Assistir a esse vídeo é uma experiência das mais interessantes. De um lado, quinze homofóbicos assumidos. De outro, quinze homossexuais. Os encontros são reservados. A intenção em cena: um simples abraço. E, vejam vocês, a dificuldade em se conseguir o mais básico de uma troca humana.
O "experimento" é do canal The Gay Women Channel no YouTube. Selecione a legenda em Português para assistir.
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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quarta-feira, 26 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
Estranha Brasília
por Júnia Puglia ilustração Fernando Vianna*
Nesse Carnaval manso aqui de casa, o enredo é ficar à toa, ver filmes, levar um papo com quem aparecer, mandar boas energias para as pessoas queridas que estão se recuperando de abalos na saúde, corujar os bebês próximos, curtir os distantes nas fotos, essas coisas.
Rola uma folia animadora lá fora. Nos últimos anos, os blocos ganharam fôlego aqui em Brasília, que tem fama de ser fraca de samba, pura intriga da oposição. É certo que o traçado da cidade não favorece muito, mas querendo se encontra bom Carnaval para todos os gostos. Eu é que sou mais da preguiça.
Minhas quatro décadas de brasiliense há muito me ensinaram que não se vive aqui impunemente. Sobre nós se acumulam erros de interpretação, alguns já clássicos. Meses atrás, eu perambulava pela avenida Paulista e entrei numa ótica para me informar sobre determinada armação. Como forasteiros sempre trazem um carimbo na testa, o senhor que me atendeu fez a inevitável pergunta sobre de onde eu era. Foi só ouvir a palavra Brasília, disparou: é, lá se rouba muito, né? Respondi: sim, e aqui também. Desconcertado, ele voltou para as armações. O clássico comentário de que “Brasília é cheia de políticos corruptos” merece a boa resposta de que “todos foram eleitos pelo país inteiro, ou nos seus lugares de origem”.
A capital reflete o país, e nem podia ser diferente. Nos últimos tempos, com ruas abarrotadas de carros, contaminada pela insegurança urbana em suas formas mais agressivas e pela caretice mais tosca. Tempos muito estranhos, esses que estamos vivendo, com o perdão do clichê.
Como o lugar novo que era, para mim esta cidade significou, quando aqui desembarquei, na efervescência dos dezessete anos, uma lufada de ar fresco, cujos efeitos duraram muito tempo. Apesar do isolamento geográfico de então, da ditadura militar e da estratificação característica dos lugares previamente planejados, havia aqui um cosmopolitismo em terra vermelha, feito do impulso de se lançar no mundo, origens embaralhadas e gosto pelo novo. Não se preocupar com a vida alheia e conviver bem com ela era uma premissa básica da cidade, pois o velho, o tradicional, o familiar tinham ficado na província. Como desperdiçar tamanha oportunidade de auto-reinvenção? Eu e mais um monte de gente nos jogamos com muito gosto na tarefa.
Antes de escorregar na casca de banana da apologia vazia, que aqui se ouve com certa frequência, ou das críticas oriundas das comparações de contextos urbanos, sempre problemáticas quando se trata de Brasília, quero deixar claro o que me motiva neste momento, que é a formação de uma onda sinistra. Temos tido agressões homofóbicas violentas e gratuitas em sequência, racismo exacerbado e anunciado na base do grito, um crescente puritanismo religioso de conveniência, que tem reforçado um conservadorismo político primário baseado em confrontos, violência escabrosa de cidade grande, ufa! A rigor, nenhuma novidade, mas é a onda que me intriga. Não por acaso, ela coincide com a ressaca dos protestos de junho passado e com este ano maluco de Copa do Mundo e eleições nacionais.
Brasília, lembre-se de si mesma, de como éramos mais inteligentes, mais generosos e menos tolos, de como sabíamos lidar muito melhor com o novo e com o diferente. Pensando bem, acho que os brasileiros todos éramos, e não posso aceitar passivamente que estejamos andando para trás.
* * * * * *
Júnia Puglia, cronista, mantém a coluna semanal De um tudo. Ilustração de Fernando Vianna, artista gráfico e engenheiro, especial para o texto.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Morte matada
por Júnia Puglia ilustração Fernando Vianna
Assuntos sobram: o beijo de amor de Félix e Niko, o trágico e violento desaparecimento do cineasta Eduardo Coutinho (que dói em mim), o cinegrafista atingido mortalmente por um rojão durante uma manifestação no Rio, a filha de Woody Allen insistindo em acusá-lo de abuso sexual e pedofilia (ela espera ser ouvida, ele desmente tudo, mas acho muito importante prestar atenção quando alguém, qualquer pessoa, faz esse tipo de denúncia), médicos cubanos desertores, a patética e incansável torcida do contra, o prefeito de um município amazonense acusado de aliciar meninas para orgias sexuais, o crescimento exponencial da violência e da insegurança em Brasília e até mesmo a suposta crise conjugal de Obama e Michelle. E muitos mais.
