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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

domingo, 28 de março de 2010

ESMA: sobre um passado que espera seu futuro na Argentina

A ditadura argentina causou a morte de 30 mil pessoas, uma das mais sangrentas da América Latina. A Escola da Marinha (ESMA), um dos principais centros de detenção clandestina do país daquele período, aprisionou, torturou e assassinou 5 mil pessoas. Não é pouco.

Por tudo isso, em 2004, o então presidente Nestor Kirchner, tomou uma das decisões mais simbólicas em relação a este assunto: transformar a ESMA em um museu para a memória.

Pode parecer pequeno, mas a decisão trouxe, ainda mais forte, a lembrança na sociedade argentina de que aqueles prédios – em uma movimentada avenida de Buenos Aires - não são simples construções de jardim bem cuidado.

O ato respondeu a uma reivindicação de associações de direitos humanos, movimento com invejável influência na opinião pública hermana. Mesmo ainda não tendo saído do papel de fato, a instalação de um museu por lá agora é um caminho sem volta – é mesmo uma questão de tempo.

E tão simbólica é a ESMA que, mesmo sem museu, serviu de palco para Cristina Kirchner reclamar, no último dia 25 de março, por velocidade da justiça no julgamento dos opressores da época – ato que se por um lado é espetáculo, por outro se faz também necessário.

Documentário
Em 2004 essa história toda me levou a produzir, em parceria, o documentário Do Horror à Memória, que divido no link abaixo, com diferentes depoimentos de pessoas que fazem parte dessa cena por lá. Para uns retrata a cronologia deste lugar. Para mim, enreda um recorte do passado que está sendo mudado – mesmo que lentamente - pela força dos que não esquecem o que aconteceu. Assim como deveria acontecer por aqui.

A ditadura



A ESMA


O museu


As condenações


Prêmios
Melhor Vídeo-Documentário acadêmico do Brasil pela 12ª Expocom (2005); Melhor documentário acadêmico da América do Sul pela Expocom – SUR (2006); Melhor Documentário pelo XIV Festival Cine Vídeo de Gramado (2006); Melhor Vídeo Eleito pelo Júri - XIV Festival Cine Vídeo de Gramado (2006); Selecionado para a Mostra Paulista do Audiovisual (2006)

Diogo Ruic é jornalista pós-graduado em Teoria da Comunicação, com passagem pela revista Caros Amigos e matérias publicadas na Superinteressante, Ocas e Retrato do Brasil. Co-autor do documentário Do Horror à Memória, eleito melhor produção acadêmica da América do Sul pela Expocom – SUR (2006). Atualmente trabalha com comunicação corporativa.

Um comentário:

conexsom disse...

Muito bom o documentário, parabéns. Estive na Esma em 2007, para a abertura do Espaço. Fiz uma reportagem para a Fórum (http://bit.ly/cjpbaa). Foi muito impressionante visitar aquele lugar e ver como essa história ainda está tão viva. Recomendo o último livro de Thomás Eloy Martínez, Purgatorio, que trata dos desaparecidos.

Abraço,
Ricardo Viel

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