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30 de Julho de 1929, jovens velejadoras no porto de Deauville, França (Getty Images)
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domingo, 27 de janeiro de 2013

Coisa Íntima # Nós

Série Coisa Íntima
Autorretratos por fotógrafos profissionais e amadores.
Participe, saiba + 

“Tirar a própria fotografia é a terceira coisa mais íntima que uma pessoa pode fazer com ela mesma, depois da masturbação e do suicídio”.

Título: Nós
Descrição: fotografia em baixa exposição
Autor: Michelle Costa
Data
: Março de 2011

domingo, 14 de outubro de 2012

Coisa Íntima # Japa

Série Coisa Íntima
Autorretratos por fotógrafos profissionais e amadores.
Participe, saiba + 

“Tirar a própria fotografia é a terceira coisa mais íntima que uma pessoa pode fazer com ela mesma, depois da masturbação e do suicídio”. 

mais informções sobre o fotógrafo, acesse: www.foto.art.br/pinguins

domingo, 7 de outubro de 2012

Coisa Íntima # Ana Flor

Série Coisa Íntima
Autorretratos por fotógrafos profissionais e amadores.
Participe, saiba + 

“Tirar a própria fotografia é a terceira coisa mais íntima que uma pessoa pode fazer com ela mesma, depois da masturbação e do suicídio”. 


Título: Ana Flor
Descrição: A forma, a cor e a luz de dias de ansiedade na companhia apenas da bagunça. Autor: Ana Flor
Data: Abril, 2011

sábado, 24 de março de 2012

Pinheirinho. Antes.

Na última semana completaram-se três meses da invasão e reintegração de posse da área conhecida como Pinheirinho em São José dos Campos. Hoje e amanhã você terá uma uma retrospectiva do ANTES e DEPOIS em fotos e textos do fotógrafo Victor Moriyama.



A vivência no assentamento do Pinheirinho foi extremamente intensa para a atual configuração das reportagens feitas nos diáiros. Na eminência da reintegração de posse do local, pude acompanhar, a partir de uma verdadeira imersão cultural neste já conhecido ambiente, a expectativa dos moradores frente a situação. Foram cerca de 5 noites mal dormidas na exinta secretaria geral do assentamento, localizada na frente do portão central.

Anteriormente havia fotografado a festa de anviersário do assentamento regada a música nordestina, cachaça e enormes brinquedos infláveis para a criançada. Era um sábado de sol, de alegria, e comemoração. Nem o morador mais pessimista imaginaria que aquele seria o último evento oficial do assentamento.

As noites que antecederam a desocupação do Pinheirinho foram tensas. O clima de apreensão tomava conta das feições dos guardiões da portaria central, moradores encapuzados e armados com pedaços de pau com pregos na ponta faziam a vigilância em período integral de toda a área. Motos, bicicletas e fogueteiros circulavam para cima e para baixo fazendo um zun zun zun danado. A reintegração de posse poderia acontecer a qualquer momento, e em caso positivo, todos os moradores seriam acordados rapidamente com o barulho dos morteiros.

Entre conversas superficiais, boas risadas e tragos de cachaça, pude perceber a diversidade cultural como fator predominante naquela distinta população de um dos maiores assentamentos do país. Nordestinos, paulistanos, piauienses e moradores de diversas regiões do país haviam chegado anos atrás na cidade em busca de um futuro melhor.

Muitos temiam a violência policial, outros aceitavam a contra gosto a ordem judicial. “Essa mulher está com a cara do capeta, eu vi na tv”, esbrevajava uma senhora a respeito da juíza Márcia Loureiro, da Sexta Vara Cível em São José dos Campos, responsável pela ordem de desapropriação do terreno. Alguns tímidos carros deixavam o assentamento com sofás e camas amarrados ao teto.

Foram dias inteiros se arrastando com a provável ocupação policial do terreno. “Estou sem dormir a seis dias. Pelo Pinheirinho eu faço tudo.”, excamou Juarez com uma olheira tão profunda que beira o indescritível.

Ouvi de outra senhora, no amanhecer do dia, uma frase que me marcou demais: “eu demorei anos para construir minha casa de bloco meu filho. Eu não tenho para onde ir”. Dona Raimunda tem 72 anos e vivia no Pinheirinho desde o início do assentamento. O sentimento de resistência era comum aos moradores de todas as faixas etárias. Nestas noites que passei em companhia dos ex-moradores não tive nenhuma desavença com ninguém embora os “caras do movimento” (tráfico) me xingassem pelo canto do olho.