Mas há um que se acavalou no meu cangote e fica ali cafungando seus acres vapores: os assassinatos de homossexuais, transexuais e travestis. Morrem atacados na rua, em suas casas e escolas porque são diferentes. Não uma diferença qualquer, mas uma diferençona bem grandona, que agride, ofende, incomoda mais que qualquer outra, ao que parece.
Enquanto milhões de espectadores se deleitavam com a tal cena do beijo gay na TV Globo, há alguns dias, outros milhões bufavam de raiva pela ousadia da cena. São os que acreditam poder parar o tempo. Ou que creem que a honra, a virtude e o caráter dependem da aparência condizente com o sexo biológico ou do uso certo ou errado que se faça da genitália. Gente que não entende nada, absolutamente nada, de amor, acolhimento, compaixão, compreensão, respeito. Alguns até acham que entendem, mas, para colocar suas virtudes em ação, exigem que os “diferentes” desistam de si mesmos e se tornem iguais a eles.
Se de fato amassem os “diferentes”, defenderiam sua vida e seu direito de vivê-la, independentemente de qualquer outra coisa. Não se calariam diante das centenas, talvez milhares de assassinatos de gays, lésbicas, travestis, transexuais e transgêneros que acontecem no nosso país todos os anos. Pessoas agredidas, humilhadas, expulsas das escolas, igrejas, famílias e comunidades. Pessoas que poderiam estar compartilhando conosco sua inteligência, capacidades, potencial intelectual e sensibilidade, mas são impedidas. Em muitos casos, sadicamente confinadas no mercado sexual, e discriminadas também por isto. São atacadas com ódio, desfiguradas, submetidas a “tratamentos” toscos. Assassinadas. Assassinados.
No último fim de semana, fui a um restaurante muito tradicional de Pirenópolis, aqui em Goiás, onde já estive inúmeras vezes. Havia lá um garçom antigo, sabidamente gay, que sempre atendia a todos com eficiência e cortesia, equilibrando bandejas enormes pelo salão. Notando sua ausência, perguntei por ele:
— O Fulano não está mais aqui?
— Ih, a senhora não sabia? O Fulano morreu.
— É mesmo? Puxa, que pena! Morreu de que?
— De morte matada.
* * * * * *
Júnia Puglia, cronista, mantém a coluna semanal De um tudo. Ilustração de Fernando Vianna, artista gráfico e engenheiro, especial para o texto.
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quarta-feira, 10 de abril de 2013
Evasão de privacidade!
por Cidinha da Silva*
Gostou do título? Chamou sua atenção, não foi? Achou criativo. Uma sacada inteligente, não é? Também achei, mas não é meu, não! É de José Wilker. Foi ele quem definiu de maneira ferina e feliz a prática das celebridades de fazerem de sua intimidade um reality show.
Aquele negócio de chamar os paparazzi para fotografar um encontro secreto com o novo affair, mas pautá-los antes, explicando que o casamento antigo ainda não acabou, mas há uma crise e, a expectativa da fotografada é que a publicização de uma nova possibilidade afetiva via veículos especializados em devassar a vida alheia, sensibilize o parceiro antigo para devotar a ela mais atenção e presentes. Aviso importante: é só para insinuar, criar um clima, pois a celebridade é mulher de família e quer manter o casamento.
Tem também o esquecido garotão musculoso, que sai da água do mar quase abandonado pela sunga e faz poses de halterofilista displicente, tudo previamente acordado com um paparazzi. O objetivo da performance é se mostrar para o autor da novela. Se der certo o fotógrafo ainda leva um troco e mais do que isso, ganha prioridade para clicar os novos centímetros de bíceps e adutores acrescidos ao corpitcho depois de dedicada malhação.
O problema agora é forçarem a barra para que as mulheres que amam mulheres e têm declarado isso publicamente também o façam. Será um tal de perguntar com microfone aberto o que duas lésbicas fazem na cama... mas quanto a isso é fácil adiantar a resposta, sugerida como padrão. Elas lêem, suspendem as pernas para tonificar a panturrilha e ajudar o retorno venoso, vêem TV, uma opera o smartphone enquanto a outra faz tricô. Brigam com as crianças que pulam na cama delas com os pés sujos, conversam, trocam carinho, namoram também, como fazem por toda a casa.
