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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

História Universal do Desperdício

por Ricardo Sangiovanni*

Meu tio me acha um desperdício. Não é maledicência, é bem-querer: pois tenho, ele diz, inteligência como em rara gente se encontra (perdoem o pobre: ele me viu nascer), devia estar era figurando nos altos escalões, sendo um da família a ter virado alguém.

Já poderia ter ficado rico, ou estar ficando. Calma lá também, que dinheiro não é tudo; mas é que gente assim inteligente merece mais é ter tudo do bom e do melhor: morar numa coberturazona no Corredor da Vitória, e ter carrão sim; não é pra morar em predinho feio, com esse carrinho de pobre envelhecendo no sol da vaga descoberta.

Assim diz meu tio. Assim subo do porão onde me empreguei como arraia miúda certo de ser um desperdício. Sim, mas que homem nesse mundo não é um desperdício? Que homem não é menos do que poderia, nesta terra patrimonialista em que subir na vida é, se muito, coisa franqueada a umas cepas de "inteligentes" ou de "fortes", de "bonitos" ou "espertos" no lugar e hora certos para serem incorporados ao sistema, nosso magnífico sistema social de ascensão pela exceção?

Não quero ser exceção de nada, não desejo o que se promete às exceções: quero mais é ser desta classe dos desperdiçados mesmo. Somos uns desperdícios, eu e meus colegas de todos os porões onde se sonha com a transformação das gentes e do mundo pela inteligência e pela educação, pelo talento e pelo trabalho, por tudo enfim de diverso que nos faça mais iguais. Nós, mas também os que ganham a vida correndo atrás de nós e dos mais pobres que nós: é que no fundo somos todos, maltrapilhos e engravatados, os da Federação e os da Vitória, cabos e coronéis, parangolés e barões, uns subaproveitados no que de melhor nos vai na alma. Somos a História Universal do Desperdício.

Aí, em minha fantasia, resigno-me a sentir-me mais rico que o maior dos magnatas quando desfruto a fortuna que meu empreguinho proporciona, que é encerrar o expediente às catorze, e subir a tempo de alcançar o sol ainda alto, e comprar um cacho de bananas, e olhar o jeito do povo, e ficar secretamente à espreita, à espera de, num dia desses, avistar dobrando a esquina uma multidão fazendo a revolução, e ir atrás dela, e não voltar nunca mais.

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Ricardo Sangiovanni, jornalista, mantém no NR a coluna Mistério do Planeta. Escreve de Salvador.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Corrida maluca

por Carlos Conte*

Antes das 7 da manhã ainda é possível pegar 90 km/h na Marginal Pinheiros. Não há outra razão numa via expressa senão correr. E os caras metem o pé mesmo, inclusive eu. Acordo mais cedo só pra desfrutar desse prazer cada vez mais raro numa cidade congestionada.

André Gorz já havia anunciado o “apocalipse motorizado” (isso em 1973!): “o carro, como uma mansão à beira-mar, é somente desejável e vantajoso a partir do momento em que a massa não dispõe de um”, já que, segundo o filósofo, é impossível democratizar um bem de luxo sem diminuir o gozo de quem faz uso dele. Mas o problema é que o carro no Ocidente tornou-se “vaca sagrada”, em vez de ser tratado como deveria: um “luxo antissocial”. Diante do caos, o que fazem as pessoas motorizadas? Saem de casa cada vez mais cedo, pois continuam querendo gozar do privilégio de ter um carro. Inclusive eu. Sei que depois de um determinando horário a coisa engrossa. 7 da manhã. 7 milhões de automóveis nas ruas da cidade. Uma imagem que a mídia adora: uma fila de 7 milhões de carros é o suficiente para dar a volta ao mundo. Preciso chegar no Jabaquara às 7h15. O sinal da escola toca às 7h20. Professor não pode atrasar. Talvez seja uma das profissões em que o atraso é menos tolerado. Por isso, tenho tudo devidamente cronometrado. Nem pensar em me dar ao luxo, um luxo matinal do qual todos deveriam ter direito, de cagar, tomar café e ler o jornal, ou tomar café e ler o jornal cagando, ou ler o jornal e cagar tomando café... Não importa a ordem. Só sei que nos finais de semana faço tudo isso simultaneamente, só pra esbanjar.

24 de março, 15 minutos para as 7, cruzo a ponte da Cidade Universitária e aos poucos vou entrando na Marginal, sem dar seta (porque há tempos a seta da esquerda não funciona), primeiro pela via local, depois a expressa, onde automóveis, motos e caminhões, em alta velocidade, disputam furiosamente cada metro de pista, cada segundo do relógio. E pensar que estávamos todos dormindo alguns minutos atrás...

