Caros leitores,
O texto desta terça-feira, escrito pelo talentoso jornalista catarinense Fernando Martins, é real, aconteceu e acontece com mais frequência do que se possa imaginar, infelizmente.
Os nomes dos envolvidos foram modificados.
Semana que vem, eu volto com as crônicas.
Boa leitura,
Fernando Evangelista
por Fernando Martins*
Os dois policiais dão o mesmo testemunho: “O delinquente estava caminhando, viu a viatura e saiu correndo. Fomos atrás e, ao revistá-lo, encontramos 10 papelotes de cocaína no bolso da calça”. O delegado se dá por satisfeito e manda trazer o jovem, detido numa das celas da delegacia.
O rapaz nega ser dono da droga. “Os policiais estão mentindo”, ele diz. O chefe da delegacia mantém o flagrante e ordena que ele fique preso. Um advogado presencia a cena, chama o delegado num canto e cochicha:
– O garoto está de bermuda e ela não tem bolso. Como ele poderia carregar drogas no bolso? Isso só pode ser brincadeira.
– Eu já estou com o flagrante fechado, ele vai continuar preso e se o doutor quiser que converse com o juiz – rebate o delegado.
Juliano da Silva, 23 anos, não tem passagem pela polícia, não tem apelido, e mora no morro do Mocotó, área central de Florianópolis. É negro, pobre e está desempregado. Ou seja, na visão da polícia e de grande parte da sociedade, é um elemento altamente suspeito.
Juliano é filho de dona Clotilde, faxineira de 54 anos, que cuida sozinha de seis rebentos. O marido deu no pé e nunca mais apareceu. O sonho de Juliano é, um dia, ganhar bastante dinheiro e ajudar a mãe e os irmãos a sair da vida de miséria.
O “flagrante” ocorreu às 22h de uma sexta-feira. Os fatos:
Juliano desce o morro para fazer um lanche com os amigos, que o aguardam num barzinho do centro. Durante o trajeto, na Avenida Gustavo Richard, bem próximo ao Fórum, uma viatura policial para ao seu lado. Dois militares descem, um deles aponta a arma para o jovem, o manda colocar as mãos na cabeça e virar de costas.
Os militares exigem informações sobre um traficante. Seguindo as regras de quem mora em locais comandados pelo tráfico, Juliano diz não saber de nada. Os policiais insistem. Ele não fala. Então, irritados, a PM o joga na viatura e diz que ele terá que se explicar sobre os papelotes de cocaína.
– Cocaína. Qual cocaína? – ele quer saber.
O jovem mantém a calma, acha que tudo vai se resolver. Na delegacia, é levado direto para uma das celas, onde estão outros presos.
Um dos policiais liga para um repórter, velho conhecido. Em pouco tempo, a equipe de reportagem está na delegacia. São recebidos com sorrisos e abraços calorosos. Tomam um café e pedem para fazer imagens dos papelotes de cocaína. São dez papelotes, já cuidadosamente organizados na mesa do delegado.
Os militares dão as informações e destacam a importância da polícia no combate ao tráfico. O celular do repórter toca, é uma fonte comunicando a apreensão de uma grande quantidade de entorpecentes em outro ponto da cidade. Antes de ir embora, o jornalista pede para conversar com Juliano. Afinal, são as regras da profissão: é preciso ouvir o outro lado. É preciso ser imparcial.
O cinegrafista liga a câmera, o PM abre a cela e o repórter, com pressa, inicia a gravação:
– Em mais um excelente trabalho, a PM catarinense fecha o cerco ao tráfico de drogas e tira de circulação Juliano da Silva, mais conhecido como Morcego. Ele estava com 10 papelotes de cocaína. Vamos conversar com ele. Onde você ia levar essa droga?
– Não sei de nada, não senhor – responde o rapaz, cabeça baixa, voz quase inaudível.
O repórter fala algumas coisas e encerra a matéria. Com a câmera desligada, diz: “É sempre assim, nunca sabem de nada. Vai ficar em cana para refletir e aprender a lição”.
