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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Aviso aos incautos

Foi com surpresa e alguma alegria, confesso, que na última premiação do Oscar (a estatueta que acrescenta alguns zeros nas contas das mega-estrelas hollywoodianas), que vi o documentário “Trabalho Interno” (Inside Job) ser premiado.
Surpresa, porque é sabido até no reino mineral, que Hollywood e Wall Street mantêm vínculos promíscuos. Alegria por saber que com o prêmio o documentário do diretor Charles Ferguson ganharia maior divulgação internacional.
Trata-se de um filme instigante, em alguns momentos a lembrar as grandes sacadas de Michael Moore, que já andou dando umas boas cacetadas na hipocrisia norte americana, sua cultura de berço.
Que a sociedade norte americana seja enganada por suas grandes corporações econômicas, sua mídia sensacionalista e sua fantasia democrática, isso é lá um problema dela. O duro é agüentar que toda aquela palhaçada seja sustentada por seus milhões de contribuintes e, mais do que isso, pelos bilhões de seres humanos ao redor do mundo que ainda vivem a fantasia do sonho americano.
Bandidos e marginais é o mínimo que se pode dizer daqueles que comandaram ou ajudaram a eclodir a crise econômica de 2008 e que ainda se viram premiados com fantásticos bônus financeiros por suas criminosas ações.
O documentário é serio e até árido em alguns momentos, pois o número de informações que passa ao espectador é de tal ordem que a impressão que se tem é que o Departamento de Estado norte americano mantém uma fábrica de dólares nos fundos da Casa Branca ou do Pentágono. O lobbie dos bancos é monumental e perverso. Há, pelo menos, seis lobistas nessa área para cada congressista norte americano, gerando corrupção e impunidade aos crimes financeiros. E a conivência é tanto de democratas quanto de republicanos.
Ao receber a estátua, ao lado da produtora do documentário, o realizador Ferguson declarou que após uma crise financeira causada por uma fraude criminosa, nenhum dos executivos envolvidos foi para a cadeia. Seu discurso foi curto e grosso: “O setor financeiro se tornou tão poderoso nos EUA, que inibe o funcionamento normal da Justiça e da Lei”. E arrematou: “Muitas das decisões foram tomadas também pelo presidente Obama e membros do alto escalão do governo. Muitos, aliás, não quiseram dar entrevistas para o filme”.
O episódio revela um pouco mais alguns aspectos dessa farsa contemporânea a que se dá o nome de democracia norte americana, essa mesma que querem mostrar ao mundo que funciona. Que o digam, aliás, os milhares de mortos no Afeganistão, no Iraque, no Haiti, em Honduras, para ficarmos em casos mais recentes.
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 O didatismo do documentário “Trabalho Interno”, feito por um cidadão norte americano é uma aula para aqueles que ainda têm ilusões com as vantagens da economia neoliberal e se deixam enganar pelas miragens de uma democracia mantida pela força das armas, negociada por lobbies criminosos e difundida por uma mídia inescrupulosa e igualmente criminosa ao redor do mundo, aqui no Brasil inclusive.
Está chegando aí o presidente Barack Obama e que vem, com toda certeza, vender gato por lebre. Olho no pré sal, minha gente, pois a coisa no Oriente Médio não anda nada boa para os gringos...



