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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Evoé, velho Madiba, espelho da liberdade!



por Cidinha da Silva*

Li em algum lugar que a saudade é o amor que fica. Achei tão bonito. Já sentimos saudade de você há algum tempo, velho Madiba, desde que você se recolheu, calou-se depois da morte de Zenani, sua bisneta, atropelada por um carro ao fim da abertura do Mundial de Futebol em seu país natal.

Sabíamos que você estava adoentado, iniciava o caminho de volta, mas ainda estava entre nós. A saudade agora dói mais, é o sentimento de adeus a um dos nossos que partiu para o país dos ancestrais.

Eu achava que não sentiria dor, não lamentaria, pois pensava estar conectada a sua necessidade de desenlace. Que nada! Caí do alto do cajueiro e espatifei no chão.

E gente sonhadora conseguiria manter-se incólume à passagem de Madiba pela Terra, o grande espelho da liberdade? Todos nós que um dia sonhamos com a vida plena e humana, em algum momento nos vimos refletidos em sua voz firme, seu sorriso franco, seu olhar terno, sua coluna ereta e suas mãos de pugilista.

Nós ousávamos pensar, velho Mandela, que fazíamos parte de você. Sentíamos que o melhor de nós habitava você. Era nosso jeito de crescer e de nos tornarmos dignos da sua luta sem trégua contra o racismo institucional. Queríamos ser persistentes como você, que a determinação se encaixasse em nós como sobrenome e que sua tenaz ternura nos apaziguasse.

O sonho não acabou, honorável Madiba! Seguimos! Um tanto tristes, um pouco órfãos, temerosos pelos destinos da África do Sul que não conseguiu ainda responder aos anseios da juventude, tampouco contar com a colaboração dela para pensar os caminhos novos.

Sabemos que estará conosco, velho Madiba. Em cada um de nós que tenha aprendido com você a primar pela justiça e pela liberdade comprometida com quem está nos piores lugares do mundo, com a política como busca comum do bem comum a partir de quem mais precisa.

O venerável Rei dos xhosa volta para Qunu, onde seu povo oferece a terra fértil para descanso do corpo do Grande Guerreiro e florescimento dos guerreiros novos. Ele dá a seu povo a alegria de ter em casa o filho mais ilustre, depois da missão de vida cumprida.

N’Zaambi ye Kwaatesá, velho Madiba! N’Zaambi ye Kwaatesá!

* * * * * * *

escritora, Cidinha da Silva mantém a coluna quinzenal Dublê de Ogum.

2 comentários:

Cibelly Favero disse...

"Seguimos! Um tanto tristes, um pouco órfãos.."
Belo texto!!

Regina Cortez disse...

a mais bela homenagem...belo texto

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