Invasão de privacidade nem sempre é evitável, mas a evasão o é, e evitá-la, doravante, fará parte das guerras a vencer para conquistar um pouco de paz.
*escritora, Cidinha da Silva mantém a coluna quinzenal Dublê de Ogum.
(Imagem: La dolce vita do cineasta Federico Fellini)
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Nota sobre Feliciano como presidente da CDHC
por Cidinha da Silva*
O tempo e a movimentação da notícia na Internet são vorazes e dilacerantes. E ninguém quer ser engolido. Todos os que navegam pelo cyberespaço tentam emitir uma opinião original, autoral, sobre o tema da página de rosto naquele minuto, naquele segundo. Na pressão de dizer qualquer coisa, muita gente se perde e transforma coisas de fundo em questões pontuais e vice-versa.
Face à avalanche de notícias sobre Marco Feliciano, deputado sabidamente racista, homofóbico e misógino, eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDHC), apareceram pessoas dizendo que o movimento Fora Feliciano transformou um quase nada em pop star. Típica compreensão de quem troca uma questão de fundo por algo superficial, de quem tem necessidade de oferecer uma opinião divergente com o objetivo de conquistar algum espaço ou seguidores.
Uma coisa é a percepção de que o mar da Web tem ondas e tem um pessoal que só se movimenta na crista. Se quem está no topo das demonstrações homofóbicas é Cláudia Leite, com o filho que não será gay porque será bem educado, vamos a ela. Se é Joelma afirmando que os gays podem ser recuperados tal qual os dependentes químicos, a ela. Se é Feliciano com seu vasto leque de imbecilidades perigosíssimas, a ele. Faz-se muita espuma e pronto. Com as denúncias de racismo, de violência contra a mulher e outras, também ocorre o mesmo. Mas mesmo esse movimento sazonal tem valor, é bom considerar, pois é sinal de que alguma movimentação acontece na terra, para além do burburinho do mundo da fofoca e das celebridades.
Outra coisa é compreender os movimentos internos do mar provocadores das ondas, aquilo que acontece antes da produção da espuma. Os níveis profundos da água que mantêm-se intactos à ação de um tsunami.
O movimento pela queda de Feliciano abriga questões de fundo, a saber:
1 – Escancara os acordos espúrios dos partidos políticos em busca de poder no Congresso e as estratégias condenáveis para sustentá-lo a qualquer custo (partidos de esquerda preferiram comissões mais importantes e relegaram a de direitos humanos ao PSC, que, por sua vez, indicou Feliciano para presidi-la).
2 – Traz a público para muita gente boa que vive no país de Alice, a crueza, a tacanhice e o perigo do processo de lobotomia e especulação financeira, dentre outros males, que gente como Feliciano realiza com pessoas que a gente boa considera desprezíveis e descartáveis na sociedade de consumidores, celebridades e gente “pensante”.
3 – Coloca nas primeiras páginas dos jornais o projeto político em curso de teocratização do Estado e exploração da fragilidade humana por meio da construção de uma fé que alicia pessoas pouco críticas e muito desesperadas, desesperançadas.
4 – Possibilita o debate agregado de temas como homofobia, racismo, misoginia, laicidade do Estado, mostrando sua operacionalidade conjunta em detrimento de direitos humanos e de cidadania, e em benefício da perpetuação do escárnio virulento à diversidade humana.
5 – Abre espaço para que os setores progressistas e pró-diversidade do segmento evangélico manifestem-se com um não rotundo ao atraso e à canalhice representados por Feliciano.
6 – Abre o debate público sobre a atuação da bancada evangélica, a mais ausente, inexpressiva e processada. Todos (a transparência Brasil disse TODOS) os deputados que a compõem respondem a processos judiciais. 95% deles figuram na lista dos mais faltosos às sessões de trabalho. Registre-se que na última década não houve um só projeto de expressão, ou capaz de mudar a realidade do país, encabeçado por um parlamentar evangélico.
7 – Um deputado que pede a um fiel de sua igreja a senha do cartão eletrônico para debitar diretamente o dízimo, para quem não existe necessidade de uma lei punitiva para as práticas homofóbicas, pois, nesse diapasão, precisaríamos também de leis para punir a discriminação ao “caolho” e ao “banguelo” (expressões usadas por ele), não pode presidir uma pasta de direitos humanos, porque sua prática e discurso contradizem a essência mesma do que sejam direitos humanos. É um acinte aos direitos humanos admitir que o presidente da comissão parlamentar dedicada ao tema ignore um assassinato de pessoa LGBT a cada 26 horas no Brasil.