Izaías Almada é escritor e dramaturgo, colunista do NR do Escrevinhador

sexta-feira, 4 de março de 2011

MP3, INPS, Justin Bieber e Içami Tiba

Juro que pensei em perguntar para a psicóloga da escola com quantos anos ouviria o primeiro “ai mãe, que saco”. Porque achei que demoraria pelo menos uns 12 anos, mas veio muito antes. Do alto de seus 6 anos de idade, meu filho fala essa frase pré-adolescente várias vezes ao dia.
"Ai, mãe, que saco"
Mas parece que todas as crianças pós anos 2000 são adolescentes mirins! São preocupadas com roupas, querem ter o cabelo do Justin Bieber, andam com fones de ouvido e games de mão… Aliás meu filho ganhou um MP3 player do pai, me fez baixar as músicas preferidas e eu nem pude opinar. “Podemos colocar um Chico Buarque aí? Um Velvet Undergound?” “Ah não, mãe, que saco”.
Mas um dia ele me pediu: “mãe, pega meu INPS”. “Que?” “Meu INPS, mãe, quero ouvir música”.
Enfim. Em minha defesa, devo dizer que não incentivo essa precocidade, mas ela está presente. Na escola, nos amigos, primos, irmãos… Em vez de culpar a internet, a Era, a publicidade, comecei a achar que a culpa é nossa mesmo. Da minha geração de mães em surto. Aliás, esta aqui faz 29 primaveras no próximo dia 15 - mais um colar de macarrão ou um porta lápis de palitos de sorvete para a coleção. Uma amiga (sem filhos, claro) ficou indignada no dia em que revelei que não, as mães não adoram os colares de macarrão. Elas guardam, agradecem, dão beijos e colocam em exposição, mas é para não frustrar o processo criativo dos filhos, ok? Convivam com isso. Desculpem a mudança de tema.
Justin: parte da mulecada quer
ter o mesmo cabelo que ele
Já reparei que as mães em surto de até 35 anos costumam tratar os filhos de igual para igual. A gente não fala “ai, ai, Joãozinho, que feio”. Diz: “Pô cara, que vacilo!” Ou “ Ah, meu não acredito…” e acaba tratando eles como iguais: às vezes eles como adultos, outras, nós como crianças. Não esqueço o dia em que uma amiga recém separada contou toda triste que o filho de 3 anos não queria tomar banho e após o estresse básico que estas situações causam disse: “Quero morar com o meu pai”. Em vez da mãe pensar como adulta, que aquilo era apenas uma defesa da criança, que sabia que isso iria feri-la, ficou triste, chorou, virou a cara para o menino por alguns instantes, chegou a dizer “poxa, mas sou eu que faço tudo sozinha por você, cuido, pago as contas, sabe?" Não, ele não sabe! Tem três anos!
O fato é que não temos como saber no que isso vai dar. Nem saber se é politicamente correto. Provavelmente o Içami Tiba diria que é errado… Mas cadê os educadores que escrevem livros quando a gente tem que dar banho na criança com uma mão, pagar uma conta com a outra, depois de um dia punk de trabalho e ainda lidar com a culpa de estar aqui com a cabeça lá e lá com a cabeça aqui?
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Mas posso dizer com orgulho que todas as mães em surto que acompanho de perto têm feito um bom trabalho. Amam e defendem suas crias como nunca e são sinceras sempre. Nada de mentiras sobre pai que foi viajar e já vem: o papai foi morar na casinha dele porque nosso casamento não deu certo. Mas ele te ama mais do que tudo e a mamãe também. E choram na frente das crianças quando não conseguem segurar, e explicam que às vezes as mamães também ficam tristes e choram e que tudo bem, vai passar.
Para todas as mães em surto, e as que ainda não são mães ou que ainda não surtaram, meu feliz dia internacional da mulher.

PS: Aliás, esta coluna está chique este mês! Vai aparecer em uma matéria especial sobre mulheres guerreiras na Revista do Brasil. Se passar por uma banca, espia lá!

Andrea Dip é jornalista, mãe do David e mantém a coluna Mãe em Surto.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Simon´s Cat e as histórias de um gato bem animado

A histórinha é simples: Simon Tofield tem três gatos. E os bichanos - quem tem gato sabe - são incríveis. Baseado na rotina dos seus Hugh, Maisie e Jess, o inglês Simon começou a animar em flash. A coisa cresceu e virou a série “Simon´s Cat”, com site bacanão e produtos do personagem - incluindo um livro - para vender.
O criador faz os desenhos e até a voz do gato que, por sinal, é uma figura. Descobri hoje a existência do “Simon´s Cat” quando vi o último episódio 'Sticky Tape', abaixo, para você curtir. São rápidos os filmes: três minutos em média. Além disso, na sequência, vai a entrevista com o criador, em inglês. No site dele você pode ver as outras animações, muito legais. Fica a dica!



