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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Queria ver outra Dilma no palanque. Meu voto é Marina

Concordo com o argumento de quem defende o voto em Dilma com base na continuação de um projeto para o país, que sem dúvida tem mostrado resultados, colocando o Brasil em outro patamar. Essa transformação é fato. Tudo isso fruto do crescimento interno, baseado na redução da pobreza por meio do aumento da renda – seja gerando empregos ou de maneira assistencial, como com o Bolsa Família. Um cenário realmente favorável construído, sobretudo, por Lula, que alterou prioridades e fez o que fez. Muito provavelmente o melhor presidente brasileiro da história.
O que pega é que, sabendo aproveitar uma onda favorável em seus dois mandatos, o petista é – e sabe que é - um mito político, personificando anseios coletivos e características arcaicas indiscutíveis para tal. E, por isso, o que se passa agora é seu poder de transferência de votos, colando sua imagem a de Dilma, que além de não ter as mesmas características é vazia de discurso próprio.
O mito político, que se vê como intermediário entre o eleitor e o projeto social esperado pela sociedade, tem na palavra uma de suas principais bases de sustentação. E isso lhe falta. O que vejo é que tudo isso ainda pertence a Lula, o mito arcaico que narra as origens e discorre sobre um “futuro fabuloso”, a chamada “continuação” narrada na propaganda política.
Mas não é só isso. Embora tenha feito o melhor governo, Lula e o PT erraram em diversas situações, em situações ideológicas - e isso me fere enquanto eleitor. Não consigo me imaginar comemorando a vitória em 2002 na Paulista se soubesse que veria a defesa de Sarney no Congresso e a parceria com o PMDB do jeito que ela se deu. Neste aspecto talvez seja idealista demais, mas isso não pode ser considerado um defeito quando falamos sobre política, certo? Votei em Lula para que, entre outras coisas, fosse proposta uma nova forma de se fazer política.
Queria ver outra Dilma no palanque, mais idealista, menos continuadora de um projeto que não é perfeito. Por isso meu voto vai para Marina. Uma pessoa que vi e vejo lutando por um desenvolvimento mais lento, embora sustentável – ambientalmente e políticamente falando.

Diogo Ruic é jornalista e editor assistente do NR (Twitter: @diogoruic)

2 comentários:

Anônimo disse...

Se você está de barriga cheia... claro que desenvolvimento lento é bom... agora, se você está desempregado e com familia prá alimentar... lento é f.d.p.

Artur Luís disse...

É preciso não transformar Marina em MITO ECOLÓGICO. Hoje mesmo, vejo no conversaafiada.com.br que ela está voando num jatinho de 50 milhões de dólares, cuja hora de vôo sai por 10 mil dólares, além de ser altamente poluidor. Nem Barak Obam voou num jatinho tão caro em sua campanha. Ele usou um learjet brasileiro. Que interesses estão pagando a conta???

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