Já na manhã de sábado, o auto de prisão em flagrante chega às mãos do Juiz que, crendo como corretas as informações declaradas pelo delegado, mantém o flagrante e denuncia Juliano por tráfico de drogas.
O suposto traficante terá que aguardar o julgamento preso. O advogado, ao ver que Juliano não teria como pagar os serviços, decide não defendê-lo. Preso na delegacia há mais de cinco meses, Juliano recebe um advogado da defensoria dativa. Ainda não havia sido instalada a Defensoria Pública em Santa Catarina, último Estado da Federação a implementá-la.
Sem olhar direito para o rosto do jovem, o advogado, analisando o inquérito, orienta:
– Os caras te pegaram, o melhor é confessar. Confessa que a droga é sua, e como você não tem passagem pela polícia, como você já ficou preso cinco meses, eu consigo que tu saias em, no máximo, três meses. Você concorda?
– Mas a droga não é minha.
– Você é que sabe. A vida é sua. Eu tenho experiência e sei que, neste caso, é melhor confessar.
Ele concorda com o advogado.
Exatamente um ano depois daquela sexta-feira, Juliano continua preso, à espera do julgamento.
Fernando Martins é jornalista, especial para o Nota de Rodapé
.
30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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terça-feira, 23 de abril de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
A mídia e o Papa
por Celso Vicenzi*
Nos últimos dias o noticiário sobre a eleição do novo papa tomou conta da mídia brasileira. Entre o ufanismo inicial e o (quase) desapontamento final, seguem algumas observações.
Não se sabia, até a renúncia de Bento XVI, que o Brasil era um país com tantos “jornalistas vaticanólogos”. Muitos deles sem nunca terem colocado os pés no Vaticano. No máximo, como turistas.
Os nossos “jornalistas vaticanólogos”, com raras exceções, divulgaram notícias que oscilaram entre a obviedade e o triunfalismo. Mais fácil ler direto no Google.
Ao tomar conhecimento de que outros “especialistas” apontavam o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, como um dos candidatos com boas chances, a cobertura tupiniquim entrou em campo em clima de jogo de futebol. Brasil zilzil... Um verdadeiro espetáculo de torcida organizada. Vai que é tua, Odilo!
Odilo foi, viu,votou, mas não venceu. Deu zebra! Nenhum dos candidatos apontados pelos jornalistas foi eleito. Tomaram um baile dos cardeais. A Argentina venceu de goleada, pelo que disseram depois.
A exemplo do que acontece com nossos cronistas esportivos, somos especialistas também em comentar “depois do lance”. E de uma hora para outra – sem fontes – soube-se que já no conclave anterior Bergoglio teria sido o segundo mais votado. Ora, então por que não estava entre os favoritos?
Em Santa Catarina, vários jornalistas chegaram a cogitar a hipótese de um papa catarinense. Rendeu manchete. Sim, tudo era possível. Mas jornalistas não são pagos para fazer análises fidedignas dos fatos? Para investigar com boas fontes mais do que fazer torcida? Infelizmente, tudo muda muito rápido. Jornalismo tornou-se algo bem próximo do entretenimento, e jornalista, não raro, vira personagem das reportagens. De narrador oculto a estrela dos fatos. Muito distante das lições do mestre Joel Silveira: “Jornalista é para ver a banda passar. Não é para fazer parte da banda”.
Muito se falou que a preferência do Vaticano seria por um papa mais jovem. Quem disse isso deve ter faltado às aulas de comunicação e marketing. Com tantas horas de mídia gratuita cada vez que morre um papa e se elege outro, é um bom negócio não escolher um papa muito jovem, não é?
E agora que foi aberta a “porteira” para a renúncia por “motivos de saúde”, salvo se o papa for muito idolatrado, tudo indica que a fórmula pode vir a ser usada mais vezes.
Impressionante a quantidade de espaço, em todas as mídias. É bom lembrar que, embora o cristianismo seja a maior corrente religiosa, a maior parte do planeta não professa a fé católica, mas o islamismo, o hinduísmo, a religião tradicional chinesa, o budismo e o sikhismo, entre outras. A cobertura é desproporcional à real importância global. Por tão generoso espaço, o Vaticano, penhoradamente, agradece.
