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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Tacvba, a trilha sonora dos mexicanos, transformando o mundo num enorme salão

Diretamente do México, uma grande figura chamada Luis Miguel ‘Ouicho’ López nos embriagada de Café Tacvba. Só faltou a tequila, aproveitem...
Senti pela primeira vez a estranha sensação de só poder se movimentar para onde a multidão, inspirada e instigada pela música, decide se sacudir.
Foi em junho de 2005, no Zócalo [praça no centro da cidade], no D.F., México, e a vertigem que senti foi causada pelo Café Tacvba. As linhas do metrô próxima ao centro histórico haviam sido fechadas. Ainda que seja batida a analogia, eram rios de gente caminhando, convocados por quatro músicos que pareciam tocar sempre pelo simples prazer de aproveitar. Eu, ela e mais 175 mil pessoas tomamos aquela praça de assalto, e aproveitamos.
Nascem 21 anos atrás, na Cidade Satélite, um bairro mauricinho ao norte do D.F., e seu nome vem de um restaurante do centro da Cidade do México que era frequentado por alguns dos integrantes da banda – um deles, o vocalista, tem o estranho habito de mudar de nome a cada disco: já foi Juan, Pinche Juan, Cosme, Gallo, Gasss, Buendía, Sizu Yantra, entre outros – atualmente é Cone Cahuitl.
A banda não têm postura política, mas sai em defesa dos povos indígenas, dos movimentos para a preservação do ambiente; se apropriam da cidade, resgatam o mais antigo e descobrem o mais moderno dos nossos sons. Cafeta é escutado pelos mauricinhos e os manos. E melhor de tudo: cantam, dançam, choram e desfrutam igual.
Rubén Albarrán (voz), Enrique Rangel (baixo), Emmanuel Del Real (teclado) e Joselo Rangel (guitarra) geraram, nessas mais de duas décadas de vida em conjunto, além da música mais versátil e original das últimas décadas no México, as lembranças mais intensas para toda uma geração que necessitava, urgentemente, musicalizar suas vidas com uma trilha sonora em ‘mexicano’.
Já foram até chamados dos ‘Beatles latinos’. São capazes de fazer uma música das que a milionária indústria fonográfica exige, como ‘Eres’;



Estourar de sucesso com uma popular canção de um dominicano ‘Ojalá que llueva’;



Fazer com que em um show a imbecil máscara de uma galinha se prolifere, e popularizar uma dança estranha (com a canção Los Tres);



Por aqui, são poucos os que, na casa dos 30 anos para baixo, não têm pelo menos uma lembrança de algumas das rolas (canções na gíria do México) do Cafeta. Conto para vocês algumas minhas:
Dancei com Mariana ‘Las Batalhas’ uma incontável quantidade de vezes. Foi o tema musical da mais bonita novela mexicana, escrita pelo único menino-velho do país, José Emilio Pacheco. Resgataram e homenagearam o ‘ch’ [som presente em muitas palavras que se fala no México, muitas delas proveniente de idiomas falados antes da chegada dos espanhóis] de Jaime López - um roqueiro sessentão – e mostraram ao mundo o colorido que há no México até para falar.



Penso em um antigo amor chilango [proveniente da Cidade do México] cada vez que escuto ‘Avientame’ que me traz à memória as imagens de Amores Brutos, de Guillermo Arriaga (roteirista) e Alejando Iñarritu (diretor), revelação narrativa do cinema deste país.
Café Tacvba mostra o agridoce da cultura mexicana – ‘Ingrata, não me diga que você me quer. Ao cantarolar ‘Paparupapa euuuu eoooo fizeram da minha vida e da de milhões de mexicanos, como a própria canção pede, ‘um grande baile’ e transformaram o mundo em um ‘enorme salão’.



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Gritavam: ‘tem gente machucada’, e a maré de gente abria um espaço. Depois, como açúcar que enche um recipiente, voltavam a ficar totalmente completa de corpos. Eram 175 mil humanos em um espaço de 46 mil metros quadrados. Ela queria chegar até a bandeira. Era impossível. Desistimos e, de repente, no meio de um mar apimentado de pessoas nós nos dedicamos ao proibido prazer de aproveitar, com Café Tacvba ao fundo. Para fechar, uma parceria com Incubus, banda muito boa da Califórnia. Até semana que vem!



Luis Miguel López é jornalista no México e escreve especialmente para a Coluna Conexsom Latina do jornalista Ricardo Viel.

3 comentários:

si.sartori disse...

ótimo saborear café tacuba por meio de um olhar crônico. ;-)

elis disse...

eu já gostava de café tacuba. acho que agora gosto ainda mais! =)

Gabriel disse...

Café tipo exportação!
mto bom!

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