Às vezes acelerar torna-se um fim em si mesmo: estou adiantado, mas se posso correr, por que não fazê-lo? Piso no acelerador pelo prazer de correr, de ver os outros carros ficando para trás, como se ultrapassar veículos somasse pontos numa corrida maluca sem fim. E sem sentido. Meio sonolento, chego mesmo a esquecer pra onde estou indo, ouvindo no rádio o repórter Luiz Carlos Gertel falando que o sol vai aparecendo aos poucos entre nuvens e que o trânsito já vai mal nos principais corredores da cidade... A mesma coisa de sempre.

Quando chego à pista 3 (são 7 ao todo), um Palio cola perigosamente na minha traseira, mas finjo não dar importância. Que me passe pela esquerda, se quiser: hoje estou zen. Mudo de estação. Sei que mexer no rádio ao volante é um ato repreensível, mas faço isso com frequência. Está falando agora o professor Mário Sérgio Cortella: “Pensar bem nos faz bem, então vamos pensar juntos...”. Quando me dou conta, o Palio já me passou, agora está na pista 1, à minha esquerda, colado na traseira de um Corsa, que por sua vez está colado em outra traseira, isso a mais de 70km/h, até que a fila deles breca abruptamente: não há tempo, o Corsa freia, arrancando fumaça do asfalto, e entra com tudo na traseira do carro da frente, que é jogado imediatamente contra o carro seguinte... o Palio, por sua vez, se enfia na traseira do Corsa – strike! –, outro dá de cara na bunda do Palio, o seguinte tenta em vão manobrar para a direita, e fica praticamente sobre duas rodas, mas acaba destruindo a lateral dos outros carros, levando consigo retrovisores, lascas da lataria, estilhaços de vidro, até se chocar contra outro carro que vinha pela pista 2 a toda velocidade... E quando parece que as coisas enfim se acalmam, um carro semidestruído, vindo de não sei onde, cruza a pista à minha frente e, cambaleando, para na pista 4.

Apesar de tudo, continuo avançando mais alguns metros e só paro quando percebo que estou arrastando alguma coisa. Ligo o pisca alerta. Vejo que outros carros estão fazendo o mesmo. Há um retrovisor enorme de camionete preso entre o chão e o protetor de carter do meu Peugeot.

Por trás de uma neblina de pneu queimado, vejo atrás de mim carros destruídos, air bags inflados, vidros estilhaçados. Motoristas descem dos veículos falando no celular; outros, perplexos, continuam segurando o volante... A princípio, ninguém preso nas ferragens ou seriamente ferido. Carros desviam do engavetamento pelas pistas da direita. Não sou médico. O resgate certamente está a caminho. Vejo que o melhor a fazer é dar o fora dali.

Numa metrópole como São Paulo, ficamos tão habituados às tragédias da civilização que acabamos desenvolvendo um mecanismo de defesa muito peculiar: a indiferença. Sabe quando a gente se esquece de um sonho e só vai se lembrar dele mais tarde, horas depois, às vezes dias depois? Pois foi isso que aconteceu nesse dia. Trabalhei a manhã inteira como se nada tivesse acontecido. Até que no almoço, entre uma garfada e outra, a imagem do acidente voltou, e junto dela pensamentos sombrios sobre o futuro desta cidade. Pensei nas pessoas acidentadas e, claro, me senti culpado. Sentindo raiva de tudo, e sobretudo de mim mesmo, terminei o almoço, paguei a conta, e fui buscar meu carro.

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Carlos Conte, sociólogo, é também resenhista e cronista. Mantém a coluna mensal Casa de Loucos, uma homenagem aos mestres João Antônio e Lima Barreto.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Do baú


por Júnia Puglia    ilustração Fernando Vianna

Das pequenas surpresas que aprecio muito: acabo de ver um vídeo de um famoso grupo de samba cantando e tocando "Mercedes-Benz", clássico da contracultura (ironia à parte), que debocha dos valores e símbolos de riqueza e status, composto e gravado por Janis Joplin em 1970. Tão, mas tão definitivamente Janis, que não esperava ouvi-lo em outra voz, muito menos em ritmo de samba. É óbvio que se trata de uma brincadeira, mas muito competente e divertida. (Se tivesse sobrevivido a toda aquela loucura, e depois de ajudar a virar a cultura judaico-cristã ocidental de pernas pro ar, talvez Janis estivesse hoje "em casa, guardada por Deus, contando o vil metal". Nunca saberemos.)