Por trás de todo o discurso da fraternidade e solidariedade, há uma Igreja que se autointitula única, a verdadeira, a do papa infalível, e diz que fora dela não há salvação. Ao tentar impor um só Deus para todas as culturas, abrem-se as portas para os conflitos. Embora o discurso seja de paz, as religiões estão na raiz de muitas guerras. Ontem e hoje.
Nessa imensa centimetragem de jornais e infindáveis horas de televisão e rádio, sem falar nas redes sociais – quanta overdose! – pouca coisa se viu sobre as intrigas do Vaticano e a onipresente mistura entre religião e política. O tom foi quase sempre igrejeiro, tudo divino e maravilhoso. Mas há esperança: eu, por exemplo, sou um crente. Creio na boa reportagem jornalística. Tenho fé que nem tudo está perdido.
Mesmo com tanto oba-oba, em tempos de redes sociais, não deu para represar as denúncias de envolvimento ou omissão do novo papa com a ditadura argentina. Há muito ainda para explicar.
Pelos próximos anos, a pauta da pedofilia abre espaço para a da tortura nos porões da ditadura. O Vaticano tenta, mas não consegue exorcizar os seus fantasmas.
É quase certo que teremos um papa populista e conservador. Contra o casamento gay, contra o aborto, contra a ordenação de mulheres na igreja. Talvez um aliado em alguns embates contra a vergonhosa acumulação de riqueza no planeta. Mas de leve, porque o telhado do onipotente Vaticano também é de vidro.
A escolha de um papa não europeu, e especificamente da América Latina, é uma tendência que pode se repetir no futuro. No último século, o número de católicos europeus caiu pela metade e hoje representa apenas 25% do total mundial. Na América Latina a tendência é oposta. Na região já se concentram 42% dos fiéis do planeta, e estima-se que até 2050 esse número terá crescido mais de 40%.
A eleição de um papa argentino renovou o estoque de piadas dos humoristas brasileiros no mínimo até a próxima década.
As minhas contribuições, a seguir.
Não bastasse o Messi, agora temos um papa argentino. Não dá mais para dizer que Deus é brasileiro.
A Argentina foi com Jorge Mario (Bergoglio). O Brasil deveria ter escalado Mario Jorge (Lobo Zagallo): “Zagallo é o papa” tem 13 letras!
São tantos os escândalos sexuais da Igreja Católica que a fumaça no conclave do Vaticano bem que poderia ter saído em cinquenta tons de cinza.
*jornalista, Celso Vicenzi é ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Prêmio Esso de Ciência e Tecnologia, com passagens por rádio, TV, jornal, revista e assessoria de imprensa. O autor autorizou a publicação no Nota de Rodapé.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
O Risco
Já se escreveu sobre tantas coisas, e tão grandiosas, que muitas vezes deixamos de observar as pequenas, que só sentiremos falta quando deixarem de existir ou não pudermos contar com elas.
Um exemplo: o risco. Voce já parou para pensar como o risco está presente na sua vida, e como ele é importante em inúmeros momentos, eventos e situações?
Uma situação banal: lista de compras no supermercado. O que se faz quando coloca o produto no carrinho – risco. Se não fosse o risco, você correria o risco (olha ele de novo) de levar mais do que precisa.
Lista de viagem. Nem é preciso dizer que o risco é essencial para você não levar coisas erradas, demais ou de menos.
Na sua vida financeira, então, é fundamental. O risco identifica a despesa que está te levando para o negativo. Não ficou positivo o saldo, mais risco.
Quer melhorar a situação do país. Faça uma lista dos políticos e passe um risco nos corruptos, desonestos, incompetentes. Não. Não vale queimar a lista, deve sobrar algum nome.
Seu humor. Faça um risco em tudo aquilo que te deixa infeliz. Viu? O risco também é importante para a sua saúde mental.
