários atores. Estamos mobilizados horizontalmente, mas muito bem organizados. Se não estivéssemos, como seria conduzida uma manifestação desse porte?”, destaca Lucas.

Por outro lado, há correntes esquerdistas que, perdidas na incapacidade de renovação do próprio pensamento, seguem na avaliação de que é necessária a aproximação com “gente gabaritada” para fortalecer e legitimar os protestos. Óbvio que os “gabaritados” seriam os sindicatos. Justamente o movimento sindical que, seduzido pelas benesses do poder público, tanto se perdeu desde que o PT assumiu o Governo Federal. “Dizer que o movimento não tem organização, que precisa de lideranças, não condiz com o real. A diferença é que nossa articulação é horizontal, o que não invalida nossas escolhas políticas. Desde as deliberações, passando pelos trajetos até as aparições públicas, todas as iniciativas são pensadas politicamente”, diz Nina Cappello, estudante de direito da Universidade de São Paulo (USP) e também membro do MPL.

Como se observa, qualquer busca por rotular apressadamente a multidão que protesta em São Paulo, parece mais uma jogada para arremessar o movimento à vala comum dos discursos vazios, casos do “Pelo fim da corrupção” e “Acorda, Brasil”. Tais lemas seriam válidos se não carecessem de direção. Na verdade, são vulneráveis a manobras populistas. Nesse caso, vale lembrar a caça aos comunistas da ditadura militar. Generalizante, o argumento funcionou apenas como ferramenta de marketing que mobilizou setores mais conservadores da sociedade e promoveu o massacre dos direitos civis.

Fora isso, existe o despreparo em lidar com novas formas de organização popular. Maneiras de agir sem hierarquia evidente e que, naturalmente, contêm menor grau de paternalismo. De um jeito ou de outro, enquanto os que avaliam a situação, governantes e mídia, seguirem sem pisar na rua, sem encarar os rostos de múltiplos tons e sem escutar as vozes que reivindicam a solução para os problemas concretos da população, pode-se até adiar a redução do preço da passagem de ônibus, porém nada fará perder o que esse movimento já conquistou: o amadurecimento político que assusta as formas velhas de gerir o que é público.

“São Paulo se reencontrou”
(Thiago Domenici)

A ponte Estaiada, ocupada por manifestantes
É difícil dar um início para esse texto que não saia do óbvio sentimento de energia pura, de grande felicidade que acometeu todos os que estiveram nas ruas de São Paulo ontem para protestar pela redução da tarifa de transportes. Na esteira dessa bandeira do Movimento Passe Livre (MPL), da revogação do aumento de 0,20 centavos, somado aos lamentáveis episódios de violação dos direitos humanos praticados com brutalidade e arrogância pela Polícia Militar de São Paulo na última quinta-feira, mais de 100 mil pessoas levaram sua voz a urbes paulistana.

Uma voz que uniu gentes – muitas – de todos os tipos, caras, idades, partidárias e apartidárias, marinheiros de primeira manifestação, pais e mães em apoio aos filhos, brasileiros em geral, que tentavam, a medida que engrossava a manifestação, compreender aquilo tudo. O jeito, meus caros, foi andar. E andamos um bocado. A rua tinha forma e direção. Estava tomada. Era nossa e não dos carros.

Mas vale dizer que o Brasil não estava dormindo. Pelo menos não o Brasil dos movimentos sociais fortes, de gente que já vem apanhando na rua faz tempo, se mobilizando e lutando sem ter a merecida voz dos meios de comunicação, os mesmos que dias atrás lançaram editorias fascistas e estavam às voltas com sua habitual manipulação de informação.

A coisa toda começou a partir do Largo da Batata, onde se deu a concentração, que depois rumou pela avenida Brigadeiro Faria Lima e, a partir dali, dividiu-se em três blocos: uma turma que seguiu para a Avenida Paulista, outra para a Ponte Estaiada e outro grupo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo Estadual.