A madrugava entrava quente naquela noite típica do verão brasileiro. A música “povo da periferia” do aclamado rapper brasileiro Naldinho ecoava por todos os becos do assentamento. A frase inicial da música parecia embalar aquele sentimento de resistência dos moradores “O tempo da periferia há muito tempo ta abandonado. Enquanto o povo da classe alta ta enchendo o rabo de dinheiro o povo daqui ta no veneno, sem emprego, na fome”.

O movimento na secretaria do assentamento era contínuo. Pães, refrigerantes, formas de bolo e dúzias de garrafas térmicas com café preto e doce entravam e saiam a todo instante. A esta altura as barricadas construídas com pedaços de madeira e pneus já bloqueavam as principais ruas no interior do assentamento e seu acesso começava a ser restringindo para a imprensa a partir de ordem dada pelo diretor de comunicação do Pinheirinho.

O Clima esquentava. A menos de dois dias do Dia D a guerra estava anunciada com o primeiro ônibus incendiado e sua foto publicada na capa dos principais veículos de imprensa do país. O exército do Pinheirinho fortalecia a tensão ao exibir seu poderio medieval para as câmeras da imprensa.

Victor Moriyama, 26 anos, é repórter fotográfico do Jornal O Vale, em São José dos Campos, cidade que reside atualmente. Mantém a coluna mensal Fotógrafo-escreve.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tent City: um ensaio fotográfico

Há cerca de um mês centenas de jovens ocuparam Wall Street, Nova York, em protesto contra a situação econômica no planeta. Após, várias outras cidades ao redor do globo tomaram a mesma iniciativa, e Londres não poderia ser diferente.

Aqui o local escolhido foi o entorno da St. Pauls Cathedral – na verdade não exatamente ali, a ideia inicial era uma espécie de praça ao lado, Paternoster Square, onde fica a bolsa de valores. Todavia, apesar de aberto, o local é privado, portanto não passível de ser ocupado.

A solução encontrada foi, então, acampar na Catedral – a autoridade eclesiástica responsável não viu problemas, desde que os novos inquilinos não obstruíssem as portas da igreja nem fizessem barulho no momento das missas.

Imbróglio resolvido, lá estão desde então, em barracas coloridas que formam a Tent City. Em torno de 150 pessoas fizeram do EC4M 8AD seu novo postcode, entre os que precisam sair para trabalhar, os que passam apenas uma noite ou que batem ponto regularmente.

De fato, é quase uma “vila”. Banheiros públicos foram instalados, a cozinha coletiva serve refeições para qualquer um que precise comer: acampados, sem teto ou apenas passantes – não raro vejo fotógrafos filando um misto-frio.

Doações abastecem a dispensa, e há muita comida. Seja massa, molho de tomate ou apenas uma fatia de torta como volta e meia presencio algumas senhoras entregando.

Neste caso, o alimento é imediatamente aberto e posto na mesa à disposição de quem tenha fome. Diariamente acontecem oficinas sobre economia, política, discussões sobre a situação na qual nos encontramos. Há também a tenda do chá e café, normalmente com alguém tocando violão; tenda do piano, massagem, biblioteca, templo...


Muitos usam máscaras de Guy Fawkes, tal qual V, personagem que ficou famoso após a película “V de Vingança”. Aspas, Fawkes era o responsável por pôr em prática um plano de explodir a House of Lords, parte do parlamento britânico, em 1605. O plano fracassou, mas até hoje os ingleses comemoram a noite do dia 5 de novembro soltando fogos de artifício. Quando passou por lá, Julian Assange usou uma. Fecha aspas.

Policiais passeiam entre as barracas, conversam com os acampados. Não há muitos, contudo as entradas de Paternoster Square são vigiadas 24h, além de bloqueadas por grades. Outra ocupação aconteceu em Finbury Square, mas bem menor.

Como os moradores locais não viram problema, lá estão acampados até hoje. Há imprensa de diversas línguas, vários canais britânicos, atentos a qual será o próximo ato.

E, uma coisa não muda de cá para o Brasil, boa parte dos manifestantes não tem uma boa opinião sobre muito do que é publicado – embora eu ache que deve ser menos distorcido do que as cobertura da RBS durante as revoltas da catraca em Florianópolis.

