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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A boa é a do vizinho

Egípcios, chineses, maias, gregos, romanos? Sabe-se lá quem inventou as piscinas. Mas a ideia de um tanque cheio de água para a gente se deleitar, mais ou menos pelados, sempre fascinou. A palavra vem do latim e, é logico, tem a ver com peixes. Apesar de nas piscinas atuais ter de tudo, exceto peixes. Em Roma e em Jerusalém, volta e meia, operários vão escavar e pumba! dão de cara com os restos arqueológicos de uma piscina.


Ao que parece, essas piscinas eram públicas, ou então coletivas antecipando as piscinas de clubes. Quem tem mais de 30 anos e mora em Sampa deve se recordar do Bidezão de Pinheiros, um clube-piscina. O Google sopra que a primeira piscina aquecida nasceu na Roma Antiga, patrocinada por Gaius Maecenas, protetor das artes e dos prazeres. Por causa desse cara surgiu a palavra mecenas.

Cultura de almanaque à parte, foi o cinema do século XX, mais propriamente Hollywood, quem glamurizou as piscinas. Pôs nas nossas cabecinhas a associação entre piscina e sensualidade. Homens e mulheres, chiques no último, começavam e terminavam tórridos relacionamentos dentro ou à beira do tanque azul. Às vezes perdiam até a vida. É só lembrar do desastrado roteirista morto à bala na piscina do filme O Crepúsculo dos Deuses.

Brasília também deu sua contribuição à épica das piscinas. Avisou que não é só glamour, é poder também. Basta observar a cidade quando o avião se aproxima da pista do Juscelino Kubitschek. Com perdão do trocadilho: é um mar de piscinas. Dá para ver os tanques de água nas avantajadas residências de funcionários graúdos, senadores, empresários, lobistas, arrivistas.

Seja porque seja, nós - os da arraia-miúda - também embarcamos no desejo das piscinas privadas. Tudo bem. Não precisa ser grande, pode ser 2 por 3 metros. Não precisa ser de azulejo, pode ser de plástico, vinil, fibra de vidro. Não precisa ser construída, pode ser pré-fabricada. Pode ser molha-bunda, banha-tornozelo. Mas é uma piscina. O drama é que se você não dispuser de empregados, criadagem, esses tanquinhos de água dão um trabalhão. Se deixar para lá e não limpar, os Aedes Aegyti fazem a dengue.

Falo por experiência. Aluguei uma casa com piscininha no quintal. Confesso que nos primeiros dias exultei: "Subi na vida." Então veio a virada. A água está sempre gelada. O piscineiro toca a campainha duas vezes por semana e recebe 120 reais todo dia vinte. Foi aí que outro dia um taxista, aqui da vila Madalena, sintetizou a coisa: "Piscina boa é a do vizinho. Aquele vizinho legal que convida a gente para um churrasquinho, uma cervejinha e uns mergulhinhos. Na piscina dele, é claro."

Fernanda Pompeu, redatora freelancer, colunista do NR e da ONGPi, escreve às quintas. Ilustração de Carvall, especial para o texto.

2 comentários:

julio disse...

muito bom, adorei e entrei no clima ....

Yasmin Garrido Bruno disse...

Um olhar muito perspicaz. Sem dúvida, a grama do vizinho continua sendo mais verde e a piscina dele é especialmente linda! Bjs.

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