Dieta. Nossa, aí nem vale. É risco para todo lado.
Agora, se tem muito corintiano achando que é o rei da cocada preta, porque depois de 100 anos finalmente foi campeão da Libertadores, faça uma lista de esportes, risco em futebol, e escolha um time de cricket da Índia para torcer.
Caio Silva é aspirante a escritor amador, especial para o NR
Um exemplo: o risco. Voce já parou para pensar como o risco está presente na sua vida, e como ele é importante em inúmeros momentos, eventos e situações?
Uma situação banal: lista de compras no supermercado. O que se faz quando coloca o produto no carrinho – risco. Se não fosse o risco, você correria o risco (olha ele de novo) de levar mais do que precisa.
Lista de viagem. Nem é preciso dizer que o risco é essencial para você não levar coisas erradas, demais ou de menos.
Na sua vida financeira, então, é fundamental. O risco identifica a despesa que está te levando para o negativo. Não ficou positivo o saldo, mais risco.
Quer melhorar a situação do país. Faça uma lista dos políticos e passe um risco nos corruptos, desonestos, incompetentes. Não. Não vale queimar a lista, deve sobrar algum nome.
Seu humor. Faça um risco em tudo aquilo que te deixa infeliz. Viu? O risco também é importante para a sua saúde mental.
Dieta. Nossa, aí nem vale. É risco para todo lado.
Agora, se tem muito corintiano achando que é o rei da cocada preta, porque depois de 100 anos finalmente foi campeão da Libertadores, faça uma lista de esportes, risco em futebol, e escolha um time de cricket da Índia para torcer.
Caio Silva é aspirante a escritor amador, especial para o NR
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Sócrates no Céu
Tadeu Breda, jornalista, especial para o NR, também faz sua homenagem ao Dr. Sócrates em dois desenhos singelos e graciosos.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Tent City: um ensaio fotográfico
Há cerca de um mês centenas de jovens ocuparam Wall Street, Nova York, em protesto contra a situação econômica no planeta. Após, várias outras cidades ao redor do globo tomaram a mesma iniciativa, e Londres não poderia ser diferente.
Aqui o local escolhido foi o entorno da St. Pauls Cathedral – na verdade não exatamente ali, a ideia inicial era uma espécie de praça ao lado, Paternoster Square, onde fica a bolsa de valores. Todavia, apesar de aberto, o local é privado, portanto não passível de ser ocupado.
A solução encontrada foi, então, acampar na Catedral – a autoridade eclesiástica responsável não viu problemas, desde que os novos inquilinos não obstruíssem as portas da igreja nem fizessem barulho no momento das missas.
Imbróglio resolvido, lá estão desde então, em barracas coloridas que formam a Tent City. Em torno de 150 pessoas fizeram do EC4M 8AD seu novo postcode, entre os que precisam sair para trabalhar, os que passam apenas uma noite ou que batem ponto regularmente.
De fato, é quase uma “vila”. Banheiros públicos foram instalados, a cozinha coletiva serve refeições para qualquer um que precise comer: acampados, sem teto ou apenas passantes – não raro vejo fotógrafos filando um misto-frio.
Doações abastecem a dispensa, e há muita comida. Seja massa, molho de tomate ou apenas uma fatia de torta como volta e meia presencio algumas senhoras entregando.
Neste caso, o alimento é imediatamente aberto e posto na mesa à disposição de quem tenha fome. Diariamente acontecem oficinas sobre economia, política, discussões sobre a situação na qual nos encontramos. Há também a tenda do chá e café, normalmente com alguém tocando violão; tenda do piano, massagem, biblioteca, templo...
Muitos usam máscaras de Guy Fawkes, tal qual V, personagem que ficou famoso após a película “V de Vingança”. Aspas, Fawkes era o responsável por pôr em prática um plano de explodir a House of Lords, parte do parlamento britânico, em 1605. O plano fracassou, mas até hoje os ingleses comemoram a noite do dia 5 de novembro soltando fogos de artifício. Quando passou por lá, Julian Assange usou uma. Fecha aspas.
