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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A polêmica da canalização de rios: estamos na contramão?

Hoje, o Nota de Rodapé encerra a publicação das matérias produzidas para o jornal laboratório do curso de Jornalismo da FAAT, faculdade instalada em Atibaia, no interior de São Paulo, que recebeu o Prêmio Yara de Comunicação na categoria Trabalho Acadêmico. A premiação foi lançada com o intuito de comemorar os 20 anos dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Comitê PCJ). O conteúdo é inédito na internet e trata dos essenciais recursos hídricos das bacias que abastecem milhões de pessoas no Estado de São Paulo. 

A última reportagem é de Maria Ribeiro que trata da controvérsia sobre a canalização de rios. Tomando como exemplo a pequena cidade de Piracaia, no interior paulista, o texto traz os argumentos de ambientalistas, moradores ribeirinhos e poder público, além de dar dados sobre um debate que ocorre em várias partes do Planeta. 

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Canalização do rio Cachoeira gera polêmica na cidade de Piracaia

Ambientalistas afirmam que paredões são desnecessários em áreas não afetadas por enchentes 

texto e imagens Maria Ribeiro*         colaborou Rogério Vicenzi

Com a nascente no Estado de Minas Gerais, o rio Cachoeira corta várias cidades do eixo norte/leste do Estado de São Paulo, casos de Atibaia, Joanópolis e Piracaia. A última, está localizada ao leste paulista e é exatamente onde reside uma polêmica: a canalização de um trecho do rio, que faz parte da Área de Proteção Ambiental Piracicaba Juqueri-Mirim do Sistema Cantareira, responsável por abastecer com água cristalina 55% da grande São Paulo e a região de Jundiaí e Campinas. 

É da represa situada em solo piracaisense que sai a água potável abastecedora desses dois importantes polos econômicos estaduais. E o dilema reside na maior necessidade de água que, se liberada indiscriminadamente, pode levar a inundação todo o perímetro urbano da pequena cidade de Piracaia. Para tratar a questão, os órgãos responsáveis resolveram tomar a controversa medida de canalizar o rio. 

A obra é financiada pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), gerenciada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e fiscalizada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), todos ligados ao Governo do Estado. A iniciativa, no entanto, não é bem vista pelos ambientalistas da região. Para eles, o método adotado destrói a mata ciliar, extingue várias espécies animais (aquáticas e terrestres) e ainda torna as enchentes mais agressivas. 

Há 20 anos na região, o ecologista e morador ribeirinho Nivaldo Santos vê a canalização como desnecessária e ofensiva ao meio ambiente. Ele afirma que, em algumas áreas, a construção de paredões é inútil, já que não existe histórico de inundações. “As obras deveriam ocorrer no leito do rio”, diz. 

A engenheira agrônoma da Prefeitura do município, Ana Lucia Watanabe, rebate. Ela ressalta que, sem a obra, a liberação das comportas para atender a demanda crescente por água em grandes regiões certamente inundaria a cidade. Responsável pelo projeto, a engenheira destaca que, além da necessidade, o impacto ambiental é mínimo. “A obra é realizada no perímetro urbano”, destaca. 

Contudo, moradores explicam que a paisagem já foi afetada significativamente. Pelo menos 100 arvores foram derrubadas nas margens, dentre elas tapiás, amoreiras, figueiras e pau-brasil. Elas abrigavam pássaros durante a reprodução e alimentação. Além deles, capivaras, cágados, lontras e lagartos terão que passar por readaptação. 

João Francisco Neto, outro morador ribeirinho, observa que canalizar o rio deve aumentar ainda mais a velocidade da água, podendo causar danos irreparáveis à população. “O que realmente falta é que as pessoas se conscientizem e comecem a coletar lixos, pois moramos na beira de um rio rico e com vida”, defende. 

Rumo certo ou contramão? 

Ambientalistas: materiais impedirão permeabilidade  
Entre os argumentos contrários a canalização, está a crítica sobre a ideia de que o rio é o problema e a solução estaria em corrigir o curso e cimentar as laterais, completando o processo de canalização. Os ambientalistas, inclusive, garantem que alguns países do exterior, Alemanha e Coreia do Sul, por exemplo, perceberam o erro de canalizar e estão “renaturalizando” rios, voltando para as formas originais. 

Os grupos que atacam a canalização apontam que, com o leito do rio revestido por materiais impermeáveis, a água não se infiltraria no solo e, consequentemente, não chegaria aos lençóis freáticos subterrâneos. Sem obstáculos naturais, os cursos d’água correriam mais. Dessa forma, seriam evitadas inundações em determinados trechos, mas elas passariam a ser mais destrutivas adiante, já que a água chegaria com velocidade maior. A aceleração das águas contribuiria, também, para a eliminação das comunidades aquáticas. 

A Prefeitura de Piracaia segue na defesa do projeto e garante que a obra é “ecológica”. A engenheira Ana Watanabe argumenta que a canalização feita no rio Cachoeira é diferente em relação a outras cidades. Segundo ela, o exemplo disso está no uso de gabião (pedras amarradas) em vez de concreto. Esse recurso funcionaria como abrigo e local de desova para os peixes, além de arejar as águas. “Para substituir as árvores derrubadas, pelo menos cinco mil mudas nativas da Mata Atlântica serão plantadas no local. As vantagens serão evidenciadas pela população ribeirinha, pois os moradores serão mapeados para não sofrer mais com as enchentes”, comenta. 

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Exemplo 

De acordo com estudo da professora da Universidade Federal da Bahia e geóloga, Lígia Nunes Costa, as consequências da canalização de rios alteram o ciclo hidrológico. Para ela, é o aumento da impermeabilização do solo que intensifica a ocorrência de grandes enchentes. Dessa forma, a artificialização dos canais de drenagem, prática corrente na maioria das cidades brasileiras, choca-se com a tendência adotada mundialmente de resgate das paisagens naturais. 

Um exemplo de “renaturalização” é o rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coreia do Sul, considerada referência mundial em humanização de cidades, não só pela despoluição das águas, mas pela construção de parques lineares que devolveram o contato das margens aos moradores. 

O rio estava enterrado embaixo de toneladas de concreto. A obra de revitalização na área, iniciada em 2003, chegou a derrubar um viaduto. Três anos depois, parte do canal de 80 metros de largura foi aberto ao público. O projeto foi concluído neste mês, com a entrega aos moradores de áreas verdes que totalizam 400 hectares, distribuídas ao longo de oito quilômetros de extensão. 

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Maria Ribeiro é repórter e estudante do 4º ano de Jornalismo.

Um comentário:

antonio cossignani disse...

o que dizer das enchentes comuns em certas regioes as pessoas tem que se esforçar e mudar de residencia para um local que não enche pois se depender de reformas do governo continuara em um processo aquatico e mundo submarino e tenho dito essa e a famosa realidade muda brazil tipo exportaçã

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