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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

domingo, 29 de novembro de 2009

César Benjamin, Lula e a Folha de S. Paulo

A grave acusação de César Benjamin ao presidente Lula, inserida no artigo “Os filhos do Brasil”, publicado na “Folha de S. Paulo” do dia 27, continua repercutindo, como era de se esperar. Existem apenas duas alternativas e ambas são muito graves: ou o então sindicalista Lula tentou estuprar um jovem companheiro de cela, ou César Benjamin inventou uma calúnia infame e imperdoável. Ou é nojento o artigo, ou é nojento o episódio, para repetir qualificativo que vem sendo empregado por críticos de César Benjamin. Se o episódio relatado carece de qualquer veracidade, o presidente Lula tem o dever de processar o caluniador e obrigá-lo a retratar-se. Se César Benjamin tem provas adicionais da denúncia que fez, tem igualmente o dever de apresentá-las. Os leitores não podem ser induzidos a escolher uma das duas alternativas arbitrariamente, por afinidade política e pessoal com o denunciado ou com o denunciante. Nem uma controvérsia político-moral de tamanha seriedade pode ser considerada irrelevante e varrida para debaixo do tapete do esquecimento.
A “Folha de S. Paulo” também precisa esclarecer a decisão de publicar o artigo: apurou com o autor se ele poderia sustentar a acusação? Como escreve com bom senso um dos leitores da “Folha” no “Painel do Leitor”: “Publicar um artigo como o de César Benjamin impõe uma obrigação a um jornal como a Folha: a de sair a campo para apurar os fatos. O articulista nomeou no mínimo quatro pessoas facilmente localizáveis e entrevistáveis. E não deve ser difícil levantar o registro de todas as prisões de Lula e, a partir deles, tentar identificar quem seria o ‘menino do MEP’ que teria dividido a cela com o hoje presidente do país. O fato é que um artigo como o de César Benjamin não pode ficar restrito à rubrica de ‘opinião’.”
Recordo, enfim, mais uma vez, que o texto de César Benjamin não se limita à referência estarrecedora ao comportamento do então sindicalista Lula. Reconstitui também sua prisão ilegal aos 17 anos, o tratamento ignominioso a que foi submetido pelos verdugos da ditadura e o apoio digno e solidário que recebeu de presos comuns com os quais dividiu celas e cadeias. Se a trajetória passada do presidente Lula merece respeito, também merece respeito a trajetória passada de César Benjamin, independentemente das posições teóricas e políticas atuais de ambos, com as quais podemos concordar ou não.

Duarte Pacheco Pereira é jornalista, foi vice-presidente da UNE em 1964 e dirigente nacional da Ação Popular (AP) de 1965 a 1973, obrigado a viver e atuar clandestinamente durante 11 anos. Autorizou este blogue Nota de Rodapé a publicar seu ponto de vista a respeito da acusação de César Benjamin contra o presidente da República em artigo na Folha de S. Paulo.

Um comentário:

Filipe disse...

Lixo! Golpe Barato!
Se esse mediocre, que tenta apoiar um golpe ao nosso presidente nacionalista e humanista, fosse realmente um homem honrado e essa noticia fosse verdade por que esse desqualificado não fez a denuncia logo após ter ouvido o episodio?
NUNCA MAIS PASSO POR AQUI!

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