Policiais passeiam entre as barracas, conversam com os acampados. Não há muitos, contudo as entradas de Paternoster Square são vigiadas 24h, além de bloqueadas por grades. Outra ocupação aconteceu em Finbury Square, mas bem menor.
Como os moradores locais não viram problema, lá estão acampados até hoje. Há imprensa de diversas línguas, vários canais britânicos, atentos a qual será o próximo ato.
E, uma coisa não muda de cá para o Brasil, boa parte dos manifestantes não tem uma boa opinião sobre muito do que é publicado – embora eu ache que deve ser menos distorcido do que as cobertura da RBS durante as revoltas da catraca em Florianópolis.
Não há data definida para saírem de lá, se depender de alguns deles o réveillon será numa área bastante nobre da capital inglesa. Qualquer que seja o desfecho, que os ideais da Tent City ajudem algumas outras cidades, bem servidas de dinheiro mas carentes de ideias.
Pedro Mox, fotógrafo. De Londres especial para o Nota de Rodapé
Aqui o local escolhido foi o entorno da St. Pauls Cathedral – na verdade não exatamente ali, a ideia inicial era uma espécie de praça ao lado, Paternoster Square, onde fica a bolsa de valores. Todavia, apesar de aberto, o local é privado, portanto não passível de ser ocupado.
A solução encontrada foi, então, acampar na Catedral – a autoridade eclesiástica responsável não viu problemas, desde que os novos inquilinos não obstruíssem as portas da igreja nem fizessem barulho no momento das missas.
Imbróglio resolvido, lá estão desde então, em barracas coloridas que formam a Tent City. Em torno de 150 pessoas fizeram do EC4M 8AD seu novo postcode, entre os que precisam sair para trabalhar, os que passam apenas uma noite ou que batem ponto regularmente.
De fato, é quase uma “vila”. Banheiros públicos foram instalados, a cozinha coletiva serve refeições para qualquer um que precise comer: acampados, sem teto ou apenas passantes – não raro vejo fotógrafos filando um misto-frio.
Doações abastecem a dispensa, e há muita comida. Seja massa, molho de tomate ou apenas uma fatia de torta como volta e meia presencio algumas senhoras entregando.
Neste caso, o alimento é imediatamente aberto e posto na mesa à disposição de quem tenha fome. Diariamente acontecem oficinas sobre economia, política, discussões sobre a situação na qual nos encontramos. Há também a tenda do chá e café, normalmente com alguém tocando violão; tenda do piano, massagem, biblioteca, templo...
Muitos usam máscaras de Guy Fawkes, tal qual V, personagem que ficou famoso após a película “V de Vingança”. Aspas, Fawkes era o responsável por pôr em prática um plano de explodir a House of Lords, parte do parlamento britânico, em 1605. O plano fracassou, mas até hoje os ingleses comemoram a noite do dia 5 de novembro soltando fogos de artifício. Quando passou por lá, Julian Assange usou uma. Fecha aspas.
Policiais passeiam entre as barracas, conversam com os acampados. Não há muitos, contudo as entradas de Paternoster Square são vigiadas 24h, além de bloqueadas por grades. Outra ocupação aconteceu em Finbury Square, mas bem menor.
Como os moradores locais não viram problema, lá estão acampados até hoje. Há imprensa de diversas línguas, vários canais britânicos, atentos a qual será o próximo ato.
E, uma coisa não muda de cá para o Brasil, boa parte dos manifestantes não tem uma boa opinião sobre muito do que é publicado – embora eu ache que deve ser menos distorcido do que as cobertura da RBS durante as revoltas da catraca em Florianópolis.
Não há data definida para saírem de lá, se depender de alguns deles o réveillon será numa área bastante nobre da capital inglesa. Qualquer que seja o desfecho, que os ideais da Tent City ajudem algumas outras cidades, bem servidas de dinheiro mas carentes de ideias.