Daí, sabe como é, a memória abre o baú e eu me lembro de, por volta dos doze anos, sentir a mesma surpresa com o inusitado ao ver Jair Rodrigues, no auge da fama e popularidade, cantando lindamente a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda", ao vivo, num programa de televisão. Achei muito estranho, não sei se por vê-lo cantando uma canção derramada, ou por ele não estar se sacudindo todo no palco enquanto cantava. Talvez pelas duas coisas. Ficamos todos em casa muito impressionados com a beleza daquela interpretação, rendeu vários dias de comentários.

E um rápido presencial: em Nova York, durante uma conferência mundial, uma jovem militar brasileira, que integrava a comitiva de alguma autoridade, buscava alguém que a fotografasse no plenário da ONU, enquanto rolava um pronunciamento da delegação brasileira (faltava muito para a era selfie). Estava ansiosa por registrar o momento e estrear a câmera digital recém-comprada, uma grande novidade. De forma aleatória, aproximou-se de Nair Benedicto (vai no Google!) e perguntou se poderia lhe fazer o favor. Ato contínuo, passou a explicar como se operava a máquina, insistindo no detalhe do foco e da visualização na tela de dois centímetros, que substituía os visores mínimos das máquinas analógicas. Nair, muito compenetrada, ouviu as explicações e orientações e partiu para a tarefa, deixando sob nossos cuidados seu precioso e completíssimo equipamento e os quilos de filmes que havíamos comprado na véspera. Ficamos de longe saboreando a cena e anotando a dedicação da fotógrafa "ocasional". Aposto que a moça nunca se deu conta de quem estreou sua câmera.

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 Júnia Puglia, cronista, mantém a coluna semanal De um tudo. Ilustração de Fernando Vianna, artista gráfico e engenheiro, especial para o texto. Emails para esta coluna devem ser enviados a: deumtudocronicas@gmail.com

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Dor sobre dor


Passados os 50 anos do golpe militar a coluna 1964+50 segue firme em 2015, mas agora com novo título: VIVOS. Afinal, mortos e desaparecidos estão vivos na nossa memória e na nossa história.


por Fernanda Pompeu ilustração Fernando Carvall

Flávio Carvalho Molina
Nascimento: 8 de novembro de 1947
Cidade natal: Rio de Janeiro - RJ
Prisão: 6 de novembro de 1971
Cidade final: São Paulo - SP
Causa da morte: tortura

Procurar pelo corpo de Flávio - ex-militante estudantil, ex-integrante do Molipo, Movimento de Libertação Popular - exigiu lágrimas, determinação, lágrimas de seus familiares e amigos. Até que surgiu uma pista no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Finalmente seria possível prantear o morto? Não. Começou o triller de terror para a identificação da ossada, em 200 temporadas. Descaso, empurra-empurra, indiferença, ineficácia do Estado. Depois de quinze anos de lengalenga, os restos mortais de Flávio Carvalho Molina foram entregues à família.

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Fernanda Pompeu é a mulher do texto Fernando Carvall é o homem da arte

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Here, There and Everywhere – os dilemas de uma “esquerda pragmática”

por Nina Madsen, de Washington, DC

E finalmente chega a vez de Hillary. A pré-candidatura esperada, tentada, adiada e cozinhada por tantos anos, apresentou-se alguns dias atrás. Sem muito alarde, com um vídeo na rede seguido por uma agenda de viagens para encontros e diálogos com a sociedade americana.

Logo que cheguei por aqui, os noticiários exploravam, à exaustão, a história da conta de e-mail – em algum momento, no início da gestão Obama, Hillary tomou a estranha decisão de usar apenas uma conta de e-mail, a sua pessoal, para administrar mensagens oficiais e mundanas. Seria um ato de ingenuidade atroz, não tivesse vindo dela, de dentro da Casa Branca.

Mas o fato é que a história veio a público e virou um pequeno escândalo, com alto potencial desestabilizador. Para meus olhos, tinha pinta de sangria de pré-candidata. Mas não colou e ela seguiu, como se, agora, nada nem ninguém pudesse detê-la. E a pré-candidatura se anuncia quase que definitiva pelo Partido Democrata. Nenhuma outra se emparelha, não há real disputa no horizonte.

Fato praticamente consumado, começa assim o primeiro ato.

À esquerda de Hillary, as pedras vem com força. “O menos pior de dois males” [uma referência a ela e ao Republicano Rand Paul] e “cínica oportunista” foram duas que catei dia desses ouvindo o rádio. As comparações com Margaret Thatcher abundam e, francamente, só fazem denunciar a absurda escassez de referências femininas nos altos postos de liderança política mundo afora. Todas se parecem com Thatcher, uma incrível coincidência...

