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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

domingo, 5 de julho de 2009

FLIP: estar e não ver

Cheguei na FLIP, Paraty, na sexta-feira à noite. O negócio começou na quinta. Participei do evento ao qual fui convidado no sábado às 19h. Na Off-Flip. Uma mesa para discutir Direitos Humanos e para lançar o livro Brasil Direitos Humanos 2008 da SEDH. Estava com a amiga e jornalista Marina Amaral. Não vi o Chico Buarque. Nem o Gay Talese. Nenhum escritor. Nenhum show. Trombei uns globais nas ruelas de Paraty; é uma cidade muito bonita com gente muito bonita. A FLIP em si, minha primeira vez real, não gostei. É excludente. Um evento de literatura - a literatura é libertária ou não é? - não pode ser feito em tendas fechadas, com editoras que vendem seus livros com preços absurdos. Shows serem fechados é brincadeira. Telão é migalha. Filas imensas. Ingressos que não existem. É um evento de pompa, sem dúvida! Muitos bons escritores, sem dúvida. A questão, talvez, é que não me enquadro. Dizem que o Chico Buarque não deu muitos autógrafos após sua mesa e que isso gerou protestos. A tietagem foi desproporcional, me disse um camarada. Chico fez bem em sair logo. Eu faria o mesmo. Um taxista comentou que tem gente que pergunta onde ficam os artistas para ir lá ver (tipo zoológico, mediocriadade pouca é bobagem) e que não aguenta mais no que se tranformou a cidade. Apesar de o táxi ser seu ganha pão, gostaria de menos badalação, segundo ele, quer de volta o silêncio enriquecedor. A FLIP deve ter tido boas discussões e reflexões, mas eu não vi a literatura pulsar para a inclusão dos que não tem acesso. Vi diversidade de pessoas; jovens, idosos, adultos, mas os nichos de festas fechadas, restaurantes caríssimos e gente pobre tomando em pé sua lata de cerveja era um contraste. A beleza de Paraty inspira. Seus personagens menos badalados mais ainda. Para mim os escritores e cantores que não estão nos catálogos dariam uma bela pauta jornalística. Perambulam pelas ruas. Recitam poesia pra você. Os moradores afastados do centro, em praias como a do Jabaquara, são ótimas conversas e têm grandes e saborosas histórias. Acho que é isso. Estive em Paraty, mas não na festa literária.

6 comentários:

Moriti disse...

Belo relato, Thiago. Pena descobrir que, cada vez mais, o que era pra ser artístico e inclusivo, se transforma em "zoológico da elite". Essa mediocridade toda enoja.
Ainda bem que você esteve em Paraty, mas não na Flip.
Parabéns mesmo pelo relato e postura.

Abraço.

Vinícius disse...

põ, gostei do texto.

Mariana Santos disse...

Caramba, Thi... e eu que achava que ia ser o máximo, aquela imagem de encontro da diversidade, tudo balela? Que merda... pelo menos você tava lá pra contar. Já sabemos onde não ir no ano que vem.

Cylene disse...

Eu também esperava mais. Estava ansiosa pra ouvir os relatos da viagem, mas pelo jeito a Flip deixou a desejar...

Mas é isso, agora quero saber como foi a mesa de debate sobre Direitos Humanos e o lançamento do livro...hehe

Bjins

Nê. disse...

Nunca fui, ainda tenho curiosidade de ver, mas pelo menos sei que a minha preguiça não é a toa.

J.C. David disse...

Tá viajando bem em...

Agora, ainda existem "intelectuais" que dizem, que o povo não gosta de ler, também, com o preço do livro. O "qualidade" das revistas, e a apelação dos grandes jornais..e por aí vai..ai fica difícil.

Legal em cara, cheio de comentário..que bom..

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