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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cuarteto de Nos, e o clipe mais ‘loco’ da história

Esta coluna começa com um convite: assista a este clipe.



Conheci o Cuarteto de Nos dessa forma, com uma amiga me chamando, durante um intervalo de aula, para assistir o clipe mais louco da história da música latinoamericana (acho que foi mais ou menos isso que ela me disse).
A amiga é Sol Aliverti, argentina de Córdoba, companheira de profissão, de visão de mundo e de amor à música.
Achei que para falar dos donos desse clipe maluco ela seria mais indicada do que eu. Pedi e ela topou.
Já com a tecla SAP devidamente ligada, com vocês Sol Aliverti e o Cuarteto de Nos. 

Escutar o Cuarteto de Nos. Levar um cd no carro, aprender as canções de memória e cantá-las seguindo o ritmo com as mãos no volante. É preciso fazê-lo.
 Esse grupo de músicos nascidos e criados no Uruguai criou uma fórmula de rock única e transcendeu gerações. Desde 1984 os irmãos Roberto e Ricardo Musso, juntos a Santiago Tabella e Álvaro Pintos riem de tudo, mesmo quando falam sério.
Com 12 discos nas costas, chegaram tarde (mais de forma impactante) aos ouvidos de uma geração acostumada aos hits de verão. Acertaram o alvo com “Ya no sé qué hacer conmigo” [essa música maluca que você, se não foi rebelde, escutou acima] e “Yendo a la casa de Damián” do disco Raro, que aqui na Argentina começou a tocar como um mantra em 2006.

(Indo à casa de Damián)


Não foi difícil se apaixonar pelas canções cujas rimas contam um pouco do estado de ânimos vital de uma geração que procura um caminho:



Já mudei o cabelo de cor, já estive contra e estive a favor;
o que me dava prazer agora me dá dor, já estive ao outro lado da vitrine
Tenho uma voz que diz sem razão você sempre mudando, já, não mude mais
E eu estou cada vez mais igual já não sei o que fazer comigo
Com suas letras, esses uruguaios conseguem fazer da solenidade um lenço e limpam o nariz com ele. Nos contam como é fácil rir de coisas sérias. Mas rir de tudo custou caro ao Cuarteto em 1996, quando escreveram “El dia en que Artigas se emborracho” [O dia que Artigas ficou bêbado]. Foram censurados já que Gervasio Artigas foi o mártir da libertação uruguaia e a justiça do país considerou a música uma ofensa à figura do líder. O disco só pôde ser vendido a maiores de 18 anos e a música só podia ser executada nas rádios altas horas da noite.
Seguiram adiante. Com uma cara de pau natural, o Cuarteto compôs “Me agarré el pipito con el cierre” [prendi o pipi na bargilha] e “Me amo”

(vídeo clip não-oficial feito por uns xaropes colombianos, engraçadinho)

Me encanta meu aspecto de homem perfeito,
eu sou o maior que há; meu único rival é o espelho
À lua eu gostaria de ir, para ver como é o mundo sem mim
Me amo, me amo... desenhei um coração que diz Eu e Eu
Eles dizem que não há outra forma de cantar a transcendência do cotidiano se não dizendo as palavras exatas. Não há mistério nem duplo sentido: dizem o que querem dizer.
Em 2009 lançaram o último disco, Bipolar, em meio a separação da banda: Riky Musso anunciou que sairia. O futuro do Cuarteto é uma incógnita, mas já produziram muito, fizeram muita gente dançar com as mãozinhas enquanto dirigem.
Se você escutar, será amor à primeira vista.

Tecla SAP desligada
Pra fechar, deixo você com uma música do Cuarteto sobre o sentimento latinoamericano. Tiram onda com isso do Uruguai ser a “Suíça” daqui de baixo (como um dia foi chamada). A letra é fantástica. Até a próxima.
Na Colômbia me chamam de gringo ou de alemão em Santo Domingo
Nem em Honduras, Panamá ou Venezuela sabem onde fica o Uruguai
Prefiro falar com um filósofo sueco de quem com um índio guatemalteco
E tenho mais em comum com um romeno do que com um cholo boliviano
Sol Aliverti é jornalista em Córdoba, na Argentina, e uma apaixonada pelo Brasil. Escreveu especialmente para este Nota de Rodapé na coluna Conexsom Latina do jornalista Ricardo Viel.

3 comentários:

Gabriel disse...

“Ya no sé qué hacer conmigo” = poesia!
Muito bom!
Na mosca, mais uma semana...
abraços!

elis disse...

Me empresta o carro pra eu experimentar a sensação??
Muito muito bons! O texto, a música e a escolha!
=)

Gabriel disse...

O Cuarteto é o melhor grupo de música do mundo

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