Com números como esses, costumo refletir sobre o alcance das mídias sociais. Principalmente em ano de eleição. Quem faz parte de alguma rede social, sabe o quanto de informação, desinformação, opinião etc podemos acompanhar - muitas vezes sem nem querermos. Esse ano teve de tudo, baixaria, boataria, informação importante, mentiras, verdades, correntes “do bem” e “do mal”, e até casos de discriminação.
O caso da vez
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| Exemplo de preconceito; como esse, vários outros casos |
Fiquei tão horrorizada, que não consegui selecionar exemplos, mas sugiro que vejam aqui nesse tumblr (espécie de blog), que foi criado para expor “qualquer manifestação de cunho discriminatório”
Como resposta, muito usuários começaram a postar mensagens com a hashtag (quando se coloca # antes de uma palavra ou expressão, para agregar mensagens e facilitar a busca de determinado assunto, como se fosse uma etiqueta de tweets) #orgulhodesernordestino. Infelizmente, alguns simplesmente inverteram o preconceito - também é possível ver no link sugerido acima.
Fato é que essa história tomou uma proporção tão grande, que a OAB - PE vai entrar na justiça contra uma das twitteiras que escreveu mensagem discrimatória. E já avisou: ela não será a única que pode ser processada por racismo. A usuária, Mayara Petruso, estudante de Direito (irônico, não?) escreveu em sua página pessoal do twitter (que foi deletada por conta desse episódio): “Nordestisto (sic) não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado!”. Ela será “alvo de duas ações: uma por racismo e outra por “incitação pública ao ato delituoso”. A primeira estipula pena de 2 a 5 anos de detenção, e a segunda, de 3 a 6 meses de reclusão ou multa.”, segundo o blog IDG Now!
O que as mídias sociais podem revelar
Com o uso de mídias sociais, muitas vezes, acabamos descobrindo um outro lado de algumas pessoas que conhecemos (ou achávamos que conhecíamos). Uma amiga acabou de comentar comigo: “Sabe o que andou me preocupando nos últimos dias? A quantidade de amigos reacionários que eu tenho, vi tudo pelo facebook”. Com certeza, ela não é a única.
Já no meu caso, fiquei preocupada quando descobri, com essa história, do que as pessoas são capazes.
Me senti na obrigação de compartilhar, todos devem saber desse absurdo, porque acho que esse tipo de coisa pode gerar importantes reflexões e discussões e para manifestar aqui a minha indignação e repúdio a todo e qualquer ato de preconceito e discriminação.
Natália Mendes é jornalista, formada em Letras - Francês, trabalha com mídias sociais. Paulistana, já morou na Bahia e teria muito orgulho se fosse nordestina. Estreia hoje no Nota de Rodapé.