Acusam Hillary de estar à direita de Obama, e de representar uma ala do Partido Democrata mais aberta ao livre mercado (como se houvesse alguma força política realmente opositora a ele por essas bandas...) e até algumas bandeiras republicanas, como a revisão do “ObamaCare”, por exemplo. As defesas são mais tímidas e contidas que os ataques. Não negam esse posicionamento da candidata, mas o definem como o necessário pragmatismo que os tempos atuais exigem. Soa familiar?

Os mais esperançosos afirmam que surpresas podem aparecer pelo caminho. Um artigo da revista The New Yorker (veja aqui), por exemplo, menciona a possibilidade de um programa político desenvolvido a partir dos insumos de um amplo e denso relatório do Center for American Progress (CAP) sobre a situação geral das desigualdades do país. Trata-se de um documento que apresenta propostas como o aumento do salário mínimo e o fortalecimento de sindicatos como caminhos a serem adotados.

E há as que defendem sua candidatura pela oportunidade da conquista histórica de se ter uma mulher à frente da Casa Branca. Sabemos bem que, em se tratando do avanço de uma agenda política feminista e progressista, não basta com mais mulheres no poder se essas mulheres não se comprometem com essa agenda. Mas a promessa de Hillary é a de fazer da “igualdade de gênero” uma bandeira central de sua campanha. A ver.

Hillary não desperta paixões, não se destaca, como Obama, pela carismática e irresistível eloqüência discursiva. Sim, Obama é o cara e Hillary parece saber bem que não cabe a ela disputar esse lugar. O que não significa a ausência, entre os dois, de disputas de outras naturezas. Hillary não esconde discordâncias em relação a algumas das escolhas feitas por Obama, ainda que não tenha começado a explicitá-las publicamente.

E esse é um dado interessante. Ela é a continuidade, mas é também mudança (se para melhor, não sei...). Ela tem um projeto político coerente com o projeto mais amplo de seu partido, mas tem uma abordagem própria, com prioridades e escolhas particulares.

Difícil não comparar a dobradinha Obama-Hillary com a nossa, Lula-Dilma.

A trajetória dessas duas experiências tem um desenho político bastante parecido. Lula e Obama tiveram primeiros mandatos inicialmente comprometidos com mudanças à esquerda, com uma grande aproximação de cada governo de setores historicamente discriminados da sociedade. Seguidos por segundos mandatos marcados, na ala da esquerda, por muita desilusão da parte de alguns, e um crescente pragmatismo da parte de outros. Na ala à direita, um rancor crescente, que perdeu freios e limites. Se no Brasil, Lula despertou a fúria do elitismo rançoso, nos EUA, Obama desperta um esdrúxulo racismo xenófobo.

E eis que a esses homens, seguem-se duas mulheres “fortes”, pouco carismáticas e reconhecidamente pragmáticas. Com uma importante diferença. No Brasil, o caminho rumo à Presidência de Dilma Roussef parece ter sido bem menos traçado por ela ou por sua trajetória política, do que pelo partido e pelo próprio Lula. Hillary Clinton, ao contrário, tornou público e notório esse desejo antigo em sua disputa com o próprio Obama pela candidatura do Partido Democrata em 2008.

Enquanto Dilma se elegeu, lá em 2010, com o discurso da continuidade direta do projeto de Lula; Hillary não esconde que seu projeto tem diferenças com o de Obama.

O que será a campanha de Hillary, ainda estamos por descobrir. Os Republicanos parecem ter aprendido algumas coisas com as derrotas para Obama em 2008 e 2012. As pré-candidaturas anunciadas até aqui parecem representar desafios importantes aos planos da democrata, ainda que sua vitória já ande sendo cantada por alguns. Rand Paul, de um lado, e os meninos da Florida – Marco Rubio e Jeb Bush – de outro, são, sem dúvida, adversários relevantes.

E ficamos à espera dos próximos atos – como construirá e apresentará seu programa e sua campanha, a democrata? Até onde prevalecerá o pragmatismo de uma esquerda cada vez mais recuada em seus projetos de mudança, e em que medida será capaz de responder a uma agenda realmente capaz de promover justiça social em um país encurralado por suas desigualdades?

E se fica alguma lição do pragmatismo à brasileira, é que sem limites explicitamente demarcados, sem princípios e compromissos dos quais não abrir mão, ele inevitavelmente desemboca no isolamento e na perda de direção política. Uma combinação perigosa, como bem podemos atestar.

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Nina Madsen. Escreve por gosto e necessidade desde que se lembra. Formada em Letras, caminhou pelos campos da educação até que se fez feminista e socióloga, por azar ou sorte. Desde janeiro de 2015, vive em Washington, DC – novo cenário de aventuras e leituras pelo avesso do mundo.
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