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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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quarta-feira, 13 de março de 2013

As galinhas do Água Branca

por Thiago Domenici*

A fuga das galinhas do Parque da Água Branca, na esquina da movimentada av. Francisco Matarazzo com a ministro Godoy é das observâncias mais inusitadas. De uns tempos pra cá faço um novo caminho diário ao ir e voltar do metrô Barra Funda: desço a ministro Godoy, cruzo a faixa de pedestres pela Matarazzo e pego, em seguida, após correr os olhos por uma banca de jornal e ver as manchetes de algum periódico, uma ruazinha estreita que vai desembocar defronte a estação, a poucos passos do exuberante Memorial da América Latina.

Nesse itinerário tenho me deparado diariamente, não sem espanto, com motobóis sem paciência e carros sem amor buzinando para galos e galinhas radicais e seus pintinhos emancipados que arriscam suas cristas e penas ao atravessar fora da faixa de pedestres.

Isso mesmo! Galos e galinhas que se aventuram no asfalto em busca de um mix de farelos qualquer. Os bichos, sem medo, retrucam às buzinadas; galos, principalmente, empostando seu canto alto e vigoroso. É um tal de Fom! Fom, Beep Beep e Có coró cóóó de dar inveja ao silêncio, que ali não tem espaço.

Pois outro dia a mamãe galinha e dois rebentos estavam a cacarejar com regateios solenes, com seus movimentos pescoçais ritmados em meio ao já citado ruído nauseante. Fotografei com o celular. Não deu boa foto. Pensei, oras, que a cena tem é de ser vista a olhos vivos, sem imagens ou registros que inibam a imaginação, sempre mais interessante (ou quase sempre) do que a realidade.

O Água Branca, para situar, é nome do bairro, localizado no distrito da Barra Funda, mas que oficialmente leva o nome do homem que o concebeu, Fernando Costa, secretário de agricultura no longínquo ano de 1929, data em que se iniciou uma grande crise na economia mundial, devido à quebra da Bolsa de valores dos Estado Unidos. Quando inaugurado em 2 de junho daquele ano, o objetivo era abrigar exposições e provas zootécnicas.

Hoje o lugar é patrimônio cultural, histórico, arquitetônico, turístico, tecnológico e paisagístico do Estado. Além desses títulos, o que mais importa é o que nele vive: além da farta (e cada vez mais rara) natureza e dos galos e galinhas que gostam de aventurar-se no além-parque, os outros bichos que vale a confraternização são os macacos, gatos, cavalos, patos, pavão, peixes e, claro, alguns espécimes de zumanos em busca de respiro. O lugar tem um certo ar de nostalgia, meio outro tempo.

Nos meus encontros com as aves, uma galinha em especial – de penas escuras – que já vi por mais vezes a saçaricar entre os andantes sempre ignora meu “boa tarde” com uma corrida meio trotada em direção oposta. Ela, a quem apelidei de Mafalda, não é de dar atenção fácil pra ninguém. O guardador de carros que fica no pedaço é dos poucos que oferece um rango farelístico sem que ela fuja.

Fico a imaginar, por pura curiosidade, aquela São Paulo mais antiga e rural que não vivenciei, com seus transeuntes ternados e chapelados, quando por essas bandas existia mais terra batida do que asfalto e mais horizonte, que ofuscado, dorme atrás dos edifícios.

*jornalista, Thiago Domenici é editor e coordenador do NR

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Na contramão do fluxo

O graffiti paulistano, em seu momento atual, ilustra com perfeição algumas frases de cunho popular como: "está na crista da onda", "nas paradas de sucesso", "na boca do povo" e tantas outras expressões utilizadas corriqueiramente para salientar determinado status de algum sujeito ou objeto.

Cobiçada por galerias de arte no mundo todo, a estética autêntica do graffiti da cidade de São Paulo tem ganhado cada vez mais espaço dentro do campo das artes contemporâneas.

Integrante de um seleto grupo de artistas nacionais reconhecidos internacionalmente, Claudio Ethos extrapola os limites da imaginação e ressignifica o conceito de arte urbana no país.

Suas pinturas são pontuais, os personagens construídos lentamente no muro formam um deleite visual capaz de impactar abruptamente as pessoas que caminham pelas ruas e os transpor para uma linha tênue entre ficção e realismo estritos ao seu universo criativo.

Nas asas do crescente interesse midiático e do mercado de arte pelo graffiti nacional se aglomeram um contingente de novos aspirantes a artistas urbanos. Se por um lado há um processo de reconhecimento das Instituições Públicas e Privadas pelo trabalho de artistas cuja trajetória no meio é louvável, por outro observamos a massificação da cultura do graffiti, protagonizada por jovens que colocam em primeiro plano o ato de pintar na rua e deixam de lado o aperfeiçoamento de seu talento e suas habilidades artísticas.

Na contramão deste movimento, Ethos mostra sabedoria ao optar pelo refino do traço e paciência ao trabalhar insistentemente no aperfeiçoamento de seus personagens.

Foi um processo longo de concentração e produção interna (dentro de seu ateliê, fora das ruas) que perdurou durante anos até atingir um nível de exigência e satisfação pessoal específico antes de ganhar os muros da cidade com suas pinturas.

Victor Moriyama, 26 anos, é repórter fotográfico do Jornal O Vale, em São José dos Campos, cidade que reside atualmente. Mantém coluna Fotógrafo-escreve no NR.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

As diferentes faces dos mergulhadores

Ezra Shaw, um fotógrafo da Getty Images, fotografou mergulhadores no 14 º Campeonato Mundial da FINA, realizado recentemente.

Só que Ezra fotografou de um jeito que fossemos capazes de ver o exato momento do esforço do pulo do trampolim ou do processo da queda do mergulhador na piscina. Pelo que entendi, foram só os pulos do trampolim de 3 metros.

O que se vê são caretas das mais inusitadas numa sequência muito bacana. Dê uma olhada nas imagens, publicadas no The Wall Street Journal.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Liderança manipulada: jornal altera foto com ditador

A publicação egípicia Al Ahram alterou uma foto de encontros de presidentes que aconteceu no início do mês no país para colocar o ditador Hosni Mubarak à frente de Obama, dos EUA. A intenção declarada do jornal foi mostrar a liderança de Hosni. Quem sabe, a liderança diante do próprio jornal. Está mais do que na hora da imprensa colocar na discussão a questão das alterações de imagens jornalísticas. A foto traz além do ditador egípicio e o presidente dos EUA, o líder da Jordania, o presidente Palestino e o primeiro ministro israelense.

Original










Alterada











 Diogo Ruic é jornalista e editor assistente do NR

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Barcelona em festa antes, durante e depois
















Imagens da colunista do NR, Veruscka Girio (Astronauta Mecanico) diretamente de Barcelona, Espanha

terça-feira, 1 de junho de 2010

Exclusivo: curva da morte na BR-156 e a sinalização inovadora

Camilo Caropreso, sociólogo, fotografou no dia 19 de maio uma nova forma de sinalização nas estradas brasileiras. Uma forma, digamos, que apela ao além e ao sobrenatural para chamar a atenção. "Quando vi as placas pedi pra pararmos porque não dava pra ignorar tamanha inovação.", diz Camilo. As placas estão na BR-156 que liga Macapá a cidade de Laranjal do Jari no Amapá e foram colocadas em protesto devido ao número excessivo de acidentes fatais naquela curva. O Nota de Rodapé publica as imagens de Camilo com exclusividade.

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