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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tony Porter: um chamado (necessário) para os homens

“Nos ensinavam que homens precisam ser valentes, fortes, precisam ser corajosos, dominantes. Sem dor, sem emoções (...) e definitivamente sem medo. Que os homens estão no comando, e isso significa que as mulheres não.”
Tony Porter é cofundador da organização “A Call to Men - Commited to Ending Violence Against Women” (em português, algo como “Um chamado para os homens - compromisso com o fim da violência contra as mulheres”).

Ele deu uma palestra no Ted (no vídeo abaixo) muito interessante - e corajosa. Tony conta histórias fortes sobre sua infância e sobre a educação que deu aos filhos (um menino e uma menina) relatando a diferença com que tratava os dois.
 “Quando eles tinham cinco ou seis anos, (o menino é um ano mais velho que a menina), Jay vinha até mim chorando. Não importava o porquê ela chorava, ela podia sentar no meu colo, assoar o nariz na minha manga (...). Mas Kendall, por outro lado (...), ele vinha chorando, e no momento que eu o ouvia chorar o cronômetro ligava. Dava ao garoto cerca de 30 segundos, o que significava que quando ele chegava eu já estava dizendo ‘por que está chorando?’”
Tony ajuda a entender porque a educação que costuma ser dada aos homens - tantos ensinamentos machistas - pode causar (e provavelmente vai) o desrespeito e a violência contra a mulher.

Diz Tony, em outro trecho da palestra.
“Quando se diz que mulher tem menos valor, são propriedades dos homens, são objetos, particularmente objetos sexuais. Mais tarde descobri que essa era a socialização coletiva dos homens, mais conhecida como a ‘caixa do macho’. A caixa de macho tem todos os ingredientes do que significa ser um homem. Antes quero dizer, sem dúvida alguma, que há coisas maravilhosas, muito boas mesmo, em ser homem. Mas ao mesmo tempo existem algumas coisas que estão erradas.”
É muito importante que falas como a de Tony Porter sejam ouvidas e tenham repercussão. Nos faz pensar, nos faz compreender muita coisa e nos ensina. O vídeo tem 11 minutos, mas parece que tem 3. Não é chato, não é maçante e pode fazer muita diferença.

É por esse tipo de coisa que acho importante que a gente não queira ser “normal” como escreveu a jornalista Eliane Brum num artigo recente.




Natalia Mendes é jornalista, colunista do NR

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