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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

400contra1: bandidagem à la Hollywood

Daniel Oliveira em cena do filme 400contra1
O filme 400contra1 – uma história do crime organizado, narra a formação do Comando Vermelho, facção criminosa que surge no presídio de Ilha Grande (vulgo “caldeirão do diabo”), Rio de Janeiro, no final dos anos 70 e que mete medo no Estado até hoje. O mote do filme vem do livro homônimo de William da Silva Lima – interpretado pelo ator Daniel Oliveira (o mesmo de Cazuza) – o único sobrevivente da primeira geração do grupo. O ator, aliás, faz o filme ser melhor do que é. Eu não li o livro mas sabia, no entanto, da divisão que se fazia em época de ditadura militar entre os presos da ala política e a turma do “fundão” - assaltantes de bancos, em sua maioria.
Sempre fico instigado ao ver essas produções que contam histórias, mesmo que de um jeito torto, sobre a bandidagem brasileira. Foi assim com Carandiru, Cidade de Deus e Salve Geral, para citar alguns recentes. O problema é que sempre acho as adaptações fracas ou não me sinto completamente confortável ao sair do cinema. Para ser sincero, não acredito no que assisto. O problema sou eu? Como disse minha namorada, Natalia Mendes, “me sinto meio enganada.” Não que deva ser assim, acreditar ou não em algo que se vê – mas há sempre, nestes filmes, um ar de glamour desnecessário em apresentar os bandidos herois que, pelo pouco que li ou ouvi, não condiz com uma realidade maior do sistema carcerário brasileiro – mesmo que há algumas décadas - e com a vida que se leva.
Se é intencional dar uma linguagem menos dolorida e apresentar uma estética palatável ao grande público, já não sei. Talvez seja uma das funções do cinema de muitos milhões e que precisa de audiência não pegar tão pesado no cerne da questão. Mas a mensagem fica sempre no ar para mim, ou seja, a de que por traz do fato de ser o que é – bandido – existe algo pop ou ideológico, uma motivação maior que justifica sua vida contra o sistema - esse, sim, o grande vilão. Ser bandido traz sofrimento, dor e morte. Ponto. E isso o filme pincela de um jeito à la Hollywood que não me deixou contente.
Sempre existe, é verdade, uma motivação – política, familiar, amorosa etc – na vida de todos nós. No caso do filme, a meu ver, faltou dimensionar melhor essa questão no grupo que fez surgir o CV. Por mais link coletivo que se dê a história, 400contra1 – que é uma grande produção nacional – me deixou a ver navios em vários aspectos e sai com uma interrogação: será que...? Vou ler o livro assim que puder e, quem sabe, obtenho mais respostas. De todo jeito, é um bom filme, mas não é ótimo.



Thiago Domenici, jornalista, não é crítico de cinema e nem se postula a tanto, mas quis dividir com os leitores essa breve e rasa reflexão

2 comentários:

Mari Santos disse...

Hum... fiquei curiosa. Vou ver e volto aqui pra comentar.
beijo!

Rafael Barros disse...

Bom, lógico que todo bandido tem uma motivação para cometer um crime, ninguém faz as coisas simplesmente por ser bom ou mal. Mas no caso do filme, sobre cometerem crimes por questões políticas, deve se lembrar que o filme não trata da história de todos os bandidos, mas sim da história de um grupo (que cresceu estrondosamente, o que talvez torne mais dificil a compreensão de ques eles têm ou tinham um ideal). O CV, assim como o PCC, surgiu para defender direitos dos presidiários _alguém pode discordar que outro tenha direito e negar este direito a ele, como acontece nas cadeias, mas não espere que "este outro" reaja de forma "civilizada" _com ou sem organização, com ou sem ideal político, ele vai reagir contra isto, mas é mais fácil quando esta organizado, foi o que aconteceu. Já sobre o ideal político, pode não ser o seu ideal, você pode discordar dele, mas não deixa de ser um ideal e não deixa de ser política (por mais que está não seja a sua forma de fazer política).

Bom, estou discordando de você neste aspecto mas gostei do seu texto. Vou serguir o blog

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