A entrevista que fala da ideia e como se faz para criar e montar os episódios.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Retrato do Brasil de março

Promoção Retrato do Brasil e Nota de Rodapé
Via Twitter, iremos sortear 10 exemplares da revista de março. Basta retuitar:

#Promoção. Siga @notaderodape dê RT e concorra a exemplares da revista Retrato do Brasil de março: http://kingo.to/uRn


O sorteio será dia 13 de março, domingo seguinte ao do carnaval.
Saiba o que na edição deste mês AQUI. Boa sorte e boa leitura!

terça-feira, 1 de março de 2011

Lobão: “Acho esse sistema [o jabá] uma merda”

Nesta entrevista exclusiva que o cantor e compositor Lobão deu ao Nota de Rodapé um fato chama a atenção. Ele não faz média. Não precisa, aliás. Curto e grosso, respondeu por e-mail as perguntas enviadas pelos leitores e colaboradores do NR; Natalia, Thiago, Diogo, Vagner, Eduardo, Alexandre, Daniel e Marco Antonio. Abaixo, o resultado.

Recentemente, você disse que o País vive um momento muito ridículo, uma 'lucianohuckzação' do Brasil". O que você quer dizer com isso e que exemplos daria?
Ora, a pior coisa do mundo é explicar piada, né?

"Se você ouve [música] na rádio
é porque tem jabá"
Levando em conta que a música não é um bem material, e que portanto pode ser compartilhada sem que seu criador deixe de tê-la (diferentemente de uma mercadoria física), o direito autoral não limita o acesso a cultura?
O direito autoral é fundamental para o compositor e ponto final.

Suas músicas já foram tocadas como jabá? O que acha dessa sistema utilizado pelas gravadoras?
Sim, claro que foram tocadas com jaba! se você houve no rádio é porque tem jaba! a única exceção foi "me chama" que foi execução espontanea. Acho esse sistema uma merda, basta você olhar o estado que se encontra a indústria. Completamente refém das rádios.

Como você analisa o atual momento do rock brasileiro? Acho que as atuais gerações criam muito pouco, para não falar nada. E as bandas mais antigas também já não apresentam um repertório tão rico. O que acontece? Até quando os fãs terão de relembrar sucessos dos anos 80 e 90 para curtir o bom do rock nacional?
Estamos numa fase esplendorosa de novas bandas e novos artistas excelentes. Cabe as radios tocá-los.

Lobão, sou muito fã do Raul Seixas, eu cheguei a escutar alguns comentários seus, que quando você estava preso, Raul te ligou. Gostaria de saber qual foi sua relação com o Raulzito, e o que ele representa para o Rock e a Música feita no Brasil?
Falamos muito pouco.Tivemos muito pouco contato pessoal.

Como se deu a escolha do nome do jornalista Claudio Tognolli para escrever a sua biografia? Você gostou do resultado final? Como se deu a elaboração do livro?
Antes de mais nada, trata-se de uma autobiografia.Quem escreveu o livro fui eu. Meu querido Tognolli fez o inestimável serviço de investigação e depoimentos (Lobão na mídia).

Vi a notícia de que terá um filme com base em sua biografia. Quem você não gostaria de jeito nenhum que te representasse no filme?
Sei lá! Nunca pensaria dessa maneira.Vou usar o meu tempo tentando encontrar a pessoa certa.É mais inteligente.

Muitas pessoas mudaram de opinião em relação a você, mesmo antes do lançamento do livro. O que você acha que causou isso?
A verdade dos fatos.


Segundo o dramaturgo americano Edward Albee, a arte, em sua melhor forma, é um ato de agressão contra o status quo. Ou seja, a arte serve para levantar questões difíceis. Sua música ainda é um ato de agressão contra tudo que está aí ou já passou dessa fase?
Estou cada vez melhor. Isso é a única coisa que sinto poderosamente.

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O projeto da caixa 81/91, saiu da maneira que você queria? Vi alguns fãs questionando que apesar do belíssimo trabalho do Roy Cicala, devia ter saído algo mais elaborado com histórias faixa a faixa, quem sabe outras variedades, como algumas cifras.
Saiu sim. Ficou um produto extremamente bem tratado. Fui eu quem dirigiu todo o projeto. Estou satisfeitíssimo e extremamente orgulhoso da caixa.

Lobão, sua admiração e respeito por essa entidade chamada Exu Caveira não o conduziu (mesmo que de forma inconsciente) ao uso das drogas como uma forma cármica de expiação?
Adorei a ideia! Nunca me passou isso pela cabeça.
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