“Que coincidência, sem polícia não existe violência”, foi um dos gritos que reverberou durante a caminhada totalmente pacífica. Tão pacífica, que diante da primeiro vacilo de alguém, o povo repreendia. Aliás, hoje, se alguém tinha duvida do significado do termo “povo unido”, já aprendeu na prática.

Na Faria Lima, dos prédios e estabelecimentos comerciais, gente sacudia bandeiras brancas como forma de apoio. Outras dançavam. Tudo, sob aplausos e gritos de “vem, vem pra rua vem, contra o aumento”. Também foi curioso o festival de cartazes, que seria impossível descrever aqui de tantos que eram. Lembro de um, que me chamou a atenção: “nós fazemos a nossa própria nação”.

Os protestos, vale lembrar, levaram, dizem por aí, mais de 230 mil pessoas (foram muitas mais, sem dúvida) às ruas em 12 capitais nesta segunda-feira. Por fim, é indecifrável saber no que vai dar essa mobilização toda. A cabeça ainda está a milhão. Mas a sensação, depois da barbárie da PM, é que São Paulo se reencontrou consigo mesma. Deu uma reposta fantástica, cheia de entusiasmo e dormiu feliz para acordar revigorada nesta terça-feira. Amanhã vai ser maior? Tomara que sim.

“O que ouvi hoje não foi uma voz só”
(Natalia Mendes)

Avenida Paulista tomada por manifestantes
Lá pelas quatro da tarde, fomos para o ponto pegar o ônibus com destino ao Largo da Batata. Já encontramos alguns conhecidos e, logo no ponto seguinte, entraram vários adolescentes carregando cartazes, rostos pintados e energia pra dar e vender. Com isso, o ônibus foi tomado por manifestantes.

Ainda no caminho, a expectativa que tentava se disfarçar saiu pela garganta dos passageiros que já chamavam “Vem, vem pra rua vem, contra o aumento”. Pelas janelas, podíamos ver pessoas descendo a pé e cantando também. Não dava pra esperar o tempo dos veículos motorizados, saltamos alguns pontos antes para nos juntar aos outros.

No Largo, muitos rostos familiares, amigos e conhecidos. Recebi uma flor e um belo sorriso. No caminho, a mesma coisa. Encontros rápidos, abraços, sorrisos, alegria. Um clima leve. Não vi polícia nenhuma. “Que coincidência, não tem polícia, não tem violência”. Mas vi funcionários de uma famosa lanchonete dançarem animados, pessoas nas janelas acenando com lenços e lençóis brancos para os manifestantes, curiosos observando da calçada e batendo palmas.

A tensão inicial, a expectativa, o receio pelas balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo foram se perdendo.

Não sei dizer o quanto andamos, algumas horas. Paramos em uma esquina e ficamos observando aquele mar de gente. Era muita gente, mas muita mesmo. Era lindo, era impressionante. Isso que a manifestação tinha se dividido em três. Não conseguíamos imaginar quantas pessoas ocuparam as ruas. Ainda não sabemos ao certo.

Li relatos de gente que nem imaginei que estivesse lá. Soube de cantos que não ouvi. Encontrei (e vi de longe) pessoas que não esperava, que não sabia que estariam ali. Vi fotos de lugares que não passei. Parece que foram várias manifestações pela cidade. Todas parceiras.

O que ouvi hoje não foi uma voz só. Foram muitas, muitas mesmo.

Imagens: Joel Silva/Folhapress / Moacyr Lopes Júnior/Folhapress /Mídia Ninja.

domingo, 16 de junho de 2013

Do vintém ao vinagre


por Ricardo Sangiovanni*

Sobre esse rebuceteio todo dos protestos contra a alta do preço da passagem em São Paulo, apenas queria registrar – menos por conhecimento profundo do tema, mais por não tê-lo visto registrado em outra parte com a devida atenção – que já se quebrou o pau antes no Brasil por razão semelhante a essa de agora.