Não há data definida para saírem de lá, se depender de alguns deles o réveillon será numa área bastante nobre da capital inglesa. Qualquer que seja o desfecho, que os ideais da Tent City ajudem algumas outras cidades, bem servidas de dinheiro mas carentes de ideias.

Pedro Mox, fotógrafo. De Londres especial para o Nota de Rodapé

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ode à reflexão

Eu estava trabalhando no interior de Goiás e fotografava o centro da pequena Cavalcante. Era o primeiro dia na cidade, clicava as casinhas, a praça, a fachada das lojinhas comerciais, pessoas transitando ao longe, cachorros, crianças de bicicleta. Usava a estratégia de sempre: colocava a mim mesmo e a máquina fotográfica aos olhares de todos. Alguns fotógrafos querem passar desapercebidos. Eu preciso ser vista.

Um olhar de cumplicidade, um sorriso, um gesto, uma aproximação, algumas palavras trocadas e eu migro para o segundo momento: fotografar os habitantes do lugar, que confesso, sempre me interessam mais do que as arquiteturas ou as naturezas.

Neste dia perdi uma foto: uma mulher do quilombo Kalunga caminhava no sol tórrido do cerrado com uma sombrinha de um vermelho estupendo que contrastava com o cinza-esbranquiçado do asfalto e fechava um arco de cor com a pele negra da moça.

Quantas vezes, caminhando na rua não somos pegos por uma cena incrível e hesitamos? Quantas vezes uma fotografia não ficou só na cabeça? Faltou tempo, coragem, feeling, atenção. Voltar? Refazer? A cada passo a imagem vai tornando-se translucida, entrando para os nossos arquivos mentais.

Acervo das imagens que não fizemos, das imagens que são somente potencial. E que não existem e nunca vão. Eu considero estas boas imagens também. Pois é em defesa das fotos que não fiz que escrevo este texto.

Imaginar imagens não deixa de ser um acúmulo de experiência fotográfica. Não, não estou propondo que você pare de fotografar ou que deixe de comprar aquela câmera. Estou fazendo uma ode à reflexão. Há que se pensar antes e depois do clic.

Nunca durante, nos ensinou o grande Cartier Bresson. Quando se trata de fotografar pessoas há que relacionar-se, baixar a câmera, olhar nos olhos, trocar palavras e dançar. Acrescento a dança porque outro dia ouvi intrigada de um amigo: “para esta sua profissão, tem que saber dançar, né?”. Não... devo ter respondido mentalmente. Mas é claro que sim. Saber trocar é essencial.

[clique para ver a imagem no tamanho original] 

Sabemos devolver as imagens que produzimos? Está é uma postura que gosto de assumir e admiro os fotógrafos que fazem isso. Admiro as pessoas, fotógrafos ou não, que diante do outro se mostrem interessadas em aprender e não só em apreender. Existe um excesso de imagens sendo produzidas.

Às vezes temos a sensação de que todos os temas já foram clicados com tanta competência que nem vale a pena se lançar ao assunto.

A fotografia, uma jovem senhora de 172 anos atingiu proporções inimagináveis e o ineditismo perdeu lugar há muito tempo. Resta dizer que o que se fotografa não é mais o carro chefe, mas sim como se fotografa. A tecnologia mais cara da fotografia é o próprio homem, suas relações, suas paixões, seus desejos, seus sonhos e indignações. É por isso que eu, como ainda não sei dançar, estou tratando de arriscar alguns passos.

Próxima coluna. Entrevista com Luiz Achutti:
Achutti, preciso de uma brevíssima descrição tua para colocar no NR, pode ser essa: Fotógrafo, antropólogo, jornalista, ex-ator (anos 70), professor da UFRGS e membro de Phanie Centre de l'ethnologie et de l'image?
- e Gremista!

Ana Mendes
, 26 anos, gaúcha de nascimento, errante de coração e profissão. Fotógrafa e cineasta documental formada em Ciências Sociais. Trabalha como fotojornalista freelancer entre Brasília e Porto Alegre. A coluna Faço Foto, aqui no Nota de Rodapé, irá debater o ofício de fotógrafos que trabalham com a temática social em fotos de caráter documental, jornalístico e artístico.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

À espera do despejo

Cortiço, favela, marginais, absurdo. Adjetivos como esses são comuns de se ouvir na porta das ocupações. Moradores antigos da região central esbravejam e não querem ter como vizinhos inquilinos que não pagam aluguel, muito menos contas de água e luz.