É em nome disso e muito mais que a sociedade civil se levantou contra esse sujeito. Contra tudo de autoritário, retrógado e desumano encarnado por sua figura rastaquera. Portanto, não se trata de promover um Zé ninguém a pop star, como os marinheiros de primária viagem têm dito por aí.
O movimento Fora Feliciano (composto por diversas motivações e personalidades, como todo movimento social) é uma reação libertadora, autoral e saudável ao risco nefasto de sucumbirmos como seres humanos ao aceitar, calados e impassíveis, a presença dessa besta do atraso na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, como simples sub-produto de um jogo político sujo.
*escritora, Cidinha da Silva mantém a coluna quinzenal Dublê de Ogum.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Os amigos do Apolinario
O projeto do vereador Carlos Apolinario (DEM) foi aprovado por outros vereadores na lista abaixo. Será que vão dizer que assinaram sem ler? Ou todos eles querem o dia do Orgulho Hétero (no terceiro domingo de dezembro), como propõe o parlamentar?
Essa barbaridade - tem nome melhor? - ainda vai para o prefeito Kassab que, se pesar o mínimo de inteligência, vai barrar a proposta. Apolinario, só para constar, também foi favorável a outra barbaridade recente: os incentivos fiscais ao Fielzão, estádio que pode abrir a Copa de 2014. E se você quiser entender as posições do vereador, leia texto do próprio, publicado em seu site cujo título é "Não sou homofóbico".
Para quem está por fora do assunto do tal dia Hétero indico dois textos que vão ajudar a compreender melhor os fatos. O primeiro é de Natalia Mendes no seu blog TodasNós, intitulado "Orgulho nenhum de ser hétero". E o outro é do sempre lúcido Leonardo Sakamoto, intitulado, "Que vergonha de ser hétero".
Thiago Domenici, jornalista
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Para quem está por fora do assunto do tal dia Hétero indico dois textos que vão ajudar a compreender melhor os fatos. O primeiro é de Natalia Mendes no seu blog TodasNós, intitulado "Orgulho nenhum de ser hétero". E o outro é do sempre lúcido Leonardo Sakamoto, intitulado, "Que vergonha de ser hétero".
Os amigos do ApolinarioAo lado deste post, temos uma enquete em andamento sobre o tema. Hum, ia esquecendo. No site do Apolinario está rolando outra enquete, sobre ser a favor ou contra o casamento gay. "A favor" vai ganhando de lavada: 71.12%.
Adilson Amadeu (PTB)
Agnaldo Timóteo (PR)
Aníbal de Freitas (PSDB)
Antonio Carlos Rodrigues (PR)
Atílio Francisco (PRB)
Aurélio Nomura (PV)
Carlos Apolinario (DEM)
Celso Jatene (PTB)
Claudinho de Souza (PSDB)
Dalton Silvano (sem partido)
David Soares (PSC)
Domingos Dissei (DEM)
Edir Sales (DEM)
Floriano Pesaro (PSDB)
Gilson Barreto (PSDB)
José Police Neto (sem partido)
José Rolim (PSDB)
Marta Costa (DEM)
Milton Ferreira (PPS)
Milton Leite (DEM)
Noemi Nonato (PSB)
Paulo Frange (PTB)
Quito Formiga (PR)
Ricardo Teixeira (sem partido)
Russomano (PP)
Sandra Tadeu (DEM)
Souza Santos (sem partido)
Tião Farias (PSDB)
Toninho Paiva (PR)
Ushitaro Kamia (DEM)
Wadih Mutran (PP)
Thiago Domenici, jornalista
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Uma capa do Página 12
Uma capa do suplemento Radar do Página 12 argentino, ao lado, o qual não sei precisar a data, é de uma criatividade tremenda ao tratar da polêmica dos Skinheads. Jornalismo visual dos bons.Diante de tantas manifestações racistas que inundam o Brasil há tempos - e agora na internet com uma voracidade cada vez maior - esse debate tão necessário sobre a homofobia, racismo e todos os tipos de preconceitos precisa aparecer mais na imprensa brasileira. Seja com reportagens, análises e campanhas. E não só quando existe algum "gancho" como agressões filmadas ou no recente episódio pró-Bolsonaro na Av. Paulista que colocou o tema na ordem do dia por algum tempo. Lá no Congresso, é sabido, está parado há anos uma lei que torna homofobia crime. O mesmo Congresso que "desfruta" da presença do deputado Bolsonaro. Espero que a lei seja aprovada um dia, mas até lá, quantos ainda morrerão em vão?
Thiago Domenici, jornalista
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