Bem antes dos vinte centavos de hoje, vinte réis a mais no preço do bonde levaram a população do Rio capital imperial a uma grita generalizada, que perturbou a ordem naturalizada das coisas. Isso foi entre dezembro de 1879 e janeiro de 1880, e o movimento ficou conhecido como Revolta do Vintém – que era como a moeda de 20 réis, a de menor valor à época, era chamada.

Bem antes dos trabalhadores e estudantes justissimamente indignados de hoje, o pessoal indignado daquela época – sobretudo quem morava longe para pagar aluguel mais barato, e que por isso dependia do transporte público para ir ao Centro ganhar a vida – não engoliu o aumento do preço da passagem, arbitrado da noite para o dia, desatrelado a qualquer melhoria na qualidade do serviço. E resolveu ir protestar no meio da praça, no meio da rua.

Isso porque bem antes do aumento injustificado de hoje – afinal, se por um lado R$ 0,20 significam menos que a inflação do último ano, por outro, se considerarmos a inflação acumulada em 20 anos, a passagem de ônibus em SP deveria custar R$ 2,16 em vez de R$ 3,20 – , o povo não aceitou o aumento injustificado daquela época. Porque o acréscimo fora idéia da intelligentsia imperial, um subterfúgio safado para fechar o rombo das contas de D. Pedro II.

Dom Pedro II, bem antes que o Alckmin de hoje, mandou a polícia reprimir a revolta do povo. E bem antes que o Haddad de hoje, resolveu recuar e dizer que aceitava sim conversar com os revoltosos – mas só quando o pau já estava comendo e já era tarde demais.

Bem antes da polícia violenta de hoje, a polícia violenta daquela época desceu o sarrafo nos manifestantes – estimados em cerca de 5 mil, o que resulta em expressivos 2,5% da população urbana do Rio de então. E como inexistisse munição menos-letal, a polícia disparou balas de verdade mesmo contra o povo – morreram ao menos três – e atiçou ainda mais a raiva justa que o povo já sentia dela.

Sim, porque, bem antes do povo de hoje, o povo daquela época já torcia a cara para a polícia. Porque polícia afinal nasceu no Brasil menos para combater a criminalidade, mais para reprimir e vilanizar os costumes da gente comum. Polícia naquele tempo, bem antes de hoje, já servia no mais das vezes para enquadrar nos rigores da lei, conter, dispersar todo tipo de manifestação (política, social, cultural) que viesse do povo. E os policiais de então, bem antes que os de hoje, eram quase sempre gente comum convertida, a troco de ridícula paga e nenhum preparo, em máquinas de bater, prender e matar semelhantes seus.

De maneira que, bem antes das barricadas, das vidraças quebradas e das civilizadíssimas bombas de vinagre de hoje, o bicho pegou – e feio – naquela época. O povo tacou fogo nos bondes, arrancou os trilhos, e esfaqueou os pobres dos burros (sempre sobra para eles!) que os puxavam gentilmente todos os dias. Atacou a polícia, é verdade – mas pior que essa violência era a violência original, que o Estado cometia contra eles todos os dias.

Bem antes do eventual proveito político que pessoa ou partido possa retirar das manifestações de hoje, houve quem retirasse proveito político da manifestação pelo vintém de então. Os republicanos utilizaram-se dos protestos para ganhar força – é óbvio. Muito embora, bem antes de hoje, quem participou de fato daqueles protestos não o tenha feito por motivação político-partidária anterior aos vinte réis, porque eles faziam – como fazem os vinte centavos de hoje – diferença mesmo.

Aí, quando viu que a coisa tinha azedado de vez, bem antes que a grande imprensa conservadora de hoje, a grande imprensa conservadora daquela época não gostou. Mas sobre isso, à guisa de preservar o amigo leitor de algum sentimento menor que porventura persista em meu espírito, abstenho-me de falar – dou voz ao historiador Ronaldo Pereira de Jesus: “A imprensa mais conservadora falava na convocação de mobilizações de protesto, apelava para a manutenção da lei e da ordem, lembrava que o governo havia tolerado sempre a manifestação de “representações respeitosas” e, finalmente, pedia para que os descontentes, ao invés de protestar, direcionassem sua energia para a eleição de bons políticos que se ocupassem em defender os verdadeiros interesses da maioria da população.”