É o que acontece atualmente na Rua da Consolação, em frente ao cemitério, onde um grupo de pessoas ocupou de forma invadida um imóvel abandonado há anos com o objetivo de residir no local.

[clique para ampliar as imagens]


O grupo, liderado por Sílvio acabara de ser removido pela tropa de choque de outra ocupação, que já durava dois anos num antigo prédio estatal, na Rua Martins Fontes, e se mudara para um ponto nobre da cidade, ao lado do bairro Higienópolis.

"Em seis horas a gente já tinha ligado luz no prédio todo e colocado uma mangueira comunitária para abastecimento de água. Demos sorte que as estruturas desse edíficio não foram muito danificadas" relata Sílvio sobre a noite da ocupação.




As invasões por razões discretas são sempre realizadas durante a madrugada, na surdina, sem causar estardalhaço. No dia seguinte, um mutirão de pessoas trabalha sob o sol para deixar o local "mais habitável".




Roupas estendidas no varal, pilhas de lixo sendo removidas, mulheres lavando o quintal, são alguns sinais de reativação do local. Cenas como essa acontecem mensalmente em diversos edíficios espalhados pela região central ocupados, em sua maioria, por movimentos populares.




Estima-se que existam atualmente cerca de 14 mil moradores de rua na cidade de São Paulo. Em contrapartida, especialistas afirmam que há disponível uma área de 5,2 milhões de metros quadrados divididos em centenas de imóveis abandonados.




Em grande parte estes edifícios acumulam dívidas estratosféricas e os proprietários acabam abandonando o espaço. "Quando a gente entra no lugar, conversa com os nóias (usuários de crack) e argumenta com eles que estamos querendo tomar o local para morar, e não para usar droga. Fumar pedra eles podem fazer na rua não é verdade?", relata Juliana, moradora do local.

Lugares como estes sempre me cativaram, me atraem de uma forma inexplicável, trata-se de um convite espiritual a penetrar um universo marginal da existência humana. Tomo fôlego, olho para cima e avisto um grupo de pessoas, que com a mão acenam para que entre.




O líder da ocupação é uma pessoa carismática, polida, cuja vivência de rua demonstra um conhecimento particular da malandragem e das coisas mundanas. Após um gole de café, me convida para conhecer seu apartamento, classificado por ele como 'suíte presidencial' localizada no último andar do edíficio.




O local transcende o conceito de improvisação. Paredes de maderite são rearranjadas toda noite conforme o vento e o frio, barris de água coletada da chuva servem para fazer a higiene cotidiana de Sílvio e sua família. A televisão funciona tão bem que as cores do filme 300 são tão intensas quanto as do cinema.

Invasão

O nome apropriado não deveria ser esse. Numa cidade com tantos moradores de rua, a quantidade de imóveis vazios seria mais do que suficiente para abrigar toda essa gente.

Reflexo da desigualdade e da falta de políticas públicas equilibradas para atender este contingente de pessoas comuns, que levam os filhos as escolas, que trabalham e que acima de tudo tem enorme dignidade.

Cabeça erguida para recomeçar tudo de novo quando a polícia vier com a ordem de despejo. Não querem confusão, não querem vandalizar o patrimônio privado, ao contrário, clamam pelo direito à moradia e mais do que isso, por uma vida digna, fora das calçadas traiçoeiras de São Paulo.

Me despeço de Sílvio com a promessa de colaborar no dia das crianças com a festa que darão para os pequenos da ocupação.




O dia será cheio de alegria para estas pessoas cujo futuro incerto chega a ser apavorante. "Quando vier o despejo a gente continua com a cabeça erguida, escolhe um novo local e começa tudo de novo. Desistir? Eu que não vou deixar minha mulher e meus filhos vivendo em calçada!"

Victor Moriyama, 26 anos, é repórter fotográfico do Jornal O Vale, em São José dos Campos, cidade que reside atualmente. Mantém coluna Fotógrafo-escreve no NR.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Não se preocupe, África

O artista Italiano, Cani&Porci, numa contuntende ilustração. Nem é preciso dizer nada. Se tiver interesse, conheça o blog dele, Mal d’estro.

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