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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Olha o fim do ano aí, gente!

Eu fico quietinha, tentando me fingir de morta, mas não funciona. Ele vem, vem mesmo, e acaba me achando assim, crente que estava invisível. O fim do ano, com pacote completo. Começa cada vez mais cedo, quando as lojas se enchem de luzinhas piscantes, botam “aquelas” músicas pra tocar o tempo todo (então é nataaaaaal...) e começam a se encher de gente. O resto, todo mundo sabe como é. Vontade de dormir hoje e acordar no 2 de janeiro – uma imagem escrita das mais surradas.

Este fim de ano está meio ameaçado por um fim de mundo anunciado. Já pensou? A festança organizada, geladeira abarrotada, presentes, árvore enfeitada, fantasia de papai noel comprada, amigo oculto esperando pra ser revelado e... caput! Acabou-se, instantaneamente, sem guerra nuclear e sem a revolta definitiva dos elementos naturais. Até que não seria mau. Não ficaria ninguém pra contar a história, nem Hollywood pra fazer o filme.

Na boa mesmo, não tenho nada contra festas, confraternizações e presentes, muito pelo contrário. Mas tem que dar liga, e liga é uma coisa que o calendário não consegue criar, porque a especialidade dele é impor, controlar e cobrar. A mistura de espírito festivo com obrigação desanda sempre, e deixa um gosto de “ufa, que bom que acabou”. Enquanto a gente é criança, tem a magia da inocência, que gera expectativa e surpresa, mesmo que repetida. Uma vez acionado o piloto automático, parece que se não houver festas, comilanças e presentes, tudo grande, animado e com muita gente, estaremos numa uma espécie de limbo pessoal, que, se assim for percebido, pode ter efeitos profundos. Sem falar na desigualdade, que ganha um ímpeto especial nesta época, quando corações momentaneamente amolecidos querem fazer parecer que somos mais iguais que durante o resto do ano.

Mas não, não quero azedar a festa de ninguém, nem a minha própria. É só uma tentativa de lembrar que a celebração das coisas que são importantes pra nós podia ser menos programada e mais sentida. Só isso. No mais, vem ni mim, fim de ano!


Júnia Puglia, cronista, mantém a coluna semanal De um tudo no NR. + Textos da autora.

7 comentários:

Anônimo disse...

Acho que basta de Natal-luzinhas,comilança,shopping, amigo oculto.Perdeu-se completamente o sentido do verdadeiro Natal :Natal amor ao próximo,gratidão pela vinda do Cristo ao mundo . Reconheço-me ultrapassada mas gostaria que fosse revivido o "amai-vos uns aos outros".
Bom Natal para todos,cada um à sua moda.
Mummy Dircim

leila disse...

Meu comentário é quase desnecessário porque Mummy Dircim disse tudo... mas vai aí: texto que eu mesma gostaria de ter escrito! Pronto, falei!
beijos amigas preciosas!

Carlos Augusto Medeiros disse...

O Natal, particularmente, assume esse espírito obrigatório que todos concordamos: dói mais do que dá prazer! Prefiro pensar que o calendário reconhece as comemorações, forçando-nos o prazer!
Obrigado pela leitura.
Abraços,
Carlos

Shirley disse...

Eu viria chata mesmo, falando sobre como o capitalismo se apodera de tudo e faz virar lucro o que eram emoções; começam bem antes porque assim tem que ser pro lucro ser maior. A voracidade comercial/capital não tem limites. E o povo compra essa bagaça e cobra e cria obrigações onde antes existia o prazer. Gostava do Natal, momento de reunir a familiada toda, falar besteira, comer como se não houvesse amanhã. Mas virou sim uma senhora obrigação; de estar feliz, de dar presentes, de se reunir. Mas ok, também não quero estragar a festa de ninguém. Vem ni mim tamém, fim de ano!

Montanhas, mares e culturas disse...

Puxa, é verdade! Sempre que chega essa época, tenho a mesma sensação e vontade de que tudo acabe logo. Não é porque tive algum problema ou trauma com relação a essas festividades quando criança. Muito pelo contrário, sempre foi uma festa linda e alegre. Mas, concordo que falta a liga do que está na nossa vontade, alma e coração com essas demandas comerciais....

repense disse...

Acho super válida a discussão sobre a perda da espontaneidade e do sentido original do natal.
Só que não podemos esquecer que não é só o capitalismo que se apodera de tudo de uma forma cruel e destruidora. O cristianismo também! Há séculos vem dominando e defendendo sua supremacia com unhas e dentes e obrigando quem não é cristão a ser e, consequenetemente a celebrar as festividades cristãs.
Mesmo que se recupere o sentido original do natal, vai continuar gerando em algumas pessoas o mesmo sentimento forçado, pois pra muita gente ele simplesmente não faz nenhum sentido.
Resumindo: natal é pra quem acredita em natal. Ponto.

Elezer Jr. disse...

Infelizmente - ou felizmente, não sei - cada um de nós não pode criar seu próprio calendário de feriados religiosos, personalizado como convém a cada um. Portanto, uma solução para eliminar os feriados religiosos "impostos", como gostam de lembrar os mais progressistas, seria eliminar - globalmente - todos os feriados religiosos, em todos os países, indistintamente de serem feriados cristãos, judaicos, muçulmanos, budistas, ou seja á o que for. Que tal?

O Natal, por sua vez, efetivamente não tem quase nada mais a ver com o nascimento de Cristo. Até porque, se há uma coisa que não aconteceu na época do Natal, foi o nascimento de Jesus. Mais importante seria nos lembrarmos do PORQUE Cristo nasceu, em vez do QUANDO.

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