Qualquer semelhança não será mera coincidência, senão prova inconteste de que vivemos no Brasil, no mesmo Brasil de há mais de cem anos atrás.

Aliás, minto – há sim uma diferença: ao contrário do professor de história e da estudante de direito de hoje, quem liderou a Revolta do Vintém desde o início foi um jornalista – que tinha aliás um sugestivo sobrenome: Trovão. Reputo como coisa triste o fato de já não ser primazia de nossa profissão liderar semelhantes protestos, colegas. Mas, para já, não polemizemos: embora para alguns tenha sido preciso esperar até que as balas da polícia pegassem nos olhos de colegas da imprensa, é sempre tempo de posicionar-se do lado certo.


*Ricardo Sangiovanni, jornalista, coordena o blog O Purgatório e mantém no NR a coluna Mistério do Planeta. Escreve de Salvador.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Agora é contra o Estado vândalo



por Moriti Neto ilustração Caco Bressane*

A repressão tão violenta da Polícia Militar, ontem, contra os manifestantes que protestam em São Paulo, está entre as ferramentas de uma luta ideológica. O movimento é ameaça política ao poder oficial, seja o governo estadual ou a prefeitura. A agressividade, obviamente, tem o objetivo de quebrar a mobilização.

Nosso modelo de Estado, em qualquer esfera de poder, existe para servir a burguesia, o poder econômico. Portanto, claro que sempre estará ao lado do capital que, no caso da situação hoje vivida na cidade de São Paulo, é representado pelas empresas que fornecem o péssimo serviço de transporte de ônibus, um dos setores mais nebulosos nas relações entre iniciativa privada e poder público.

Outro grande problema do aparelho estatal modelado do jeito que está é a única, de fato, flexibilidade permitida pelo formato: a possibilidade de forte inclinação à direita. Algo que torna viável a grupos de tendência fascista, como é o caso do liderado pelo governador paulista Geraldo Alckmin, acentuar o reacionarismo.

O uso do aparato de guerra visto nesta quinta é apenas um dos instrumentos usados contra quem desafia o poder conservador. A mídia corporativa, principalmente os patrões e articulistas que ecoam opiniões patronais, é outra parte do equipamento político-ideológico. E não porque reportem o discurso de uma classe. Eles pertencem a ela. Só que algo novo parece ter entrado em cena. A violência estatal generalizada e sem justificativa, já que a maioria dos manifestantes queria protesto pacífico, é puro revanchismo que, de maneira descontrolada, atingiu quem atua nos órgãos da grande mídia e até mesmo parcela da população que passava ao largo das reinvindicações.

O governo raivoso administrado por Geraldo Alckmin aproveitou-se, mais uma vez, (lembram-se do caso Pinherinho?) de uma instituição sem esperança de melhora. A Polícia Militar é organização que deseja briga, agressão, truculência, mesmo que o outro lado peça paz. Dessa forma, com a intenção de destruir o movimento politicamente por meio da força e do terror, estimula-se, na PM, o sentimento de vingança contra a mobilização que desafiou o poder oficial.

Só que quando se motiva um animal a ser violento, corre-se o risco de que ele se vire contra aquele que o treina. Foi o que atingiu os veículos de comunicação alinhados ao discurso tucano de lei e ordem, revoltando redações e mesmo parcelas mais comodistas da sociedade.

Agora, a luta tem tudo para crescer. Talvez, seja a oportunidade do povo de São Paulo entender que o protesto é maior do que um movimento contra aumento de passagem de ônibus. É disputa por ocupação de espaços conceituais e concretos, bem retratada na batalha pela avenida Paulista. Aos fascistas a serviço do poder econômico é fundamental não permitir a ocupação do "templo" do capital paulistano.

Isso é mesmo uma guerra. Cabe a quem deseja defender a democracia assumir papeis ativos.