Pedro Mox, fotógrafo. De Londres especial para o Nota de Rodapé
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domingo, 11 de abril de 2010
… PAPARU PAPA EU EOOOO… (La banda sonora del mexicano)
Sentí por primera vez el vértigo que produce sólo poder moverse hacía donde la multitud -inspirada por la música- decide sacudirse. Una formada por 175 mil personas . Todas en la plancha del Zócalo, en el D.F; ahí en donde 4 años después, 18 mil se desnudaran para Spencer Tunick , frente a la Catedral, el Palacio Nacional y bajo la monumental bandera de México.En junio de 2005 estuve ahí y viví a Café Tacvba. Las líneas del metro, próximas al Centro Histórico (Bellas Artes, Allende, Pino Suárez, Zócalo) fueron cerradas. Aunque sea gastada la analogía, eran “ríos de gente” caminando, convocados por 4 músicos que pareciera que tocaran siempre, sólo por el prohibido placer de disfrutar.
Nacen hace 21 años en Ciudad Satélite, una colonia fresa al norte del D.F. primer intento por construir un complejo residencial agringado que por fortuna tuvo la participación de gran Marío Pani y el maestro Luis Barragán . Su nombre lo deben a un restaurancito en el Centro de la Ciudad de México al que algunos de los integrantes solían acudir . En cada disco su vocalista (Rubén Albarrán) cambia de nombre y muy pocos mexicanos de 32 años hacía abajo, no tienen al menos un recuerdo con alguna de las rolas (canción en mexicano) de Cafeta.
Bailé con Mariana “Las Batallas” , una innumerable cantidad de veces. Le pusieron música a la novela breve mexicana más hermosa, escrita por el único niño-viejo del País, José Emilio Pacheco . Rescataron el homenaje a la “ch” de Jaime López , un roquero sesentero, y mostraron al mundo el colorido de México hasta para hablar. Aunque resulta ocioso decirlo, los escuchan los fresas y la banda. Y lo mejor, lo cantan, bailan, lloran y lo disfrutan igual.
Pienso en un antiguo amor chilango cada vez que escucho “Aviéntame”, y también me llegan a la memoria imágenes de Amores Perros , de Guillermo Arriaga (guión) y Alejandro Iñárritu (dirección), revelación narrativa del cine en este país.
Pueden hacer una canción de las que exige la vorágine ambición de la millonaria industria discográfica , popularizar un son jarocho con la canción de un dominicano , hacer proliferar en los conciertos la imbécil máscara de una gallina y un extraño baile con la canción chilena de Los Tres .
Un amigo me dijo que hay un artículo de un osado que los nombró, “Los Beatles latinos ”.
Ellos muestran el agridulcemexicano, -“Ingrata, no me digas que me quieres”… - son un cántico de fiesta que suena “paparupapa euuuu eoooo” , y efectivamente, “la vida es un gran baile y el mundo su salón”.
No fijan postura política, es, mejordicho, de clases . La dignificación de los pueblos indígenas , los movimientos ecológicos , la apropiación de la ciudad, el rescate de lo más antiguo y lo más moderno de nuestros ruidos, esos son sus temas.
En 21 años de existir (desde 1989), cada uno de los integrantes de Café Tacvba -Rubén Albarrán (voz), Enrique Rangel (bajo), Emmanuel del Real (teclados y secuencias), Joselo Rangel (guitarra)- han generado, además de la música más versátil y original de las últimas 2 décadas en México, los más intensos recuerdos para toda una generación que necesitaba, -de manera urgente-, musicalizar sus vidas con una banda sonara, pero en “mexicano”.
***
Alguien gritaba, “¡hay un niño herido!” y la marea de gente abría paso. Después el camino, como azúcar llenando un recipiente, volvía a inundase de cuerpos. Eran 175 mil humanos en un espacio de 46 mil 800 m² (195 m x 240 m) y ella quería llegar hasta el asta de la bandera. Imposible. Desistimos y de pronto, en medio de un “mar picado” de personas, nos dedicamos al prohibido placer de disfrutar (de fondo Café Tacvba, a todo lo que da).
Luis Miguel López (periodista en México, especial para Conexsom latina por Ricardo Viel)
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