Haddad imperdoável

Papel lamentável o do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nessa história. Para quem se colocou como “o novo” na campanha eleitoral, foi arrogante ao não negociar com o movimento e não abrir espaços reais de diálogo. Além disso, demorou a condenar a ação da PM (que o prefeito poderia ter negociado para evitar), praticamente incorporando o argumento do governo do estado que busca criminalizar o movimento.

Aliás, muito representativo Haddad estar na Europa com Alckmin – defendendo candidatura a sei lá o quê, não importa no contexto – enquanto o clima esquentava aqui. Imperdoável.

*Moriti Neto, jornalista. Caco Bressane, arquiteto e ilustrador

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma imagem que diz muito

A foto é do G1. Quinta-feira das mais tristes da história de São Paulo. NR acompanhou pelo facebook, veja o que publicamos lá. http://www.facebook.com/notaderodape


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vídeo: jornalista é preso e agredido injustamente em SP

Pedrão Ribeiro Nogueira, jornalista, foi preso ontem durante a manifestação contra o aumento de passagem de ônibus e metrô em São Paulo. Ele estava fazendo a cobertura para o Portal Aprendiz, no qual é repórter. Como mostra o vídeo abaixo, ele foi preso. Antes, foi agredido inúmeras vezes de forma covarde e ilegal pela Polícia Militar de SP.

O jornalista é amigo próximo de muitos conhecidos deste Nota de Rodapé. É pessoa séria e competende no que faz. Já  parte da imprensa brasileira, a meu ver, faz novamente uma cobertura factual que insiste em criminalizar o movimento Passe Livre, com a velha lógica de dizer que fazem "vandalismo", "tumulto" e que são "baderneiros" e "criminosos".

Os pseudo-analistas de plantão, ah, são muitos nessas horas, não perdem a chance de descontextualizar os acontecimentos. Em palavreado curto e grosso, eles dizem nas entrelinhas que "se um fez merda, todos são iguais." Não é assim, nunca foi e não podemos deixar que isso se torne verdade mais uma vez. 

Os direitos de greve e manifestação são garantias constitucionais. O vandalismo, não. A quem comete crimes a lei precisa valer.

Mas alguém me diga, como fica a acusação contra o jornalista Pedro de "formação de quadrinha e dano qualificado" ao ver o vídeo abaixo?

As imagens foram feitas em frente a um hotel, na rua São Carlos do Pinhal, paralela à av. Paulista. Do que devemos chamar esses PMs? Torturadores? Covardes oficiais? Em quadrilha eles é que se revezam em agressões ao jornalista.

Também é de espantar as recentes declarações do prefeito Haddad sobre o assunto. Já do governador Alckmin, sinceramente, não esperava outra posição se não a tacanha de sempre.




Thiago Domenici
, jornalista, editor e coordenador do Nota de Rodapé

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Nesta quinta, ato contra aumento da tarifa de ônibus em SP

Recebi de Lucas Duarte Souza, do Coletivo Cinestésicos, a seguinte informação:

"A passagem de ônibus em São Paulo atingiu neste começo de janeiro o absurdo patamar de R$ 3,00. Não há como ficar calado frente a este aumento que ocorre apenas um ano depois do último e em benefício exclusivo dos empresários do setor.
Para aqueles que não se lembram, no início da gestão Kassab o ônibus estava a R$ 2,00! E como se não bastassem todos os aumentos, o dinheiro (o nosso dinheiro) que a prefeitura entrega às empresas de ônibus paralelamente à tarifa, os subsídios, estão previstos para aumentar em 2011!!
O próximo ato é no dia 13/01 (quinta-feira), com concentração às 17h na frente do Teatro Municipal (próximo ao metrô Anhangabaú). Pelo direito à cidade e contra a exlusão que só se faz mais forte com a tarifa mais cara, precisamos barrar esse aumento! Vamos às ruas! Divulguem o mais que puderem. Vamos expandir a luta!

Quando: 13/01 (quinta) às 17h
Onde: concentração no Teatro Municipal (metrô Anhangabaú)"
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